Tag: Woody Allen


A Mostra de Cinema de São Paulo termina hoje e dos mais de 400 filmes, e de dez, somente dez, selecionados por mim mesma, consegui assistir apenas três.

O mal aproveitamento do evento se deu porque, primeiro, ao contrário de muita gente, infelizmente não pude abandonar meu trabalho para assistir um filminho às duas da tarde de uma terça-feira; segundo porque, em função do primeiro motivo, não comprei um pacote grandão da mostra e fiquei na dependência dos ingressos vendidos online, que se esgotavam tão rapidamente quanto água no deserto; e, por fim, perdi o último final de semana fazendo plantão no trabalho. Legal!

Agora que já expus minha raiva e horror a esta situação triste, quero dizer que assisti “O Outro Mundo”, “A história de Kyoto” e “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos”.

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O OUTRO MUNDO

Este é um francês que funciona por ser… Francês. A trama te deixa curioso, mas não é lá a coisa mais original do mundo. Basicamente, este é mais um filme para dizer que nem sempre o que você vê na internet é a realidade, misturando suspense e sensualidade com um joguinho ao estilo de “Second Life”.

Sim, fizeram um filme sobre isso em 2010 e ele somente funciona por ter o charme francês. Consigo imaginar atores jovens e desconhecidos norte-americanos fazendo o mesmo e a bilheteria sendo um fracasso, se é que me entendem.

O idioma é bonito de se ouvir e os atores são legais, apesar de tudo. A trilha sonora também é interessante e vale à pena se você quer ouvir uma língua diferente. Mas assista à tarde, tá? É o horário perfeito para esta sessão!

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A HISTÓRIA DE KYOTO

Filme simples, fofo, coração quentinho. Dois diretores japoneses, Yoji Yamada e Tsutomu Abe,  se reuniram para homenagear os grandes pais do cinema japonês. Para isso, resolveram contar a história de um bairro de Kyoto que costumava cediar o estúdio Daiei, que se tornou célebre por ter sido a locação de filmes premiados de Akira Kurosawa.

A trama envolve personagens com um quê de reais e  traz depoimentos à la documentário, tudo ambientado numa cidade com carinha de interior. Após assistir filmes orientais rodados em grandes metrópoles, “História de Kyoto” traz à tona uma gente que parece pouco retratada pelo cinema deles. Gente que, apesar de estar cercada  pela modernidade, ainda encara questões morais de um jeito bastante tradicional – e não pinta (tanto) o cabelo.

Recomendado para quando você quiser se distanciar dos problemas e relembrar o quanto as coisas podem ser simples!

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VOCÊ VAI CONHECER O HOMEM DOS SEUS SONHOS

E, finalmente, Woody Allen. Não sei se eu estava absolutamente ansiosa para assistir o filme, já que sou fã do diretor, mas saí gata-molhada do Cine Sesc, porque levei um belo banho de água fria.

Este é um daqueles longas cujo trailer estraga totalmente o filme, já que  pouco é acrescentado à história em mais de 90 minutos. Logo, caso você queira muito assistir este longa, não assista o trailer e preste atenção nas linhas a seguir.

“Você vai conhecer o homem dos seus sonhos” discute o poder que uma vidente charlatã pode ter sobre a vida e as decisões de uma pessoa e se utiliza de um círculo de personagens para, reenforçar mais uma vez, que tudo tem 50% de chances de acontecer, inclusive de se conhecer um homem alto, moreno e bonito.

Ao subirem os créditos, ficou a decepção do final-não-final que seria genial se não tivesse sido enfatizado o filme todo. Também tive a sensação de que Freida Pinto será constantemente escalada para os papéis que Penélope Cruz não pode mais fazer, pois descobriram que ela vai além de um rostinho bonito.

Allen deve estar rindo da cara do público com este filme, afinal só ele mesmo conseguiria incentivo financeiro para por na tela um argumento tão promissor, mas abordado de forma tão rasa.

