“O Castelo de Vidro”: quando memórias ruins rendem boas histórias

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Se houvesse apenas uma palavra para definir a história contada por Jeanette Walls em “O Castelo de Vidro”, essa palavra seria determinação. Quando pesquisei sobre o livro que me foi enviado pela editora, apenas boas referências: milhares de cópias vendidas, centenas (!) de semanas na lista do New York Times, um filme a caminho.

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Jeanette Walls, jornalista, autora de “O Castelo de Vidro” e “A Estrela de Prata”

Mas a obra conta a jornada de Jeanette e, digamos, eu não sou uma senhorita apaixonada por biografias, devo confessar. Também me incomodei quando li na orelha do livro: “Jeanette Walls escreveu o livro que gostaria de ler, sobre pessoas passando por dificuldades”, ou algo do tipo. Também não sou apaixonada por dramalhões. Só que ok, isso me exclui a leitura de boa parte das boas obras que estão por aí e digamos que não tenho sido a melhor leitora do mundo em 2014. Comecei a ler, sem a menor pressa. E me apaixonei. Com todas as nuances da paixão, o que inclui amor e ódio.

A história da família Walls me comoveu – e como! Mais do que seu próprio conto de infância, neste livro Jeanette narra a história de uma família decadente bem diferente do convencional: um pai bêbado e uma mãe artista inteligentes o bastante para criar filhos supertalentosos e sem pena de si mesmos, porém negligentes o suficiente para deixar os filhos sem comida na mesa, revirando o lixo da escola em busca de restos da merenda alheia.

Sem almoço, sem banho e sem energia elétrica, a família se alimenta de sonhos impossíveis de serem realizados e de aventuras capazes de deixar qualquer pai ou mãe (ou filho!) de cabelo em pé, como dar comida a um animal selvagem, acampar com um bebê por dias num carro ou caçar um estuprador no meio da noite.

Sempre negando caridade e trabalhando duro, Jeanette e seus irmãos deram seu jeito de nadar contra a corrente para ganhar a vida. As atitudes deles são importantes para o grande final, porém a forma como esses passos são dados e o jeito como tudo é contado é que tornam a leitura tão especial.

Você vai se apaixonar pelo pai sonhador e odiá-lo pela irresponsabilidade. Amar a mãe que dá liberdade aos filhos e odiá-la por deixá-los passar fome. Mas, acima de tudo, vai colocar a sua própria história em perspectiva quando perceber que as situações mais traumáticas serão aquelas narradas com um distanciamento ainda mais maduro.

Se a palavra para a Jeanette-personagem é determinação, a palavra para a Jeanette-escritora é transformação.

 

O FILME

Depois de sua mãe se apaixonar por “O Castelo de Vidro”, a atriz Jennifer Lawrence resolveu ler e não hesitou em adquiriu os direitos da obra. O filme deve marcar a estreia da atriz como produtora e também vai trazê-la no papel de Jeanette. O longa será dirigido por Destin Cretton (“Short Term 12”)  e ainda não há data para início das filmagens ou lançamento. Só uma coisa é certa: é bem provável que J Law fique ruiva para o papel e encare muita, mas muita, sujeira pela frente…

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Além de “O Castelo de Vidro”, Jeanette Walls também se voltou a sua história familiar para escrever “Cavalos Partidos”, sobre sua avó materna. Seu mais recente livro é a ficção “A Estrela de Prata”

 

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3 comentários

  1. Tany

    Eu nunca tinha ouvido falar do livro, mas adorei. Não sou do tipo que le bestseller, mas esse parece interessante e realmente, a história parece dar um ótimo filme. Ainda mais com a Jlaw. <3 Já vou colocar na listinha.

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  2. Tayná

    Eu li esse livro há muitos anos e o tenho na minha estante até hoje, mas foram poucas as pessoas com as quais eu falei sobre ele (talvez porque eu tivesse só 12 anos e hoje tenho 18 kkk) e fiquei feliz de ver ele aqui. A propósito gostei da ideia do filme!

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  3. Mari

    Mari – Balneário Camboriu/SC

    Acabei de ler este livro ontem. Li em 03 dias apenas, gostei muito e agora quero ver o filme. Já estou com o segundo livro da autora Cavalos Partidos, que já inicie a leitura e estou gostando.

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