Etiqueta de elevador

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esse chão… é pegadinha ou o “mesmo” tá aí?

Há algum tempo gosto de dissertar sobre metrô, ônibus e passageiros enlouquecidos por assentos, ou enlouquecidos pela falta deles.

Hoje, ando mais de carro e infelizmente o trânsito de São Paulo pode ser ainda mais surpreendente de uma forma negativa quando você está ali dentro, sozinho.

Em todo caso, opto por falar de um meio de transporte que nem deve ser tão meio de transporte assim, e aí eu levanto uma questão: elevador é meio de transporte?

Sempre lembro de uma aula do jardim de infância em que a professora pediu para abrirmos revistas e recortarmos fotos de meios de transporte. No meio da atividade, um amiguinho recortou uma escada rolante – e a tia disse que escada rolante não era meio de transporte. Não é e pronto, “por que sim, Zequinha”.

Então, como eu discordo da minha professora, vou é falar sobre o primo da escada rolante, sobre o meio de transporte que permite que cheguemos inteiros e em bom estado ao último andar do edifício do trabalho. Afinal, quem subiria feliz e contente 20 andares sem suar e sem pressa diariamente? Ninguém.

O elevador é uma espécie de metrô pra cima com estações a cada cinco metros e, geralmente, nos horários de pico, tão lotado por metro quadrado quanto.

O elevador, como toda boa aglomeração cheirosa de pessoas, também demanda um mínimo de bons modos que até engravatados educados na França parecem esquecer em casa só para sentarem em suas mesas três minutos mais rápido. (mentira, os franceses não empurram nem em horário de pico – e por pico eu me refiro ao nível estação Sé.)

Na faculdade (a Cásper fica num prédio, portanto, elevadores!), até tinha um motivo para entrar duma vez e sentar o dedo no botão. Vai que o fulano tinha prova? Respeito provas. Não respeito é empurrão com papo de elevador.

Conversinha de hall é aquela coisa: começa com a chuva, emenda com “família vai bem?” e continua dentro do cubículo móvel, mas, né? Papos de elevador nunca devem ser – nem são –  tão importantes assim.

Aí  o pobre mortal encolhido em seu quadradinho de 50 cm² acaba sendo socado por dondocos ou dondocas cujo assunto é way too important para que o olho no olho seja interrompido e assim se verifique que, puxa, há um ser humano aqui atrás!

A solução: fique em silêncio por cinco segundos, olhe para o lado antes de tropeçar no ascensorista, no motoboy, no estudante ou na mocinha do RH cujo salto você acabou de batizar.

Placas de “verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar” deveriam ser substituídas para “olhe mesmo antes de entrar”.

Mochilando até Machu Picchu – Capítulo I: “A Fronteira”

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eu faria um post de dicas, mas acreditei que esse é o tipo de experiência que se conta assim. Nada de tópicos, por enquanto. Quem tiver dúvidas, deixe nos comentários, quem sabe faço um FAQ sobre a viagem depois? Acho que poderia funcionar bem se vocês ainda quiserem saber mais.

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Machu Picchu

Machu Picchu: o principal destino

Este não é realmente o tipo de rolê que eu faria como primeira opção. No entanto, surgiu a oportunidade e resolvi conhecer Machu Picchu, afinal a curiosidade de conhecer os vales sagrados dos Incas existia. A viagem era barata, meus documentos estavam em dia e pela primeira vez saí do país pagando com dindin do meu próprio bolso. Mamãe mesmo só deu  foi um beijo e um abraço no aeroporto e aquela caroninha amiga.

Viajamos em quatro pessoas, um casal de amigos do Rafa, Felipe e Renata, o Rafa e eu. O número era ideal: rachamos taxis, jantares, passeios e guias turísticos com facilidade e sem pesar pra ninguém. Um exemplo? Contratar um guia na entrada de Machu Picchu custa em média 100 peruanos – estando em quatro pessoas, apenas 25 para cada. Até porque adentrar estas ruínas sem um guia é como olhar um livro só de fotos, sem informação alguma.

