Não meça nossas roupas, parça.

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Mais um ingrediente foi colocado na roda de discussão sobre os direitos das mulheres e a busca por igualdade entre os sexos: as roupas que elas usam. Ou melhor, o preconceito que muitas roupas geram.

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A ONG suíça Terres des Femmes lançou uma campanha que critica a forma como julgamos as mulheres por suas vestimentas. E quando eu digo “julgamos” é porque homens e mulheres são responsáveis por espalhar este tipo de problema adiante.

Nas imagens, nunca a avaliação é positiva, é sempre uma qualificação que não leva em conta o estilo, a personalidade e muito menos a liberdade de cada um ao se vestir. Os termos são, de baixo para cima: puritana, antiquada, entediante, provocante, atrevida, pedindo por isso, piranha e prostituta. 

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“Não meça uma mulher pelas suas roupas” é uma campanha bem legal produzida na Miami Ad School da Alemanha, mas a ideia, no entanto, não é original. A estudante Pomona Lake lançou algo bem parecido em 2013 e teve um alcance menor com seu trabalho, então agora corre-se o risco da discussão mudar para quem copiou quem. Enquanto isso, ficaremos aqui com a pipoca na mão esperando para falar do que interessa, já que a raíz das duas ideias é o que realmente importa.

Heróis dos quadrinhos com corpo de gente real

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O que mais te impressiona quando você vê um cosplay bem feito? Os detalhes da roupa? O acabamento? A semelhança do rosto? O que mais me impressiona, digo com certeza, é a semelhança física. Ficar com o corpo parecido, nem que de longe, com o de um herói ou heroína é proeza para poucos ou requer habilidades de drag queen, no caso das moças. Em alguns casos, no entanto, chega a ser impossível.

Para ilustrar bem a questão, o site Bulimia.com convidou artistas para redesenharem algumas capas de gibis e darem corpos realistas para vários heróis. O objetivo é mostrar que não é só o recheio que é ficção: os traços também. E não é que nem elas, nem eles, ficaram menos bonitões por isso? ;)

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“Life is strange”: um jogo embrulhado para presente

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Não é impressão sua, não é engano da garotinha fã de quadrinhos, nem implicância das mulheres do mundo do entretenimento: aparentemente, em pleno 2015, somos frequentemente esquecidas de papeis de destaque ou não somos vistas como interessantes o suficiente para mover uma história.

No Globo de Ouro, a questão veio à tona mais uma vez quando Amy Poehler e Tina Fey deram aquela cutucadinha básica no mercado e comentaram que um dos únicos papeis interessantes para mulheres mais velhas foi o da premiada Patricia Arquette em “Boyhood”. E as duas não estão erradas em causar essa “saia justa” em frente aos poderosos da indústria: uma pesquisa da Universidade de San Diego deixa bem claro o quanto a catraca de Hollywood não está virando para as mulheres, mesmo com filmes bem-sucedidos tendo elas (nós) como protagonistas. Exemplos rápidos: “Jogos Vorazes”, “Malévola” e o fenômeno “Frozen”.

No mundo dos games, a situação começa a ficar (ainda mais) periclitante. Apesar de já sermos, só no Brasil, pelo menos 47% do público gamer, não há um dia sequer em que eu não leia o relato de alguma garota que sofreu algum tipo de preconceito simplesmente por querer jogar e se divertir. Ou seja: além de não sermos representadas e de não termos praticamente nenhum marketing voltado para nós, ainda somos alvo de críticas e objetificações o tempo todo.

Dito isso, quando me sentei para jogar o primeiro episódio de “Life Is Strange” no último sábado me senti aliviada. Até presenteada, para ser mais exata.

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Produzido pela Square Enix, mesmo estúdio responsável por “Tomb Raider”, o jogo “Life is Strange” vem dividido por episódios e conta a história de uma adolescente chamada Max. Depois de mudar de cidade e escola para abraçar sua paixão pela fotografia, a garota acaba enfrentando uma série de dificuldades para se enturmar e arranja confusões compulsoriamente por onde passa.

Num desses momentos, ela descobre a improvável habilidade de manipular o tempo e de, portanto, fazer novas escolhas. Seus “poderes” especiais permitem que ela dê a volta por cima, seja herói por um dia (ou vários) e tente descobrir um mistério ao lado de sua melhor amiga da infância.

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Menina de onze anos pede mais heroínas para a DC Comics

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Existem heróis com mil e uma habilidades, tamanhos e espécies. Mesmo quando esquisitos, todos tem uma boa dose de carisma – vide Groot, de “Guardiões da Galáxia”. E todos, ou quase todos, tem mais uma coisa em comum: são homens. Mesmo árvores costumando não ter gênero.

