“S.E.G.R.E.D.O”: filho único da febre “50 Tons”

seg

“S.E.G.R.E.D.O”: 10 fantasias e muito auto-conhecimento

Depois da hecatombe literária provocada pela série “50 Tons de Cinza” e seu casal de submissa e dominador, mil e uma outras obras chegaram às livrarias. Já recomendamos aqui uma série de outros livros mais “densos” para quem quer ler sobre sexo, mas eis que vem do Canadá uma obra que se salva em meio a tantos livros escritos à toque de caixa.

“S.E.G.R.E.D.O – Sem Julgamentos. Sem Limites. Sem Vergonha”, de L. Marie Adeline (pseudônimo de Lisa Gabriele), foi um dos livros mais disputados da Feira do Livro de Frankfurt em 2012 e depois de lê-lo ficou facil de entender o porquê. Enquanto outros livros repetem à exaustão o encontro da  protagonista fraca (para que qualquer uma possa se identificar) com um parceiro príncipe sedutor, “S.E.G.R.E.D.O” é divertido e vai exatamente na contramão: incentiva  as mulheres a descobrirem o que desejam e a não terem amarras para realizarem o que querem na cama.

O romance conta a história de Cassie Robichaud, uma jovem viúva que vive em New Orleans e trabalha em um café numa região turística. Depois de cinco anos sem ter qualquer tipo de relação sexual, ela é escolhida para participar de uma espécie de irmandade secreta que ajuda mulheres a se conhecerem melhor e a alcançarem a libertação sexual através de uma série de 10 passos e fantasias. Tudo é registrado em uma pulseira recheada de pingentes e os homens escolhidos para realizarem estas noitadas são meros desconhecidos, alguns apaixonantes, outros simplesmente perfeitos apenas para uma noite só – coisa que, segundo o grupo, toda mulher deve entender.

“Eu estava sozinha, em um bar, pensando em tirar minha calcinha porque um homem jovem e gostoso havia me pedido que o fizesse. E se eu fosse pega? Certamente eu seria expulsa por comportamento lascivo. Tentei lembrar qual era a calcinha que eu usava. A tanga preta. Simples, sedosa. Como deixar uma calcinha escapar em público, sem ser notada, não era algo que eu tivesse aprendido com escoteiras”

Trecho de “S.E.G.R.E.D.O”, de L. Marie Adeline

.
Embora você possa ter seu favorito, neste livro os caras realmente não importam: importa apenas o desejo de uma mulher que está aos poucos aprendendo o que gosta. A identificação é apenas com a rotina de descobertas da personagem, que está sempre amparada por outras mulheres e por um sentimento bonito de parceria que se estabelece com as participantes da organização. Não é nem de longe uma virgem indefesa, mas sim uma mulher de 30 e poucos que tem muito o que aprender com o tempo perdido num casamento dramático.

Com 215 páginas e fantasias que agradam todos os gostos, “S.E.G.R.E.D.O” tem muito menos enrolação que “50 Tons” e Adeline traz um repertório muito mais interessante e menos machista que E.L. James. Apesar de não ser uma literatura densa, é um livro quente, descompromissado e fácil de ler, boa pedida para quem quer “se iniciar” no assunto e ótima sugestão para mulheres que acabaram de sair de um relacionamento ou que precisam aprender a se relacionar de forma mais livre – sem julgamentos, sem limites, sem vergonha.

É fácil de imaginar as aventuras da garçonete Cassie indo parar no cinema e o cenário para isso é perfeito: a cidade de New Orleans apimenta um tanto a história e, ao invés de desejar um Christian Grey, você vai é desejar viajar para a cidade nas próximas férias (especialmente solteira! rs).

Para sentir o clima do livro, deixo aqui o book trailer oficial:

.

