Fúria vaginal: “The Runaways”

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Dakota Fanning, Kristen Stewart e companhia

“The Runaways” estreou no Brasil sexta passada, bem depois do lançamento americano, o que rendeu algumas coceirinhas pra baixar, já que mil e um sites de download disponibilizaram o filme neste meio tempo.

Resisti bravamente e não entendi o que houve com a estreia, já que estava marcada para o dia 8, porém diversos cinemas fizeram sessões especiais (e em horários bizarros!) antes disso. Logo, na fatídica sexta-feira, somente duas salas em São Paulo estavam exibindo o longa, uma no shopping Jardim Sul e outra no Unibanco Arteplex do Shopping Frei Caneca.

Optei pela sala do Unibanco e fui com o Rafa, que também é fã de The Runaways e Joan Jett. Ambos ansiosos, não sabíamos o que esperar do filme, até porque muito do que a imprensa divulgou, pelo menos no Brasil, foi unicamente que as duas estrelas de “Crepúsculo” estariam no longa, e que Joan frequentou o set do filme e blablabla, nada além disso.

as originais

Para quem não sabe, não leu nada ou não conhece, “The Runaways” foi uma das primeiras bandas formadas unicamente por garotas da história do rock. Reunidas pelo carrasco produtor Kim Fowley na década de 1970, as meninas passaram por poucas e boas para conseguir provar que sabiam fazer música – e ainda assim, não são lembradas exatamente da forma que merecem, fato que o filme procura mudar.

O sucesso do grupo formado por Cherie Currie, Sandy West, Lita Ford, Laurie McAllister e a mais famosa e “pica grossa”, Joan Jett, foi quase meteórico, quase “one hit wonder”. Oficialmente, a banda durou mais ou menos 4 anos, de sua fundação até a separação total.

A trama do longa é uma adaptação do livro “Neon Angel”, escrito pela vocalista Cherie, e tenta resumir esta curta e intensa trajetória, regada com muita moda, drogas, sexo, bissexualidade e rock ‘n roll, é claro.

Dirigido por Flora Sigismond, que inclusive já trabalhou em clipes de David Bowie, o filme mostra a formação da banda e mostra de leve os momentos pesados pelas quais passaram, inclusive o vício adquirido pela vocalista que tinha beleza de “Brigitte Bardot num trailer”, vivida por Dakota Fanning.

Com maquiagens absurdas e figurinos que vão te fazer querer correr até o brechó mais próximo para adquirir uma pantalona cintura alta e uma bota plataforma (juro!), a história começa contando um pouco da adolescência de Joan Jett (Kristen Stewart) e também de Cherie Currie. Seus problemas, dilemas e também a absoluta desestrutura familiar que fizeram ambas buscar na música abrigo e conforto.

Enquanto Joan tentava aprender a tocar e ouvia do professor que guitarra elétrica não era coisa de garota, Cherie cortava os cabelos para parecer com seu ídolo David Bowie. No filme não fica claro, mas em entrevistas durante o lançamento, a Currie da vida real admite que a mudança radical foi para não ser mais tão atraente para os rapazes, já que o namorado de sua irmã estuprou-a ao saber que ela tinha virado “mocinha” – cena que inclusive abre o filme.

clipe do filme para “Cherry Bomb”

As outras garotas do grupo são bem coadjuvantes, mas mandam bem em suas respectivas posições, contribuindo para as versões excelentes de “Cherry Bomb” e “They Are Killing it” interpretadas pelas atrizes.

meninas com meninas

Em meio a narizes brancos de cocaína, vaias em festivais e adolescentes descobrindo que gostam de meninos e meninas, uma sexy Kristen Stewart provou finalmente a que veio. Em cenas de fúria  vaginal, fica claro seu poder de expressão corportal, elemento tão questionado em sua Bella de “Crepúsculo”. Outros destaques são quando a própria ensina a companheira de banda a se masturbar ou faz xixi na guitarra da banda concorrente durante um festival.

Ao final, o que aconteceu na vida real: Cherie deixa a banda em 1977, Joan assume os vocais até a dissolução do grupo, em 1979. Depois disso, ela, a grande responsável pela formação da banda, não desiste e faz de tudo para conseguir que seus hits solo emplaquem. Algumas de minhas cenas favoritas são quando ela começa a ensaiar as músicas “Bad Reputation” e “I Love Rock ‘n Roll”, até o filme encerrar ao som da deliciosa “Crimson And Clover”.

Saí do cinema com a impressão do filme ter pegado leve – ou de não ter se aprofundado na vida de Joan e de Cherie, ou mesmo de falar pouco demais das outras garotas. Talvez isso se deva ao fato do roteiro ser baseado no livro da loirinha vocalista, cujo ego foi mais forte e bateu de frente com o de Joan e de Lita em inúmeras situações, até causar sua saída.

Joan Jett, Kristen Stewart, Dakota Fanning e Cherie Currie na premiére do filme este ano

Pesquisei após a sessão e também descobri que a senhora Cherie pretende reescrever o livro para aprofundar algumas questões que agora parecem resolvidas para ela, absolutamente curada do vício e reconciliada com quem sobrou da banda (Sandy West já faleceu). Também li que a moça deve voltar ao estúdio para gravar com Joan – e este boato eu espero profundamente que seja verdadeiro! Seria um reencontro no mínimo interessante.

Fãs de rock, assistam. Mulheres que tem um sonho, assistam. Se nos anos 1970 elas foram capazes de subir no palco para mostrar sua arte levando garrafadas e até facas voadoras (!), hoje a situação parece um tanto mais favorável e convidativa.

É um filme para terminar de ver e querer sair correndo atrás daquilo que você deseja, por mais inocente e sessão da tarde que ele seja. Revivi a mesma sensação boa de quando descobri Joan Jett na adolescência e vi ali uma mulher revolucionária.

Certamente um DVD que vai para a coleção. 8)

“The Runaways”: mais um filme para esperar em 2010!

qui

A banda “The Runaways” nos 70’s:

E agora o trailer do filme “The Runaways”, com réplicas perfeitas deste figurino,  Kristen Stewart muy macha quebrando cadeiras, pulando no palco e girl power para deixar qualquer Spice Girl no chinelo:

Gosto!

O filme “The Runaways” é sobre a banda de mesmo nome que lançou a roqueira-mulher-mór Joan Jett nos anos 1970. No papel da protagonista doidona está Kristen, que com certeza vai surpreender.  A previsão de estreia é para março de 2010 nos Estados Unidos.

ps: falei “mais um filme” porque “Alice no País das Maravilhas” já tá na lista, né? 8)

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