“O Futuro de Nós dois”: e se você pudesse ler pedacinhos do seu futuro daqui a 15 anos?

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booktrailer de “O Futuro de Nós Dois”

O ano é 1996, muitos estão comprando seu primeiro computador pessoal e a AOL é o provedor de internet mais popular dos Estados Unidos. Um CD deles na mão e pronto: você está conectado e pode criar a primeira conta de e-mail da sua vida. Emma e Josh são amigos de infância prestes a experimentar a web pela primeira vez, mas por algum motivo aleatório do universo, eles conseguem acessar o Facebook dali 15 anos. Ao lerem pedaços de suas vidas e das vidas de seus amigos postados em atualizações de status, os dois passam a mexer com o presente tentando melhorar a vida no futuro.

A premissa de “O Futuro de Nós Dois”* é assim um tanto fora da caixinha, mas a relação entre presente e futuro criada pelos autores, Carolyn Mackler e Jay Asher, é interessante e até verossímil. A partir do momento em que os dois personagens ficam vidrados com o que vai acontecer daqui uns anos, vão aos poucos se esquecendo do presente e preferem tomar atitudes para serem felizes só depois.

É claro que não fica explicado porque eles conseguem acessar o Facebook, o que é uma licença poética bem ok, mas não dá para entender como uma das personagens simplesmente desiste de investigar como ela consegue “ver” o futuro na internet. Emma resolve pesquisar o assunto, mas no maremoto de emoções causadas pelo “oráculo” online, acaba deixando pra lá. Não sei vocês, mas acho que isso me intrigaria mais do que o futuro, algo tão volátil. rs

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“A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista”: sucesso coração quentinho pronto para o cinema

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“A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista”: coração quentinho para este inverno!

Um livro perfeito para rechear uma tarde geladinha de julho, com uma boa xícara de chá do seu lado. Foi essa a situação perfeita que imaginei para curtir o livro “A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista”. Com leitura rápida e leve, as 224 páginas escritas por Jennifer E. Smith passam voando e são estrategicamente planejadas para derreter jovens corações, falando de relacionamento familiar, perdão e, claro, amor à primeira vista.

Uma série de coincidências no aeroporto de Nova York faz com que os jovens Hadley e Oliver se encontrem e passem a aguardar juntos seu embarque para Londres. Ela tem o casamento do pai com outra mulher, ele tem uma misteriosa cerimônia para ir. Como uma coincidência só é bobagem, uma rápida troca de assentos também coloca os dois lado a lado por mais 7 horas cruzando o oceano, rumo a reencontros doloridos.

O título já deixa bem claro o que está prestes a acontecer e este é um dos livros que a gente lê para saber o “como” e não o “o que”, mas não se espante se após a leitura você sentir que o verdadeiro “romance” está entre a protagonista e o pai prestes a se casar novamente. A adolescente tem tanta coisa para resolver com a figura paterna, que realmente seria impossível que ela assumisse qualquer relacionamento sério antes disso. E é claro que tudo acontece com um passo de mágica quando ela finalmente abre seu coração!

A narrativa despretensiosa vai e vem com flashbacks que trazem ar puro para a claustrofobia do avião e para o estado de espírito da loirinha estudante e do jovem universitário inglês. Fãs de literatura, os dois têm diálogos cheios de referências, mas que acabam ficando levemente perdidas diante da inocência da dupla. Apesar do encontro inusitado lembrar bastante a situação do filme “Antes do Amanhecer”, as citações a clássicos infelizmente não contribuem de fato para a história. É uma estratégia um pouco manjada para agregar valor ao próprio texto, assim como é manjada a estranha sensação de intimidade que os dois meros desconhecidos sentem, facilitando bastante as coisas. Mas assim está escrito e assim diverte, não dá para negar.

