28
Oct
2008
Um ano solteira.

Por mais esdrúxulo que pareça, essa data merece comemoração. Nem que seja para eu me lembrar de que está sendo melhor assim, ok? Durante a TPM isso se faz necessário.

Essa vida de namorar começou cedo. Demais, até. E eu me espantava com a velocidade em que rapazes dispostos a um compromisso apareciam, tanto que fiquei mal acostumada. Esperar mais de um mês por um pedido oficial foi, durante muito tempo, sinônimo de enrolação pra mim. Isso até eu cair na real.

Eu despenquei na real quanto comecei a por na balança que… hum! Eu mereço muito mais do que caras dispostos. Percebi que eu fui escolhida e não escolhi. Taí. Ao menos o que eu NÃO quero (e um pouco do que eu quero) eu já sei. Logo, por que não abandonar essa postura passiva (hum!), esticar o dedinho e adotar uma tática mais uni-duni-tê (o sorvete colorê, o escolhido foi você!) ?

Eu fui em frente. Escolhi bem e posso dizer que topei com fiéis preenchedores daquela lista mental besta do “Homem Ideal” mais de uma vez. Ou seja? Ele existe, for God’s sake! Não é impossível, não estou pedindo demais, como muitos me disseram. O que basta agora é ser escolhida ao mesmo tempo, é lógico. Afinal, o que um não quer, dois não fazem - uma pitada de sabedoria.

Porque, veja bem. A fêmea escolhe o macho mais apto, mas ele jamais estaria ali à disposição se não a tivesse escolhido. Pelo cheiro, pelo cio, pelo interesse instintivo infalível. Ela o escolhe + ele quer = filhotinhos. O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que não quero ter filhotinhos e que o “Homem Perfeito” não é impossível, só falta aquela ajudinha da natureza.  O ferormônio da irresistibilidade, da inevitabilidade, do “quero-você-agora-pra-sempre”, o cheiro que preencha os receptores certos para acelerar ambos os corações. Em todos os encontros.

Bem, se eu tivesse topado ser cozinhada em banho-maria (como diz o Isaías), eu até teria continuado empacada em escolhas antigas, em meses de saídas que poderiam ter rendido - ou não. O fato é que timing é tudo e até a escolha do melhor sorvete pode dar uma desanimada quando você espera para comê-lo e ele derrete. Afinal, derreter na boca de alguém é um tanto diferente de derreter na mão de algum engraçadinho (ou lerdinho) que se toque tarde demais. E, acredite: eles podem até não estar apaixonados, mas a vida sempre cuida de mostrar o que perderam. Assista Alfie, o sedutor (2004), com o Jude-Law-delicious.

Então, é isso: um ano de solteira e um ano de escolhas livres, em que o sorvete derrete se eu quiser. A busca continua? Sim, eu vivo melhor apaixonada. Qualquer um vive e, de minha parte, já descobri isso. Agora as buscas continuam com calma, às vezes com pressa feminina, mas sempre com um belo óculos escuros retrô para suportar esse sol “derretedor” e enxergar bem que sorvete vem pela frente. Isso porque eu prefiro muito mais um Häagen Dazs na sorveteria do que um genérico-Praia-Grande escorrendo na minha mão.

Com os genérico-Praia-Grande’s eu aprendi muito. Aprendi, agradeço e não cuspo no palito que eu chupei (ui!),  porque agora eu tenho a total certeza que meu negócio é Häagen Dazs na taça (de macadâmia, por favor. I crave about it!).

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02
Oct
2008
Shortbus: sobre a vida ou sobre sexo?

Shortbus (2006) é um daqueles filmes que você dificilmente esquece, porque gostou, porque odiou, ou mesmo pelas cenas “uncensored”, que ora te chocam, ora te tocam mais até do que você imaginava. O interesse pelo filme começou quando ouvi boatos aqui na faculdade de que ele seria um “pornô engraçadinho”, fora outras pessoas que se disseram chocadas e outras que se referiram a  Shortbus como “o filme da japa que não consegue gozar”. Ok, três opiniões bem distintas que já me motivaram a ir ao cinema, especialmente porque era quarta-feira e é mais barato, etc e tal.

