“Skyfall”: o melhor Bond da nova era, e talvez de outras eras também

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50 anos de Bond e em boa forma!

Na trilha de outras séries de ação que tentam cada vez mais humanizar os protagonistas, “Skyfall” segue a tendência e faz um retorno ao passado para compreender o presente e avançar para o futuro, um clássico em termos de narrativa. Mas nem todo clássico precisa ser banal.

O novo filme da série tem menos sexo, só um martini batido e apenas uma sequência de ação grandiosa à la 007, e ela é logo de cara, então preste atenção o máximo que puder. Dali por diante, outras cartas são colocadas na mesa: a idade do herói, sua capacidade, a aposentadoria e até sua índole.

Enquanto Daniel Craig vive o mocinho que se vê obrigado a voltar às raízes que sempre renegou para se sentir seguro, Javier Bardem é o vilão Silva, um ex-agente secreto que resolve se vingar por ter sofrido as consequências de um acordo político. Silva é a antítese perfeita para Bond, mas o interessante mesmo não é a pintura cartunesca que Bardem deu ao papel, mas sim o fato de que os dois tem a mesma origem: “as sombras”, como a chefe M gosta de dizer.

É claro que quem tem um passado pouco importante e nada a perder pode realmente mudar de lado a qualquer momento, algo que praticamente não foi colocado em jogo (se é que foi!) em outros filmes que vi do agente inglês. Até ele tem suas questões, até ele tem seu lado vilão, algo que Daniel Craig mostrou e muito bem. Finalmente entendi porque lhe deram esse papel.

De todos os filmes da franquia que vi (comecei com Pierce Brosnan), “Skyfall” é o melhor disparado e não duvido que ganhe de outros filmes até de outras eras. Aqui a tecnologia parece muito simples perto da complexidade da experiência e a verdadeira Bond Girl ganha ares maternais e definitivamente não é a garota com quem ele toma um drink. Mil desculpas, aliás, mas Bérénice Marlohe é uma coadjuvante das mais coadjuvantes e tem menção honrosa apenas por portar muito bem um vestido longo.

“Skyfall” veio para mostrar que a franquia tem vida longa e que mesmo sendo um bom e velho filme do Bond, tudo pode ser diferente, afinal até o 007 chora.

vida longa ao Bond!