Os poucos momentos de brilhantismo ficam nas falas da senhora Helena (Gemma Jones). O habitual narrador, por outro lado, nos dá vontade de metralhar as caixas de som do cinema.

Quem quiser ver um Woody Allen recente, volte um filme e assista “Tudo Pode Dar Certo” (2009). Este sim vale a pena!

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ps: estou agora aguardando ansiosamente a repescagem, em que os filmes mais bem votados pelo público retornam aos cinemas por mais um período. Quem sabe consigo completar pelo menos a minha lista, né? hehe 8)

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Postado por Fernanda Pineda

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Começa nesta sexta feira (22) a tradicional Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Em sua 34ª edição, a mostra traz mais de 400 filmes entre estreias, reestreias e homenagens até o dia 4 de novembro. As sessões se espalham por diversas salas da cidade, principalmente na região da Av. Paulista, Rua Augusta e arredores.

Além da sessão superespecial que promete exibir “Metrópolis” de Fritz Lang com acompanhamento de orquestra ao vivo no dia 24, alguns blockbusters ganham estreia privilegiada, caso de “Atração Perigosa”, com Ben Affleck.

Em todo caso, é filme pra caramba e eu aconselho os amantes de cinema a sentarem com calma e pensarem numa seleção para tentar assistir, principalmente porque muitos filmes esgotam rapidamente, o que deve acontecer com o novo de Sofia Coppola, “Um Lugar Qualquer”.

Ainda estou revendo o PDF gigantesco com a lista de sessões do evento e escolhendo, mas tenho estes 12 eleitos que não quero perder de jeito nenhum. Alguns porque não vou aguentar esperar, outros porque devem ser lançados em poucas salas e, por fim,  vários porque será a oportunidade única de assistir!

Bons filmes! 8)

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AIR DOLL (Hirokazu Koreeda)

Uma boneca inflável adquire alma. Ao explorar o mundo em torno de si, ela se apaixona por Junichi, balconista de uma videolocadora. Quando tudo parece perfeito, uma série de eventos inesperados abala sua frágil existência, levantando questões. Onde encontramos significado para a vida? E, em última instância, o que nos faz humanos?

AMÉRICA (João Nuno Pinto)

Liza é uma jovem imigrante russa casada com Vítor, um português que vive de pequenas fraudes. Mauro, o filho do casal, é uma criança especial que decidiu parar de falar. Liza ainda tem que tomar conta da avó de Vítor, uma senhora que recusa os seus cuidados. Aproveitando a grande quantidade de imigrantes ilegais no país, Fernanda, a ex-mulher galega de Vítor, lhe propõe um negócio de falsificação de passaportes. A casa de Liza torna-se então um ponto de passagem para imigrantes de várias nacionalidades. Entre eles Andrei, um jovem ortopedista ucraniano procurado pela máfia russa. Ele acaba se apaixonando por Liza, que vê nele a oportunidade de sair dali.

AMOR LÍQUIDO (Marco Luca Cattaneo)

Mario, 40 anos, é um varredor de rua de Bolonha viciado em pornografia. Durante o mês de agosto, ele fica na cidade, mesmo com todos os moradores viajando para as férias de verão. Ele mora no centro da cidade com sua mãe, que vive em uma cadeira de rodas após sofrer um derrame. Olga, uma polonesa de 50 anos, cuida dela em casa quando Mario está fora. Durante esse período, Mario conhece Agatha, uma jovem mãe solteira que lhe desperta sentimentos e emoções há muito adormecidos.

A MULHER INVISÍVEL (Agathe Teyssier)

Lili tem um problema raro: de vez em quando ela fica invisível e, mesmo que sua habilidade mágica seja às vezes útil, tornou-se um fardo para ela. As pessoas à sua volta ficam intrigadas com seus desaparecimentos repentinos e a vêem como distraída, ausente e irritante. Lili acredita que as pessoas a ignoram e olham para ela como se não estivesse ali. Mas seu problema é maior do que parece.