Literatura erótica além de “50 Tons de Cinza”

sex

Perto do Natal entrei numa livraria e não dava jeito: eram milhares de mulheres carregando, orgulhosas, suas caixas com a trilogia “50 Tons de Cinza”. Algumas compravam pra presente, outras estavam se presenteando e muitas outras estavam com um olho no peixe e outro no gato, já que milhares de outros livros do gênero brotaram nas prateleiras prometendo mais do mesmo.

foto de Natalie Dybisz

Apesar de me divertir bastante com o hype e de ter devorado o primeiro livro da série, confesso que já não agüento mais a escrita de E.L. James e, mesmo querendo saber o final da história, empaquei nos “Mais Escuros”. Estou insistindo na trama, mas não tem como não ficar ansiosa pelo momento em que o texto vá evoluir – e isso nunca acontece. Aliás, a probabilidade do filme ser melhor que os livros é bem alta nesse caso.

“50 Tons” é entretenimento puro, é claro, mas dá pra ter entretenimento com muito mais qualidade, obviamente. Por isso resolvi puxar da memória outros livros do gênero que já li e recomendo muito mais que esse erotismo fast-food. 

– “A Casa dos Budas Ditosos”, João Ubaldo Ribeiro

Uma senhora de 68 anos grava uma fita narrando suas aventuras sexuais desde a infância. O relato é libertário, cômico e excitante, mas misterioso. O autor diz que recebeu uma gravação real e apenas transcreveu. Acreditando nisso ou não, o livro merece ser lido e chegou a virar monólogo com Fernanda Torres em cena.

– “Cem Escovadas Antes de Ir Pra Cama”,  Melissa Panarello

O livro é um relato autobiográfico de uma jovem italiana que resolve descobrir o sexo entre os 15 e 16 anos. Ela mergulha de cabeça em sua busca, descobre o amor, se rende ao prazer e também ao sofrimento. O livro ficou famoso em meados dos anos 2000 e acabou ganhando uma adaptação catastrófica para o cinema, com o nome de  “Cem Escovadas Antes de Dormir”.

– “A Entrega: Memórias Eróticas” – Tony Bentley

Mais um autobiográfico, “A Entrega” é um relato despudorado da descoberta do prazer na submissão. Realista e rico em detalhes, o livro vai agradar a quem ficou com vontade de libertar de verdade a “Anastacia Steele interior”: sem contrato, sem quarto vermelho da dor, só quatro paredes e duas pessoas interessadas. Não concordo com a visão da protagonista e autora sobre muitos assuntos, mas ao longo de sua jornada ela faz afirmações muito pertinentes sobre o universo feminino. Comentei de leve sobre esse livro num texto bem antigo, aqui.

– “Memórias de Minhas Putas Tristes”, Gabriel García Marquez

Um jornalista de 90 anos resolve se dar de presente de aniversário uma noite de amor com uma virgem, que se vende para ajudar nas finanças da família. Ao entrar no quarto ele descobre a garota adormecida e se apaixona. Como dá para imaginar, o livro não é erótico pura e simplesmente, mas sim poesia pura e uma série de reflexões sobre o amor e sobre o sexo de alguém que já se sente no fim de sua vida.

– “Lolita”, Vladimir Nabokov

Cumprindo a cota dos clássicos, este não é apenas literatura erótica, mas sim o relato de uma obssessão e o mais “pesado” desta lista. A história já famosa ganhou duas adaptações para o cinema, uma de Stanley Kubrick em 1962, e outra de Adrian Lyne em 1997. As adaptações são bem diferentes, simplificam bastante a trama e, se você curtiu algum dos filmes, vale a pena ler o original para decidir de que lado você fica.

ps: ainda preciso e quero ler muitos clássicos, como os do Marquês de Sade e “A História de O”, por exemplo. Por isso, essa lista não é nem pretende ser um GUIA, ok? Mas você aí pode deixar sua dica nos comentários! ;)

.

“50 Tons de Cinza” na moda: acessórios e camisetas

seg

Todo fenômeno cultural acaba inspirando estilistas de alguma forma. Com “50 Tons de Cinza” não ia ser diferente: além de ter sexo no meio (e de sexo vender), a coisa agrada de cara um público com disposição para gastar com seus hobbies.

