Viver sem pendências

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Conforme comentei esses dias (alguém leu? hehe), desisti das resoluções de ano novo. Só quero mesmo é viver sem pendências, no melhor estilo “só por hoje”.

Aboli as resoluções de ano novo há um ano, dois. Descobri que colocar no papel um monte de coisas que eu queria, e não conseguia, era reforçar para mim mesma uma porrada de frustrações. Uma vez que já tenho minha auto-estima equilibrista fazendo este papel inconscientemente, tomei a decisão consciente de não fazê-lo e me facilitar a vida um pouco.

Algumas pessoas levam essas coisas numa boa: não deu, não deu e vamos lá se vestir de branco mais uma vez. Eu, não. Fui daquelas adolescentes que inauguravam a agenda do ano colocando a lista do que tinha que acontecer – e fechava o ano repetindo boa parte das coisas na próxima agenda e me perguntando porque raios eu não fiz o que dependia só de mim.

Serve para se questionar? Ah se serve! Mas esta atividade só é recomendável para quem não costuma pensar sobre si mesmo. Àqueles que pensam demais e fritam seus miolinhos, melhor se dar menos motivos para ficar pirando em cima de coisas que não vão mudar o mundo e, olha, provavelmente também não vão mudar você.

Talvez eu tenha descoberto uma só coisa que eu queira para o ano que vem, uma coisa só, que exige menos força de vontade do que perder aqueles 5kg que todo ano apareciam nas resoluções: viver sem pendências.

depois eu arrumo (via Satomi Shirai)
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Nós, interwébicos, somos uma raça desgraçada de procrastinadores. Com tantos métodos e alarmes diferentes para nos lembrar do que temos ou tínhamos que fazer (calendário do google, remember the milk, evento no facebook, alerta no celular), nada mais natural que colocar todos no modo “mais 5 minutos/horas/dias” de soneca e esperar tudo acumular até o desespero bater na bunda.

Este ano fui aprendendo. Realmente botei os alarmes para apitar e me encher o saco mais de uma vez por dia, criei planilhas para administrar meus gastos e, principalmente, os calotes. Afinal, que atire a primeira pedra quem não descobriu que um pagamento aleatório estava atrasado só quando viu que ia precisar de um extrinha para dar conta do cartão de crédito.

Aí eu também passei um tempo sem RG este ano porque perdi o maldito. Tomei a decisão óbvia de deixar pra lá e só tirar outro documento quando eu realmente precisasse, e fiz tudo nesse mundo usando a carteira de motorista. Fui para a festa da democracia, para a balada, para o motel, para a Argentina e lá fui roubada e voltei apenas com um passaporte, porque é lógico que a carta de motorista era o único documento extra que eu tinha caso eu perdesse o raio do passaporte e foi ela mesma que rodou.

Perdi uma semana fazendo os corres de burocracia, enchendo o saco dos bancos para pegar cartões novos, desbloqueando todos e, puta merda!, ainda tenho coisas para resolver. Já se passaram duas semanas (ou mais) e, bom, tenho que pegar um desses cartões no banco amanhã senão serei obrigada a pagar a conta de celular atrasada. Entende?

É tipo isso. Viver sem pendências, resolver rápido e sofrer um pouco para depois relaxar é a melhor forma do ser humano não enlouquecer aos pouquinhos. Vou adotar para o ensinamento da vovó: “não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”.

Se Deus e Yemanjá quiserem, pularei 7 ondas e 2011 será um ano mais silencioso, com menos alertas para apitar.

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“A Origem”: o início, o fim e o meio

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Acho que a última estreia do ano a cair na boca do povo e por a galera pra pensar foi “Bastardos Inglórios”, do mestre em fazer filmes recheados e agradar cults e pops, Tarantino. Agora, o título que ouço em todas as mesas na hora do almoço, o campeão das discussões de gente que talvez só adore cinema blockbuster, é “A Origem”.

Do mesmo diretor do último “Batman…”, Chris Nolan, o longa também roteirizado por ele bebe da fonte do mistério do universo onírico, tema de tantos filmes e, aliás, de tantos clássicos.

A pergunta clichê de música sertaneja “será que foi sonho ou verdade?” vem à tona de forma pesada durante os 148 minutos de filme e por essa razão, ao meu ver, a obra tem aí uma grande chance de se tornar o novo “Matrix“, no sentido de render assunto para uma trilogia e de quebra fazer os jovens olharem para si mesmos sem precisar ser chato para isso.

Com ação, efeitos especiais e Leonardo Di Caprio sendo o tiozão da galera, “The Inception”, em português “A Origem”, conta a história de uma trupe especializada em roubar ideias e segredos das pessoas enquanto dormem.


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Um belo dia, o grupo recebe a proposta que significaria a redenção para Cobb (Di Caprio), que finalmente poderia voltar ao seu país natal, Estados Unidos, e se livraria da acusação de ter matado sua mulher, Mal (Marion Cottilard). A proposta não é nada fácil: ao invés de surrupiar um segredo, o grupo tem a difícil tarefa de inserir uma ideia forte e construída na mente de um herdeiro, para que ele tome uma decisão diferente de seu falecido pai nos negócios.

Os diálogos rápidos conduzem a trama e vamos entendendo esse mundo ilimitado da mente através de uma novata que integra o grupo,  Ariadne (Ellen Page). A jovem estudante de arquitetura é responsável pelo design do sonho e é a única corajosa o suficiente para questionar o inconsciente dos outros ladrões, que também surgem sem avisar durante os assaltos de ideias, trazendo suas culpas, seus desejos e medos.