Convoquei a Lari para a tarefa e chegamos felizes e contentes na sala do Espaço Unibanco vazia. Quer dizer, vazia, não… Uns sete homens sozinhos estavam na sala e nós duas nos entreolhamos na hora pensando onde estávamos amarrando o burrinho, mas nós somos absolutamente bem humoradas e simplesmente ficamos coradinhas. Sentamos e demos risadas ao longo de todo o trailer (para o desespero dos véios cults). Eis que então aparece uma mulher e um casal e suspiramos aliviadas. O filme começa.

A direção de arte já me deixou de olhos brilhando, principalmente porque ao invés de fazer aquelas tradicionais panorâmicas aéreas de Nova York, o diretor, John Cameron Mitchell, optou por recriar a cidade numa espécie de maquete digital, toda colorida e com cara de Picasso e cores de Almodóvar. Admirei. Através destas panorâmicas, o filme vai mostrando várias personagens diferentes ao longo da cidade: um gay, uma dominatrix e uma terapeuta sexual.

A terapeuta é a protagonista, “a japa que não consegue gozar”, e aparece neste cartaz do filme. Por coincidência, ela começa a atender o homossexual mostrado no início e seu companheiro. Eles acabam levando-a para conhecer o clube Shortbus, um espaço alternativo e democrático, comandado por uma drag queen sensacional, onde toda e qualquer pessoa pode ouvir música, conversar, dançar e fazer sexo livremente. Sim, inclusive orgias.

O filme tem sexo explícito mesmo, logo nos primeiros cinco minutos, além de não nos poupar nem um pouco da intimidade das personagens ou das tomadas destas “dirty rooms” do clube, mas me espantou muito que as pessoas tenham olhado para o filme apenas por este lado. É claro que é incômodo ver tais cenas, principalmente num cinemão - e nessa hora eu agradeço pelo velho que saiu do nosso lado e pela mulher sozinha que sentou no lugar dele e riu tanto quanto a gente. Porém, o filme fala sobretudo de relacionamentos, de pessoas e de como elas são diferentes.

A terapeuta sexual, que tanto dava conselhos, quem diria! Jamais tivera um orgasmo. Ou então o casal gay, que todos julgavam perfeito e que de repente irá se separar ou virar um “triângulo”, impreterivelmente. E, por fim, a dominatrix, que jamais consegue prolongar seu relacionamento com ninguém, nem que esteja recebendo uma grana alta para isso.

É lógico que as personagens são extremamente diferentes do que estamos acostumados a ver e isso já choca o senso comum por si só, mas descontando a primeira aparência, vemos gente comum. Vemos problemas de heteros, homos, bi-curious, seja lá o que for. Por isso vale a pena olhar com calma o filme, nem que for para odiá-lo depois ou para pensar de verdade em quanta gente você já viu com esses mesmos problemas. As cenas de sexo, aliás, são uma diversão à parte. Enquanto tem quem fique sem graça, eu creio que são momentos dos mais naturais do filme, já que elas garantem boas risadas, principalmente por ficarem longe das cenas “perfeitinhas” a la Hollywood ou da hipersensualidade dos filmes pornôs. É realista. Não é só sexo: é vida.

Shortbus também teve bastidores curiosos. Durante a seleção do elenco, o diretor pediu para que os atores contassem, em 4 minutos, experiências sexuais que lhes tivessem sido marcantes, mas bom mesmo é o jeito como ele credita os figurantes no final do filme: ao invés de chamá-los de “extras”, eles são entitulados como “sextras”. Engraçadinho.

