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- Eu não conheço ninguém que já foi estuprada, você conhece? É uma coisa muito distante, eu acho. A gente só lê por aí e tal, mas nunca acontece com a gente.

Estupro, por exemplo. Teve aquela moça lá do sul que estava levando a filhinha no braço. Estava de legging, o jornal até postou uma foto. Dizem que um cara foi lá e estuprou ela com a criança do lado. Tava no meio do mato, de calça legging, sozinha. Sei lá né, podia ter evitado de ir por lá. Todo mundo sabe o que aconteceu com a Chapéuzinho Vermelho.

Tipo, teve essa história  da moça da CPTM que tava de calça jeans voltando do trabalho no trem lotado também. Eu acho que ele gozou nela, sei lá. (risos) Parece que o rapaz machucou o braço dela também, teve que fazer uns exames e tal. Mas não foi estuprada, estuprada né, gente? Devia estar muito apertado lá dentro.

Eu só leio essas notícias, não conheço ninguém que foi estuprada. Tá, vai. Teve uma amiga minha que foi filmada transando e ficaram distribuindo o vídeo dela. Ainda bem que não tinha internet direito ainda. Mas ela ficou super chateada na época. Agora também, burra, né? Como não viu a câmera? Não dá pra entender.

Teve uma outra menina que uma vez saiu com um cara depois de uma festa, estava meio bêbada, e até hoje não sabe se queria ter dado para o cara ou não. Ele encheu o saco, ficou insistindo, ele era saradão e tal… Daí ok, aconteceu. Eles acabaram saindo de novo umas vezes depois e ela deixou isso pra lá, ele era gente boa.

Ah, comigo mesmo. Uma vez eu bebi um pouco, tá, fiquei bêbada mesmo, numa festa, e encostei num sofá enquanto esperava meu namorado pegar água pra mim. Quando eu abri o olho, tinha dois caras sentados do meu lado, um tava até com a mão no meu joelho perguntando se eu estava com alguém já, se eu precisava de ajuda. Eu achei meio estranho, tirei a mão dele de mim e aí meu namorado chegou, eles foram embora. Como tem gente folgada, né?

Falando em folgado… Lembrei de uma história. Uma vez eu tinha uns 18 anos, eu acho, estava indo para uma balada com as minhas amigas – naquela época a gente ainda achava a Vila Olímpia legal – e um cara me pegou na rua. Ele queria me beijar de todo jeito, minhas amigas ficaram gritando para ele me soltar e o cara nem aí. Aí ele segurou meus braços para trás e me deu um beijo no meio da rua. Eu me senti uma idiota, né? Não queria ficar com ele. Fiquei meio chateada, estragou a noite.

Agora estupro, estupro mesmo, eu não conheço ninguém de verdade que foi estuprada. Tá, uma vez eu fiquei com medo. A moça que trabalhava na minha casa me levava para a escola de música quando eu era criança e todo dia a gente fazia o mesmo caminho. A aula era de terça e quinta às 3 da tarde. Aí uma vez, voltando, um cara prensou a moça na parede, ela tava tentando sair e eu fiquei meio assim.. Não sabia o que fazer. Eu estava com os livros na mão, não sabia se corria, se esperava acabar, sei lá. Não sabia se ela estava gostando. Daí ele largou ela e a gente foi embora. Ela mandou eu andar rápido, tava sol, cheguei super cansada em casa. Lembro que eu não contei pra minha mãe porque não queria que a moça tomasse bronca, mas eu fiquei meio assustada, sei lá. Vai que a gente estava indo para a escola e o cara aparece de novo?

Agora estupro, estupro mesmo… Eu não conheço ninguém. E você?

- Olha… Eu acho que conheço.

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Postado por Fernanda Pineda

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A geração Y faz menos. Os japoneses trendsetters fazem menos. A humanidade prefere ler, ouvir e assistir tudo a respeito ao invés de precisar derramar algumas gotas de suor na roupa da cama recém-lavada. Somos metódicos e sexo é cansativo, bagunçado e exagerado. Estamos ocupados demais para um pouquinho de caos.

Se antes a brincadeira entre as famílias com muitos herdeiros é de que não tinha TV em casa, hoje a brincadeira pode ser que um smartphone é um ótimo anticoncepcional. Chega até a parecer uma piada que tantos aplicativos para te ajudar a fazer sexo surjam justamente num momento em que o telefone já é um dos grandes vilões da relação sexual. O que isso quer dizer é muito simples: estamos sempre com medo de perder alguma coisa – o famoso mal moderno do “FOMO” (fear of missing out).

