Como fazer amizades na vida adulta, #Friendcrush e o divórcio

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Há muitos anos mergulhei num tema que até hoje me toca demais aqui no blog: amizade. E mais espeficicamente a questão: é possível fazer amigos depois de adulto? O texto na época foi um sucesso, descobri que o problema não era só comigo e hoje tenho a mais absoluta certeza que é algo perfeitamente comum e normal e este é um dos assuntos do vídeo de hoje.

Por que é que é tão difícil fazer novos amigos? E por que é que também perdemos mais amigos do que nunca conforme vamos ficando velhos? E antes que você pense que vai ficar sozinho nesse mundão, também vamos acender a luz no final do túnel: todo mundo tem um (a) #friendcrush dando sopa por aí e querendo muito tirar essa amizade do papel. Como, finalmente, fazer essa amizade acontece? ;)

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Fazer amigos na vida adulta: é possível?

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Você acredita que é possível fazer amigos depois dos vinte? Depois do trinta? Depois de já ter a vida feita e as contas pagas? Talvez isso muita gente não tenha nunca, mas talvez também não tenha amigos conquistados depois de uma certa idade. E por “amigo”, entenda, não estou falando de contatos para te indicar uma vaga de emprego, dar dicas de viagem ou fofocar & curtir no happy hour da firma – embora tudo isso aí seja super bom.

Estou falando aqui de alguém para ligar numa emergência, alguém para bancar a baby sitter do seu gato enquanto você viaja ou até, sei lá, batizar seu filho na igreja. Você conheceu alguém para quem delegaria alguma destas três tarefas depois de ter terminado a faculdade, essa grande última chance da raça humana para fazer amigos? Então você é uma exceção – ou vai se decepcionar em breve. Desculpa, mas alguém tinha que avisar.

Já imagino muitos dedos apontados para mim neste terceiro parágrafo, mas só no BBB amizades verdadeiras 4ever são feitas entre adultos sem grandes questionamentos ou requisição de antecedentes criminais. Para quem pensa que isso é babaquice, não sou só eu e minhas travas sociais que têm certeza da absoluta dificuldade de fazer amigos na vidinha adulta. O tópico está cheio de resultados no mestre Google.

Milhares de artigos se debruçam com fervor sobre o tema, mas foi difícil encontrar algo que respondesse o porquê. Com alguns cliques inclusive, encontra-se até guias ilustrados sobre como fazer amigos depois de adulto, uma coisa assim bem didática e vergonhosa. Clique por sua conta e risco para ver um manual de como se tornar um freak que tenta fazer amigos num clube do livro ou numa loja de pesca. Não sei, mas só desconfio que aquele manual de como ser uma gótica suave deve dar resultados mais concretos.

Agora veja como são as ironias da vida. Todas as dicas para fazer amigos novos servem também para conhecer gente com objetivos românticos. Isso significa simplesmente que, depois de uma certa idade, somos reféns do sexo como objetivo final de relacionamento. Veja, você poderia fazer amigos na balada, mas a tradição diz que lá é lugar para conhecer gente para ir para cama, certo? O contrário já não vale: você poderia transar com o vizinho da casa onde cresceu, mas se vocês se falam até hoje e não são inimigos ou casados, é bem provável que sejam amigos-quase-irmãos e já tenham superado essa questão.

O que acontece é que você segue a dica da inscrição no curso de jardinagem para conhecer alguém com interesse em comum e acaba, por exemplo, odiando todo mundo e tendo que adicionar no Facebook uma pessoa menos pior que vai te paquerar para todo o sempre. E você vai empurrá-la para a “friend zone”, porque, afinal, precisava de um amigo desde o princípio. Não é aquele amigo-amiiiigo, mas é o que tem pra hoje. Torcendo agora para não ser daqueles que mandam corrente no Whatsapp.

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Carta de divórcio

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Querido,

Não sei muito bem como lhe escrever esta carta, mas a verdade é que não tenho sido muito sincera contigo. É verdade. Não atendo sempre o telefone, ignoro seus Whatsapp e já não tenho a mesma rapidez de antes para responder quando você está online. Também não acho que ainda tenhamos aquela sintonia de pensamento do começo.

Meus interesses mudaram um pouco, normal!, todo mundo muda, mas não vi muito interesse de sua parte para acompanhar o que me fazia feliz. Claro, sei que é um momento difícil para você, mas percebi que nossas conversas viraram monólogos e perdi o fôlego de dizer qualquer coisa além de “eu também” ou sinto muito depois de seus vômitos diários.