O filme tem uma trilha sonora incrível, direção de arte e fotografia que pulam aos olhos e já recebeu alguns prêmios por aí: o prêmio dos produtores, no Independent Spirit Awards (um dos mais importantes festivais norte-americanos de cinema independente) e o prêmio de melhor roteiro e melhor direção de arte no Festival de Gijón, nas Astúrias, Espanha.

Por fim, só posso reafirmar: assistam Shortbus e supreendam-se. Ainda está na dúvida? Veja o trailer.

ps: Promoção da Puket continua!

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29
Sep
2008
Manifesto feminino não feminista.


Em 5 pontos, muito simples de entender.

1. Não é porque eu trabalho e ganho a mesma coisa que você que necessariamente vamos dividir contas. E não, não estou sendo folgada e explico, meu amor. Eu vou no cabeleireiro, gasto os tufos com lingerie, maquiagem, depilação, pílula, etc, etc, ad infinitum…. Por que raios eu deveria ainda dividir a conta do restaurante? Eu não valho a gentileza?

2. Cansa ver na mídia comentários como “fulana engordou 1278912 fucking kilos na gravidez”. E queriam o que? Que ela emagrecesse? Ela deu foi sorte de emagrecer todos os fucking kilos rapidinho, porque se não emagrecesse seria taxada até a morte. Não pensem vocês que esses comentariozinhos são só para atriz da Globo, eles sempre estão rodando por aí. Eu acho pura maldade, principalmente porque geralmente vem da boca de outras mulheres. Porém, pode ser ainda pior. Já viram como é a repercussão geral quando uma mulher diz decididamente que não quer ter filhos e ponto final?

3. Sexo não é mais coisa de homem há décadas. Foi-se o tempo que mulher não tem desejo e a revista Nova tá aí pra provar a cada mês. Não que a realidade da revista seja plausível, já que ali as mulheres gozam só com um leve cheiro de testosterona. Porém, acho válida essa postura de jogar na capa “Sexo Lacrado”, afinal, já está bem bem bem ultrapassada essa idéia de que quem quer mais são sempre eles. Aliás, pensando bem… O especial de sexo não devia nem ser lacrado, ou vocês já viram Playboy lacrada? (aliás, leiam, por favor, a chamada para a matéria do “Sexo Lacrado” na foto aí do lado.)

4. Se é bonita, é burra. Se é burra e é feia, chuta que é macumba. Olha só, ambos os pré-conceitos são muito feios, lindinhos de plantão. Existe sim mulher fútil, que só liga para a aparência e realmente deixa o intelecutal a desejar, sejamos realistas! Mas isso, meus senhores, também existe na ala masculina. Não há nada mais chato e previsível do que um bombadão de regata na balada, com os olhos brilhando com qualquer frase bem construída que você soltar. É praticamente tão ou mais previsível que a loira siliconada da academia, com a diferença que geralmente mulher não tolera ficar com alguém intelectualmente menos favorecido.

Então, sejam legais. Se vão pegar a garota porque é gostosa e bobinha, assumam isso e nada de meter o pau na mulherada por trás (ou metam, enfim. É uma escolha do casal, nada tenho a ver com isso). hehe

Só pra ilustrar: nunca me esqueço de dois episódios que eu vou resumir, assim, rapidamente.

- Aula teórica do CFC, há um ano, quando Fernanda tirou carta.

Respondi uma pergunta sobre radiador, motor, injeção eletrônica ou qualquer coisinha do gênero errado. Acertei todas as outras, mas foi o suficiente. O grupinho masculino ao fundo e à esquerda simplesmente ergueu a voz e soltou a pérola: “AHH! Mas ela pode, deixa ela! Lindinha!”. Não dei mais bom dia até o final do curso. Não perdi nada, mas aposto que eles perderam.

- Um ex-affair meu, bonito e “bom partido”. Futuro publicitário. Conversávamos sobre cinema.

