Hot reality show. Isso é que é vida real!

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Certamente um dos motivos que me faz ficar bem triste por não ter o maior pacote de tv a cabo da NET é não poder assistir “The Girls of the Playboy Mansion”. É um reality show, assim, no melhor estilo The Simple Life, só que melhor. O programa é exibido no E! Entertainment, o mesmo canal de reality shows bastante “edificantes”, como E! True Hollywood Story e Dr. 90210, agora exibido na Rede TV! como Dr. Hollywood. Nem sei se deve ter pra baixar (é claro que deve), mas não vou gastar meu HD com isso. De qualquer forma, tem coisas que só esse reality show traz pra você.

Para quem não sabe, o “The Girls of the Playboy Mansion” mostra o dia-a-dia das três “esposas” de Hugh Hefner, criador da Playboy: Kendra Wilkinson, Bridget Marquardt e Holly Madison. Além de mostrar todas as farras das meninas em cartões de crédito e seus eventuais trabalhos como modelos, o destaque fica para a relação deles quatro, que é estupidamente amigável (e baseada no amo$$$r). Está tudo bem para todos que Holly seja a esposa preferida. Literalmente uma primeira dama.

Acontece que o aniversário de Hefner foi em abril deste ano. Todas as comemorações de seu aniversário foram filmadas e exibidas no reality show, naturalmente. Uma das surpresinhas que o senhor de 82 anos recebeu foi um bolinho de Pamela Anderson. Um singelo bolinho. Só que a loira siliconada entregou o presente pelada, on high heels. A cena é indescritível e, claro, foi ao ar censurada. As mulheres presentes no evento não sabiam onde enfiar a cara. Hugh abraça a loira, dá tapas no bumbum e enfatiza que ela está melhor que nunca. No final, Pamela também dá um abraço pelada na primeira dama. É mole ou quer mais?

Só que aí você se pergunta por que eu estou falando de um episódio antigo de “The Girls of the Playboy Mansion” e eu te dou dois motivos: 1- eu não vi esse episódio por conta dos motivos explicados no primeiro parágrafo, 2- o Egotastic soltou essa semana o vídeo do programa sem censura.

Agora matem a curiosidade. E vejam a cara da Holly (a loirinha fofa de verde). Clique na foto abaixo e tire as crianças da sala.

“The Girls of the Playboy Mansion”: mostrando o loo$$$$ve in the real life.

ps: estou imaginando o quão horrível (isso não foi irônico!) deve ser receber um abraço de uma loira com peitos de plástico.

“Ménage en Barcelona”

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Vicky Cristina Barcelona
, de Woody Allen, com certeza foi o filme mais aguardado do ano para mim. Desde as primeiras exibições em festivais (leia-se, 2007) que eu estou vibrando ansiosa pela estréia aqui no Brasil. E, ok, confesso, eu já sabia que ia gostar. Só fui ao cinema para ter certeza.

O título é bastante auto-explicativo: em algum momento, um ménage em Barcelona. Não que os mais libertinos possam comemorar, afinal, um sexo a três não é mostrado em momento algum, porém o relacionamento tripartido acontece, sim. Durante um verão.

Em Vicky Cristina Barcelona (assim mesmo, sem vírgulas), duas amigas norte-americanas viajam para a Espanha em busca de sexo ardente e bodylanguage diversão e do bom e velho turismo. Vicky, interpretada por Rebecca Hall, está noiva e aproveita a viagem para analisar os costumes e a arquitetura local, já que está fazendo mestrado sobre a cultura catalã e, assim que voltar ao país, irá se casar.

Enquanto isso, Cristina, vivida pela musa do diretor, Scarlett Johansson, só quer relaxar e buscar inspiração para se expressar artisticamente, seja como for. Mais uma vez ela dá vida às artistas frustradas que brotam da mente de Allen, mas esta é mais doce e menos mesquinha do que Nola Rice, sua personagem em Matchpoint (2005).

