Sem jacar: vale a pena ficar na linha?

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É absolutamente estranho pensar nisso, mas acho que há pelo menos uns 5 anos eu não ficava tanto tempo sem beber e mais ainda, sem comer doces. Depois de mudar minha dieta com um nutrólogo e descobrir alguns hormônios desregulados, resolvi encarar um sabático de limpeza para dar aquele empurrãozinho para o tratamento: foram 20 dias sem jacar, devidamente registrados no Snapchat (me add lá: feepineda).

Por “jacar” entenda: comer alimentos em excesso ou que não contribuem para o meu metabolismo de uma maneira interessante. Isso inclui, por exemplo, bebidas alcoólicas (todas), doces (só fiquei com mel e frutas), frituras (todas) e refeições que até tem variedade nutricional, mas que acabam trazendo prejuízos  junto – ou seja, foram também 20 dias sem hambúrguer, pizza, risotinhos, arroz japonês….

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agora já passou, mas que dureza.

Nunca tinha me proposto nada sério do tipo, também nunca tinha feito essas promessas que o povo faz, de ficar “um ano sem chocolate/refrigerante/bebida”, mas quando o médico me pediu especialmente para que eu não bebesse por um tempinho, para ver no que dava, resolvi sacrificar meu eu bon vivant do final de semana por uma boa causa.

Sou adepta da vida saudável, mas odeio radicalismos: já treino de 5 a 6 vezes por semana e, até por isso, gosto de me dar ao luxo de aproveitar, sim, coisas boas da vida e elas muitas vezes envolvem açúcar, gordura, farinha branca e um bom vinho, amém. Por isso, imaginem vocês, o dobrado que eu cortei para não sair da linha.

Foi desafiador, foi chato e deu vontade de me isolar numa ilha de todas as ocasiões sociais do mundo, mas, olha só, foi também um santo remédio para minha pele. Descobri um bocado ficando 20 dias sem sair da linha e, depois de ver que influenciei tanta gente com meu “diarinho” no Snapchat, quero compartilhar um pouco disso aqui também.

por que fiquei 20 dias sem jacar?

Primeiro porque eu realmente queria por tudo o que eu já ouvi por aí à prova. Desde que comecei a treinar, de nutricionistas a aspirantes de musos fitness, muita gente já me disse que a “jacada” do fim de semana tem um preço muito alto quando se procura um ideal estético ou se tem um objetivo específico de performance.

Eu nunca acreditei que faria tanta diferença assim e precisei ver por mim mesma. A resposta? Eles estavam certos. Faz diferença, sim. E ela aparece na mesma medida medida que seu tempo “na linha” vai aumentando também. Quando terminei os 20 dias, senti que os benefícios estavam só começando, mas e o psicológico para continuar, como fica nessa? Complicado.

Para mim, é triste viver sem tomar sorvete no final de semana ou sem pipoca no cinema. Talvez só seja válido para quem de fato “trabalha” com o corpo, ou então para quando você quer se preparar para alguma situação específica e com prazo de validade, tipo seu casamento. #dietasdenoiva

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por que é tão difícil?

Em primeiro lugar, pela quantidade de ocasiões sociais que envolvem comer ou tomar bebida alcoólica. Do aniversário de criança até o bar de “níver” de alguém, passando pelo bolinho da firma e pelo prato que sua mãe preparou com carinho para te oferecer.

A comida é um ingrediente muito forte em relacionamentos e recusar uma guloseima, um brinde ou uma breja pode ser extremamente decepcionante para o outro e também para você. Sabendo disso, vem aí a primeira dificuldade: você prevê o risco que corre e prefere se isolar para não lidar nem com seu desejo nem com a frustração do outro.

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todo mundo no hambúrguer, você na saladinha: é chato ou só parece?

imagem via Shutterstock

Tirando todo o componente externo da alimentação “incorreta” (que é gigante), há também você sozinho no escurinho do quarto desejando um sorvete ou uma tacinha de vinho porque teve um dia difícil. São raríssimas as pessoas que não ligam nem um pouco emoção à comida e você certamente não está sozinha aí, sofrendo por um doce.