Traduzido para mais de 30 idiomas, o livro deve virar filme em breve. Segundo informações da editora, a produção acredita que o roteiro pode render um “Harry e Sally” para esta geração – e tá aí, é uma obra praticamente pronta para ser filmada. Com descrições meticulosas e diálogos sensíveis -especialmente entre a protagonista e o pai-, a história promete encantar ainda mais.

Veja o booktrailer oficial: 

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Sobre Michael Cera e “Paper Heart”

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Se existe uma musa indie, ela é Zooey Deschanel. Agora se existe um muso indie, ele é Michael Cera.

Não lembro quando exatamente foi meu primeiro encontro com o rapaz, creio que foi numa sessão pouco aconchegante de “Juno” no HSBC da Consolação com a Paulista. O filme não me agradou lá grandes coisas, mas o jovem papai e a trilha sonora me deixaram um tanto quanto curiosa.

Meses e meses depois, estava eu num avião também pouco aconhegante, no meio de um gordinho simpático e um bêbado que se achava bonito, voltando da Europa. Estava cansada e triste com o final da viagem – e com a situação ridícula – e eis que na televisãozinha frente a minha poltrona estava ele, Michael Cera, Santo Chapolim Colorado que gritou “eu” num momento de “quem poderá me defender?”.

Pus os fones no máximo e dei um chega pra lá no beubo do lado direito que achava estar abafando no chaveco e comecei a assistir “Nick and Norah’s Infinite Playlist”. E, antes que vocês pensem que pousei no Brasil alegre com o doce filme, digo que não, pois o avião pousou 20 minutos antes do grand finale. @#$*@#¨!!!

tira os zóio, Juno

Foram três meses de aflição até eu poder baixar o filme – e um motivo extra para rever o querido Mike. Claro que assisti o filme todinho novamente e aí sim fiquei de coração quentinho e fui convencida pelo talento bizarro dele de atuar de forma ridiculamente natural – ou de nos enganar direitinho apenas decorando falas e sendo ele mesmo. hehe

Logo, quando li sobre “Paper Heart” fiquei fascinada. Basicamente, trata-se de um documentário sobre amor feito por jovenzinhos; ou melhor, um docudrama, ficção que se aproveita do formato de documentário para contar uma história – real ou não, ou com pitadinhas de realidade, quem sabe. Também logo desconfiei que as amigas distribuidoras negariam o prazer de ver o loirinho pálido no cinema, assim como fizeram com “Nick and Norah’s…” e fiquei a postos para baixar o filme.

No último domingo, assisti. E, tipo, OWN. O filme é centrado em Charlyne Yi, uma jovem com jeitinho masculinizado mas de bom coração, que diz nunca ter se apaixonado e que, de tanto temer não poder sentir tal tremor nos joelhos e suor frio nas mãos, resolve ir investigar qualé a desse tal de romance. Durante a jornada, ela conhece Michael Cera e os dois começam um casinho, devidamente documentado.

Basicamente, o filme traz histórias sobre romances, casais e a visão de jovens, tanto dos dois envolvidos, quanto do diretor, um terceiro personagem na história. A fotografia muitas vezes deixa a desejar dado o grau de improvisação do filme, mas a trilha sonora e a espontaneidade de sua forma compensam.

a noiva anti-romântica

No longa, todos assumem seus próprios nomes, o que trata de nos deixar com uma pulguinha atrás da orelha, sobre o que é texto, o que é improvisação e o que é verdade – tipo, será que eles tiveram mesmo um casinho? (sim, tiveram, e aparentemente ele terminou com ela. Danado!)

Dúvidas fofas à parte, o casal de protagonistas cria cenários e marionetes e faz mini teatrinhos de cada suspiro dos entrevistados, o que traz doçura às histórias e contrasta com a visão da simpática Charlyne, que se esforça para entender o amor, mas entra e sai com um ponto de interrogação sobre o que ele realmente é, apenas mais disposta a tentar.