Eu: Eu adoro cinema! Sou viciada, vou quase toda semana.
Ele: Sério? Você vai aonde?
Eu: Ah, vou no Cinemark pela pipoca (*vício*), mas acabo indo mais no HSBC ou no Espaço Unibanco, onde passam uns filmes mais cult.
Ele: Filme Cult? Que filme é esse?

Tsc, tsc. Nunca fui ao cinema com ele. Teatro então, seria impossível. Logo, sair fora enquanto é tempo e aplicar a velha máxima “cada um, cada um”.

5. Já que eu só falei com os homens, vou mudar o target. Lindas, jamais chegaremos a lugar algum se permitirmos certos preconceitos e certos comportamentos que podiam ser um tanto mais gentis. E, pior ainda, se educarmos os nossos filhos de forma errada. Não tô nem pensando em filho, mas vai saber se alguém fica grávida por acidente e vai levar adiante? Enfim, just in cases! 8)

Machismo é coisa de homem e uma mulher machista, eu arrisco dizer, é pior do que homem galinha e mulher feminista. Somados.

ps: Se eu chovi no molhado, mil perdões, mas cadê a mudança, né Brasil?
ps2: Eu leio a Nova, sim. Mas com a devida licença poética.
ps3: último! A promo da Puket no post passado vai até o dia 10 de outubro! Então, continuem pensando nos chatos das vidas de vocês e concorram ao kit! :D

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14
Sep
2008
Sobre amar sem recompensas.

*imagem: Dapino-Colada

Nunca me esqueço o quanto era fácil me apaixonar. Era incrível, aos 11-12, exatamente aos 11, eu tinha uma paixão por mês. E chorava em casa e inclusive tinha uma música romântica (da novela das oito) pra dedicar a cada um dos menininhos eleitos. Apesar de muito bonito, é claro que nunca deu certo, nem namorei de mãozinhas dados com nenhum deles nessa idade. Eu já estava na fase do patinho feio e tinha crises diárias com o meu cabelo (não existia quase nenhum produto decente pra cabelos cacheados, juro! E minha habilidade com o secador era zero).

O tempo foi passando, eu gostando a cada mês de um rapazote diferente e, inclusive, dividindo com as amigas. Na época era tudo bem simples de resolver. Tudo era na base do “que vença a melhor”, mas como ninguém saía se pegando por aí (ainda), as amizades nunca corriam risco algum. Mas, bem, não vou falar de amizade. Vou falar do quanto era fácil gostar de alguém, de nutrir esse sentimento sem ser correspondida, de sofrer, de sonhar acordada, de planejar o casamento e os filhos com um carinha que só pensava em futebol…

A fase de pensar no casamento passou rápido. Depois dos 13 isso virou assunto que pra mim é pra pensar só quase aos 30 e, lógico, passei a pensar em outras coisas. Agora, já pensou como a idade dificulta o fato de se envolver, se envolver de verdade, com o coração e não com o corpo, com alguém?  Talvez “idade” não seja nem a palavra certa, mas sim “maturidade”. Enfim, podem dizer que aquilo era só uma paixonite infantil, mas juro que nunca mais fiquei tão perdidamente “apaixonadinha” por alguém quanto naquela época e a verdade é que era bom. Era gostoso.

Hoje você olha, você tenta, você até fica. Mas, se não é correspondido, mais cedo ou mais tarde, desencana. Isso, obviamente, se você tiver amor próprio. Se não tiver, provavelmente você ficará depressivo e sairá de preto e jogará toda a culpa pra si mesmo, tipo “por que sempre comigo?”, ou jogará toda a culpa para o outro “mas também ele não presta!”. O importante é que você vai deixar de ficar viajando na maionese pensando no meliante que só pensa em pegar geral. E, no fim, não, não vai ser gostoso, e pode acabar até apagando tudo o que foi vivido de bom, se é que algo foi bom: “já não me lembro mesmo! Fiz questão de esquecer!”.