Como a história corre sem explicações detalhadas ou explícitas, todos nós saímos do cinema com vontade de quero mais. O filme tem um poder imenso de mexer com quem já teve um sonho tão real que se confundiu (eu!) e mostra como até pessoas comuns podem conduzir e entender processos terapêuticos eficazes, uma vez que a turma de Cobb precisa lidar com a relação ‘pai e filho’ na cabeça de um estranho, sugestionando-o e induzindo-o a pensar diferente.


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Durante os mergulhos nos inconscientes, temos a clara noção de que “roubar ideias” é algo que já foi alardeado no universo do filme, a ponto de pessoas poderosas armarem seus inconscientes contra este tipo de ataque. Logo, além do ponto de interrogação deixado pelo final com cara de enigmático, ficamos com uma bela vontade de ver na telona a origem dos furtos de sonhos.

O fim já está aí, só espero que agora lancem o início e o meio. Dá pano pra manga, e Leonardo Di Caprio se tornou um belo atorzão. Vale o ingresso!

Uma mãe com uma câmera

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Será que é possível capturar os sonhos de uma pequena bebê? É o que a jovem mamãe Adele Enersen está tentando:

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A ex-publicitária e agora mãe e dona de casa, como ela mesma se descreve, diz que o blog “Mila’s Daydream” é seu hobbie pós-maternidade e tira fotos super criativas de sua filha enquanto ela dorme. A ideia é tentar desvendar  o sonho de Mila e então criar um cenário para ele:

No blog tem muito mais fotos e um FAQ contando como ela cria todos estes cenários sem acordar a nenê. Genial e inspirador para as grávidas de plantão! ;)
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(E, bem, isso me lembra que minha mãe tirou mais de 1500 fotos analógicas com a super Pentax dela no meu primeiro ano de vida. Imagine se fosse hoje e ela tivesse um blog? Seria maníaca!)

via A Pattern a Day

Use seu iphone para… Dormir!

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Ok, vamos lá: meu  nome é Fernanda e me rendi a um gadget apple. Os Macs não dão jeito mesmo pra mim, mas eis que ontem entrei para o fantástico mundo dos donos de iPhone (o que torna meu iPod quase sem sentido agora).

Eu sabia que o aparelho era legal e tal e coisa, sabia que ia amar e encher de app’s legaizonas, úteis e inúteis, mas nunca imaginei que eu iria dormir melhor (e mais rápido) com um celular. Por que, né? Quem imaginaria isso?

Pois ontem mesmo eu baixei o Magic Sleep, app que conta carneirinhos para você além de botar uma bela música relaxante e hipnótica. A versão free só te deixa usar durante dez minutos, mas vou dizer que eu dormi em menos de cinco.

Só para constar: para melhores resultados, coloque o telefone no modo “avião” e plugue os fones de ouvido. Aí é só esperar os carneirinhos fazerem efeito! 8)

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ps: depois desse app, baixei outros bem divertidos, vou mostrando aos poucos por aqui.

A perseguição noturna.

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imagem via

Li uma vez que nada é mais importante que seu sono. Contas, filhos, problemas, viagem, ansiedade, nada. O sono revigora nossa mente, nosso corpo e logicamente conseguimos pensar muito melhor pela manhã, depois de descansados, do que de madrugada, no calor do momento – e do problema. Concordo.

É, sei que é fácil falar, difícil é fechar o olho com o problema te espetando feito agulha no colchão, com o travesseiro parecendo petrificado e com suas pálpebras pregadas na sobrancelha. Aí nós damos um jeitinho, né? Bancamos o “deixa disso” com nós mesmos e empurramos a questão pra debaixo do tapete mental. A duras penas, dormimos.

Então você sonha. Sonha com o que não queria, seu inconsciente faz questão de distorcer todo o problema, isso quando não enfia situações novas pra algo que você ainda nem resolveu. É o que eu chamo de “perseguição noturna”. Quando a ansiedade de resolver algo é tão grande que ela invade seu sonho e ainda piora tudo e tudo e tudo.

Acordando, você provavelmente estará mais puto. Pensará porque não resolveu aquilo antes de dormir. Tentará rever todos os fatos, pra lembrar onde começa o sonho e termina a realidade, já que, é lógico, esse tipo de sonho costuma ser ridiculamente real.

Você respira fundo, toma seu café, começa sua vida. Passa o dia, avança um pouco na resolução da questão, e ok, quer saber? Dali a 12 horas, quando você for para a cama novamente, parecerá que simplesmente não há tanto problema assim, ou que a coisa se dilui nos milhões de pensamentos que atravessaram sua mente ao longo do dia. Cansado, você dorme.

E sonha. Sonha com aquilo ali de novo. O problema vira uma agulhinha na sua cabeça, daí. Acordado, aquilo simplesmente não te importa tanto – ou já nem te importa mais – mas o sonho persiste. O pesadelo.

Depois de alguns dias, você provavelmente se toca finalmente de que não era uma questão pra deixar pra lá, mas até lá, perdeu algumas noites, algumas várias, mesmo dormindo com os olhos bem fechados.

Não, não tenho nenhuma resolução ou conclusão sobre isso, só queria falar mesmo é que algumas coisas, ainda assim, valem a pena ser discutidas de cabeça quente. Afinal, nada, nada mesmo, vale mais que seu sono.

Amanhã a vida continua.