Peça “O que a Dorothy quer?” põe no palco a Dorothy que você nunca viu

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O que resta a uma jovem heroína que consegue eliminar sua arqui-rival aos 13 anos, tornar-se reconhecida e amada por seus atos e agora ver à sua frente apenas um futuro conservador e pré-programado ao lado dos tios? Morrer de tédio, talvez? Ou, quem sabe, aprender o peso de cada um de seus atos?

Na peça “O que a Dorothy quer?” estas e outras questões pessoais da mocinha de “O Mágico de Oz” vem à tona depois de sua volta ao enfadonho Kansas, uma terra sem as promessas de um leão ou a animação de um homem de lata, mas com vizinhança futriqueira no melhor estilo bruxa e uma cartilha rígida a ser seguida por uma moça de família.

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“O que a Dorothy quer?”, com Caroline Duarte, Luciana Esposito e Naty Graciano

O texto de Pedro Garrafa descola a heroína de seu universo lúdico original e joga uma luz densa sobre ela. O resultado, acredite!, passa longe de qualquer outra releitura que você tenha visto da prima Alice e seu País das Maravilhas. Garrafa não evita temas como sexo, culpa e castigo, que surgem de forma natural e por vezes cômica em cena.

No palco, Caroline Duarte, Luciana Esposito e Naty Graciano interpretam três Dorothies trancadas juntas no abrigo anti-tornado da família. Num cubículo escuro, elas disputam o posto de verdadeira heroína ao mesmo tempo em que enfrentam a ressaca moral da luta contra a bruxa má. Poderia uma mesma ação ter mais de uma consequência? Poderia a motivação mudar o teor de um crime? Fica reservada para o público a decisão final.

Em cartaz no Teatro Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi, a peça coloca todas as fichas no trabalho incrível das atrizes. Não são poucas as cenas, aliás, em que fica nítida a química do trio, que precisa trabalhar em total sincronismo ou disparidade para causar a estranheza de uma protagonista multiplicada por três.

Vale dizer também que a peça marca o retorno de Naty Graciano (ex-“CQC”) para a interpretação. Embora sua formação inicial seja de atriz, Naty passou um bom tempo na TV, tanto na Band quanto na afiliada da Globo de Sorocaba, e agora sobe ao palco de uma forma bem diferente da que estamos acostumados a vê-la.

 

Aproveito o post também para desejar boa sorte nesta nova fase para a querida da Naty (adorei conhecê-la!) e para convidar você aí leitor(a) a ir mais ao teatro. São muitas histórias boas e artistas incríveis que você pode estar perdendo! E digo mais: por mais incrível que seja o cinema, não há Netflix que substitua o contato e a catarse de uma boa peça. ;)

VAI LÁ!
“O que a Dorothy Quer?”
Em cartaz até o dia 15 de novembro; sábados às 20h e domingos às 18h
Local: Teatro Livraria da Vila – Shopping JK Iguatemi, São Paulo, SP
Mais informações aqui.

[Vídeo] Espetáculo Fuerza Bruta e aula de circo: experiências incríveis!

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Você já ouviu falar do espetáculo Fuerza Bruta? Aposto que sim! Estive na apresentação dos caras pela primeira vez no Brasil há uns bons anos e tive a oportunidade de voltar a vê-los agora, na temporada em cartaz em São Paulo. O detalhe é que dessa vez a experiência foi ainda mais completa: a Chevrolet me convidou para fazer uma vivência de circo antes de ir conferir o grupo argentino de novo. E devo dizer: foi incrível!

Na aula (com várias pessoas legais da internet, vale dizer!), experimentamos acrobacias de chão e áereas, fizemos diversos exercícios em grupo e ainda testamos nossas habilidades de malabarismo. Eu fui melhor mesmo no áero e na maquiagem, mas mesmo assim me diverti de-mais!

No vídeo de hoje, mostro como foi essa experiência! Espero que vocês se divirtam comigo, a_palhaça_do_circo! kkk  Assiste e aproveita para se inscrever no canal também! 

Para ver outros vídeos já publicados, clique aqui.

Musical “O Rei Leão” chega para reinar no Brasil

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Adaptação do clássico da Disney, o musical “O Rei Leão” estreou na Broadway em 1997 e 16 anos depois chega ao Brasil batendo recorde de orçamento e dando a Gilberto Gil a função de adaptar as músicas de Elton John e Tim Rice premiadas no Oscar de 1995.


O espetáculo que estreou no Teatro Renault (antigo Teatro Abril) já chega com banca de blockbuster: a peça bateu em 2012 o recorde de bilheteria do tradicional “Fantasma da Ópera” em Nova York e por aqui é o musical mais caro já encenado, com custo estimado em R$50 milhões até o final da temporada prevista para dezembro.

Os números impressionantes vêm de um espetáculo realmente impressionante, mas os leões ganham mais uma vez dos concorrentes: ao contrário de muitos sucessos grandiosos, a peça tem sim muita alma, pulso e um coração africano cheio de energia, que se traduz com cantos típicos da terra dos felinos.