Embarcamos dia 26 de dezembro para La Paz, na Bolívia, cidade em que só dormimos uma noite e, sinceramente, digo que foi o suficiente. Não o suficiente para conhecer, mas o suficiente para saber que talvez seja um lugar para o qual eu não queira mais voltar. A cultura lá é visível a cada esquina: as mulheres em trajes típicos, o artesanato, a comida feita na calçada, Evo Morales estampado em todos os muros, a pobreza e as chuvas fortes que sempre rendem enchentes todos os dias. E enchente por lá é coisa normal.

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La Paz

Felipe, no táxi do Johnny

Só passamos uma noite, portanto, em La Paz e seguimos para mais uma cidade boliviana, Copacabana.  Tomamos um taxi com um rapaz chamado Johnny, muito do simpático, engraçado e com talento para guia turístico desperdiçado.

O caminho era lindo, a estrada beirava as margens do Titicaca, o maior lago em alta altitude do mundo. E realmente o lago é grande viu? Rolou um momento de “parece mar!” semelhante ao que tive em frente ao Rio Tejo em Lisboa, Portugal.

Chegando na cidadezinha de Copacabana encontramos um hotel baratinho com facilidade, comemos truta,  andamos um pouco e sofremos absurdos com a altitude. Passei mal – e subir três lances de escada do hotel era um horror. Me senti com uns 70 anos, no mínimo.

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Copacabana

o primeiro lugar que eu passei mal para subir – e não era tão alto e eu não subi tudo. Maldição!

Falando nisso, preconceito é uma merda. Confesso que fiquei bem reticente para aceitar o primeiro chá e as primeiras folhas de coca. Não que eu achasse que ia me drogar, mas fiquei meio assim… Será que isso funciona mesmo? Tá com cara de ser ruim… Tá com cara de que  essas folhas secas aí tão sujas… – e etc e tal. Pois é. Quando finalmente topei tomar o chá, me senti melhor. Ainda evitei as folhinhas, que só masquei quando estava quase desmaiando, num passeio dali a duas cidades…

Em Copacabana, passamos uma noite, saímos cedo no dia seguinte e gastamos a ínfima quantia de $8 doláres por um quarto de casal com banheiro dentro. E não era ruim não, tá? Aliás, era bem melhor que o que fiquei em Paris, pagando pelo menos quatro vezes mais e suportando chão torto e carpete mofado. Glamour boliviano > glamour parisiense.

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A data de validade da paciência.

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Fazia uma semana que eu não carregava meu ipod. Por algum motivo, eu sempre esquecia, ia ligar o bendito na bolsa e nada… Tela preta pra mim. Só por isso consegui ouvir uma conversinha interessante.


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o último registro da paciência da senhorinha.

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Estava eu no terminal Vila Mariana, onde tomo meu ônibus pra casa depois da aula, e escuto um casal de velhinhos discutindo. A mulher falava alto, e o homem, mais baixo e também cabisbaixo, tentava evitar a conversa. Quando consegui entender meia dúzia de palavras, ouvi isso vindo da senhora:

– Mas você nunca me deu um presente, uma lembrança, nada! E eu vou parar por aí.

Vamos refletir. Um casal de uns 80 anos de idade e uma senhora reclamando a essa altura do campeonato de que nunca recebeu um presente do marido.

Triste? Eu poderia dizer que sim, afinal isso poderia refletir anos de dedicação da esposa para com seu marido/casa/casamento e nenhum tipo de retorno por parte dele. E aqui vamos deixar bem claro que o presente não é simplesmente um presente, mas sim um mimo de reconhecimento. Flores morrem, mas cumprem seu papel antes de murchar, além de não serem o que se pode chamar de caro.

Só que eu não acho triste. Aquele casal tinha grandes chances de já ter completado bodas de ouro e, bem, se até esse ponto você não teve um tantinho assim de tato para conversar com a outra pessoa, ou não teve a coragem necessária para mudar as coisas de cabeça pra baixo, talvez a culpa seja sua. No caso, da senhora. Aí, botar pra fora toda uma mágoa antiga no meio de um lugar público se torna compreensível, já que tira totalmente o direito de resposta do senhorzinho que, sabiamente, não queria chamar atenção.

