#StopTheBeautyMadness: estamos nessa

sáb

Sua timeline deve estar cheia de relatos de garotas sem maquiagem: a campanha #StopTheBeautyMadness conseguiu adeptas no mundo todo. E o motivo para a movimentação não conhece fronteiras ou idiomas: estamos cansadas de nos cobrar uma perfeição que só existe no maravilhoso mundo do Photoshop. Depois de ser desafiada pelas amigas @Pati Vicentini e @Galantini, vou me juntar à galera na timeline. Mas é claro que eu também tenho algo a dizer sobre isso tudo.

Com 18 anos comecei a me esconder atrás de uma camada de base diariamente. Cuido da minha pele, mas tenho uma acne que acredita que sou muito mais jovem que os meus 25 anos agora dizem no RG. Sofri quando comecei a academia pela primeira vez. Acima do peso e sem maquiagem? Minha cabeça explodia e eu me sentia o último dos seres humanos. Era difícil evitar todos os espelhos em salas quadradas de vidro enquanto eu fazia algo bom para mim, mas eu bem que tentava! Três anos depois da minha primeira matrícula numa academia, as coisas mudaram.

Hoje vejo que faço algumas das coisas mais fantásticas da minha vida sem maquiagem: estudar para uma pauta antes de gravar, pensar nos projetos pessoais à noite, levantar um peso que eu nunca achei que fosse capaz e trabalhar meu corpo para sentir a endorfina chegar. Passei a me respeitar. Hoje olho meu rosto ali, irreconhecível para quem vê alguns vídeos meus, e sinto orgulho de ter um momento tão pessoal com a minha própria pele. Por outro lado, passei a ter um pouco de vontade de ir perguntar para as moças lindas treinando por que elas estavam fazendo aquilo com a pele delas: misturando suor e maquiagem logo cedo.

Não somos coitadinhas influenciáveis. Temos toda a informação sobre como fazer uma boa maquiagem, mas temos toda a informação sobre o quanto é importante se amar profundamente para ser feliz. Os dois discursos estão aí para quem quiser comprá-los, mas um parece sempre gritar muito mais do que o outro… E como é fácil acreditar em algo negativo para confirmar o pessimismo que a gente já traz dentro de si!

Sem o batom, não temos bocas beijáveis. Sem os cílios gigantes, o olhar está caído. Sem blush, parecemos ter cara de morta. Sair sem maquiagem deveria ser normal, mas para uma mulher, a coisa ganha ares de experimento antropológico. Alguém vai te olhar diferente? Quantos colegas de trabalho vão perguntar se você está abatida? Você vai agir diferente perante o mundo por estar “nua”? Provavelmente.

Quem se maquia há muito tempo, como é meu caso, já deve ter passado pela triste experiência de olhar fotos antigas e não conseguir ver nada além do próprio rosto. Mas não a expressão do rosto, e sim a pintura que está nele. Já vi essas imagens e pensei: “Que horror! Que maquiagem é essa, olha essa sobrancelha caída!” e por aí vai. Só que não é triste submeter as suas lembranças de felicidade a modinhas de beleza que vão e vem? Triste é pouco. É deprimente.

Hoje uso muito menos coisas na pele do que aos 18 anos no meu dia-a-dia. Saio sem base, saio sem BB Cream e às vezes com base ou com BB Cream, afinal eu percebi que eu tenho essa escolha. Amo me maquiar, continuo adorando beleza, mas entendi finalmente que nada disso é essencial. Saio montada quando estou afim, saio sem nada simplesmente porque sim.

.

.

Depois de anos, descobri uma grata surpresa: nada é melhor que um elogio quando você não veste nada além da própria pele. E melhor ainda quando o elogio é seu para você mesma, em frente ao espelho, serena e orgulhosa. Torço para você ter essa surpresa também!

Comentários via Facebook

7 comentários

  1. Tany

    Não sei quem é mais lindo: o texto ou você. <3

    Responder
  2. Andressa Roeder

    Sua linda. Adorei seu texto.
    Vou tentar fazer amanhã o meu desafio, rs.

    Beijoooooo <3

    Responder
  3. Bruno Portella

    Eu já vinha frisando.

    Responder
  4. Marcela

    Fê, tudo bom?
    Menina, que texto lindão esse seu, hein? Depois que li o da Lia, do Just Lia, fiquei super inspirada e o seu só aumentou ainda mais essa inspiração de que sim, a gente não tem que ser uma Barbie pra que as pessoas gostem da gente. Nós temos que amar a nós mesmas antes de mais nada. Seja com uns quilinhos a mais, uma acne fora de época, o quadril gigante com a cinturinha de pilão (como é o meu caso)… E, sim, a maquiagem nos faz sentir bem, mas também é uma máscara que tornamos essencial para o dia a dia, para que sejamos ‘aceitas’ no mundo real. Loucura isso, né? E mais loucura ainda é a dificuldade que exista em quebrar essa noção bizarra que nós mesmos criamos… Vai entender!
    Parabéns pelo post!
    Beijos!

    Responder
  5. Márcio Luís

    Ahaaaaaa: Eu sabia que você era linda, mesmo não estando com make!
    E além de você, como uma amiga aí acima já escreveu, seu texto é maravilhoso!
    Sou cada vez mais fã!
    Bjo, Fê! ;)

    Responder

Deixe seu comentário