Elas se hospedam em Barcelona na casa de uma conhecida e começam a freqüentar festas e vernissages da “alta” da cidade. Numa destas, ouvem uma fofoca sobre Juan Antônio, pintor que teria batido na esposa, seria conturbado e violento, etc. Nada disso. Juan é ninguém menos que Javier Bardém e ele não passa de um pintor extremamente criativo com uma bela ex-mulher de personalidade forte, Penélope Cruz. O problema é que ela não é apenas uma ex, mas sim um fantasma bem vivo.

O relacionamento entre as amigas e ele incia-se de uma forma um tanto latina e caliente e esfria para depois esquentar e não parar mais, dando apenas pausas para momentos de ternura-turística. Isso tudo até que a ex-mulher aparece, linda, imaculada e quase morta, de fato.

Quanto à Rebeca Hall, eu passo. Achei sem sal (ela e a personagem, Vicky). Ela traz um drama absolutamente pertinente: a da mulher correta e metódica, que encontrou o “homem certo” e está prestes a se casar, mas que, de repente, tchibum! Um balde de água fria em todos os seus planos. Sabe aquela típica história de noivas que a gente ouve na manicure e pensa “Gente, imagina?!” ? Pois é, é a história da pequena Vicky, só que não envolve despedida de solteiro.

O drama de Cristina já é bem outro: ela sabe o que não quer e acredita que isso é o suficiente. Seu maior problema é querer se expressar, mas artisticamente, de preferência. O problema é ela não tem a menor fé no próprio talento, o que faz sua admiração por Juan Antônio ser ainda maior, afinal, ele é um artista. E vive disso.

A química de Scarlett com Javier é absurda. Ele sujo, rústico, e ela uma princesinha loira e jovem-que-tem-muito-o-que-aprender. Uma mistura que, aliás, me lembrou muito Clive Owen e Natalie Portman em Closer (2004), mas essa é outra história. A questão final é que Johansson nem está absurdamente sexy no filme, ela está linda e isso basta. Woody Allen deixou Penélope Cruz à cargo da sensualidade.

Que delícia vê-la atuando! Brigando em espanhol, xingando de hijos de puta todas as gerações de seres vivos e, em seguida, acrescentando em inglês para a pequena Cristina, que não fala espanhol: “I’m sorry, I’m nervous today. I had a bad dream.” Assim, calmíssima. É. Devemos a Woody Allen uma Penélope ainda melhor que em Volver (2006), de Pedro Almodóvar.

Com verdadeiras pinturas na tela, Woody Allen conseguiu mostrar um choque de culturas possível ainda hoje, em tempos de globalização and all that shit. Um choque absolutamente poético (e caliente), visto pelos olhos americanos-english-speaking – o que é ótimo: ele não se atreveu a dar o ponto de vista espanhol.

Para completar essa misturinha goxtosa, cenas como as de Scarlett fotografando Penélope são puro deleite. Para as moças, Javier Bardém sujo de tinta até os cabelos e de óculos de aro grosso já é mais do que suficiente: vale o filme. Tá, não só o Javier Bardém sujo de tinta vale: Penélope vale. Ela merece uma justa indicação ao Oscar/Globo de ouro/whatever de atriz coadjuvante.

Todo o longa é conduzido por um narrador que insiste em completar perspectivas das personagens. No começo, achei bastante interessante, principalmente ao descrever a forma de amar de ambas as mocinhas – que pode ou não mudar depois desta viagem muito mais que turística. Porém, já no final, eu quis mandar o narrador calar a boca para prestar atenção na trilha sonora, que é belíssima, e para, enfim, tirar minhas conclusões, sem ninguém pra conduzí-las.

…. Antes que me perguntem: sim, Penélope e Scarlett se beijam. E não, não achei grande coisa. Woody Allen pesou no erotismo do mise-en-scène, do clima da cena, mas não nas atrizes. Portanto, posso dizer que já vi beijos “do gênero” melhores no cinema. Esperava mais.

ps: sim, eu fui ao cinema só para confirmar que iria gostar e, de fato, confirmei. É a típica história simples que me atrai, que pode acontecer com qualquer um. Num verão espanhol. 8)