Apesar de ser a adaptação do desenho que cativou filhos e pais nos anos 90, “O Rei Leão” não é nada infantil. No palco, as referências a “Hamlet” ficam bem claras, o texto é mais denso e o trabalho primoroso dos atores leva a questão da herança do trono a um nível dramático bastante interessante (e adulto). Some-se a isso o ótimo trabalho de César Mello (Mufasa), Osvaldo Mil (Scar) e dos atores-mirins que vivem Simba e não temos como não ficar impressionados logo no primeiro ato com a grandiosidade do leão rei e com a maldade de seu irmão, capaz de enganar o pequenino príncipe.


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O segundo ato é marcado pela adolescência de Simba, vivido então pelo ator Tiago Barbosa, e pelo retorno do príncipe a sua terra natal.  É hora também de diversão garantida com a dupla Timão e Pumba e de lamentar a mudança nas letras dos super hits “Hakuna Matata” e “Can You Feel The Love Tonight”.

Imagino que muita gente irá feliz da vida para o teatro com a expectativa de que este será o musical perfeito para o público brasileiro cantar junto, já que as canções do filme ganharam versões famosas em português. Mas, bem, não foi dessa vez. As letras propostas por Gilberto Gil couberam perfeitamente em nosso idioma e ficaram ótimas na boca do elenco, mas quem está sentadinho na cadeira vai embora do teatro com vontade de ter cantado junto. Pelo menos o “Hakuta Matata” deu pra entoar em alto e bom som!


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O musical “O Rei Leão” tem um mix delicioso: drama dos bons, ótimos atores, músicas que são sucesso e cenografia e figurinos de tirar o fôlego. De todos os musicais da safra Broadway que chegaram por aqui, é certamente dos mais imperdíveis – palavra de quem assistiu “Chicago”, “Fantasma Da Ópera”, “Cats”, “Miss Saigon” e “A Família Addams” no mesmíssimo teatro.

As máscaras dos animais são um espetáculo à parte e a expressão corporal dos atores é praticamente coreografada com o uso do adereço. Não tem como explicar: só vendo ao vivo. Fora isso, deixo um conselho de amigo: não se atrase. A abertura da peça é de encher os olhos!

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SERVIÇO

“O Rei Leão”
Sessõs de quarta a sexta-feira às 21h, sábados às 16h30 e 21h e domingos às 15h30 e 20h
Teatro Renault – Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411
Ingressos de R$50 a R$280 à venda na Tickets For Fun
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Agradecimento: Time For Fun Musicais
Fotos: João Caldas/Divulgação

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“50 Tons de Cinza” ganha sátira musical nos EUA

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*não quero nem ver*

A onda dos “50 Tons” continua, para o bem e para o mal: enquanto o filme demora eras para ter seu roteiro escrito, o grupo de improviso de musicais Baby Wants Candy resolveu fazer um musical bem humorado do livro. O espetáculo ficou em cartaz um mês em Chicago e agora chega à Nova York com elogios da crítica (!) e promessa de muita ironia em cena.

A peça tira onda com a história do best-seller ter sido considerado um pornô para mamães e faz 11 números de canto e dança com títulos como “They Get Nasty” (Eles ficam safados) e “I Don’t Make Love, I Fuck” (Eu não faço amor, eu fodo).

Antes que alguém pergunte, não, ninguém faz sexo explícito no palco e ninguém paga peitinho, então sobra muito pouca história para contar – e bastante piada para fazer. Se alguém estiver nos Estados Unidos, deixo a dica: a passagem da peça por Nova York é curta, mas eles voltam para Chicago logo mais; veja as datas aqui.

Os bastidores de “A Família Addams”: o figurino, os sapatos e as perucas do musical em cartaz em SP!

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Os Addams: Vovó (Iná de Carvalho), Wandinha (Laura Lobo), Tropeço (Rogério Guedes), Gomez (Daniel Boaventura), Morticia (Marisa Orth), Fester (Claudio Galvan) e Feioso (Gustavo Daneluz)
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O músical “A Família Addams” já recebeu mais de 200 mil espectadores e fica em cartaz no Teatro Abril em São Paulo até o fim de outubro. Antes que a temporada chegue ao fim, o espetáculo abriu as portas dos camarins e recebeu o blog nos bastidores para que eu e você pudéssemos ver todo o figurino bem de pertinho! Antes de fazer essa verdadeira viagem ao universo da peça, você pode reler a resenha do musical aqui; todo o serviço da peça (e dica boa para concorrer a ingressos gratuitos!) você encontra no final do post.

as portas dos camarins!

Quem conduziu quase toda a visita aos bastidores desta superprodução foi a experiente Nena de Castro, supervisora de figurino que já trabalha no Teatro Abril há anos. Ela diz que começou na área colocando a mão na massa mesmo. Até chegar aos musicais incríveis que entram em cartaz todo ano na “nossa Broadway”, Nena trabalhou com costura e depois com figurino para publicidade. Atualmente, no entanto, o caminho está mais curto: “Hoje em dia é mais fácil entrar na área, existem muitos cursos específicos de figurino”, explicou.