O mesmo serve para os homens. Quantas vezes vocês, rapazinhos, não pensam um bilhão de vezes antes de assumir uma garota? São raras as vezes em que esse processo é rápido. E, se for, desconfiem: homens impulsivos podem se arrepender. Afinal, já ouviu falar daquela história típica? “Ele terminou recentemente, mas já está ótimo! Começamos a namorar semana passada!”. E dali um mês, em prantos: “acredita que ele voltou com a ex, o filhodaputa?!”.

É claro que é natural pensarmos e analisarmos muito mais hoje, até porque espera-se que com a idade tenhamos maturidade e bagagem pra escolher, embora para algumas pessoas isso pareça impossível (cof-cof). Mas enfim, eu, pessoalmente, sinto falta dessa sensação deliciosa da “paixonite” pura e simples.

Acho um pouco triste essa coisa “madura” de se decepcionar rápido e passar pra frente, “porque fulano(a) não vale uma paixonite”. Essa auto-defesa deveria ser boa, mas às vezes ver seu amor-próprio funcionando a todo vapor e descartanto possibilidades a rodo pode ser um tanto quanto maçante. Mas, oras, é seu amor-próprio!

Quem será louco o suficiente para não ouví-lo? Justamente depois de você ter levado anos para aprender que “só consegue amar alguém quem ama a si mesmo” (adoro sabedoria popular).  Não tô falando de ser idiota e correr atrás de pessoas que traem, por exemplo, mas de ter tolerância com os defeitos alheios mesmo quando seu auto-conhecimento grite pra você: “olha só, hein! Você sabe que não gosta disso! Foge enquanto é tempo!!”.

No fundo, isso tudo é uma opção pessoal. Mas é um saco as coisas não poderem ser simples. É um saco ter de ser blasé mesmo à contra-gosto e fugir para se proteger. E se eu disser alguma coisa verdadeira nessas 28397289137 linhas, eu digo isso: se o tempo nos deixa mais maduros, também não deixa infinitamente mais covardes.

Quem topa o risco de sofrer por alguém, levanta a mão. Ninguém? Ninguém?! É, ninguém.

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26
Aug
2008
Ele simplesmente não está afim de você.


Ele simplesmente não está afim de você
Liz Tuccilo & Greg Behrendt
Editora Rocco

O livro é antiguinho (de 2005) e eu só comprei agora, depois de ser encorajada pela matéria da Gloss de agosto sobre “rolos que nunca desenrolam”. Considerando minhas últimas experiências e a ausência de resultados empíricos, mas sim de muita dor de cabeça, resolvi comprar o maldito livro.

Capinha cor de rosa, cheio de ilustrações: típico livro pra mulher otária, como eu mesma postei no twitter. Eu só não fiquei mais desconfiada porque os autores eram da equipe de “Sex and The City”. Mas, o livro trata de impor respeito logo na introdução, com uma histórinha convincente de que muitas (e quase todas) perguntas sobre comportamentos masculinos duvidos podem ser respondidas com a frase “Ele simplesmente não está afim de você”.

Faz sentido? Faz, principalmente quando são aquelas dúvidas simples, mas insistentes, do tipo, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. O “He’s just not that into you” cai como uma luva para perguntas como:

- por que ele me chamou pra sair e sumiu?
- por que ele não me ligou se disse que ia ligar?
- como a vó dele só fica doente de final de semana?

E assim por diante. O fato é que nós, mocinhas, quando começamos a gostar de um rapaz acabamos inventando 1001 desculpas mentais para as falhas do moço. Afinal, como pode? Ele era tão incrível! Por que fez isso comigo? Eu não mereço, de novo não, não pode ser! A vó dele deve estar agonizando de verdade na UTI!