Assisti ao lado do Rafael e demos risadinhas sinceras, daquelas que vem de dentro para fora e tratam de aquecer o caminho que traçam. Ao final, mais uma produção que merece ser assistida. Meu conselho? Veja em dias de chuva, dias de leve melancolia ou dias em que o mundo te fizer desacreditar no amor.

Eles não podem fazer isso, e Michael está aí para te salvar. You go, boy Cera!

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ps: aconselho às fãs do rapaz que realmente vejam este, porque “Scott Pilgrim Vs. The World” só estreia em novembro e quando estrear, pois ainda não há data definida. “Youth in Revolt” eu não vi ainda, mas pretendo. Alguém aí já?

Romance na telona sexta-feira: “Querido John”

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Channing Tatum, Amanda Seyfried e um beijo daqueles

“Querido John” estreia nesta sexta-feira (amanhã!) e promete abalar os corações das mocinhas desprevenidas. Isso porque seu roteiro é adaptado do livro homônimo escrito por Nicholas Sparks, autor de outra história de sucesso levada às telonas, “Diário de Uma Paixão”. E, bem, o protagonista é lindo.

No filme, Channing Tatum (“Inimigos Públicos”) vive um soldado que se envolve com uma ativista super da paz, interpretada por Amanda Seyfried (“Mamma Mia”). Os dois se apaixonam perdidamente, e quando o rapaz tem de voltar ao trabalho, eles começam a trocar longas cartas de amor.

Apesar de toda essa dose de romance oldschool com cara de final feliz, as cartas acabam dando outros rumos à história:


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E olha, eu não vi “Diário de Uma Paixão”, mas quando a equipe de divulgação da Sony Pictures entrou em contato comigo e falou sobre os livros de Sparks, logo lembrei que foi ele que rendeu a Rachel Mc Adams e Ryan Gosling o  prêmio do MTV Movie Awards de melhor beijo há uns anos passados.

Se Channing Tatum e Amanda Seyfried conseguirem repetir a mesma dose de química, já vai valer muito a pena ter ido ao cinema! Para se ter ideia, os dois que ganharam o prêmio da MTV até repetiram a dose ao vivo! Relembre aqui, foi muito mágico! 8)

Este post é um publieditorial.

Não digo adeus, guardo comigo.

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e não vou reler “Alice…”.

Não sou tão apegada a ambientes, pessoas ou fases. Às vezes penso que quando tiver de passar vai passar e foi assim com formatura de escola e faculdade, já que ambas só me emocionaram no último segundo possível.

É claro que eu não acho que tenho a virtude de aproveitar tudo a todo segundo, o hoje pelo hoje, carpe diem e toda essa filosofia bonita, facilmente destrutível numa segunda-feira chuvosa. Só acho mesmo é que, de alguma forma, eu encaro fases como… Fases. E isso não se encaixa com os livros. Livros são eternos.

Parece óbvio, mas vou explicar. As músicas que eu mais ouço hoje com certeza não serão as que eu mais ouço amanhã, nem depois, nem ano que vem, mas as páginas que me emocionaram há 5 anos provavelmente ainda me emocionam hoje, ao menos pela lembrança da minha própria imaginação.

Nunca reli livros pois tenho medo de não ter a mesma interpretação inocente da primeira lida, interpretação que obviamente não vou ter, mas guardo-os todos na estante. Morro de raiva até hoje de não ter meia dúzia de títulos que li emprestado e não comprei – e sei lá porque cargas d’água ainda não comprei.

“Hell – Paris 75016” é um exemplo. Marcou muito há 7 anos quando li, mas provavelmente não saquei o cartão de crédito da carteira ainda pois cairia na tentação de ler o humor sórdido da Hell de novo quando o pacote chegasse em casa. Só que sabendo o final.