Explicando rapidamente, o FOMO se caracteriza por uma grande ansiedade diante da falta de informações sobre algo ou alguém. Acabou a bateria do celular e você fica na rua com aquela sensação de quem saiu de casa pelado? O wi-fi não funciona e você pre-ci-sa saber o que acontece na grande rede mundial de computadores? Parabéns, talvez você saiba bem do que o FOMO é capaz!

A relação dessa deprê moderna com o rala e rola é bem simples, quase patética. Quando não estamos transando, estamos desesperados imaginando que perdemos algo enquanto todos tem orgamos múltiplos em pleno sábado à noite. Grindr, Tinder, Chat do Facebook, se vira como pode. A gente escolhe transar, mesmo se a noite no motel tiver jeito de masturbação assistida. Ironicamente, se temos com quem nos relacionar, achamos que estamos perdendo alguma outra coisa e vamos, de fato, fazer outra coisa, porque sempre haverá algo a ser feito antes do sexo. A gente escolhe não transar, mesmo sabendo que aquela pessoa ali te conhece de cabo a rabo, com o perdão da expressão.

Diante de tanta pressão social (desculpe se este texto se enquadrar nisso), cada vez mais o sexo é tudo para se ter um relacionamento feliz. O quanto é normal? O quanto é pouco? É bom comparar com os amigos? “Ah, relacionamento longo é assim mesmo”. “Alguns meses já é longo, então?”, se questiona o cidadão cansado que cai no sono com o celular na mão antes de concluir uma simples punheta para relaxar.

Por outro lado, sexo é cada vez mais nada. Não é raro ver casais extremamente cúmplices que não se tocam embaixo das calças há um bom tempo e são felizes assim. Felizes, mas talvez preocupados. “Será que sou chifruda por isso?” ou “Ela deve estar dando para alguém, não é possível”. Dormir tranquilo é um desafio, porque talvez não seja “possível”, mesmo.

No filme incrível de Spike Jonze, “Her”, a inviabilidade de se viver sem sexo é o maior problema enfrentado no relacionamento do geek Theodore e do sistema operacional Samantha. Num tempo fictício em que é absolutamente normal o absurdo de namorar um computador e de viver com os olhos vidrados nas telas de nossos aparelhos (algo que deveria ser tão absurdo quanto), o sexo é um dos últimos alertas para acordar os personagens para o que realmente importa.

O tempo que cada um decide gastar nesta gangorra é uma escolha absolutamente pessoal, mas sempre há, sim, a possibilidade de o lado  ”nada” estar precisando do sopro de vida de um bom “tudão”.

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Postado por Fernanda Pineda

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Apesar da era das grandes divas do cinema ter passado há tempos, a França continua nos presenteando eventualmente com boas representantes do tal “je ne sais quois”. A expressão é usada como um adjetivo dado à gente charmosa que não se sabe o porquê, gente interessante que não conseguimos dizer exatamente o porquê. E às vezes o porquê é justamente o conjunto da obra: um cabelo desencanado, uma pele natural, uma roupa que não parece ter sido escolhida por horas a fio. Nada óbvio, mas ao mesmo tempo, nada absolutamente especial.

O livro “A Parisiense”, aliás, é um verdadeiro tratado sobre esse jeitão admirado das francesas e traz também algumas dicas de estilo pessoal para tentar conquistar isso em casa, em pleno país tropical. É difícil, sim, requer prática, habilidade e desprendimento. Em todo caso, as fotos da moça do post de hoje poderiam servir para ilustrar muitas páginas do livro de Ines de La Fressange.

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Marine Vacht é francesa, tem 22 anos e já modelou para Yves Saint Laurent no lugar de Kate Moss em 2011. A também atriz ganhou a imprensa do mundo todo por seu papel em “Jovem e Bela” (no original, “Jeune & Jolie”), filme que conta a história de uma jovem parisiense que decide se prostituir em Paris depois de perder a virgindade. Tudo por pura curiosidade. O filme ficou em cartaz em poucos cinemas e durante pouco tempo em 2013, mas já é fácil de ser encontrado nos torrents da vida.

Não bastasse o teor do filme e o jeitinho de ninfeta, a moça é daquelas que se veste de forma excêntrica, usa pouca maquiagem e parece ler bons livros. E já substituiu Kate Moss numa campanha.

Apesar de magra, Marine não costuma exibir muito a forma e geralmente opta por tecidos mais leves e fluidos. Para quebrar a aparência “pijamão”, às vezes o máximo que faz é colocar um salto. A gente pode até não aprovar e achar com cara de desleixo, mas vai dizer se ela não está toda segura de si aí nas fotos? Esbanjando je ne sais quoi na cara da sociedade? É para se inspirar.