Tudo bem, ele pode ter se tornado um senhorzinho rabugento, mas há alguns trinta anos, talvez ele não fosse de todo ruim. Se considerarmos que esta mulher de mágoa antiga deve ter sido educada de forma antiga (leia-se: educada para “agüentar”), ela também deve ter recebido instruções suficientes de como dizer as coisas com jeitinho. E podia tê-lo feito.

A paciência do cão que esta senhora ainda tinha há três décadas teria sido fundamental para evitar a cena que eu (e muita gente) viu. Paciência de Madre Teresa que ela já não tem mais, já que ainda por cima tem de tomar conta do marido malandrinho que pula o horário do remédio.

O papo dos dois continuou e, num instante, já estavam lá falando de exames e do tal medicamento esquecido – típico. Em dois palitos, o senhor notou a presença de uma menininha, interrompeu a conversa e puxou papo com ela:

– Quantos anos você tem?
– 6 anos!
– Você já sabe ler e escrever?
– Já!
– Que bonitinha!

E fez um afago na cabeça da garota.

Depois disso, a minha teoria se confirmou. De fato, o senhor não era ranzinza e a situação também não era triste, apenas se tornou cômoda. É claro que ele poderia ser um psicopata ou aqueles tipos que são maravilhosos na rua e aprontam em casa, mas minha imaginação não permitiu pensar tão mal daqueles cabelos brancos simpáticos.

Entrei no ônibus com raiva da mulher, afinal de contas. Ela era a ranzinza. E, cá pra nós, revirar baú a essa altura da vida me parece uma coisa muito feia de se fazer…  Principalmente num terminal de ônibus.
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Os 10 mandamentos para boa convivência no busão

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Inspirado no meu dia-a-dia que me trouxe estas humildes descobertas. Eu me vejo obrigada, pelo bem da humanidade e dos bons costumes, a divulgar estes conhecimentos. Siga a cartilha à risca e ensine o passageiro ao seu lado.

1 – Não sentarás de pernas abertas (para os homens)
Sua namorada/mulher/bofe pode até ter te dito que você é o mais bem dotado do bairro (ráá! corno!), mas, no ônibus, isso não cola. Sentar de perna aberta invadindo o banquinho alheio está totalmente fora de cogitação. E você que se sentir atingido por este mal comportamento, não hesite em dizer: “fecha a perna, djow”, ou então *gentilmente* empurrar (com tudo) sem querer a sua perna para o lado, para disciplinar a perna do passageiro roludo ao seu lado.

2 – Não agirás como se tua bunda fosse a mais gostosa (para as mulheres)
Novamente, aqui se trata de outro caso de auto-estima elevada demais em local inadequado. Seu bofe ou peguete pode mesmo dizer “uhh, que bunda!”, mas no ônibus ninguém tá muito interessado na sua vocação para nova loira do tchan. Portanto, nada de agir como se não desse para dar uma encolhidinha no seu traseiro para que as pessoas possam passar com um pouco mais de espaço. E se você for uma popozuda de plantão, eu advirto: não reclame de eventuais encoxamentos!

3 – Não gritarás no busão junto com a sua tchurma
Gatchenha, até entendo que você saia da escola e pegue o busão com a galera, mas NÃO grita, porra. Não há nada mais chato do que estar com uma bela dor de cabeça, voltando pra casa às 18h, com o trânsito parado e aquela galerinha do mal berrando no fundão. Controle-se. Você está em lugar público, baby. Aliás, poderia ter uma foto daquelas enfermeiras fazendo “shh!” na entrada do ônibus.

4 – Darás licença quando te for pedido.
Não dê uma de joão sem braço! Estique o seu até o apoio mais próximo e dê a maldita licença. Se você é do tipo que não move seu corpinho por nada nem ninguém, não reclame se for esbarrado(a)/encoxado(a)/engravidada. É a lei da vida.

5 – Ouvirás MP3 num som humanamente saudável
Se você não se importa com os seus tímpanos e sua mãe também não está nem aí pros dela, não significa que o mundo todo esteja pouco se fodendo para a audição. Pense duas vezes não só no ouvidinho alheio, mas na paciência: ninguém é obrigado a ouvir a sua banda de metal favorita, à la “Cannibal Corpse”, às 7h da matina. Ou muito menos seu funk à la “eu vou gozar na sua gargantaaa”. Tenha bom senso, ok? Simples assim. Ouça seu pagodinho brega num volume que SÓ você ouça e pronto.

