Como assinei uma trégua fashion com meus glúteos
Uns com muito, outros com tão pouco! Ah os desejos de um corpo perfeito, uma curvinha aqui ou menos curvinhas lá. Hidrogel em umas, “thigh gap” em outras. Para completar a neurose, todos os manuais de estilo nos explicam que devemos ressaltar nossos pontos fortes em detrimento dos pontos não tão legais. Mas o que é um ponto forte? O que é legal em mim? Muito me estranha não vermos mais mulheres de sobretudo, pois é o que a auto-estima da maioria recomendaria como peça ideal. Uma pena.
Sou desse #timecasacão e nunca tive a preocupação de mostrar alguma parte xis do corpo por gostar dela, mas sempre tive a obsessão por disfarçar, tentar esconder ou subtrair um pouco de algumas coisas. Em especial, a minha grande, redonda e brasileira bunda. Sempre achei que ela era a destruidora do look: “como vou usar essa roupa moderna com essa bunda gigante?”. Na minha cabeça, gente moderna não tem bunda - assim como não tem coxa, provavelmente tem cabelo liso, etc., mas principalmente não tem bunda.
Jen Selter, a musa da buzanfa com a maior auto-estima do mundo, para a “Vanity Fair”
Engoli essa história goela abaixo há muito tempo e sempre me surpreendia ao ver Beyoncé em sua vida fora do palco, bem moderna, cabeluda e bem bunduda. Aí os exercícios entraram na minha vida, emagreci, tonifiquei, defini algumas partes do corpo, mas fui pouco a pouco descobrindo que, minha filha!, não há nada para diminuir seus glúteos se veio escrito na sua bula genética que grandes eles serão. Pelo contrário: quanto mais eu malho, mais a bunda insiste em aparecer gritando “TÔ AQUI DE BOAÇA, MANDA MAIS WHEY”. Em suma: nem a corrida, esporte acusado de derrubar buzanfas, foi capaz de acabar com tanta imponência.
Quando levei meu traseiro para Nova York nas férias, tomei novas decisões que ignoravam a questão. Vi tanta gente na cidade usando ~calças descontraídas~, à la Cássia Kiss Magro, só que bonitas, que até topei comprar uma. Pensei única e somente no conforto e decidi ignorar que este é justamente o tipo de peça que mais me desagrada pelo visual proporcionado lá atrás. No momento da compra, lembrei também do maravilhoso macacão made in Brazil que já fazia sucesso no meu guarda-roupa. Para quem não sabe, é outro tipo de peça que não costuma esconder abundâncias, mas que de tão confortável e fresca, me conquistou desde o primeiro dia.
A ficha caiu quando comprei uma segunda calça descontraída, mas com uma pegada sporty, bem moderninha, com faixa nas laterais e tudo. Como a fila do provador estava monstruosa (adivinhe a loja!) e eu queria aquela peça de qualquer jeito, levei pra casa mesmo assim. Ao provar, uma revelação entre quatro paredes: tudo estava em seu devido lugar. Tamanho e modelagem corretos, barra no tamanho ideal, acabamento ok… Mas a bunda. Esta sim parecia estar em todo lugar.
Dei uma volta, dei outra, me olhei e pensei muito. Anos de censura a esta parte de mim vieram à tona, como num filme em que Nicki Minaj certamente não atuaria. E aí eu me enchi. Cansei de deixar a coitada nessa prisão fashion que certamente também me colocou numa prisão fashion - quantos vestidos retos maravilhosos deixei de adquirir por conta da curva que se formava logo abaixo das minhas costas? MAS FORAM É MUITOS.
Decidi manter a calça. E, pasmem, estou sentada em cima dela (e da bunda) neste momento. Não parei para me preocupar se chama atenção, se não chama, se vão olhar ou se só eu no mundo acho ela tão grande assim, porque, sinceramente, isso só diz respeito a mim. Depois de todas estas linhas, está bem óbvio que eu preferia que fosse menor, mas não há nada que eu possa fazer a respeito e não quero mais deixar de expressar meu estilo por isso.
Significa que eu e meu bumbum fizemos as pazes? Longe disso, queridinha. Entramos apenas num acordo de convivência pacífica, uma espécie de trégua. Enquanto eu continuo suando para não piorar a situação, deixando tanta presença “para baixo”, escolhi não deixar mais a amiga bunda na clausura fashion.
Enfim, livres.



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11 comentários
Olá Fernanda,
Muito legal o seu post, o importante e se sentir bem!
Beijos
ou pelo menos tentar, né?! hahaha tô no caminho!
Neuras são coisas que a gente mesmo cria e coloca na sua cabeça. Tenho amigas que dariam a vida pela sua bunda hahahaha mas aceitar o que é nosso e fazer o melhor uso dele é o que tem de melhor na vida! Acho que isso deveria ser feito por todos =D
com certeza, Chell! ahhaha Eu sempre convivi com gente peituda e eu cheia de bunda e pouco peito me sentia de outro planeta :/
^ eu sou uma dessas pessoas que dariam a vida pra ser mais bundudinha, rs!
Aceitação é foda e um longo (e árduo) caminho. Parece tão mais fácil e feliz, e nem é. Tem quedas, tem brigas, tem paz. No fim, a gente vai levando, o ruim é quando vira A neura (tenho algumas que nunca somem, aff).
Um beijo!
é MUITO difícil se aceitar, quase impossível na verdade. Não conheço ninguém que esteja satisfeito na maior parte do tempo, nem homem, muito menos mulher!
E eu aqui morrendo de fazer tanto agachamento pra ver se a minha cresce um pouco. Injustiça à parte, adorei o post e o desabafo. :*
Ai Bru! hahaha
Mas olha, quem tem bunda também precisa fazer muito, porque costuma ser um ponto de acúmulo de gordura e é um dos melhores exercícios para trabalhar a área de forma completa, né? Ninguém escapa! :/
Por uns momentos, eu quase parei de seguir, saí da sala, virei a mesa, desliguei o feed.
Continuo ainda chocado.
Mas o final parece ser um final feliz.
Absurdo.
Tá certo que você até queria ter menos. Entendemos isso! Mas ó: Ela orna perfeitamente em vc! Linda! Bjo, Fê!
Você não imagina o quão ruim é não ter bundaa