Abaixo-assinado pelo amanteigamento dos cinemas.

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mensagem subliminar.
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Hoje é sexta-feira, hoje estreiam vários filmes, como “Chico Xavier”, “Atraídos pelo Crime”, “Os EUA x John Lennon“, “Os Famosos e os Duendes da Morte”, “Surpresa em Dobro”, “Pecados da Carne”, “Sede de Sangue”, e deve ter pelo menos mais uns três em cartaz que, pessoalmente, gostaria de ver.

Só que agora vamos rasgar logo essa lista e esquecer das “coisas em cartaz”, porque nada disso importa, já que você pode baixar tudo isso e não ir ao cinema, seu ilegal! Agora, se você for, o mínimo que você espera é uma boa poltrona.

Trailers bacanas, uma boa poltrona, um refri geladinho, um vizinho de assento que não seja cuzão o suficiente para roubar os dois apoios para braço e assim atrapalhar você e o outro vizinho, musiquinha ambiente antes de apagar a luz, óculos para visão 3-D confortáveis, um projetor não tão barulhento, crianças silenciosas… Ah, sei lá, você quer e espera N coisas – afinal está comprando o ambiente cinema – e uma destas coisas é a boa pipoca.

Diz a lenda, a regra, os bons modos (ou algo assim) que não se mastiga nada ao assistir filme cult. Esqueça o chiclete, o chocolate, a pipoca, o cachorro quente ou a pipoquinha de frango. Se for ver filme iraniano, chinês ou de qualquer micropaís europeu, contente-se com sua saliva e vá jantado. Mas ó, taí uma regra que eu faço questão de quebrar.

Muito timidamente, me dirigi até a lanchonete do HSBC pela primeira vez justo quando fui ver “2046 – Os Segredos do Amor”, de Wong Kar Wai, um cara, assim, bastante conceituado e que ficou mais popular quando lançou “Um Beijo Roubado” (My Blueberry Nights), filme aquecedor de coração com Norah Jones, Rachel Weisz, Natalie Portman e Jude Law.

Fugindo totalmente do assunto, “Um Beijo…” é um filme bem mais simples de ser engolido que os outros da carreira de Wong, e eu basicamente devo ter cometido uma heresia das grandes ao decidir provar a pipoca justo numa sessão deste cineasta, só que ! Eu tava morta de fome. E quer saber? A pipoca do HSBC é bem boa, fato que muitos frequentadores devem desconhecer.

Então, a pipoca era boa. Mas sem manteiga. Pequena, e sem manteiga. Matou a fome e tudo mais, mas… Sem manteiga?!

Olha, um dos motivos que me faz comprar e continuar comprando o ambiente cinema, mesmo pagando entrada inteira e sabendo que tem mil e um estudantes que não são estudantes, é a possibilidade de sair de casa preparada para duas horas de diversão e reflexão muito bem acompanhadas por coca-cola e pipoca com manteiga, tanto que minha primeira opção nunca é um cinema sem manteiga.

Cinemas sem manteiga são tão sem graça que prefiro jantar um salgadinho com gosto de isopor do que comer uma pipoca light, igualzinha a que eu faço no microondas de casa e por metade do preço.

Se você também é deste time, integre aqui o meu apelo: quem sabe um dia todos os cinemas do mundo, inclusive os alternativos, serão amanteigados. Deliciosamente amanteigados.

Você aí dono de cinema, não invista só no 3-D, invista também na manteiga! Acredite nesta ideia. 8)

Em busca dos domingos chuvosos

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Scarlett Johansson, “Lost In Translation”

Domingos, sábados ou feriados, mas para ficar perfeito, eles tem de ser chuvosos. Eu não gosto de chuva, pra falar bem a verdade, odeio. Uma chuva é capaz de destruir meu dia, mesmo que eu não me ensope nela. Só que é fato que se eu ganhar um beijo embaixo dela até molhar as meias, vou ganhar o dia. Vai entender.

Dias chuvosos são aqueles dias de filme, em que você se imagina com um short de algodão, uma blusa de malha folgada, bonita e confortável. Trança no cabelo e um chá quentinho na caneca. Um bom livro, uma rede, uma poltrona, um sofá e pensar na vida. Ou então uma folha de canson A3, um ipod recheado e muitos lápis para desenhar, porque em domingos chuvosos todo mundo desenha bem.

Também é dia de comer bolinhos de chuva, de comer pipoca em baixo do edredom, de ficar acordada, acompanhada, sem sair da cama e estar muito feliz por isso. É dia de dar uma olhada em fotos antigas, naquela caixa do guarda-roupa e quem sabe aproveitar pra fazer uma faxina rápida nas gavetas.

Dá pra pegar uma reprise do programa favorito, ver uma pancada de DVDs, assar um bolo que demore horas para ficar pronto, fazer uma sopa deliciosa e nada light ou pedir sushi pelo telefone, porque está chovendo, é claro. É um bom dia pra cuidar da sua hortinha caseira, ou de começar uma. Ou de plantar um pézinho de feijão com o seu melhor amigo menor de dez anos.