BRÓDER (Jeferson De)

Macu (Caio Blat), Jaiminho (Jonathan Haagensen) e Pibe (Sílvio Guindane) são amigos desde a infância e seguiram caminhos distintos ao crescer. Jaiminho tornou-se jogador de futebol, alcançando a fama. Pibe trabalha como corretor de seguros, enquanto que Macu entrou para o mundo do crime. Uma festa surpresa faz com que o trio se reencontre, só que eventos mal resolvidos do passado geram uma tensão que pode levar à morte.

EXIT THROUGH THE GIFT SHOP (Banksy)

Um dono de loja e cineasta amador francês tenta localizar o artista e grafiteiro britânico Banksy e se aproximar dele. Mas o artista inverte os papéis e passa a documentar a vida do excêntrico francês. O filme mostra sequências de Banksy, Shephard Fairey, Invader e outros dos grafiteiros mais transgressores do mundo em ação.

HISTÓRIA DE KYOTO (Yoji Yamada, Tsutomu Abe)

Os veteranos diretores japoneses Yoji Yamada e Tsutomo Abe tiveram a colaboração de jovens cineastas da Universidade de Ritsumeikan para realizar este filme sobre um sedutor triângulo amoroso, ambientado no espaço cenográfico de Uzumasa, na cidade de Kyoto – onde filmes lendários como Rashomon (1950), de Akira Kurosawa, foram rodados.

HITLER EM HOLLYWOOD (Frédéric Sojcher)

Um falso documentário sobre a atriz francesa Micheline Presle se transforma numa investigação atrás da verdade oculta sobre o cinema europeu. Este falso documentário desvenda a trama insuspeita de Hollywood contra a indústria de cinema europeia.

MEMÓRIAS DE UMA ADOLESCENTE AMNÉSICA (Hans Canosa)

Depois que Naomi, uma estudante do ensino médio, leva uma pancada na cabeça, ela não se lembra de nada do que aconteceu desde a sexta série. Ela começa a ficar confusa e assustada com as evidências de sua vida presente, da pílula anticoncepcional em seu criado mudo até a separação conturbada de seus pais. Eventualmente sua memória volta, levando Naomi a questionar um novo e intenso romance que se inicia, levando-a a pensar qual de suas vidas, passada ou presente, representa mais sua verdadeira personalidade.

O OUTRO MUNDO (Gilles Marchand)

Gaspard e Marion estão apaixonados e aproveitam o verão no sul da França. Até que eles encontram um celular perdido e, ao procurar pelo dono do aparelho, o encontram morto num misterioso ritual de suicídio. Ao seu lado, está deitada Audrey, uma garota semi-inconsciente. Com uma tatuagem enigmática e visual gótico, ela envolve Gaspard em um videogame perigoso e viciante, o Black Hole. No jogo, Gaspard cria um avatar e começa a procurar por Sam, uma personagem bela e perigosa que atrai suas vítimas no mundo virtual e os convence a cometer suicídio na vida real.

UM LUGAR QUALQUER (Sofia Coppola)

Johnny Marco (Stephen Dorff) é um bem sucedido ator de Hollywood que não possui uma reputação das melhores. Hospedado no lendário hotel Chateau Marmont para recuperar-se de um acidente no set de filmagens, ele passa os dias em festas com strippers ou dirigindo sua Ferrari por puro prazer. Porém, o ator tem sua rotina subitamente alterada pela presença de Cleo (Elle Fanning), sua filha de 11 anos, que passa a visitá-lo com certa frequencia. Embora a princípio seja incapaz de dar à menina a atenção que precisa, a progressiva aproximação leva Johnny a reavaliar sua vida.

VOCÊ VAI CONHECER O HOMEM DOS SEUS SONHOS (Woody Allen)

Alfie e Helena são casados. Sua filha Sally é casada com Roy. Depois que Alfie deixa Helena em busca da juventude perdida com uma menina liberal chamada Charmaine, Helena abandona sua própria racionalidade e entrega sua alma para um vidente charlatão. Também infeliz no casamento, Sally desenvolve uma atração pelo seu elegante chefe, proprietário de uma galeria de arte, Greg, enquanto Roy, escritor de romances, aguarda ansiosamente a resposta da editora para seu último manuscrito.

