Tag: mau humor


Pensando bem…

Perguntaram para mim qual era a melhor coisa de ser mulher. Parei por uns trocentos minutos e pensei em trezentas e quinquenta e cinco respostas clichê, tipo:

- fazer shopping day com as amigas;
- fazer “queen day” com as amigas;
- chorar sem motivo sem te acharem (tão) louca;
- poder chorar com qualquer filminho e não duvidarem da sua sexualidade;
- poder falar não para o sexo sem duvidarem da sua sexualidade;
- não se sentir mal por não saber trocar um pneu;
- saber que a tequila funciona mais para você;
- orgasmos múltiplos;
- ser mãe.

Mas, olha, vamos e venhamos? A maior parte de nós vai passar essa vida inteira sem fazer “shopping day” e “queen day” toda semana, muitas vão transar sem estar com aqueeela vontade, várias vão morrer de vergonha de chorar em público, as azaradas vão ser assaltadas quando aceitarem ajuda alheia para trocar o pneu, nem todas vão ou querem ser mães e, enfim, né? Um porcentagem ínfima de nós vai ter orgasmos múltiplos.

Então, digo uma coisa: a melhor coisa de ser mulher é poder estar de TPM, curtir sua melancolia em paz, saber que esta sigla maldita é a causa única do seu mau humor e, assim,  levantar uma bela placa de “me deixa” para os outros.

Sim, à la Greta Garbo: “Leave me alone. I want to be alone”.

Postado por Fê Loverox

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E se você for tão viciado(a) em café quanto eu, já deixe o aviso para os coleguinhas de trabalho:


Postado por Fê Loverox

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Fazia uma semana que eu não carregava meu ipod. Por algum motivo, eu sempre esquecia, ia ligar o bendito na bolsa e nada… Tela preta pra mim. Só por isso consegui ouvir uma conversinha interessante.


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o último registro da paciência da senhorinha.

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Estava eu no terminal Vila Mariana, onde tomo meu ônibus pra casa depois da aula, e escuto um casal de velhinhos discutindo. A mulher falava alto, e o homem, mais baixo e também cabisbaixo, tentava evitar a conversa. Quando consegui entender meia dúzia de palavras, ouvi isso vindo da senhora:

– Mas você nunca me deu um presente, uma lembrança, nada! E eu vou parar por aí.

Vamos refletir. Um casal de uns 80 anos de idade e uma senhora reclamando a essa altura do campeonato de que nunca recebeu um presente do marido.

Triste? Eu poderia dizer que sim, afinal isso poderia refletir anos de dedicação da esposa para com seu marido/casa/casamento e nenhum tipo de retorno por parte dele. E aqui vamos deixar bem claro que o presente não é simplesmente um presente, mas sim um mimo de reconhecimento. Flores morrem, mas cumprem seu papel antes de murchar, além de não serem o que se pode chamar de caro.

Só que eu não acho triste. Aquele casal tinha grandes chances de já ter completado bodas de ouro e, bem, se até esse ponto você não teve um tantinho assim de tato para conversar com a outra pessoa, ou não teve a coragem necessária para mudar as coisas de cabeça pra baixo, talvez a culpa seja sua. No caso, da senhora. Aí, botar pra fora toda uma mágoa antiga no meio de um lugar público se torna compreensível, já que tira totalmente o direito de resposta do senhorzinho que, sabiamente, não queria chamar atenção.

Tudo bem, ele pode ter se tornado um senhorzinho rabugento, mas há alguns trinta anos, talvez ele não fosse de todo ruim. Se considerarmos que esta mulher de mágoa antiga deve ter sido educada de forma antiga (leia-se: educada para “agüentar”), ela também deve ter recebido instruções suficientes de como dizer as coisas com jeitinho. E podia tê-lo feito.

A paciência do cão que esta senhora ainda tinha há três décadas teria sido fundamental para evitar a cena que eu (e muita gente) viu. Paciência de Madre Teresa que ela já não tem mais, já que ainda por cima tem de tomar conta do marido malandrinho que pula o horário do remédio.

O papo dos dois continuou e, num instante, já estavam lá falando de exames e do tal medicamento esquecido – típico. Em dois palitos, o senhor notou a presença de uma menininha, interrompeu a conversa e puxou papo com ela:

- Quantos anos você tem?
- 6 anos!
- Você já sabe ler e escrever?
- Já!
- Que bonitinha!

E fez um afago na cabeça da garota.

Depois disso, a minha teoria se confirmou. De fato, o senhor não era ranzinza e a situação também não era triste, apenas se tornou cômoda. É claro que ele poderia ser um psicopata ou aqueles tipos que são maravilhosos na rua e aprontam em casa, mas minha imaginação não permitiu pensar tão mal daqueles cabelos brancos simpáticos.