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Postado por Fernanda Pineda

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É isso mesmo que você tá pensando.

Esse crowdfunding mal começou e já causa comoção: que tal arrecadar dinheiro para lançar um app que tem a intenção de ensinar as mulheres a se masturbarem? Para alguns, o propósito é tão nobre quanto questionável.

Criado pela designer Tina Gong, o projeto leva o sugestivo nome de “HappyPlayTime” e terá um guia de anatomia, assim como técnicas que podem ser reproduzidas pela mulherada no conforto do lar. Através de uma espécie de jogo, as usuárias poderão aprender jeitos diferentes de se tocar, assim como também poderão compartilhar as suas técnicas favoritas. O app pretende se tornar um verdadeiro catálogo de jeitinhos de chegar lá com as próprias mãos.

O jogo educativo, por assim dizer, está sendo planejado para celulares e deve jogar uma bela luz num assunto há tanto tempo tabu para as moças. Já existe uma demonstração da primeira fase disponível para teste e tudo começa com uma fofa e vibrante vulva falante explicando de forma bem didática o que é cada parte da vagina.

Segundo uma pesquisa feita pela idealizadora, não só há mulheres que não se masturbam quase nunca, quanto há aquelas que realmente não sabem nem por onde começar. O projeto já arrecadou US$1391 e ainda faltam mais de 20 dias para que o valor total de US$35 mil seja alcançado.

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46,6% das mulheres se masturbam menos de uma vez por mês, segundo pesquisa

Acho a ideia maluca, mas um tanto quanto genial e leve – fator mais importante quando este é o assunto. Sob o edredom, um aplicativo de celular pode sim ajudar muitas garotas a perderem a vergonha de si mesmas, mostrando que masturbação é algo normal e importante para uma vida sexual saudável. Por outro lado, é óbvio que anos de repressão sexual não vão ser resolvidos com um “brinquedinho” bobo de app store. Pior ainda: a história pode até soar como uma piada de mal gosto sobre a capacidade e o desejo das mulheres, reforçando preconceitos e ideias ultrapassadas.

E você, baixaria esse app? É possível fazer sua doação ou checar o status do projeto aqui.

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Postado por Fernanda Pineda

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e quem nunca passou por isso?

Um manual para você que quer ser alguém na noite sem ter histórico cool favorável. Um guia para quem precisa se livrar de gente chata usando mentirinhas elegantes. Um apanhado de dicas para viver bem acima do peso e muito abaixo do orçamento sem ser crucificada. Foi isso que a apresentadora Jana Rosa e a escritora Camila Fremder produziram juntas: um livro cheio de conselhos para lidar com situações ingratas que acontecem com (quase) toda mulher na casa dos 20.

“Como Ter uma Vida Normal Sendo Louca” tem um humor ácido que vai te fazer rir bem alto, tudo porque mistura conselhos realistas do tipo “fake it ’til you make it” (engane até você conseguir), mas também conselhos ainda mais loucos que a própria situação da vítima. Afinal, que tal se livrar do vexame de uma foto feia na Internet dizendo que vai embarcar para a lua com a Nasa semana que vem? Super coerente se for pra rir, é claro. rs

Com pouco mais de 200 páginas e uma lista bem grande de pedidos de desculpas aos malas citados no texto (inclusive blogueiras e pessoas inconvenientes com metabolismo rápido), o livro é perfeito para ser devorado na areia da praia neste verão. Enquanto você presta atenção nas descrições super detalhadas dos casos (com nomes e tudo – tipo, astróloga/numeróloga chamada Núria), a dupla de autoras coloca uma piadinha leve. Uma piadinha maior. Um absurdão que vai fazer até o tio do coco rir da sua risada.

Talvez eu só não tenha me divertido muito no capítulo sobre dietas. A descrição do problema foi real até demais, e as dicas não foram tão loucas o suficiente para me fazer rir. Difícil fazer humor com dieta. “Largue seu casaco PP no carro de um amigo, para que todos vejam o quanto você está em forma” – é tão absurdo que consigo imaginar alguém fazendo isso de verdade.

Em todo caso, o capítulo sobre como enfrentar o ridículo reencontro de 10 anos do ensino médio compensa qualquer mal causado pelo capítulo da malhação. Me sinto devidamente preparada para lidar com esse churras maravilhoso que deve acontecer em minha vida em breve. Preciso falar mais? Livro devidamente recomendado!

