Se eu escrevesse uma carta para minha eu do passado e dissesse o ‘feito’ que acabei de concluir este final de semana, eu ficaria simplesmente abismada. Mesmo totalmente sedentária, eu saberia que topar um desafio desses significaria uma grande mudança no meu estilo de vida do futuro, algo que eu simplesmente não conseguia conceber pra mim. Eu teria, fatalmente, rachado de rir da minha própria cara. Mas que bom que a gente muda. Finalmente estreei numa prova de corrida de 10k.

em 2012 eu nem devia saber que tinha prova dando medalhas. Aposto.
Foi em setembro de 2012 que tudo começou. Eu poderia ter esquecido essa data tão exata, mas meu eu do passado deixou um post para registrar o quanto era dolorido tentar fazer algo por mim mesma. Há exatos três anos em relação à corrida, dia 20 de setembro de 2012, eu me deixei esse pequeno presente: um texto indignado com a falta de resultados dos exercícios físicos. Que fique claro: ainda não cheguei aonde ‘desejo’ e não tenho tanquinho dos sonhos, mas exercício para mim virou uma questão de saúde. E mais a mental que a física, se querem saber.
Ali em 2012 eu estava começando a acelerar o passo na esteira, tentando entender meia dúzia de coisas, e acima de tudo, começando a me conectar com o meu corpo, tão abandonado. Depois veio a musculação, uma mudança de prioridades ‘físicas’, uma nutricionista que deu errado, uma nutricionista que ensinou algumas coisas, boas fases voando solo, o retorno triunfante da corrida e agora um nutrólogo diferente para me acompanhar e trabalhar minha saúde e estética como um todo - e, por consequência, minha cabeça e auto-estima. Para mim, mais do que nunca, está tudo ligado.
Domingo foi uma celebração interna, mas ao mesmo tempo uma batalha contra a mente. O trajeto da corrida Vênus foi bastante sofrido: um sol massacrante e duas passagens por cima da marginal Pinheiros, seca e empoeirada, deixando qualquer nariz ofegante em estado crítico. O ritmo foi pior do que o de qualquer treino recente, mas colocar tudo em perspectiva me fez bem no final: mais de mil pessoas atravessaram a linha de chegada depois que eu. Mais uma garota empatou igualzinho. Entre as corredoras da minha idade, fiquei mais ou menos no meio do caminho. Parece justo para uma primeira vez.
São poucas as coisas que lembro. A corrida virou um grande borrão de subidas e descidas e uma luta interna de ‘caminha um pouco pra recuperar, volta a correr, não desiste!’. Os piores momentos? Entre 6 e 8km. O trajeto parecia sem fim, especialmente com o asfalto quente nos pés e nenhuma sombra à vista. Uma hora, dezesseis minutos e quarenta e sete segundos depois, acabou.
Aí era medalha no pescoço, gatorade na boca e suportar minha consciência, às vezes dizendo que eu poderia ter ido melhor, às vezes dizendo que eu fui uma vitoriosa porque suportei os 10 kilômetros, essa distância que até um sedentário sabe que exige um bom treino. E que treino! Não nasci com o gene da corrida e só eu sei o quanto sofro comparando resultados, inclusive de gente que chega lá tão mais fácil… Mas, ao invés de sofrer, resolvi amar minha decisão de ter feito a prova num domingo de sol, em que tantos ficariam na cama ou prefeririam ir à praia. Era (e é) uma conquista que começou há três anos para ser coroada só agora.
O mais interessante do quanto essa rotina é agora importante para o meu corpo e minha vida, é que sinto falta. Se fico sem, minha cabeça parece que não funciona, o dia parece que não começa… E de todas as decisões que já tomei na vida nos últimos anos, levar isso a sério parece ter sido a mais acertada. Posso me sentir perdida em algumas (várias) áreas, mas jamais me arrependo do tempo que gasto comigo todos os dias. Isso ninguém tira.
Daqui a duas semanas tenho mais uma prova, desta vez de 5k, em que já posso comparar com meu resultado do ano passado. Que seja divertido - e, se possível, menos ensolarado!
ps: peço desculpas pela repetição do assunto, mas precisava tirar esse desabafo da frente antes de voltar para a programação normal. ;)