O engraçado é que sua família é ótima, embora não tenhamos nos encontrado muitas vezes. Suas turmas, apesar de você não entrar em detalhes quando está comigo, também são legais. Não entendo muito bem porque você faz questão de reclamar de todos eles, mas imagino que pelos likes no seu Facebook era mais um exagero daqueles. Não era?

Não temos os mesmos planos sobre como educar nossos filhos e nunca quisemos dividir o mesmo apartamento pois sabíamos que ia ser problema na certa, mas estávamos muito bem com isso. Ninguém é muito fã de telefone nem de cobrança, aliás, você nunca ficou me devendo dinheiro nem nunca perdeu algo que eu lhe emprestei. É realmente admirável. Talvez por isso, tão difícil.

Preferia que você tivesse quebrado algum CD meu, perdido meu livro favorito no metrô ou postado uma foto ridícula no Instagram. Aí eu teria uma explicação, uma desculpa, alguma coisa a mais para colocar aqui, mas não há nada. Nada mesmo. Só há um monte de fotos para guardar e DRs frescas na memória: sobre atrasos, sobre negatividade, sobre mil e uma coisas, mas menos sobre o que menos importa e mais dói. Assim, não rola mais.

O problema, bem, o problema não sou eu. O problema é você. Não sei como lhe dizer, mas quero o divórcio, meu caro amigo.

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Já se “separou” de um amigo? Já teve que pedir as contas de um relacionamento de pura amizade? Como foi? Por que você tomou esta decisão?

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O reencontro, outra irônica maravilha do Facebook

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Facebook tem um poder inexplicável de reagregar pessoas de épocas passadas. E o melhor é que ao lembrar de um ex-colega e adicioná-lo, o sistema vai te sugerir pelo menos meia dúzia de outras pessoas da mesma turma. Com essa lógica, em uma semana você já adicionou de volta a turma inteira e pode ter a chance de encontrar no seu feed todas aquelas pessoas de quem você não sentia saudade alguma.

Aí que o Facebook também tem outra ferramenta, os grupos. Como é realmente muito chato ficar falando de piada interna – ou desgraça interna – num lugar público, o melhor mesmo é montar uma panelinha para fofocar com todas essas pessoas que foram readicionadas ao seu convívio virtual. Como sempre, o gancho para criação do espaço é uma notícia ruim, algo sempre muito mais viralizante, como todos sabem.

Papo vai, papo vem, notícias dadas, vem o momento Toptherm do “vamos falar de coisa boa”, também conhecido como “vamos contar as novidades e marcar um reencontro”.  Como ninguém está afim de contar as novidades incríveis da vida adulta e parecer pedante, todos esperam o assunto do churrasco bombar para poder explicar afinal de contas porque eles estão tão fucking ocupados que um conflito de agendas não permitirá que eles participem/ajudem a organizar/apareçam pra beber e outras variantes.

Estão todos tão ocupados em cutucar casquinha do próprio umbigo e eu aqui abrindo minhas gavetas atrás de um revólver a cada update que leio, em cada grupo que leio. São mil e uma vontades diárias de cometer suicídio à la Didi Mocó, mas daí eu rio muito mesmo, porque seria apenas mais notícia ruim para alimentar essas mentes pensantes e tão atarefadinhas.

Depois ninguém entende porque a notícia ruim prevalece. Ninguém fugiu do país? Foi preso? Saiu do armário? Será que ninguém engravidou inesperadamente, não? Tá todo mundo fazendo pós, MBA e preparando projeto?  Vão falar do que nessa quase convenção…?

Eu, por exemplo, acho que teria bastante coisa pra contar, mas acho que prefiro tomar cerveja quente em casa mesmo.

Escapismo juvenil e outras vontades

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stay, don’t stray

Eu sei que eu era feliz e não sabia, mas muita coisa da minha infância e adolescência eu fiz questão de esquecer. Não, eu não sofria bullying direto e reto, mas digamos que eu sempre dei um jeito de complicar as coisas para mim mesma, desconfiando da minha capacidade e me mantendo insegura para o que quer que fosse.

Aí de muitos eventos lembro-me muito bem de uma ocasião interessante, em que podia ter dado o meu primeiro beijo e ter me “equiparado” a algumas amigas e ter sido pioneira diante de outras, mas deixei passar.