Fui perceber que me apego aos personagens dos livros quando demorei pra terminar a saga “Crepúsculo”. Se você não gosta da série, te respeito, e pode substituí-la por um livro que você goste qualquer, pois  não é dela que quero falar, e sim do tempo absurdo que levei para findar o quarto livro. Enquanto li o segundo e o terceiro em, sei lá, no máximo 5 dias, enrolei enquanto pude com o tal “Amanhecer”.

Eu queria saber o fim, eu estava morta de curiosidade, mas acho que não queria dizer adeus ao vampirão e a Bellinha desastrada. Eu não queria pensar que o drama deles teria fim e que o felizes para sempre não renderia mais história para euzinha, pobre leitora de um mundo mortal sem seres mágicos.

Aí olhei pra trás e lembrei de outros episódios semelhantes, com outros livros, outros autores. Ontem abri uma caixa na bagunça do meu quarto novo (não tão novo, mas novo no quesito “ainda não organizei tudo”) e encontrei um livro que li no comecinho do ano passado, o “É Claro que Você Sabe do Que Eu Estou Falando”, da escritora, artista plástica, videoartista e um monte de outras coisas, Miranda July.

E hoje se eu pudesse te recomendar um livro de crônicas, de boas e intrigantes histórias curtas ou mais longas, escritas todas de um jeito realmente original, com tramas realmente originais, eu recomendaria “É Claro Que Você Sabe Do Que Eu Estou Falando”.

Recomendaria com 90% de certeza, pois os outros 10% pertencem a última crônica do livro. Não, não li a última. Não quis me despedir.

“Preciosa” e o efeito do trailer.

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Existe a teoria de que alguns filmes tem bons trailers, mas não são exatamente bons filmes. Existem trailers que, por mais bem intencionados que sejam, contam um pouquinho do final. Outros também não contam nada, mas te deixam com a pulguinha atrás da orelha.

Pois o trailer de “Preciosa” conta é bastante coisa do filme em seus míseros minutos, de forma que ao sentar para assistir o longa-metragem mesmo você fica esperando, com uma caixa de lenços ao lado, para ver como será o andar da carruagem até que coisa 1, coisa 2 e coisa 3 aconteçam.

O trailer, sozinho, quase me fez chorar, o que também me fez adiar assistir o filme. Eu já imaginava que ia ser um puta filme, mas puxa, tô de bom humor hoje, não quero chorar, pode deixar pra amanhã? … Assisti. Não chorei. E é mesmo um puta filme.


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Gabourey Sidibe em cena de “Precious”

Enquanto o trailer faz de tudo para comover as pessoas pela situação dramática da protagonista Precious, a própria personagem no filme faz de conta que essa sua realidade simplesmente não existe, e busca uma força de vontade admirável  para ir adiante e superar tudo o que passou em sua vida.

Sem ninguém, ela tem de encarar a realidade de que o amor nunca fez nada de bom por ela, mas ainda assim amar incondicionalmente os próprios filhos e tentar lhes dar tudo aquilo que sempre sonhou para ela mesma, mas nunca teve: uma família que lhe amasse, uma educação digna, apoio dentro de casa, mais respeito e dignidade perante a sociedade.

Para suportar tudo isso, a personagem tem diversos belos momentos de escapismo, viaja na maionese sozinha para  não ouvir os gritos da mãe, ignorar as investidas do pai e até broncas na escola. E, de uma certa forma, o que torna este filme um puta filme não é o fato de terem conseguido contar uma história tão bela com pouco dinheiro ou com bons atores (o roteiro é adaptado do romance “Push”, de Saphire), mas sim escancarar na tela grande como o ser humano é capaz de ser auto-suficiente usando apenas um pouco de imaginação e tendo fé.

Se este filme te tocou pelo trailer, se te tocou pela atriz Monique ter ganhado o Oscar ou por qualquer outro motivo, assista. Se você não foi tocado, assista também: você será.

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ps: temos aqui uma mágica semelhante a de “Quem Quer Ser um Milionário?”: uma história universal que diz muito sobre cada um de nós.