A solução para não ficar isolada em casa e não passar mal de vontade quando a bad bate? Não deixar nunca seu corpo sentir fome, e comer de três em três horas, como se sua vida dependesse disso. Outras soluções envolvem “ir até o evento social já ‘jantada'”, algo que para mim não funciona, pois, uma vez lá, vou querer comer tudo de novo. hue

Eu me virei me controlando em alguns lugares, mas também evitando algumas situações corriqueiras e legais, mas totalmente dispensáveis num momento de detox. É possível ficar 20 dias sem aquele happy hour com os amigos, por exemplo. Vai passar rápido. O que não dá é para perder coisas que acontecem uma vez no ano ou na vida, como aniversários, casamentos e por aí vai.

Uma dica é tentar conhecer o cardápio do lugar com antecedência. É difícil um restaurante, por exemplo, não listar o cardápio no site ou ter fotos dos pratos nas redes sociais, então você já pode ver tudo antes e se preparar para pedir algo mais razoável.

o que eu ganhei com isso?

Em primeiro lugar, eliminei mais de 1kg em apenas 10 dias com a dieta “nonstop”, priorizando alimentos integrais, naturais, comendo apenas carboidratos e gorduras boas e tomando pelo menos 2L de água por dia. Os treinos? Não mudei absolutamente nada em intensidade ou frequência, por isso mesmo o mérito vai todo para as mudanças do prato mesmo. Lembrando que tenho uma boa quantidade de massa magra e perder essa quantidade de peso é extremamente difícil pra mim, ainda mais se for com qualidade.

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imagem via Shutterstock


Também notei uma pele melhor:
não nasceram cravos novos e nem sinal de espinhas (tenho acne adulta e crises de vez em quando). Ficar lisinha assim durante tanto tempo era outra novidade. E, adivinhe? Quando terminaram os 20 dias, a primeira “jaca” foi pizza. Comi duas fatias de pizza de pepperoni e acordei já no dia seguinte com espinhas no queixo. Pode ter sido só uma coincidência, mas… Acho que não.

Notei também que muitas vezes estava exagerando sem a menor necessidade. Explico: quando comecei a pensar em vida saudável, há quase três anos, comecei a escolher que tipo de jaca valia a pena. Vale a pena mandar ver as calorias de um brigadeiro tosco de padaria? Não! Valem a pena as calorias de um chocolate fino vindo, sei lá, da Suíça? Opa, talvez sim.

Com este pensamento no bolso, fiz muitas maravilhas na minha primeira fase de treinamento e, depois que alcancei meu objetivo “inicial”, me esqueci dessa ótima estratégia. Acontece que agora meu objetivo é o mais complicado dessa história toda: performance. Por isos, esse 20 dias serviram, mais do que tudo, para eu voltar a repensar algumas escolhas que andava fazendo, especialmente no que diz respeito a bebidas alcoólicas.

Adoro cervejas e vinhos, mas será que todo jantar ou almoço de fim de semana precisa de um copo na mão para acompanhar? A resposta é muito simples: claro que não. Não me imagino fazendo outra faxina alimentar dessa tão cedo, mas com certeza vou voltar a maneirar, nem que seja pelo bem da minha pele e da busca por uma barriga que eu finalmente goste. (Ah sim, caso possa interessar: o ‘abdome’ só deu leves sinais de melhora durante os 20 dias e se manteve bem parecido depois disso. O processo é bem mais longo que isso.)

quero fazer! tem jeito de facilitar as coisas?

Claro que tem! Em primeiro lugar, procure um nutricionista ou nutrólogo antes de começar qualquer dieta. O profissional vai te apresentar alternativas alimentares, explicar quais nutrientes seu corpo precisa em qual momento e vai também te ajudar a definir metas para acompanhar seu avanço no processo.

Se você, como eu, já é iniciada no processo, saiba que quanto mais você fica “na dieta”, mais fácil é de se manter. Quem nunca sofreu horrores com a salada da segunda-feira depois de um fim de semana de farra alimentícia? Pois é. Se as coisas tivessem sido mais suaves, seu sofrimento certamente seria menor.

