Sessão para o fim de semana: “A Pele Que Habito”

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“A Pele Que Habito” é o novo filme de Pedro Almodóvar que já está em cartaz nos cinemas. A estreia foi tímida na semana passada, mas agora o filme já está nas principais salas da cidade e vale a pena pegar uma sessão no fim de semana.

Assisti na terça-feira e não quero dar detalhes nem escrever sobre porque o pouco que li, atrapalhou a surpresa da história. Mas apenas digo: é surpreendente. Ao contrário de alguns comentários por aí, para mim o filme é extremamente Almodóvar sim, a diferença é que agora os questionamentos típicos da obra do diretor acontecem em meio a um contexto quase que surreal, algo sim que é pouco usual para ele.

No longa baseado no livro “Tarântula” de Thierry Jonquet, Antônio Banderas interpreta Robert, um médico viúvo obcecado por criar uma pele perfeita para os humanos, um tecido que não seja picado por insetos nem sofra queimaduras. A cobaia do doutor é vivida muito bem por Elena Alaya, atriz espanhola que já trabalhou com o diretor em “Fale Com Ela”.

A fotografia, como de costume, tem “cores de Almodóvar”, é linda e vale a tela grande:

“Abraços Partidos”: meu filme do ano.

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Penélope Cruz em “Chicas y Maletas”, o filme dentro do filme “Abraços Partidos”

Nunca pensei que veria Penélope Cruz com um tino ingênuo de comédia, nunca pensei que com tão poucas mulheres em cena um diretor pudesse, mais uma vez, falar tão profundamente sobre um universo que não é seu, apenas lhe fascina.

“Abraços Partidos” é o filme do ano para mim, não só pela espera e por trazer uma dobradinha de “atriz e diretor” que eu adoro, mas porque, de fato, Almodóvar é realmente meu diretor favorito em atividade e, vou dizer, ele se superou, mesmo voltando-se para um tema que já lhe é caro: o “fazer” do cinema.

Depois de deixar todos na dúvida sobre onde começa e onde termina sua história pessoal em “Má Educação”, Pedro Almodóvar agora nos brinda com uma história complexa, cheia de segredos e paradoxos que fala sim sobre como é produzir, rodar e, mais ainda, finalizar um filme, além de dizer muito sobre o diretor, mesmo não tendo seu roteiro baseado em fatos reais.

Penélope Cruz e Lluís Homar

Com apenas dois papéis femininos marcantes, a trama gira em torno do que estas mulheres têm de fazer para sobreviver e tocar suas vidas mesmo que às custas de carregar e sustentar os homens que amam – e, claro, o enredo passeia também sobre  como homens podem jogar tudo para o alto quando apaixonados.

Penélope Cruz está mais uma vez divina e, definitivamente, alcançou o posto de minha atriz favorita. Como temos um filme dentro de um filme, podemos vê-la trabalhando “mal” como atriz e ao mesmo tempo sendo dramaticamente perfeita.

Enquanto isso, Lluís Homar brilha no papel de um diretor de cinema apaixonado pelo que faz e interrompido por um acidente que lhe deixou cego e que acabou por se tornar uma responsabilidade extra para sua produtora associada, interpretada por Blanca Portillo, que também trabalhou com diretor e protagonista do longa em “Volver”.

Além da costumeira direção de arte e figurinos extremamente bem trabalhados e coloridos (e quentes!) e da trilha sonora escolhida a dedo, “Abraços Partidos” tem uma das fotografias mais belas que vi nos últimos tempos. Os enquadramentos são praticamente quadros, e talvez, ironicamente, tudo isso se deva ao fato do protagonista estar cego.

Bianca Portillo e Lluís Homar


“Los Abrazos Rotos”
é um filme sobre relações humanas, onde o que se é dito é o menos grave dos problemas, onde a verborragia parte de fora pra dentro. É um longa-metragem em que realmente os personagens não precisam ter suas motivações explicadas. Eles estão ali, simplesmente vivendo. É orgânico.

Com uma edição cheia de fusões metafóricas e com alusões deliciosas ao mercado de produção cinematográfico recente, e daí sim se aproveitando da experiência de mais de 30 anos do diretor, o enredo envolve do começo ao fim. E, bem, por isso não quero contar mais: o mistério aqui é importante.