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Sinopses via Veja SP que, ao lado dos filmes, já mostra as sessões. Super prático!

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Postado por Fernanda Pineda

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Aproveitando a semana lotada de notícias sobre o Festival de Cannes, resolvi fazer essa lista de 10 filmes que a gente vai querer ver. São lançamentos para o ano todo (e também para o ano que vem!), resumidos, assim, bem rapidinho: nome, trailer e ficha técnica, porque as imagens falam muito mais!

*dei preferência para trailers legendados quando disponíveis.


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1. Nine

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Primeiro da lista, Nine é o novo musical de Rob Marshall, mesmo diretor de Chicago. Desta vez, o diretor faz um mergulho no universo de Federico Fellini e traz o filme mais emblemático da carreira do diretor, 8½ (1963), no formato de musical. Além de ser uma oportunidade de rever o trabalho do italiano, o longa ainda traz um super elenco, pra dizer o mínimo.

Com: Daniel Day-Lewis, Sophia Loren, Nicole Kidman, Penélope Cruz, Marion Cottilard, Kate Hudson, Judi Dench e Fergie (sim, do Black Eyed Peas!).
Direção: Rob Marshall (Chicago)
Previsão de Estréia: 25/11/2009 nos Estados Unidos. Não tem data prevista no Brasil.

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2. Coco Antes de Chanel, “Coco Avant Chanel”
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O longa conta a vida de um dos maiores ícones da moda de todos os tempos. A história começa com a jovem Gabrielle Chanel no orfanato, com dez anos de idade, e segue até que a moça descubra seu talento e se torne a Coco que entrou para a história.

Com: Audrey Tatou, de O Fabuloso Destino de Amelie Poulain e Código Da Vinci, no papel título.
Direção: Anne Fontaine
Previsão de Estréia: 30/10/2009

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3. Little Ashes
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Outra biografia, que eu particularmente estou doida pra ver. Pelos atores, pela história e pelos três artistas retratados! Little Ashes coloca nas telonas a conturbada vida de Salvador Dalí em pleno período de revolução na Espanha. Para completar, poderemos observar de perto a relação entre ele e o dramaturgo Frederico Garcia Lorca, além da parceria criativa com o cineasta Luis Buñuel, famoso por O Cão Andaluz (1929). (E se você já está se perguntando, sim, é este o filme em que Robert Pattinson faz o Dalí e dá uns pegas no Lorca.)

Com: Robert Pattinson, Javier Beltrán e Matthew McNulty.
Direção:
Paul Morrison
Previsão de Estréia: 8/05/2009 nos Estados Unidos. Não tem data prevista no Brasil.

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4. Os Abraços Patidos, “Los Abrazos Rotos
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Apresentado e aplaudido esta semana no Festival de Cannes, Os Abraços Partidos conta a história conturbada entre um diretor de cinema e a atriz principal de seu filme. Numa trama cheia de flashbacks e referências a diferentes escolas de cinema, Almodóvar ainda aproveita para metaforizar a própria história política da Espanha em seu personagem principal. (E eu que sou fã de Almodóvar do começo ao fim, já sei que vou amar. Promete!)

Com: Penélope Cruz, Lluís Homar, Blanca Portillo, José Luis Gómez, Tamar Novas e Rubén Ochandiano
Direção: Pedro Almodóvar
Previsão de Estréia: 24/09/2009, no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro.

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5. Paper Heart
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Um filme leve pra continuar. Paper Heart é o próximo filme de Michael Cera. Nesta comédia, uma jovem garota resolve fazer um documentário sobre amor, entrevistando pessoas sozinhas e casais que acreditam terem encontrado sua alma gêmea. O fato é que a menina não tem muita certeza de que encontrará a tampa da sua panela, mas adivinha o que acontece?? AWN! <3

Com: Michael Cera e Charline Yi
Direção: Nicholas Jasenovec
Previsão de Estréia: 14/08/2009 nos Estados Unidos. Não tem data prevista para o Brasil.