 

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Postado por Fernanda Pineda

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Um campo de batalha é cor-de-rosa. O outro campo de batalha é azul. Um se apresenta com uma proposta divertida. O outro já chega como estratégia de vingança. No primeiro, a minoria tem a chance de falar – se divertir -, no segundo, a maioria tem a chance de se reafirmar. Bem vindos ao ringue que se tornou a discussão em torno dos aplicativos Lulu, que postei aqui,  e Tubby, sua versão masculina, no Facebook.

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O primeiro aplicativo foi criado por uma americana, Alexandra Chong, e se propõe como uma brincadeira feita por meninas para para meninas avaliarem o comportamento de ex-peguetes, ex-namorados, amigos e até parentes. O alto número de downloads botou o programinha na boca do povo e surgiu até um mercado paralelo de avaliações, tudo para o cara ficar bem na fita. Já o segundo aplicativo foi criado por um grupo de jovens que pretendiam dar direito de resposta aos homens, tudo focado exclusivamente na performance sexual. Em pouco tempo, a fanpage do Tubby ganhou milhares de fãs e centenas de curtidas em seu discurso de “botar medo” nas moças. É provável que seja lançado ainda esta semana, para não perder o hype.

Dito isso, vem a dúvida que mais ficou na minha cabeça durante as conversas com as amigas: será que houve toda essa repercussão em outros países em que o app foi lançado? Será que lá fora mulheres acharam horrível por temerem uma vingança? Será que homens se incomodaram, de verdade, em serem avaliados? Será que houve mesmo a necessidade de surgir um novo programa dando o outro lado, já conhecido, da moeda? Veja, todo mundo tem o direito de odiar a proposta, homens e mulheres, mas será que tanta comoção era mesmo necessária?

A exposição é realmente absurda, em ambos os casos. É como se você tivesse sido obrigado a participar de uma brincadeira de “rodar a garrafa” sem nem ter sido oficialmente convidado. Por isso, desde o início, era importante deixar bem claro que todos poderiam se retirar quando quisessem. No começo do Lulu, era tranquilo pedir para sair, isso até o servidor começar a engasgar. Muitos amigos ficaram presos no sistema e não duvido que alguns tenham tido até problemas pessoais por conta disso. Neste ponto, aliás, o Tubby está fazendo melhor: o app nem foi lançado ainda e você já pode ‘arregar’. É claro que a sobrecarga gera alguns erros, mas insistindo uma hora é possível sair.

Tirando toda essa questão da privacidade e dos nossos dados Facebookianos rodando por aí (o melhor, na verdade, é protegê-los lá na rede social mesmo), os dois lados são iguais e tem os mesmos propósitos: avaliar o outro. Mas, apesar de terem o mesmo fim, eles têm meios bem diferentes. E veja: são diferentes apenas e exclusivamente por conta do público com o qual trabalham.

Não é preciso levantar bandeira de feminismo ou ter doutorado em sociologia para saber que um homem “bom de cama” é muito bem visto em nossa sociedade. Sempre foi. Quando um homem cancela sua participação no Lulu, aliás, o app não é nada “feminino”: diz para o usuário que lá está cheio de mulheres do mundo todo falando apenas sobre ele e louquinhas para avaliá-lo. Como se nenhuma rapariga tivesse coisa melhor para fazer, ora pois. risos

Por outro lado, no Tubby, pelo pouco que vimos das tags, o resultado final vai se dividir em dois lados muito conhecidos pelas moças: você poderá ser safada/rodada (ruim) ou frígida/sem graça (ruim de novo). Também não sei se encontramos no Lulu, ou no mundo hétero inteiro, algo páreo para uma hashtag “#EngoleTudo”. Talvez porque realmente não tenha. Ao se descadastrar, você ainda é chamada de arregona (ruim outra vez).

Você pode odiar toda essa novela. Dizer que uma coisa incentivou a outra. Achar tudo infantil.  Na esperteza de um e no revanchismo de outro, é bem provável que um perca a pouca graça que tinha e o outro fique às moscas antes mesmo de começar. Aliás, como toda piada repetida, rir do opressor uma hora ia perder a graça. Já a piadinha com o oprimido nem deveria ter tanta graça assim.

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Sobre a autora: Fernanda Pineda Vicente, também conhecida como @loverox, vivendo em São Paulo. Produtora formada em Rádio e TV pela Faculdade Cásper Líbero e atriz profissional eventualmente praticante. Apaixonada por cinema, música, moda, nerdices e gatos, adora postar por aqui achados e descobertas na web e na vida real.Veja o perfil
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