
twitter: birds in a tree.
Twitter é um muro das lamentações com atualizações múltiplas a cada f5, dependendo da quantidade de pessoas que você segue. Mesmo que existam poucos passarinhos twittando no seu galho, certamente você já reparou o fator “ninguém me ama, ninguém me quer” que rola ali. E não adianta reclamar: uma hora será sua vez de grafitar o desabafo ali também.
Quando comecei no twitter, em abril/maio/junho de 2007, pouca gente lia, então era um prato cheio pra falar bobeira. Rolava uma espécie de terapia do desabafo diária ali e era ótimo: alívio imediato, conselhos instantâneos e ninguém de tão importante que te fizesse pensar que jogou merda no ventilador, afinal, o que era o twitter no Brasil em 2007? Era um bando de interneteiros brincando com uma ferramenta nova.
O fato é que criei (criamos) o péssimo hábito de soltar os cachorros por lá. Brigou com o chefe? Posta. Tá no trânsito? Posta. Comeu e não gostou? Posta no ato. Tomou um fora? Já sabe. Postamos lá toda e qualquer espécie de bosta aleatória e quando vê, ops!, já foi, I think I did it again.
Voltando à primeira pessoa do singular, eu só fui perceber o quanto isso era chato quando comecei a ver pessoas cujas atualizações eram basicamente isso, reclamar – e quando, em madrugadas e tardes desocupadas, eu percebia o número de followers diminuir com uma mera atualização de página depois de uma mera twittadinha inocente. Comecei a me disciplinar, eu já sabia o quanto era chato.
Com o surgimento de uma infinidade de ferramentas para mostrar quem deixou de seguir você, as pessoas pararam com essa aleatoriedade de seguir e des-seguir diariamente, mas surgiram os anjos da guarda. Vocês tem? Eu tenho. E explico.
Os meus anjos da guarda são cinco twitteiros que costumam aparecer em off para dar aquele toque sincero de amigo e dizer que eu não devia ter falado isso ou aquilo. Pode parecer intromissão, mas são amigos que, por algum motivo cármico, me entendem e conseguem dar um toque na hora certa.
De alguma forma, o “poxa, conversa com a gente ao invés de se expor assim” funciona muito bem, e apesar do alívio imediato provocado ao vomitar 140 caracteres, passei a pensar cada vez mais antes de apertar o update graças a esses anjinhos online.
É claro que, por conta da popularização do twitter, alguns de seus desafetos começam a criar arrobinhas ali e o que era puro elemento desabafístico vira indireta clara.
Aos poucos vão chegando seu ex-chefe mala, companheiros de trabalho que você adoraria não encontrar além do escritório e gente da escola que nunca mais olhou na sua cara – mas agora quer manjar tudo “desse tal de twitter”. Aquele cara que você ficou uma vez – e ele vai te seguir. Aquele cara que você ficou e adoraria mandar tomar onde o sol não bate – e ele vai te seguir. Aquele seu ex-namorado gente boa de anos atrás – e ele vai te seguir. O seu último namorado, mas que vai bloquear os posts dele – e não vai te seguir. Afinal, ele não quer você o siga.
Um belo dia, mesmo amparada por meus guardiões, tive um momento de deslize. Comentei sobre um caso mal resolvido antigo e acrescentei novidades publicadas no orkut que envolvem a situação civil atual do sujeito. Situação que não vem ao caso, sabe por que? Porque no dia seguinte ele nasceu em forma de “@” e começou a me seguir.
Mais uma vez, uma anjinha apareceu e, por algum lapso de sanidade em momento de alteração hormonal feminina, eu apaguei todas as twittadas sobre o assunto. Logo, salva pelo gongo, quando o rapazinho apertou o follow, não viu nada demais.
Agora sorria: eles estão te seguindo. Todos eles.
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