
Kunis e Timberlake em “Amizade Colorida”
“Amizade Colorida” é um daqueles filmes que capricha muito mais no lançamento do que na produção em si, especialmente pelo casal de atores protagonistas escolhidos a dedo pra causar bastante fora da tela. Acho que esse fenômeno pode ser lembrado pelo lançamento + buchicho de romance que empacotou muito bem a ação sensual de “Sr. e Sra. Smith”.
Para lançar “Friends With Benefits”, toda a estratégia de divulgação do filme foi focada em explicar como Mila Kunis e Justin Timberlake se sentiram rodando as cenas de sexo, se pintou um clima, se ficaram tímidos – e nada mais.
Como a imprensa também adora um climinha por trás das câmeras, os boatos de que os dois estariam juntos ajudaram a apimentar as notícias – uma mão pesada talvez desnecessária, já que comédias românticas sempre tem lugar no coração de mocinhas machucadas, por mais previsíveis que sejam (essa em especial).
Em todo caso, se não fosse um ou outro take mais ousado nos corpinhos, diria que o filme é 100% sessão da tarde. O longa basicamente gira em torno dos personagens de Timberlake (Dylan) e Kunis (Jamie) e pouco fala sobre a vida extra dos dois. Tudo se resume ao casinho de sexo sem compromisso, como se nenhum tivesse uma vida interessante o suficiente para ser mostrada além disso.
Para não dizer que o filme ignora sumariamente o mundo fora das quatro paredes dos amigos que transam, as famílias desestruturadas de ambos vêm à tona para explicar porque eles se dão tão mal nos relacionamentos, o que também justifica de uma certa forma porque eles se “merecem”. Enquanto Jamie tem uma mãe mente aberta e meio maluca, o pai de Dylan é abandonado pela mulher por ainda gostar de outra e o trauma acaba fazendo com que ele desenvolva Alzheimer.
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os “desestruturados” sempre tem que se merecer? hm.
A dupla de protagonistas se conhece quando Jamie, uma headhunter muito inverossímil, recebe a tarefa de encontrar um novo diretor de arte para a revista GQ, que ganhou uma bela publicidade (paga?) pro finzinho desse ano com o filme. Dylan é o candidato perfeito e acaba topando se mudar de Los Angeles para Nova York pelo emprego. É na redação, enfim, que suge o personagem mais sensato do longa: o editor de esportes gay que insiste em tentar tirar o protagonista do armário, mas tem as falas mais interessantes e sábias de todo o roteiro.
A questão é que “Amizade Colorida” insiste em lições velhas sobre relacionamentos, além de ter divulgado muito e chegado atrasado: várias outras comédias românticas sobre “sexo sem compromisso” são melhores; caso de “Amor à Distância”, mais divertido, e “Amor e Outras Drogas”, mais elaborado e, ouso dizer, profundo.
É sessão da tarde, tem muito diálogo e pouca história, mas tem também uma cena impagável dos dois tentando jurar que vão transar sem se apaixonar em cima da bíblia no iPad.
Se eu não fosse fã do Timberlake, fato que me fez correr para ver, diria que é um bom filme para esperar passar na TV e assistir numa tarde à toa. Caso você não seja, já sabe!
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