Eu tinha mudado de colégio mas ainda era amiga das pessoas da escola antiga, então fui até uma festa de uma colega no início do ano (era começo de março, sei bem) rever os colegas, tomar refrigerante e comer coxinha (nunca fui do brigadeiro).

Com o sonzinho armado na garagem, todo mundo dançava e se divertia. Veio a tal “música lenta” e veio o momento de dançar com o menino que eu gostava e que, por um milagre, eu tinha descoberto que gostava de mim também. E agora sim você entende porque eu fui na festa do colégio antigo também.

Entre o vai e vem da vassoura, dancei com o rapaz com o braço esticado, há dois metros de distância com folga, fazendo de conta que ninguém sabia de nada.

Quando acabou a brincadeira, alguém pôs o fim no suplício soltando uma “música de balada”, mas foi aí que vieram me dar o recado: “fulaninho quer ficar com você! Você vai ficar com o fulaninho, né????”.

Tremi, congelei, me arrependi de ter nascido três vezes e entrei dentro do quartinho da garagem da minha colega. Ao lado de várias meninas que já não eram BVs, ouvi conselhos como “você gosta dele e ele gosta de você, vai em frente!” e continuei imóvel.

Foi a maior cena de desenho, várias cabeças falavam comigo, eu não ouvia nada e tudo se misturava. Eu lembrava, sei lá, da minha cama cheia de pelúcias em casa. Num desespero sem tamanho, dei um berro, chorando “eu não tô preparada!” e desabei.

Não precisei falar mais nada nem me constranger ainda mais, mil mensageiros fizeram o serviço e o menino, daí sim tímido, ficou na dele até o fim da festa. O melhor amigo dele (compreensivo e maduro demais pra idade) veio saber se estava tudo bem comigo e me trouxe refrigerante gelado.

Passados bons doze anos dessa cena, às vezes a vida adulta só me dá vontade de poder entrar no banheiro mais próximo com mil conselheiras se acotovelando do meu lado, daí eu grito “quero sumir” e sou ouvida e acolhida enquanto todos os meus problemas são resolvidos e o amigo gay traz uma cerveja gelada.

Será que algum dia vamos estar preparados? É, eu era feliz e não sabia.

23/2: um dia para protestar contra o bullying

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o hino: “calling someone ugly won’t make you prettier”

Hoje, 23 de fevereiro: dia de protestar contra o bullying. Não é uma data mundial, mas no Canadá o movimento vem ganhando adeptos para esta data que ficou conhecida com o apelido de “Pink Shirt Day” (dia da camisa rosa).

Divulgado e organizado por dois adolescentes de um colégio de Vancouver, o movimento ficou bem grande e consiste em, basicamente, vestir uma peça de roupa ou acessório na cor pink para mostrar que você é contra esta prática hostil e prejudicial.

A ideia é simples – e funciona! O evento já aconteceu em anos anteriores e foi um sucesso. Para a edição de hoje, a garotada conta com o apoio de diversas escolas e também de uma rádio da cidade, a CKNW.

Para divulgar o dia de vestir a camisa rosa, os adolescentes deram um passo além e fizeram um flashmob super viralizante a seu favor: a galera ensaiou uma coreografia e parou um shopping para exibir suas roupas pink com mensagens de aceitação.

O vídeo mostra não só a dança linda que os jovens fizeram, mas também a reação dos mais velhos, super encantados com as crianças e adolescentes engajados:
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Bullying é a definição dada a comportamentos repetitivos de hostilidade e humilhação contra uma vítima em posição desprivilegiada dentro de um grupo. Segundo os especialistas, assédio, agressão verbal ou física, e qualquer tipo de ação contínua que provoque o isolamento social de um indíviduo podem ser considerados bullying, de forma que o problema pode brotar inclusive em ambientes de trabalho formais.

Como os alvos das agressões geralmente se sentem intimidados, especialmente em situações que envolvem muito mais que sua reputação, fica bem difícil identificar os agressores se as vítimas não forem encorajadas a falar. Sendo assim, quando surge uma iniciativa como o  Pink Shirt Day temos é que bater palmas, pois é mais uma forma de dar voz aos oprimidos e de educar possíveis agressores.

Como eu apóio totalmente esta campanha – e esta ideia – vou usar algo pink hoje para endossá-la! E digo mais: digo que seria bem legal ver esta mesma movimentação por aqui: com embasamento, divulgação divertida e gente realmente interessada.

Bullying realmente não precisa ser mais um tabu, especialmente quando iniciativas simples podem tocar tantas pessoas. ;)

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