Se você também é cinéfilo e ainda não foi ao cinema, vou te dizer só uma coisa: o filme passou a mais importante mensagem sobre produção que eu já vi na telona: “filmes têm de ser finalizados”.

ps: brinque de “Onde Está Wally?” e encontre a cena em que Penélope fica na mesmíssima posição do cartaz do filme.

10 filmes que a gente vai querer ver!

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Aproveitando a semana lotada de notícias sobre o Festival de Cannes, resolvi fazer essa lista de 10 filmes que a gente vai querer ver. São lançamentos para o ano todo (e também para o ano que vem!), resumidos, assim, bem rapidinho: nome, trailer e ficha técnica, porque as imagens falam muito mais!

*dei preferência para trailers legendados quando disponíveis.


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1. Nine

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Primeiro da lista, Nine é o novo musical de Rob Marshall, mesmo diretor de Chicago. Desta vez, o diretor faz um mergulho no universo de Federico Fellini e traz o filme mais emblemático da carreira do diretor, 8½ (1963), no formato de musical. Além de ser uma oportunidade de rever o trabalho do italiano, o longa ainda traz um super elenco, pra dizer o mínimo.

Com: Daniel Day-Lewis, Sophia Loren, Nicole Kidman, Penélope Cruz, Marion Cottilard, Kate Hudson, Judi Dench e Fergie (sim, do Black Eyed Peas!).
Direção: Rob Marshall (Chicago)
Previsão de Estréia: 25/11/2009 nos Estados Unidos. Não tem data prevista no Brasil.

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2. Coco Antes de Chanel, “Coco Avant Chanel”
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O longa conta a vida de um dos maiores ícones da moda de todos os tempos. A história começa com a jovem Gabrielle Chanel no orfanato, com dez anos de idade, e segue até que a moça descubra seu talento e se torne a Coco que entrou para a história.

Com: Audrey Tatou, de O Fabuloso Destino de Amelie Poulain e Código Da Vinci, no papel título.
Direção: Anne Fontaine
Previsão de Estréia: 30/10/2009

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3. Little Ashes
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Outra biografia, que eu particularmente estou doida pra ver. Pelos atores, pela história e pelos três artistas retratados! Little Ashes coloca nas telonas a conturbada vida de Salvador Dalí em pleno período de revolução na Espanha. Para completar, poderemos observar de perto a relação entre ele e o dramaturgo Frederico Garcia Lorca, além da parceria criativa com o cineasta Luis Buñuel, famoso por O Cão Andaluz (1929). (E se você já está se perguntando, sim, é este o filme em que Robert Pattinson faz o Dalí e dá uns pegas no Lorca.)

Com: Robert Pattinson, Javier Beltrán e Matthew McNulty.
Direção:
Paul Morrison
Previsão de Estréia: 8/05/2009 nos Estados Unidos. Não tem data prevista no Brasil.

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4. Os Abraços Patidos, “Los Abrazos Rotos
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Apresentado e aplaudido esta semana no Festival de Cannes, Os Abraços Partidos conta a história conturbada entre um diretor de cinema e a atriz principal de seu filme. Numa trama cheia de flashbacks e referências a diferentes escolas de cinema, Almodóvar ainda aproveita para metaforizar a própria história política da Espanha em seu personagem principal. (E eu que sou fã de Almodóvar do começo ao fim, já sei que vou amar. Promete!)

Com: Penélope Cruz, Lluís Homar, Blanca Portillo, José Luis Gómez, Tamar Novas e Rubén Ochandiano
Direção: Pedro Almodóvar
Previsão de Estréia: 24/09/2009, no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro.

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5. Paper Heart
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Um filme leve pra continuar. Paper Heart é o próximo filme de Michael Cera. Nesta comédia, uma jovem garota resolve fazer um documentário sobre amor, entrevistando pessoas sozinhas e casais que acreditam terem encontrado sua alma gêmea. O fato é que a menina não tem muita certeza de que encontrará a tampa da sua panela, mas adivinha o que acontece?? AWN! <3

Com: Michael Cera e Charline Yi
Direção: Nicholas Jasenovec
Previsão de Estréia: 14/08/2009 nos Estados Unidos. Não tem data prevista para o Brasil.

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E a lista continua depois do jump.

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