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E a lista continua depois do jump.

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Postado por Fernanda Pineda

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Vicky Cristina Barcelona
, de Woody Allen, com certeza foi o filme mais aguardado do ano para mim. Desde as primeiras exibições em festivais (leia-se, 2007) que eu estou vibrando ansiosa pela estréia aqui no Brasil. E, ok, confesso, eu já sabia que ia gostar. Só fui ao cinema para ter certeza.

O título é bastante auto-explicativo: em algum momento, um ménage em Barcelona. Não que os mais libertinos possam comemorar, afinal, um sexo a três não é mostrado em momento algum, porém o relacionamento tripartido acontece, sim. Durante um verão.

Em Vicky Cristina Barcelona (assim mesmo, sem vírgulas), duas amigas norte-americanas viajam para a Espanha em busca de sexo ardente e bodylanguage diversão e do bom e velho turismo. Vicky, interpretada por Rebecca Hall, está noiva e aproveita a viagem para analisar os costumes e a arquitetura local, já que está fazendo mestrado sobre a cultura catalã e, assim que voltar ao país, irá se casar.

Enquanto isso, Cristina, vivida pela musa do diretor, Scarlett Johansson, só quer relaxar e buscar inspiração para se expressar artisticamente, seja como for. Mais uma vez ela dá vida às artistas frustradas que brotam da mente de Allen, mas esta é mais doce e menos mesquinha do que Nola Rice, sua personagem em Matchpoint (2005).

Elas se hospedam em Barcelona na casa de uma conhecida e começam a freqüentar festas e vernissages da “alta” da cidade. Numa destas, ouvem uma fofoca sobre Juan Antônio, pintor que teria batido na esposa, seria conturbado e violento, etc. Nada disso. Juan é ninguém menos que Javier Bardém e ele não passa de um pintor extremamente criativo com uma bela ex-mulher de personalidade forte, Penélope Cruz. O problema é que ela não é apenas uma ex, mas sim um fantasma bem vivo.

O relacionamento entre as amigas e ele incia-se de uma forma um tanto latina e caliente e esfria para depois esquentar e não parar mais, dando apenas pausas para momentos de ternura-turística. Isso tudo até que a ex-mulher aparece, linda, imaculada e quase morta, de fato.

Quanto à Rebeca Hall, eu passo. Achei sem sal (ela e a personagem, Vicky). Ela traz um drama absolutamente pertinente: a da mulher correta e metódica, que encontrou o “homem certo” e está prestes a se casar, mas que, de repente, tchibum! Um balde de água fria em todos os seus planos. Sabe aquela típica história de noivas que a gente ouve na manicure e pensa “Gente, imagina?!” ? Pois é, é a história da pequena Vicky, só que não envolve despedida de solteiro.

O drama de Cristina já é bem outro: ela sabe o que não quer e acredita que isso é o suficiente. Seu maior problema é querer se expressar, mas artisticamente, de preferência. O problema é ela não tem a menor fé no próprio talento, o que faz sua admiração por Juan Antônio ser ainda maior, afinal, ele é um artista. E vive disso.

A química de Scarlett com Javier é absurda. Ele sujo, rústico, e ela uma princesinha loira e jovem-que-tem-muito-o-que-aprender. Uma mistura que, aliás, me lembrou muito Clive Owen e Natalie Portman em Closer (2004), mas essa é outra história. A questão final é que Johansson nem está absurdamente sexy no filme, ela está linda e isso basta. Woody Allen deixou Penélope Cruz à cargo da sensualidade.