6 – Darás o sinal de parada a tempo de chegar na porta
Nada mais desagradável do que o ônibus todo ficar esperando dondoquinhas que nem passaram a catraca saírem. Ou melhor: nada PIOR do que esperar TO-DA a galerinha do item 3 mandar um salve pros manos do bem que ainda continuam no busão e, finalmente, descer.

7 – Segurarás a (maldita) mochila na frente do corpo
Tem uma plaquinha em todos os ônibus avisando que mochilas atrapalham/obstruem passagens. Isso quando não prensam pessoas em cantinhos indefinidos ou empurram-nas no colo de taradões(onas) sentados no corredor. Ande com a sua mochila de camping pendurada na frente do corpo, assim pelo menos você vê quem está prensando pelo caminho. Lembrando que só é permitido prensar inimigos ou, hehehehehehehe, popozuadas/roludos dos itens 1 e 2. :D

8 – Evitarás puxar conversas retóricas
Nada mais original do que dizer “Nossa. Tempo maluco, né? Chove, faz calor…” Que pessoa culta! Que papo profundo! Falar do tempo é bastante chato e inconveniente, mas mais desagradável ainda é comentar da vida pessoal: “Ai, menina. E meu marido então! Tava chovendo e ele não escorregou na rua e rasgou a calça?! Pois o coitadinho trabalha super longe, sabe? Lá em Pirituba. Daí veio até aqui com a calça daquele jeito.. Imagina?!” AAAAA! E desde quando eu quis saber disso? Um conselho: sorrisinho amarelo e silêncio sempre funcionam. Próximo temaaa!

9 – Não fingirás que não viu a(o) velhinha(o)
Eu sei que não tem coisa mais chata do que finalmente conseguir sentar num ônibus lotado, relaxar, esticar as pernas e soltar um sonoro “aaah! dilícia!” e, de repente, ver uma velhinha indefesa, com casaquinho de lã branco, passando na catraca lentamente. Como “respeitar o idoso é respeitar a si mesmo”, você se levanta e deixa a senhora sentar. Enquanto ela senta e agradece “obrigada, filhinho!”, você sente uma cãibra na batata da perna esquerda, em pé no busão. Mas, tudo bem, tudo em nome da boa educação. AGORA! Se você não está disposto a morrer de dor pela velhinha, vai ser linxado por mimzinha! Nada de virar pro lado e fingir que tá no 76475º sono! Deixa pra dormir quando morrer. Pronto, falei.

10 – Abrirás a (maldita) janela
Essa é bem para o verão que se aproxima. Tudo bem que você é friorento, masss.. se conhecendo como você se conhece, não ignora sua personalidade e jeito de ser e LEVE UMA BLUSA. Abrir a janela é mais que fundamental, é essencial! Já ouviu falar que o homem não vive sem um gás chamado oxigênio? E que algumas pessoas têm falta de ar/pressão baixa e nanana? Então. Abra a janela e não encha o saco. (Tá, ok, na chuva eu até deixo você fechar a janela, senão meu cabelo não aguenta.)

*Lembrando que alguns destes ensinamentos servem também para o meio de trasporte conhecido como “metrô”.*

PS: Não me responsabilizo por eventuais barracos que meus ensinamentos possam provocar. Cof-cof.

PS2: Sobre o post passado: obrigada pelos conselhos, pelos ouvidos (e olhos, né?). Nossa situação continua incerta, mas faremos 1 ano de namoro segunda e as cartas estão na mesa. Vamos aproveitar enquanto for tempo pra nós dois. E, claro, o sr. tempo também fará o favor de dizer o que é certo (tomara que ele diga rápido… hehe).

Eu, agora
Humor sono, muito sono..
Pensando no que fazer³ (?)
Comendo tomando café.
Ouvindo/Assistindo nada.
MSN ninguém. Tô bem ativa hoje, de novo.
Navegandonada. :D