Bom, não sei vocês, mas eu sou do tipo que cogita trocentas idéias e ainda chama as amigas pra ajudar a queimar fosfato atrás de desculpas plausíveis, épicas e heróicas para comportamentos que jamais deveriam ser admitidos pelo suposto “homem da minha vida”. Que comportamentos? Eu digo.

Ele quer te ver? Porque não te convida? Ele te acha realmente linda? Custa falar? Ele é legal com todo mundo, menos com você? Será que tá certo? Ele não te come? Ok, essa é beeeem comum, embora os homens neguem, e, na minha cabeça, já é caso pra internação. Por essa eu não me deixo enganar.

É claro que Greg Behrendt e Lizz Tuccillo vão muito mais longe e pegam no calcanhar de Aquiles de toda a mulher: parar de aceitar pouco. Muitas de nós passam a tolerar certos comportamentos achando que é necessário para a relação, mas mulheres quase sempre são mais flexíveis. Aí, veja só, quantas vezes você estava fazendo um verdadeiro contorcionismo pra agradar esse homem e ele… Nada?

Pois é. É disso que eles falam. E dizem pra você levantar a bunda da cadeira e encontrar alguém que “não saiba tirar as mãos de você”. É difícil? É. E sim, eles são tão absurdamente otimistas que dá até raiva. Afinal, é impossível ter tanto homem legal assim para tantas leitoras. No entanto, o representante masculino no livro, o Greg, simplesmente diz: tenha fé.

Resposta dogmática, boba e simples. Mas verdadeira e possível, já que veio da boca de um homem. E ele e a Liz conseguem te convencer sempre que você pensa “mas é impossível um cara assim”. Então quer saber? Eu vou é passar pra frente quem não está afim de mim. E acreditar no… amanhã. Afinal, eu sou jovem, sou bonita, tenho saúde…

Cof-cof. Chega.

PS: Apesar de parecer coisa de solteira-encalhada, recomendo o livro pra todas as moças de plantão. Todas aquelas que já sentiram que mereciam um pouquinho mais…

PS2: não é pra mulher otária não, tá? Uma hora você se encontra no livro. E chega de PS.

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06
Aug
2008
D.R., por favor.

Eu sou do tipo de pessoa que gosta de falar. Adora falar, na verdade. Eu sempre penso que posso resolver uma briga, um problema, na conversa e isso geralmente é bom. Mas é claro que, unido à minha ansiedade, pode causar problemas, já que eu quase nunca tenho aquela calma necessária pra deixar a “cabeça esfriar”. Quero resolver falando, aqui, agora, já, porque o tempo vai e não volta, porque cada segundo que se vai é perdido e, meu deus, a gente não pode ficar bem logo, por favooor? Diz que tá tudo bem, diz? É, eu sou assim.

Com o tempo aprendi que às vezes temos que nos calar, afinal, silence is gold e algumas discussões saem do nada, levam à lugar nenhum e só prestam para ferir os envolvidos. Apesar de saber que é bom ouvir (e eu sou uma ouvinte prestativa e muito atenta), ainda sou a favor de termos bom senso e escolhermos não nos calar diante de algumas situações. Porque, na real, eu acho que todo mundo deveria discutir a relação (que daqui pra frente eu chamarei, carinhosamente, de D.R.). De verdade. Namorados, ficantes, amigos, família: se não há nada mais chato que ficar fazendo joguinho com o seu amado, por que raios seria legal fazer isso com, sei lá, seus melhores amigos? É, essas pessoas incríveis que não vão te deixar mesmo se você engordar 283723kg ou ficar com outro no BBB?

Geralmente amigos não discutem relação. Já vi muita gente aí que, se tivesse conversado, teria resolvido na boa. No entanto, foi melhor brincar de vingancinha ou deixar o circo pegar fogo pra ver até onde ia. Alguém tem que ceder e, orgulho, meus caros, é uma virtude que tem limite. Pode te levar a alguns lugares, mas geralmente te impede de chegar a todos os outros. Por isso, melhor que orgulho, acho que o importante é ter confiança e iniciativa para certas conversas que se fazem necessárias de vez em quando. Afinal, toda relação madura que se preze evolui e muda com o tempo, o que exige reflexão de ambas as partes.

