Festival Planeta Terra e a euforia por Lana Del Rey

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Por onde começar a falar sobre o Planeta Terra 2013? Em sua sétima edição, o festival que tem mais cara de São Paulo marcou mais uma vez seu nome na agenda dos amantes de música e trouxe headliners que há muito o público queria ver. Estreou num novo local, o Campo de Marte, e com louvor: fácil de chegar, sair, estacionamento a preço justo e horários adequados para quem queria pegar metrô.

Por outro lado, sentimos saudades principalmente dos talentos “intermediários” que faziam nosso coração balançar entre um show e outro –  o que assistir? Como vou me dividir assim? – e das atrações eletrônicas incríveis, que sempre davam conta de fechar o festival de forma épica. E bem mais tarde da noite.

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foto: reprodução/Terra

.Entre Blur, Beck, Travis, The Roots e Lana Del Rey, o público parecia ter chegado ali já com seus favoritos de cabeça. Blur veio com um setlist preciso e mostrou a que veio de cara ao abrir com “Girls and Boys”. Por coincidência (ou não!), os maiores hits do grupo estão compreendidos bem na “era” da modinha atual, os anos 90. Foi um retorno ao Brasil que veio bem a calhar, já que na última passagem dos caras em 99, dizem os críticos, a comoção não foi das maiores. Fato devidamente corrigido.

The Roots foi, para mim, uma grata surpresa. Uma música forte, que bate no peito e uma apresentação feita para qualquer ser humano que goste de música curtir. Fazia tempo que não via um show feito com tanto gosto e paixão. E eles ainda tinham uma tuba no palco, quer dizer… Eles fizeram valer o dia.

Travis fez um som delicioso, gostoso de ouvir e embalou bem tanto fãs quanto quem estava ali apenas aguardando o nome que mais causou euforia na noite: Lana Del Rey.

foto: Reprodução/Veja

Depois de ver vídeos e mais vídeos de Lana Del Rey beijando e abraçando fãs em Belo Horizonte, sabia-se que o mínimo que a cantora faria em São Paulo seria tentar repetir o calor. De fato: logo após cantar “My pussy tastes like pepsi cola….”, a cantora desceu do palco como que para deixar os fãs provarem um pouco de seu mel.

Foi uma comoção do início ao fim do show e de uma forma que, eu juro, só vi no show da mãe mostra Lady Gaga – e olhe lá. Era fácil olhar para o lado e ver rostinhos que se sentiam profundamente representados pelas músicas melancólicas e fatalistas de dona Del Rey. E como soam bem as músicas ao vivo.

Embora tenha uma voz um pouco “menor” do que o que aparenta nos álbuns e nos shows gravados, Lana-Lizzy Grant entrega exatamente o que se ouve num single. Canta com vontade e passeia pelo palco com a presença de uma diva das antigas – com seu rosto das antigas e até seu tipo físico que lembra alguém de outros tempos. Tudo envolto por um clima etéreo bucólico e com guitarras pesadas, que por muito tempo solaram no palco enquanto Lana distribuía amor e simpatia na plateia.

Foi um show bastante especial para os fãs, disso não tenho dúvida, mas faltou algo que talvez falte no próprio repertório de Lana: o tal do punch, que os colegas do outro palco The Roots tinham até para distribuir. As músicas de “Born To Die” e sua “Paradise Edition” são lindas, são densas, são intensas, mas falta uma batida, um sobressalto, algo que faça o coração explodir de tesão, nem que seja antes de dizer adeus.

Se as músicas de Lana são cheias de melancolia e pulsão de morte, falta agora a ela descobrir o que a move para frente. Talvez isso nem seja tão difícil assim, não. Com um público caloroso destes, a resposta deve estar bem à frente. Como ela mesma disse ao abrir o show: “Vocês me lembram porque eu gosto de fazer música”.

O show completo:

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Sem dúvida, o Planeta Terra foi recheado de ótimas canções e, quem diria, de hinos de gerações tão diferentes, mas tão parecidas. Se antes o tédio 90’s era de “Coffee & TV”,  agora é de “Summertime Sadness”.

E que venha ano que vem: em 2014 tem mais Planeta Terra!