Gaga e a moto-piano em que ela entoou “Hair” e “You and I”; a foto é de um show em Bangkok
Lady Gaga demorou, mas veio ao Brasil. O show foi divulgado em cima da hora, muita gente não pôde ir por já ter quebrado o porquinho para a Madonna e as liquidações de ingressos começaram, assim como as piadas. Eu, que comprei meu ingresso humilde lá no começo, fiquei chateada e revoltada com a situação de ver que poderia ter comprado um ingresso melhor gastando a mesma quantia, mas bola pra frente. Os organizadores pelo menos conseguiram levar o povo pro estádio: 50 mil pessoas ouviram os hits da turnê “The Born This Way Ball”.
Cheguei horas antes no dia do show e vi o esquenta de Lady Starlight e The Darkness, que aliás botaram o povo na pilha certa pra chegada de Gaga. O atraso da cantora foi mínimo, quase que só uma “esperadinha” pra ver se a chuva que caía no Morumbi dava uma trégua, e deu.
Foram quase três horas de apresentação e Lady Gaga entregou o que muita popstar ficou devendo aqui no Brasil: um show longo, apaixonado - ou muito em ensaiado - e uma voz fiel ao álbum, que de fato alcança as notas ao vivo. Faltou, no entanto, aquele momento do “choro” coletivo que senti nas apresentações que vi de Madonna e Katy Perry, por exemplo.
Essa hora de proximidade ficou para o momento em que os fãs subiram ao palco e deram presentinhos para a cantora, mas não senti que a emoção abraçou todo o estádio. Eu, pelo menos, me senti invadindo um momento íntimo demais para o meu gosto - isso porque talvez eu já tenha ouvido muitas vezes o “discurso monster” de outras formas e por outras vozes e ele não tenha nenhum significado específico para mim.
Apesar deste porém, Gaga tem sim um diferencial em relação a outras concorrentes da atualidade: ela realmente não precisa da parafernalha do espetáculo para funcionar. E digo mais: ela deveria dispensar mesmo esses adereços de vez em quando (se dispensasse também um pouco do discurso, seria adorável, mas entendo que vem daí a paixão e a obsessão dos fãs).
Gaga adora o figurino de carne, a maquiagem de monstrenga e os saltos maluquetes, mas dá para ver claramente que ela não é tão boa no quesito dança ao vivo, por exemplo. Então para que tanta coreografia? Ela pode se dar ao luxo de entregar a tarefa para os dançarinos e dançar vez ou outra, se for o caso. Sua voz sozinha já domina o palco e dá conta do espetáculo, portanto seria melhor ouví-la menos ofegante.
Prova disso é a apresentação de “You and I”, o melhor momento do show, quando a banda sai dos confins do cenário e toma frente junto com a cantora e seu vozeirão. Depois deste, os melhores momentos certamente foram “Americano” (o arranjo ao vivo é pesadão e bem mais interessante que no disco), “Judas”, “Alejandro”, “Telephone” e “Electric Chapel” (outra que também fica excelente ao vivo com as guitarras a todo volume).
Por outro lado, achei que “Born This Way” foi desperdiçadíssima logo no começo. O hit que dá nome a turnê veio depois de duas canções sem muito push, “Highway Unicorn” e “Government Hooker”, e pegou as pessoas um pouco de surpresa.
Ao fim da noite, percebi que gostei muito. Lady Gaga fez um belíssimo show. Só gostaria de pedir para a cantora deixar as máscaras em casa da próxima vez: estas 50 mil pessoas saíram de casa no domingo para ver o rosto da Mother Monster em carne e osso.
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ps: aproveitando o ensejo, dá uma olhada nessa demo de uma música nova da Lady Gaga. Dá sim pra fazer coisa boa sem esses vícios de pop comercial.
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