Eu não sou uma garota-esmalte.

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tá, não exagera.
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Existem as garotas-esmalte que sentam uma vez por semana na manicure para cuidar de si mesmas. Podem me dizer que manicure só cuida das mãos, mas há quem sente ali por hábito, por vaidade ou até por pura terapia, isso para as que fazem da mulher a sua segunda maior confidente.

Tem também as garotas-esmalte que fazem a mão em casa. Seguem as dicas dos blogs (tem-um-monte), ficam de olho na prateleira da perfumaria do bairro e mandam ver comprando mil vidros por mês, tudo para tentar misturar e conseguir aquela cor linda do último desfile da Chanel.

E ambos os grupos perdem uma horinha do seu tempo (ou menos, para as rápidas), cuidando das unhas. Cuidando de si. Ou alguém mais se importa com o seu esmalte neon ou com sua unha artística de zebra?

Na maior parte dos casos, isso é única, exclusivamente e simplesmente feito para você – ou para as outras fêmeas da comunidade olharem e perguntarem: “que cor é essa?”, principalmente porque os rapazes geralmente não são fãs dessas inventividades à la unha arco-íris e degradê. Apesar de que prefiro a versão egoísta da situação.

Não estou dizendo que não cuido das unhas, ou que isso não é importante. É claro que é – e é até questão de higiene, assim como manter os cabelos limpos. Quer dizer, eles não precisam ser os mais brilhantes e sedosos da estratosfera, mas o básico é esperado (inclusive para os homens).

Talvez eu não entenda essa moda porque nunca tive unhas, que se diga, puxa, que boas! Na época em que minhas amigas davam seus primeiros passos como manicures, eu já dizia que esmalte não ficava no meu dedo. E continua não ficando.

Já fui na manicure da mãe, da vó, da tia e das amigas: nenhuma prestou. Como jogar dinheiro fora ainda está longe das minhas metas de vida, prefiro eu mesma fazer, a não ser quando há algum evento especial.

No dia a dia, eu mesma faço, e sempre que invento de passar alguma corzinha além da base reflito “por que Deus não me dá duas mãos direita agora?”. Porque é lógico que boa parte da habilidade da manicure reside no fato de que ela pode usar a mão direita sempre.

E ó, exibo meu esmalte com bolinha e com orgulho – e quando exibo, porque só lembro das minhas unhas geralmente ao colocar as mãos no volante e pensar “puta merda, esqueci”, fora que refazer 10 dedos a cada três dias é um saco desgraçado. Logo, não tenho a menor ganância por, ou habilidade para ser a trendsetter de esmalte da turma. E, bem, o namorado prefirir minhas unhas só com base também não é o maior estímulo para colecionar vidrinhos em casa.

Em todo caso, talvez até me contrariando, fica aqui registrada a minha admiração pelas garotas esmalte: elas gastam tempo com elas mesmas e podem ser até taxadas de fúteis, mas pouca gente se ama tanto a ponto de fazer mimos para si mesma religiosamente. Afinal, até a depilação não é feita unicamente pra você (e ainda bem, suvaco cabeludo não é modo de vida!).