Entrei no ônibus com raiva da mulher, afinal de contas. Ela era a ranzinza. E, cá pra nós, revirar baú a essa altura da vida me parece uma coisa muito feia de se fazer…  Principalmente num terminal de ônibus.
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Postado por Fê Loverox

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sunset sãopaulo

foto que tirei da vista da sacada num pôr-do-sol inspirador.
A vista é linda, mas e aí?

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Eu odeio morar aqui. Não odeio morar em São Paulo, porque eu amo São Paulo, do fundo do coração. Eu odeio morar aqui, e não porque moro na Móoca e não nos Jardins. Eu gosto do meu bairro (que não é bem a Móoca, mas é do lado da italianada e do Ipiranga). Gosto das pessoas gente boa que têm aqui, gosto do fato de ter bares e restaurantes bacanas por perto sem ter que pagar o dobro do peço só por estar no Itaim.

O problema é que eu não aguento mais meu prédio. Eu não suporto mais a calmaria. Tudo que eu queria, ao invés de passarinhos cantando na minha janela, era um Starbucks na mesma rua. Ou um Fran’s Café. Ou um Vanilla. Ou qualquer coisa. É claro que ter um café bacana e passarinhos cantando na janela é melhor ainda, mas em São Paulo é bastante difícil ter os dois ao mesmo tempo.

Eu queria poder sair da portaria do prédio e andar um quarteirão apenas para estar na civilização, ao invés de ter de pegar o carro e andar meia horinha. Meia horinha é perto, mas esses 30 minutinhos te inibem de pegar o carro e ir de fato até a civilização. Pegar o carro e andar 10 minutos até o Fran’s mais próximo (na Móoca) é uma possibilidade, claro, principalmente porque agora eu dirijo mermo (batam palmas pra mim!). Mas pensa como não é mais gostoso andar a pé por 5 minutos, sem correr o risco de demorar o dobro do tempo por ter encontrado uma carreta quebrada na avenida principal? …

Meu prédio. Meu prédio tem poucas famílias, menos de quinze, o que te deixa a vontade para pegar o elevador de pantufas ou tomar a liberdade de buscar coisas esquecidas no carro de pijamas. Mas como a lei de Murphy  impera no recinto, é óbvio que eu vou encontrar o único cara em idade sexualmente desejável do prédio inteiro bem quando eu for buscar a pizza com a pantufa das Powerpuff Girls. Ou então, sei lá, é óbvio que eu vou encontrar a patricinha do edifício junto com os amiguinhos dela bem na volta do pilates – cansada, descabelada, sem maquiagem e com calça velha (tipo, oi? Não é academia-fitness-style. É exercício de baixo impacto e muita concentração).

Ah, sabe? Eu queria morar perto da Paulista. Na Vila Mariana. Na Aclimação. Sei lá. Queria estar perto de alguma coisa, e não só de um monte de pracinhas. É claro que é bacana, mas eu odeio jardinagem, não tenho um cachorro  grande (mas teria, também gosto de cachorros!) e muito menos um bebê, logo… Não tem graça.

Se eu for pensar bem, eu não devia reclamar, é claro. O bairro é bacana. O bairro é tranqüilo.  Tem um puta parque aqui do lado. A população, no geral, é ok. Mas essa tranqüilidade toda me dá calafrios. Me arrepia até a alma. Me entedia de segunda a sexta, e muito mais no sábado e no domingo. É como se eu tivesse mais emoção em frente ao computador do que colocando o pé na rua – e, de fato, eu tenho.

Mas o que mais irrita não é nem o meu quarto de Fernanda versão 10 anos, embora isso seja bastante chato. O que me irrita mesmo é que tem uma estação da linha verde do metrô sendo construída aqui do lado, bem, bem pertinho, super “mão na roda”. Mas, como Murphy impera, é claro que quando a estação ficar pronta eu já vou ter me mudado daqui. FOM!

Sei lá, enquanto eu não mudo, vou fazer um curso de jardinagem, porque um bebê está fora de cogitação. Só que mais legal que isso tudo, na verdade, seria ter grana pra me auto-bancar sendo vizinha de parede do Starbucks. Ou de qualquer coisa. Eu iria à falência, mas moraria feliz. 8)

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Postado por Fê Loverox

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Sobre a autora: Fernanda Pineda Vicente, também conhecida como @loverox, 23 anos, São Paulo. Produtora e atriz, formada em Rádio e TV pela Faculdade Cásper Líbero em 2009 e pelo Teatro Escola Macunaíma em 2008. Apaixonada por cinema, música, moda, nerdices e gatos, adora postar por aqui achados e descobertas na web e na vida real.Veja o perfil
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