Que delícia vê-la atuando! Brigando em espanhol, xingando de hijos de puta todas as gerações de seres vivos e, em seguida, acrescentando em inglês para a pequena Cristina, que não fala espanhol: “I’m sorry, I’m nervous today. I had a bad dream.” Assim, calmíssima. É. Devemos a Woody Allen uma Penélope ainda melhor que em Volver (2006), de Pedro Almodóvar.

Com verdadeiras pinturas na tela, Woody Allen conseguiu mostrar um choque de culturas possível ainda hoje, em tempos de globalização and all that shit. Um choque absolutamente poético (e caliente), visto pelos olhos americanos-english-speaking – o que é ótimo: ele não se atreveu a dar o ponto de vista espanhol.

Para completar essa misturinha goxtosa, cenas como as de Scarlett fotografando Penélope são puro deleite. Para as moças, Javier Bardém sujo de tinta até os cabelos e de óculos de aro grosso já é mais do que suficiente: vale o filme. Tá, não só o Javier Bardém sujo de tinta vale: Penélope vale. Ela merece uma justa indicação ao Oscar/Globo de ouro/whatever de atriz coadjuvante.

Todo o longa é conduzido por um narrador que insiste em completar perspectivas das personagens. No começo, achei bastante interessante, principalmente ao descrever a forma de amar de ambas as mocinhas – que pode ou não mudar depois desta viagem muito mais que turística. Porém, já no final, eu quis mandar o narrador calar a boca para prestar atenção na trilha sonora, que é belíssima, e para, enfim, tirar minhas conclusões, sem ninguém pra conduzí-las.

…. Antes que me perguntem: sim, Penélope e Scarlett se beijam. E não, não achei grande coisa. Woody Allen pesou no erotismo do mise-en-scène, do clima da cena, mas não nas atrizes. Portanto, posso dizer que já vi beijos “do gênero” melhores no cinema. Esperava mais.

ps: sim, eu fui ao cinema só para confirmar que iria gostar e, de fato, confirmei. É a típica história simples que me atrai, que pode acontecer com qualquer um. Num verão espanhol. 8)

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Postado por Fernanda Pineda

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Agora sim o ano começou de vez.

Pessoas legais do meu lado, algumas oportunidades e o 3º ano da faculdade que promete – minhas matérias legais: interpretação para TV, apresentação e locução, direção de arte, fotografia, edição de rádio e edição de tv).
Enquanto isso, minha última peça no teatro está sendo escolhida e eu estou me divertindo lendo comédias do Woody Allen (recomendo!).

Uma webcam nova (resolução e captação de luz excelentes por um bom preço, fora os efeitinhos em conjunto com o MSN!), meu pen drive que sumiu e meu mp3 está dando bem pro gasto.
Enquanto isso, meu computador foda em casa e eu babando pra ter um photoshop no trabalho, pra poder adiantar minhas coisinhas, tipo, lay novo e trabalho de direção de arte. :P

Uma pessoa especial e outras, não.
Enquanto isso, eu me dedico a pessoa especial e penso em como me livrar das outras pessoas. Porque acho melhor assim, porque não estou afim de conhecer pessoas novas agora, porque quero conhecer melhor uma pessoa só. Isso foi comprometedor, ok. Próximo tema.

Meu blog de lay velho e eu fazendo um design novo.
Enquanto isso, fico me perguntando se eu não tinha que mudar de vez o tema desse blog, porque não estou mais com tanta vontade de ficar falando a meu respeito. Mas sinto que talvez eu sinta uma vontadinha esporádica. Mas também fico achando que muita gente poderia escrever sobre cultura/celebrities melhor que eu. Daí não. Aí pensei em um blog de ficção, mas nesse dominio aqui não combina. E agora? :P

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Postado por Fernanda Pineda

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Sobre a autora: Fernanda Pineda Vicente, também conhecida como @loverox, vivendo em São Paulo. Produtora formada em Rádio e TV pela Faculdade Cásper Líbero e atriz profissional eventualmente praticante. Apaixonada por cinema, música, moda, nerdices e gatos, adora postar por aqui achados e descobertas na web e na vida real.Veja o perfil
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