Agora de que forma você vai fazer isso é outro problema. Nos tempos do colégio, a gente facilitava tudo: escrevia cartas de 7 folhas de fichário e entregava num envelopinho cheio de adesivos para a pessoa e tudo bem. Isso se você fosse mulher, claro. Os meninos costumavam ver o circo queimar, ou então, tinham uma D.R.zinha de 5 minutos, no melhor naipe “bróder pra bróder”, terminando com aquele tradicional semi-abracinho da ala masculina.

O tempo passou e, infelizmente, a internet virou um jeito fácil para se dizer o que é difícil falar pessoalmente. E, por favor, não compare o msn às minhas cartinhas da adolescência. Era muito mais íntimo e pessoal. E, em todo caso, dava uma margem maior pra reflexão tanto do remetente quanto do destinatário. O problema do maldito msn é que ele é um telefone piorado, pois nunca se tem a noção do tom da pessoa e o tempo pra pensar é mínimo. Então, simplesmente fica fácil dizer qualquer absurdo que vier a mente.

Eu tive causos esse ano que poderiam ter se resolvido com uma simples D.R. via telefone, mas perdemos esse hábito. Quando você se acostuma a manter contato com uma pessoa pela web, você acaba restringindo a relação - ou vai me dizer que, se não for urgência, você liga correndo para o seu amigo, mesmo sabendo que ele vai ficar online já já? Se você ligar, ponto pra você. Como eu não sou do tipo que “corre atrás”, acabo tomando iniciativas mais impessoais: mandar sms, deixar scrap, etc.

As iniciativas impessoais podem facilitar o contato, é claro. Tudo tem seu lado bom, fora a economia na conta telefônica, por exemplo. Com o MSN ao alcance dos seus dedos, fica mais fácil iniciar uma D.R. quando necessária, coisa que você poderia demorar eras pra fazer se tivesse de ir até a casa da pessoa ou mesmo telefonar. Mas… Eu estou escrevendo isso para pedir que as pessoas conversem, mas mais que isso, sejam próximas e evitem os mal-entendidos dessa comunicação moderna.

Não demorou muito para eu descobrir que não podemos basear nenhum tipo de relacionamento em conversas na web, que parecia tão amigável em unir pessoas. Vejo até que alguns problemas teriam sido tão facilmente resolvidos se minha atitude de “falar tanto” tivesse sido mais direta, objetiva e pessoal e eu tivesse telefonado quando a situação ficou chata. Lição aprendida.

Conversem. Discussões são enriquecedoras para qualquer tipo de relacionamento e estranhem se nunca tiverem uma briguinha com as pessoas mais próximas. A gente discute quando gosta das pessoas, quando quer cuidar delas, quando acha que poderia aconselhá-las a seguir outro caminho. Ter medo de discutir é uma coisa que não tenho mais e, se for para felicidade geral da nação, melhor discutir agora do que perder tudo depois…

Sou a favor da DR. Falo muito. Falo bastante. E tenho dito. :)

PS: Que bom que vocês curtiram minhas camisetas! :D Me perguntaram sobre preços da Zara no twitter. Então, só pra esclarecer, essas camisetas aí algumas foram na faixa de prçeo normal da loja (entre uns R$35 e R$60) e outras eu peguei na liquidação por, PASMEM, 19 contos. Então, gente, só posso dizer que o melhor evento de junho é, de fato, a liquida da Zara. No fim do ano tem mais! Estarei lá.

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27
Jul
2008
Investe ou passa?

Existem dois tipos de homens. Sim, existem. Ou pelo menos eu gosto e tenho o hábito de separá-los assim, por simples questão de manter minha cabeça no lugar e não ser seduzida e desviada do caminho da luz durante uma ficada/saída/(insiraqualquercoisaaqui).

