Querido,
Não sei muito bem como lhe escrever esta carta, mas a verdade é que não tenho sido muito sincera contigo. É verdade. Não atendo sempre o telefone, ignoro seus Whatsapp e já não tenho a mesma rapidez de antes para responder quando você está online. Também não acho que ainda tenhamos aquela sintonia de pensamento do começo.
Meus interesses mudaram um pouco, normal!, todo mundo muda, mas não vi muito interesse de sua parte para acompanhar o que me fazia feliz. Claro, sei que é um momento difícil para você, mas percebi que nossas conversas viraram monólogos e perdi o fôlego de dizer qualquer coisa além de “eu também” ou sinto muito depois de seus vômitos diários.
O engraçado é que sua família é ótima, embora não tenhamos nos encontrado muitas vezes. Suas turmas, apesar de você não entrar em detalhes quando está comigo, também são legais. Não entendo muito bem porque você faz questão de reclamar de todos eles, mas imagino que pelos likes no seu Facebook era mais um exagero daqueles. Não era?
Não temos os mesmos planos sobre como educar nossos filhos e nunca quisemos dividir o mesmo apartamento pois sabíamos que ia ser problema na certa, mas estávamos muito bem com isso. Ninguém é muito fã de telefone nem de cobrança, aliás, você nunca ficou me devendo dinheiro nem nunca perdeu algo que eu lhe emprestei. É realmente admirável. Talvez por isso, tão difícil.
Preferia que você tivesse quebrado algum CD meu, perdido meu livro favorito no metrô ou postado uma foto ridícula no Instagram. Aí eu teria uma explicação, uma desculpa, alguma coisa a mais para colocar aqui, mas não há nada. Nada mesmo. Só há um monte de fotos para guardar e DRs frescas na memória: sobre atrasos, sobre negatividade, sobre mil e uma coisas, mas menos sobre o que menos importa e mais dói. Assim, não rola mais.
O problema, bem, o problema não sou eu. O problema é você. Não sei como lhe dizer, mas quero o divórcio, meu caro amigo.
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Já se “separou” de um amigo? Já teve que pedir as contas de um relacionamento de pura amizade? Como foi? Por que você tomou esta decisão?
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Postado por Fernanda Pineda
Tags: amizade, comportamento, homens, mulheres, opinião
















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