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imagem via Shutterstock

Programar-se bem para este período é também importantíssimo, e isso envolve desde não adiar idas ao supermercado para comprar alimentos frescos até saber quando você terá uma ocasião social imperdível. Carregar lanchinhos e quebra-galhos com você também é importantíssimo: quando a fome bate e você não tem nada no jeito, fica difícil dizer não para qualquer coisa que apareça na sua frente.

Outra dica importante é variar bastante, muito, o máximo possível, o seu prato nas refeições principais. Nesses 20 dias, nunca almocei e jantei exatamente a mesma coisa, variei a proteína, o carboidrato e até o tempero da salada. Ninguém feliz vive só de filé de frango branquelo e batata doce cozida. Aprenda a brincar com sabores e invente pratos novos: o paladar agradece!

Para fechar o assunto, deixo aqui meu vídeo sobre “dilemas da dieta” para quem ainda não viu. Publiquei o vídeo no dia em que os “20” começaram e conto sobre a busca por esse (complicado) equilíbrio alimentar:

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6 comentários

  1. Nary

    Acho que meu comentário vai ser longo, então, segura. kkk
    Então, acompanhei você pelo snapchat nesse período e também pelo twitter e compartilho um pouquinho do sofrimento de não jacar e não é nada fácil. Eu to 20kg acima do peso e comecei um super projeto com acompanhamento de nutricionista, personal, instrutora de pilates e até psicóloga, pra me ajudar a mudar a ver meu comportamento em relação à comida e até meu olhar sobre ela.
    Hoje é o meu 38o dia sem jacar, sem sair da linha mesmo. Passei por aniversário de amiga no outback (comi carne com legumes), por chegada da prima da Disney com uma mesa cheia de docinhos (comi inhame com ovo), balada (só na água de coco), pós balada com as amigas comendo podrão e eu no suco e pelo dia dos pais que meu pai resolveu passar na praia e eu fiquei querendo to-das as frituras, me contetei com camarão no bafo e uma tapioca seca.
    É bem ruim às vezes, mas o bônus que vem do ônus é ótimo!
    Passei um mês sem gluten e sem lactose e me virei nos 30 pra cozinhar comidinhas gostosas e que fossem dentro da dieta. Agora já como gluten 3x por semana (sem farinha branca) e o vinho ou a vocdca estão liberados uma vez por semana.
    A mudança tá na nossa cabeça e a gente tem que lutar antes contra ela, que faz a gente querer comer o mundo.
    To me achando tão controlada que nem sei quem sou às vezes. kkkkkkk
    Uma dica grande pra quem busca uma vida equilibrada é: tente fazer sua própria comida, ajuda muito!
    To na busca constante desse equilíbrio e minha jacada tá programada já, vai ser no fim do mês no aniversário da minha mãe, pq bolo de aniversário n tem como resistir!

    No fim é tudo uma grande questão de escolhas. :)

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  2. Au Sonsin

    Ao final desse post só pensei uma coisa: Pq eu ainda não te sigo no snapppppp???? Não creio que perdi tanta coisa :((((

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    1. Fernanda Pineda

      é, dá muita vontade daquele docinho inocente depois do café! Pra mim é o que mais pega. hahaha TIPO UM MINI BRIGADEIRINHO :P e venha para o snap também! hahaha

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  3. Au Sonsin

    (mentira, eu pensei mais coisas sim. inclusive também tô na mesma, meu problema maior é que não consigo cortar doces…)

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  4. Andressa

    Fe, que post! Ainda não cheguei nem na metade do meu #agostosemjacar e eu já percebi muitas coisas que você apontou no texto. Realmente, parece que as coisas vão ficando mais fáceis a cada dia. Nunca fiquei tanto tempo sem “jacar” e o ponto mais importante nesse processo tem sido variar bastante nas refeições. Percebi que ficava doida por uma pizza já na quinta-feira simplesmente pq estava comendo frango com tomate e mandioquinha desde segunda, por exemplo.
    Amei <3

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    1. Fernanda Pineda

      É, não pode mesmo! Se não varia, vc quer se matar! hahahaha E mesmo variando, tem hora que enche o saco. Eu não sei você, mas meu corpo CLAMA por gordura, praticamente. Meu maior problema é resistir a QUEIJO e também comer mais carne (juro, parece bizarro, mas é o que é).

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