Pensando nisso, uma das peças mais legais que vi aqui no Brasil foi o colar criado pela designer Camila Klein e apresentado durante o Minas Trend Preview no final de novembro. A peça inspirada no romance do momento traz pedras em tons de cinza e delicados pingentes com os presentinhos que Anastacia ganha do Mr. Grey: a chave do Audi, o computador, o celular… Tudo “coroado” pelo helicóptero Charlie Tango.

50 mil pingentes: você usaria?

Apesar dos pingentes serem bonitos, o colar me pareceu um pouco trambolhão. Por outro lado, já acho esse acessório muito melhor e mais interessante do que as mil e uma camisetas que andam fazendo por aí…

1. Garagem Korova, R$59; 2. Little White Tee, R$62,90; 3. TeesGame, US$29,65

A intenção é boa, mas alguém realmente quer sair desfilando “Chocolate, shoes & Mr. Grey”? Zzz….

Roberto Carlos lança “melô do dominador” e vira a versão brasileira do Christian Grey

seg

Roberto Carlos e Ian Somerhalder, ainda meu favorito para viver Grey no cinema

Christian Grey, o motivo maior pelo qual a mulherada tolera ler “50 Tons De Cinza”, aparentemente encontrou um oponente de igual calibre aqui no Brasil. E esse cara, minhas caras, é Roberto Carlos.

Assim como nosso Grey, Roberto também é milionário, também tem uma vida amorosa de conquistador, tem lá os segredos que não fica exibindo, também é geralmente mais velho que suas admiradoras, também vai controlar o que você veste (só azul e branco, pls) e também deve ter uns 50 tons de cinza, só que escondidinhos no cabelo.

Fora essas semelhanças banais de brinks, a trilha sonora da novela nova (saudades #OiOiOi!) é o verdadeiro melô do dominador.

Dá uma olhada num trecho de “Esse Cara sou Eu”, a letra da nova música do Robertão e veja só se não é ele o  nosso Christian – mais romântico, mas ainda assim…

O cara que pensa em você toda hora
Que conta os segundos se você demora
Que está todo o tempo querendo te ver
Porque já não sabe ficar sem você

E no meio da noite te chama
Pra dizer que te ama (não só que ama, né?)
Esse cara sou eu

O cara que pega você pelo braço
Esbarra em quem for que interrompa seus passos
Está do seu lado pro que der e vier
O herói esperado por toda mulher

[…]

O cara que sempre te espera sorrindo
Que abre a porta do carro quando você vem vindo
Te beija na boca, te abraça feliz
Apaixonado te olha e te diz
Que sentiu sua falta e reclama
Ele te ama
Esse cara sou eu

.
Piadinhas à parte (fãs do RC, não me matem!), a verdade é que acho que até uma heroína virgem acabaria enjoando com o tempo. Que dirá nós, mulheres normais, né não?

Vocês podem até lembrar dos “presentinhos” que aquecem o relacionamento, mas não sei se um milionário brasileiro sairia distribuindo carros para uma peguete. Isso só pode ser coisa de americano, lá os carros são baratos.

.

“50 Tons de Cinza”: fãs inventam trailers e gravam cena do livro

sex

taí o casal de “50 Tons de Cinza” num curta alternativo! Que tal?

Enquanto não se sabe quem serão os atores da adaptação  “50 Tons de Cinza” para o cinema, os fãs simplesmente não param! Numa busca rápida pelo Youtube, encontramos mil e um vídeos sobre o assunto. Além de trailers inventados pelos ávidos leitores do romance porn, já encontrei até curta-metragem super bem feito mostrando uma parte do livro.

No curta profissa “We Aim To Please”, Emily Sandifer e T.J. Dalrymple dão vida ao casal principal e mostram a primeira visita de Anastasia à casa do milionário. Vê só:

.

