Pixels, um filme que nem Pac-Man salva

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Botar uma ficha na máquina e ficar de próximo. Esperar pacientemente pela sua vez e ir aos poucos batendo o recorde para deixar seu nome escrito num fliperama do coração. Muitos anos depois, dar a chance destes mesmos campeões usarem suas habilidades únicas para salvar o mundo. Tinha tudo para ser um filme-pipoca da melhor qualidade, mas não. Foi só “Pixels”, o filme de Adam Sandler que deve estar num cinema bem próximo de você.

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Pac-Man começando e encerrando a carreira de vilão </3

Escrito e protagonizado por Sandler, “Pixels” tem direção de Chris Columbus, o mesmo cara responsável por dois “Harry Potter” e por clássicos como “Esqueceram de mim” e “Goonies”. Ou seja, um misto de ansiedade boa e marromenos num só pacote. Mas com tantos games sedutores na tela e Pac-Man como vilão, como é que essa balança poderia pesar para o lado negativo, não é mesmo? Pois sim, conseguiram o impossível.

O filme se inspirou no curta-metragem de mesmo nome que bombou na internet em 2010, sobre alienígenas transformando tudo na Terra em pixel:

No longa, a história começa em 1982, quando o governo americano manda um compilado cultural para o espaço, na esperança de mostrar quem somos para outros seres inteligentes. Eis que os ETs não entendem muito bem o recado: tomam os jogos como uma ameaça de guerra e se disfarçam de “pixels” para nos desafiar. Salvar a humanidade vira tarefa, portanto, para os melhores jogadores de 30 anos atrás, vividos por Sandler, Peter Dinklage e Josh Gad.

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Michelle Monaghan, Adam Sandler, Josh Gad e Peter Dinklage

Eu enxergo muita diversão nesse enredo simples, mas ficou simplório. Os games são realmente a melhor e única parte digna de nota de “Pixels”: os efeitos do curta-metragem ganharam um upgrade tremendo e não dá para negar que é absolutamente maravilhoso acompanhar o chefão Donkey Kong interagindo num cenário realista. A batalha final também enche os olhos e bota uma horda de personagens na tela. O problema é encarar o restante da bagaça para curtir 20 minutos pescando referências (e que seja num Imax, tá?).

Para não dizer que só os jogos brilham, Peter Dinklage merece menção. O ator de “Game of Thrones” está muito bem no papel de “Fireblaster”, um gamer do mal que é resgatado da cadeia para salvar geral. O personagem é ótimo, mas acaba não sendo desenvolvido ao longo da trama e vira apenas um alívio cômico diante de tanta pataquada.

Não sei o quanto Adam Sandler joga (ou jogou) videogame na vida, mas o fato é que seu roteiro reproduz uma série de preconceitos que os nerds não só já cansaram de aguentar ao longo da vida quanto já superaram. Jogadores são pessoas que desperdiçam seu tempo com inutilidades? Vamos falar de e-sports. Jogadores são pessoas com baixíssima habilidade social? Vamos falar das imensas comunidades online. Jogadores são virgens aos 40 anos? Ah vá, por favor.

Até poderíamos encarar tudo isso como uma graaaande ironia, uma suuuper caricatura ou uma crítica mesmo, mas não: o roteiro é tão raso que fica bem claro que o buraco é mais embaixo. A piada da virgindade, aliás, gerou um facepalm de vergonha alheia coletivo.

Como se não bastasse tudo isso, ainda há espaço para uma meia dúzia de piadas estupidamente machistas que vão te fazer vomitar, cara espectadora – gamer ou não. Mulheres até aparecem em posição de poder, mas apenas servindo para tomar olés dos “nerds” e repetir discursos estúpidos – tipo o de que uma mulher precisa trepar com qualquer homem hetero que lhe doe “preciosos” cinco minutos de atenção. Não quero dar spoiler, mas acredite: ainda tem muito pior de onde veio esse.

Saí do cinema sem saber o que dizer, apenas sentir.

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Pergunto-me onde estavam os produtores dia desses, não faz muito tempo, quando uma pequena empresa que começa com Dis e acaba com Ney lançou um filme bacaninha sobre games chamado “Detona Ralph”.

Talvez em outro planeta.

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3 comentários

  1. Paula

    Putz, eu qse vim correndo pra comentar q não era o Josh Gad e sim o Jonah Hill, porque olha, JURAVA que era ele. Enfim.
    Quando vi o trailler até fiquei com vontadezinha de ver por ser sobre games e ter o Peter, mas é escrito E estrelado por Sandler, então mei que anulou. Hahahah
    Vou esperar sair na locadora do Jack. ;)

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  2. Wanila

    Confesso que desde o começo o filme não me interessou, e agora menos ainda. :/

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  3. Maki

    Quando ouvi falar desse filme pela primeira vez eu até fiquei animadinha pra ver, mas simplesmente não engulo o Adam Sandler. Ele não só me irrita demais, com o interpretou o mesmo personagem (ele mesmo) em todos os filmes que fez. Fora isso, eu ainda não engoli (e nem vou, acho) a história coma Rose McGowan.

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