Os dias sagrados e chuvosos são quase como feriados, mas que infelizmente terminam em segunda-feira, porque tudo que é bom dura pouco, e o que é muito bom, menos ainda.

Domingos chuvosos, na verdade, podem cair até em dias úteis. Só sei que preciso encontrar os domingos chuvosos nos dias ensolarados mais vezes. Quero essa calmaria de ficar quieta fazendo tudo ou nada, esse primetime. Essa paz.  Tô querendo.

(E se aqui fosse frio o suficiente e só chovesse congelado, eu também faria anjinhos na neve.)

Sozinha no cinema: “Jean Charles” às 15h.

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post longo, diversão garantida. 8)

Eu sempre tive curiosidade de ir ao cinema sozinha. Curiosidade mórbida talvez, mas que não se aplica quando o assunto é comer sozinha. Estou habituada a almoços e cafés “reflexivos” e entretenho-me facilmente assim, inclusive porque uma vez aprendi num livro incrível como se deve comer sozinha com classe.

Não sei se vocês já ouviram falar do Como andar de Salto Alto, mas é praticamente uma bíblia cor-de-rosa para mulheres (jura?!) não fazerem feio nunca, em lugar algum. Traz dicas de todo o tipo, dada pelos mais diferentes figurões, e é provável que você se lembre vagamente desta bibliografia obrigatória porque é lá que Giselinha revelou seus truques modeléticos de como posar pra foto. Rapidamente? projete-o-queixo, coloque-uma-das-pernas-a-frente, abra-bem-os-olhos, não-olhe-de-frente-pra-câmera e, o plus, olhe-sempre-por-baixo. Outras gentes importantes também abriram seu baú por lá, mas são gentes que não vou citar porque o assunto não é esse, mas dica pra foto todo mundo quer.

Só pra fechar o assunto, antes que alguém diga que isso aí é livro de mulherzinha-inha: sim, Camilla Morton, autora do livro, te ensina a andar de salto alto (!), mas também te ensina a apostar no Jockey Club. E te ensina a jogar poker. E, sim, foi com ela e com o livro que  aprendi  a jogar poker de verdade e hoje estou apta  para as jogatinas deste mundão e pronta para tirar até as cuecas de qualquer adversário. Hit me!

O fato é que, numa de suas lições de elegância, Camilla ensina como lidar com diversas situações em que você está solitária, mas “ir ao cinema sozinha” não é uma delas.
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por R$2,00 e ainda correndo o risco de ser bom? tô lá.

Como eu estava com bloqueio criativo e descobri a sessão promocional das 15h do Cinemark por apenas R$4,00 (valor que dividi pela metade com o uso de minha carteirinha universitária), resolvi partir para um experimento empírico que deveria me render algum tipo de inspiração, já que eu nunca tinha ido sozinha ao cinema antes. E o melhor: se a experiência toda fosse ruim, eu não ia me arrepender tanto, já que não ia doer neste bolso universitário. Mas, a experiência foi boa. Ótima..

Eu sempre imaginei que ir ao cinema sozinha fosse uma das expressões máximas de independência. Mais até do que ir para uma festa ou cair na noite all by yourself, porque, chegando no evento noturno, você vai esquecer até de você mesma, dependendo do nível birita da coisa. No cinema, não.

No cinema você vai se aturar sozinha por uma hora e meia. Ou duas. Ou três. Você não só vai ser “boa companhia pra você mesma”, mas vai ver aqueles casais melosos, adolescentes em grupos e turmas de amigos animadas – atenção para não se deixar levar por este último grupo!

Sim, porque você poderia ver um filme qualquer em casa, sozinha. Você poderia simplesmente aguardar ter uma companhia. Você poderia se esquivar de ser objeto de olhares curiosos. Mas, não! Você resolveu ir porque tá afim. Você resolveu se arrumar e sair de casa porque você quer ver essa p&¨% de filme logo.

Você não quer esperar o DVD. Você não vai aguardar a boa vontade do Telecine. Nem dos seus amigos – ou amigas. Ou talvez, sei lá, talvez você queira um pouco de quality time só pra você. É. Bem provável que você nem queira companhia! Capaz que isso nem seja um problema. Aliás, possível que isso não seja nem uma questão a ser feita: “companhia? Pff! Hoje quero me agradar”.

Aí eu fui, nessas de me agradar. O preço era agradável, como eu já disse, e eu acabei pagando 4 vezes o preço numa pipoca média e numa coca pequena, mas tudo bem: eu não resisto à pipoca no cinema. Nem em cinema cult. É algo que eu simplesmente não dispenso. E, falando nisso, não é ridículo pagar mais caro na coca-cola do que no ingresso? …

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