Mesa para um

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bolo para um.

Greta Garbo pediu para ser deixada sozinha. Diva que era, queria espaço, queria respirar, queria ficar longe de tanto assédio. Tá, nós, reles mortais, no máximo queremos respirar em paz, e isso muitas vezes se dá em ambientes públicos. Respirar no cinema, respirar no restaurante, respirar no shopping, no parque, empurrando um carrinho de supermercado, sei lá. Ficar sozinho faz bem e te faz muitas vezes limpar a mente e reorganizar as ideias.

Há também quem prefira ficar sozinho integralmente, que goste da paz da casa vazia, do silêncio de trabalhar por conta e, obviamente, acabam fazendo muitas outras coisas na companhia de si mesmo. Por isso, sempre que vou ao supermercado, fico de olho nos produtos únicos ou menorezinhos sendo lançados. Num mundo em que cada vez mais gente prefere não estar com mais ninguém, faz-se necessário uma caixinha com meia dúzia de ovos ao invés de doze.

O triste é querer fazer alguma coisa e observar olhos atentos em cima do sozinho, pensando: “mas uma moça tão jovem, está aí assim por que?”Porque sim, oras! Almoçar sozinho durante os dias úteis é comum, muita gente faz, agora saia para jantar ou passe numa lanchonete para ver o que acontece. Ou você senta no balcão, para mostrar que passou ali só para se alimentar mesmo, ou sinta-se fitado dos pés à cabeça por todos os grupos do lugar.

Bares de sushi, bares mesmo e botecos geralmente tem balcões respeitosos. Você senta ali e tudo bem, ninguém vai te encher o saco. Podem até mesmo sentar do seu lado e não abrirem a boca. Sem problemas. Só que é como se uma pessoa sozinha só pudesse ir… beber. Quantas vezes já não fui comer alguma coisa e tive de ocupar uma mesa maior por simplesmente não existirem mesas para um?

Não seria essa uma mentalidade bastante limitada: achar que quem está sozinho é porque está triste e tem que engolir as mágoas junto com whisky ou que está ali, na pista para negócio, só bebendo para tomar coragem? Eu acho.

Depois da mesa para um, espero que também surjam leite longa vida para um e poltronas solitárias tão confortáveis quanto um sofá inteiro.

O melhor de ser mulher, by Greta Garbo

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Pensando bem…

Perguntaram para mim qual era a melhor coisa de ser mulher. Parei por uns trocentos minutos e pensei em trezentas e quinquenta e cinco respostas clichê, tipo:

– fazer shopping day com as amigas;
– fazer “queen day” com as amigas;
– chorar sem motivo sem te acharem (tão) louca;
– poder chorar com qualquer filminho e não duvidarem da sua sexualidade;
– poder falar não para o sexo sem duvidarem da sua sexualidade;
– não se sentir mal por não saber trocar um pneu;
– saber que a tequila funciona mais para você;
– orgasmos múltiplos;
– ser mãe.

Mas, olha, vamos e venhamos? A maior parte de nós vai passar essa vida inteira sem fazer “shopping day” e “queen day” toda semana, muitas vão transar sem estar com aqueeela vontade, várias vão morrer de vergonha de chorar em público, as azaradas vão ser assaltadas quando aceitarem ajuda alheia para trocar o pneu, nem todas vão ou querem ser mães e, enfim, né? Um porcentagem ínfima de nós vai ter orgasmos múltiplos.

Então, digo uma coisa: a melhor coisa de ser mulher é poder estar de TPM, curtir sua melancolia em paz, saber que esta sigla maldita é a causa única do seu mau humor e, assim,  levantar uma bela placa de “me deixa” para os outros.

Sim, à la Greta Garbo: “Leave me alone. I want to be alone”.