Com essa mestra ao meu lado, vi a lavanderia gigante do teatro, olhei de perto o incrível vestido preto e roxo (cheio de truques!) de Mortícia (Marisa Orth), dei um zoom nos acessórios que a gente nem sonha que eles estão usando lá da platéia e, claro!, dei uma espiadinha nos camarins. E tenho que dizer: que CHEIROSO é o cantinho do Daniel Boaventura, o nosso Gomez! 

O FIGURINO

Visitei os camarins do teatro cerca de quatro horas antes do espetáculo e ainda estava tudo uma calmaria só – mas  já tudo devidamente organizado! Os camarins grandes tem a volta toda de bancadas iluminadas para que cada ator possa se maquiar e no centro ficam as araras com o figurino de cada um pendurado e etiquetado. Para fazer toda a mágica acontecer a tempo, os atores chegam duas horas antes da peça já encontram tudo ali no jeito depois do trabalho das camareiras.

Como é de praxe nos musicais da Broadway que estreiam em São Paulo, nada é inventado aqui: todos os figurinos são adaptações fiéis dos originais e muitos tecidos são inclusive importados para que a confecção possa ser feita de acordo com as medidas do elenco aqui no Brasil.

O figurino do elenco principal é incrível, mas quem quiser ver referências além do gótico de Mortícia e Wandinha (Laura Lobo) deve prestar bastante atenção no coro de ancestrais, os fantasmas da peça. Como cada um dos personagens viveu (e morreu) em uma época diferente, cada um ali veste elementos bem diferentes: temos uma dançarina melindrosa dos anos 1920, uma índia americana pré-Guerra Civil, um general com jeitão de quem serviu a Primeira Guerra Mundial, uma dama da corte francesa, uma aeromoça chique à la Pan Am… Enfim, são tantas referências que em alguns personagens nem conseguimos identificar a época, caso da noivinha clássica coberta de renda, mas nada certinha, afinal já está vagando por esta e outras dimensões há muito tempo…
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a noiva e a aeromoça

detalhes do figurino do Gomez

as quatro trocas de figurino de Wandinha, com direito à mini-jaqueta e vestidos de jacquard.

Só que figurino de teatro não é só bonito, tem também seus truques! Ao puxar uma fita escondida, o vestido decotado de Mortícia vira um curtinho ainda mais sexy para que ela dance um tango sensual com seu amado Gomez. A foto não ficou tão boa porque realmente é preciso ver em alguém vestido, mas quem for assistir à peça vai entender direitinho! ;)
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Eu vi: musical “A Família Addams” em São Paulo

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Os ingressos para assistir o musical foram gentilmente cedidos pela Renault, uma das empresas que apóia o espetáculo. Obrigada!

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Marisa Orth e Daniel Boaventura: o casal Mortícia e Gomez em ação

Depois de estrear na Broadway em 2010 e sofrer algumas alterações no enredo (cerca de meia hora de peça foi cortada), o musical “A Família Addams” ganhou sua primeira versão estrangeira aqui, no Brasil.

A trama traz todos os personagens macabros e divertidos que a gente já conhece da TV e do cinema e conta uma história diferente: Wandinha está apaixonada e quer se casar. E é claro que o pretendente da herdeira das trevas é um rapazinho normal com uma família conservadora normal.

A história é super divertida e é uma das primeiras vezes em que sinto um musical realmente fazer esforço para se aproximar do público brasileiro. Como o espetáculo é de comédia e traz referências locais no texto original, a produção teve de adaptar e inserir piadas locais para tudo fazer sentido. A intervenção foi realmente muito bem vinda e o resultado é visível nos textos do patriarca Gomez (Daniel Boaventura), da Vovó (Iná de Carvalho) e de Fester (Claudio Galvan).

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o jantar em que as duas famílias se conhecem

Os três atores, aliás, estão excelentes em cena, com destaque especialmente para Daniel Boaventura, um dos poucos globais que manda bem em todos os terrenos. Daniel conseguiu provar de uma vez por todas que é um ator completo: canta, dança e ainda tem um timing sensacional para a comédia. Por outro lado, quem deixa um pouco a desejar em cena é Marisa Orth.

Apesar de ter o físico e o timbre de voz perfeito para interpretar Mortícia, a atriz parecia pouco à vontade; insegura, talvez. Seus momentos de brilho acontecem quando a música e a dança são dispensadas e seu excelente timing de comédia vem à tona. Como a trama prioriza o personagem de Gomez e, obviamente, a personagem de Wandinha (Laura Lobo), a situação de fato não é um problema.

Por fim, duas menções honrosas: Laura Lobo está excelente no papel da futura noiva e não há como não ficar na torcida pelo sucesso do jovem ator que vive Feioso. Gustavo Daneluz preenche muito bem o palco em sua canção solo e logo mais estreia o remake da novela “Carrossel” no SBT. Promessa, hein? ;)
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Para sentir o clima da peça, dá o play na música de abertura “Para Quem é Addams”:

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SERVIÇO:

“A Família Addams” – O Musical
Sessõs de quinta e sexta às 21h, sábados às 17h e 21h e domingos às 16h e 20h
Teatro Abril – Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411
Ingressos de R$70 a R$230 à venda na Tickets For Fun

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