Dá pra encontrar também mil e um fantrailers do filme. Os vídeos mais bem editados mostram mais quem seria o milionário Grey (será que foram feitos por garotas? Será??) e trazem geralmente os atores Ian Somerhalder e Ryan Gosling; já as Anastasia’s que vemos brevemente aqui são respectivamente Lucy Hale e Emma Stone.

.

 .

E agora mais um vídeo, focado exclusivamente em Matt Bomer como Mr. Grey:

..

E aí, quem você prefere? Que atores deveriam interpretar Anastasia e Christian?

“50 Tons”: BDSM na cultura pop e a gente finalmente falando sobre sexo

qui

e aí gatinha? Curtiu?

Finalmente acabei de ler “50 Tons de Cinza”. Demorei, mas confesso que foi um conjunto de enrolação com a tentativa de terminar perto do lançamento do segundo livro, que chega às lojas nos próximos dias. Afinal se a obra já é “enrolona”, para que sofrer esperando a segunda parte, não é mesmo?

Falando na leitura, quando eu estava no meio do caminho escrevi o post “10 Questionamentos de quem está lendo ’50 Tons de Cinza'”, e é engraçado que quase nenhuma das minhas observações mudou desde então, o que quase me fez não escrever sobre o livro de novo. Mas resolvi que valia por um único e simples motivo: estamos finalmente falando de sexo; olha só!

A escrita de E.L.James não é das melhores, a série não é um primor da literatura, mas o livro é inexplicavelmente viciante para a maioria dos mortais que são cativados por amores imperfeitos. Junte a isso o tempero velho-novo do sadomasoquismo e tá aí o motivo do best-seller: para quem gosta de ler amor, tem amor, para quem gosta de ler sexo, vai ter muito sexo. E digo tempero velho-novo porque BDSM é coisa das antigas e a esperteza foi tratar o tema de uma forma leve, com a inexperiência de uma virgem, resultando num fenômeno de cultura pop. Aliás, quem acessar a Wikipedia sobre o assunto vai logo ver que os reais praticantes da coisa devem estar revoltados, se sentindo como indies que vêem sua banda do coração assinar com uma gravadora.

Após a leitura, continuo sem entender porque precisamos de uma virgem de classe média e de um príncipe encantado safado e milionário para falar de sexo, e continuo sem entender também como essa menina goza tanto desde o primeiro dia – magia? Tecnologia? -, só que, vamos perdoar, estamos falando de sexo e isso é ótimo. Estamos falando, pensando e discutindo tabus. Sendo o livro pobre ou não, não dá pra negar que podemos lucrar mais com esse tema do que com o sobrenatural que ninguém nunca viu brilhando à luz do sol. Num viés mais prático, digo que podem chamar de “pornô para mamães” à vontade: pelo menos é algum pornô feito para mulheres.

A trilogia vai ser condensada em apenas um filme e provavelmente teremos aí um dos raros casos de filme melhor que livro, já que a enrolação da autora é irritante – aparentemente ela deu uma corridinha apenas no final da primeira parte, o que já foi uma evolução imensa. Pergunto-me porque o livro todo não foi assim, de uma vez, mas aí seriam menos páginas e menos dinheiro no bolso, talvez.

.

“50 TONS”, o meme, o filme

Agora a melhor coisa mesmo tá sendo ver as loucurinhas dos fãs em torno do livro. Christian Grey e Anastasia ganham mil fan arts por segundo e as apostas de quais atores viverão o casal na telona estão altas. Aparentemente, Ian Somerhalder ou Ryan Gosling devem levar o papel do bonitão – eu prefiro o Ryan pela cara de perigoso, mas ver o Ian desfilando em trajes mínimos não seria o menor problema. Quanto à protagonista, Lucy Hale é cotada e até já falou a respeito, mas nada definido.

Enquanto isso, as mina pira:

.

AI INTERNET, eu te adoro. Agora vamos esperar os próximos, né? Tudo pra entender o santo Grey no final – tomara que não vire um “segredo de Gerson”.

*todos os memes estão na fanpage “50 Tons de Cinza Brasil”, cheia de fanáticos pirando nas apostas pro filme! hahaha