Uma garotinha americana de onze anos adora quadrinhos e andou percebendo toda essa discrepância. Depois da polêmica envolvendo a hipersexualizada capa de Milo Manara para a Mulher Aranha, essa menina colocou a questão uns capítulos para trás e lançou apenas uma simples pergunta: por que existem tão poucos heróis mulheres? Por que as poucas heroínas que existem não recebem atenção com um filme ou uma série de TV próprios? Boas perguntas, Rowan.

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“Wonder Woman”: o piloto da série de TV chegou a ser chamado de “constrangedor” pelos críticos

A garota teve vontade de escrever à DC Comics depois de ganhar alguns toys de personagens da empresa da Target. Ela notou que, de 12 personagens disponíveis, só dois são mulheres. E, olha só!, ainda estão perdidos lá no último lugar da cartela.

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a cartela de Chibis e a cartinha da garota

Embora tenha conseguido uma resposta, Rowan só vai poder assistir ao filme dedicado à Mulher Maravilha em 2017. Até lá, a única coisa que ela tem é um twit com menos de 140 caracteres de dedicação.

A resposta da DC:  

Que tipo de entretenimento poderia ser esse, voltado para garotas? Será possível que algum dia a cultura pop contemple tanto meninos quanto meninas com um quadrinho, ou precisaremos sempre de um “Monster High” à parte?

Ainda na carta, a jovem leitora deu a dica que meninas também gostam de quadrinhos. E reforço o coro: também gostamos de games. E também gostamos de cinema! E também gostamos de não nos ver peladas o tempo todo. 

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ps: Para quem se interessar sobre o assunto, vale ler sobre o teste de Bechdel. A carta da garotinha, escrita à mão, pode ser lida aqui.

Do Egito até os dias de hoje: o que se espera do corpo feminino?

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Magra, reta, com bunda, sem bunda, com peito, com um peito maior ainda, com cabelão, cabelinho… Além de levar uma vida normal, trabalhando, pagando contas e tentando alcançar o Santo Graal da felicidade, as mulheres têm de lidar não só com tendências de moda – mas com tendências de corpo. E, ao contrário de roupas que vão e vem, corpo mesmo, só tem um. 

dos anos 80 para os 90: só nascendo de novo?

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A diferença é que há algumas centenas de anos atrás, levava-se séculos para que o padrão mudasse. Porém, depois nos anos 20, as mulheres lidam com quase um padrão por década. Ou seja: você pode ser adolescente e estar “bem”, questionar o próprio corpo aos 20 e depois resolver encarar uma plástica aos 30, para tentar se sentir confiante. Ou ao contrário: seu melhor momento ainda pode estar por vir.

A verdade é que é difícil construir uma base sólida para a auto-estima em meio a este vai e vem, ao mesmo tempo que ficou mais fácil estar “no padrão”, em algum momento. Olhando para trás, já pensou como uma magrinha deveria se sentir durante a Renascença? Provavelmente tratavam como doença grave.

Otimismos e pessimismos à parte, vale a pena ver este vídeo com a descrição dos “corpos” esperados para as mulheres através do tempo.

Como assinei uma trégua fashion com meus glúteos

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Uns com muito, outros com tão pouco! Ah os desejos de um corpo perfeito, uma curvinha aqui ou menos curvinhas lá. Hidrogel em umas, “thigh gap” em outras. Para completar a neurose, todos os manuais de estilo nos explicam que devemos ressaltar nossos pontos fortes em detrimento dos pontos não tão legais. Mas o que é um ponto forte? O que é legal em mim? Muito me estranha não vermos mais mulheres de sobretudo, pois é o que a auto-estima da maioria recomendaria como peça ideal. Uma pena.

Sou desse #timecasacão e nunca tive a preocupação de mostrar alguma parte xis do corpo por gostar dela, mas sempre tive a obsessão por disfarçar, tentar esconder ou subtrair um pouco de algumas coisas. Em especial, a minha grande, redonda e brasileira bunda. Sempre achei que  ela era a destruidora do look: “como vou usar essa roupa moderna com essa bunda gigante?”. Na minha cabeça, gente moderna não tem bunda – assim como não tem coxa, provavelmente tem cabelo liso, etc., mas principalmente não tem bunda.

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Jen Selter, a musa da buzanfa com a maior auto-estima do mundo, para a “Vanity Fair”

Engoli essa história goela abaixo há muito tempo e sempre me surpreendia ao ver Beyoncé em sua vida fora do palco, bem moderna, cabeluda e bem bunduda. Aí os exercícios entraram na minha vida, emagreci, tonifiquei, defini algumas partes do corpo, mas fui pouco a pouco descobrindo que, minha filha!, não há nada para diminuir seus glúteos se veio escrito na sua bula genética que grandes eles serão. Pelo contrário: quanto mais eu malho, mais a bunda insiste em aparecer gritando “TÔ AQUI DE BOAÇA, MANDA MAIS WHEY”. Em suma: nem a corrida, esporte acusado de derrubar buzanfas, foi capaz de acabar com tanta imponência.

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