Existem os tipos “investimento” e “passatempo”. E, blah, não me julga não: quantas vezes já ouvimos os homens falarem “ahh, mas fulana não é pra namorar”. Então eu me fiz o favor de facilitar a minha vida e separar os homens entre quem eu realmente gostaria que virasse algo mais e homens que, bem, “enquanto o certo não vem, divirta-se com os errados”.

Até agora não errei em nenhuma categorização, embora alguns “investimentos” tenham feito questão de passar para outro lado. Tem homem que tem um medo absurdo de compromisso e acha que “ir levando” durante meses não significa enrolação, significa “se conhecer”. Bem, depois de tanto tempo eu vi que já conhecia o suficiente e, realmente, foi bom ver o tempo correr. Mulher não gosta de homem que não sabe o que quer. Aliás, eles até sabem: o bem-bom e… E só.

Aí ontem eu descobri essa comunidade: “Eu preciso de uma namorada”, com 1014 membros. Só homenzinhos chorando as pitangas dizendo que querem encontrar uma mulher, que não aguentam mais passar seus dias fazendo nada e relativizando a teoria da relatividade.  Achei bonitinho. Sério, me tocou. Achei fofo e inclusive não encontrei uma comunidade do mesmo gênero para mulheres.

A única “do estilo” tinha uma porraaada de integrantes, mas que deixavam bem claro como teria que ser o namorado delas: “Eu preciso de um namorado que: faça xixi sentado, cozinhe, pague as contas, blablabla”. Os itens não eram esses, claro! Mas aí, fia, tu não tá realmente pre-ci-san-do, você tá é querendo uma companhia “assim e assado”. Não que EU não tenha uma lista de pré-requisitos (tenho e é grande), mas não fico falando que preciso de namorado por aí (mentira, nos momentos de TPM eu falo, cof-cof), eu simplesmente quero. Quero quando tiver que ser, até porque em 9 meses de solteirice eu estou me virando muito bem. Até eu me surpreendi, já que sempre fui a_namoradeira.

Voltando às comunidades. Comparando as duas, eu até pensei “olha! homens fofinhos e mulheres do mal!”, mas não deu nem 2 minutos e eu já avistei o seguinte tópico: “Falta mulher ou falta namorada?”. Lá os “fofinhos” mostraram a fuça real e to-dos (sem exceções) reclamavam que mulher até tem, mas namorada não. Aí pronto, parei de gostar dos 1014 membros e vi que continuo certíssima em separar os homens. Talvez seja inclusive natural que todos separemos as pessoas, só acho que mais mulheres deveriam fazer o mesmo: iam se machucar muito menos e se divertir muito mais.

É claro que um dia eu posso errar e correr o risco de jogar minha alma gêmea (eu acredito nessa porra) pela janela ao classificá-la erroneamente, mas eu juro que realmente não estou preocupada. Ele simplesmente pode me considerar como “passatempo” e, well, aí não ia dar certo. Já quando os homens te consideram “investimento” dificilmente tal fato passa desapercebido, já que geralmente quem toma a iniciativa de dar um passo a frente na relação são eles. Aí é só parar e pensar a categoria do moço, se ele pode ser alguém pra ti ou não. Simples assim. E, bem, eu realmente não pediria um cara em namoro (só na pré-escola), mas se tiver alguma moça que já tenha feito isso depois de grande, tem o meu respeito.

Categorias sim, inflexibilidade nunca. Carpe diem.

PS: eu ainda penso que, se for para eu casar um dia, ele vai ajoelhar do meu lado na mesa do jantar, ao som de violinos, e vai abrir uma caixinha e… :)
PS2: leiam o post de baixo e CONTINUEM me ajudando no reality show! Vou preparar um bannerzinho pra deixar fixo aqui. Conto com vocês!

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