
imagem: propaganda do Slimfast.
Antes as pessoas namoravam e casavam. Antigamente, na verdade, ter um encontro já era sinônimo de namoradinho, nem que fosse por um dia. Dar amasso não existia e ficar de mãos dadas era só na frente dos papais, de domingo à tarde, vendo televisão. Beijinho? Só na hora de dar tchau, na porta.
Sem graça. É, sem graça. O bom disso ter mudado é que, obviamente, apenas dois bonecos poderiam se conhecer e se dar bem assim a ponto de casar. Não duas pessoas! Não estou duvidando que o amor possa surgir com o tempo, apesar de eu realmente não acreditar muito nisso… Mas, meus pais se conheceram assim. Aliás, nem se conheceram, já que anos depois veio o divórcio. (e se minha mãe tivesse casado com o ex dela, eu certamente seria loira de olhos azuis. Mundo cruel!)
Hoje, a gente fica. Fica e vai ficando pra conhecer a pessoa. Transa e vai transando pra ver se tem encaixe. Evita aparecer em público, porque não é nada sério. Não pode contar para os pais o motivo de um sorrisinho ou de um soco raivoso na porta, porque, afinal né? Não é nada sério.
(Só um adendo: antes, se o rapaz que sentou no sofá da sua casa te fizesse sofrer, seu pai com certeza tiraria satisfação por você, moça indefesa! Agora você pode criar um blog e reclamar diariamente sobre isso, por exemplo. 8))
Aí, como não é nada sério mesmo, a garota fica com um outro cara… Ele reencontra uma ex… Mas a ficada continua, minha gente! Eles descobrem as traições-entre-aspas um do outro e dá merda, é claro. Dá merda porque o ser humano é instintivamente ciumento. Dá merda porque tá na cara que esse tipo de relacionamento foi feito pra dar merda, assim como o método de paquera dos meus pais. Daí vocês param e pensam, ficam putos e não podem discutir a relação, já que nunca existiu uma relação.
Ele até estava gostando de você, você até que gostava dele, mas ao compararmos toda a dor de cabeça, as fofocas, a desconfiança e toda aquela gente comentando, fica claro que é muita bagunça pra pouco relacionamento. Logo, não dá pra pensar em absolutamente nada mais sério, porque como começar alguma coisa baseando-se na desconfiança, não?
Agora, a gente finge que não se apega, faz de conta que se você passar a noite na casa dele a coisa não vai tomar outro rumo e se faz de insensível para um ou outro carinho, porque já sabe que não pode ficar deprê por não ter isso todas as noites…
Sabe o que é pior? O pior é que antes nossos avós não sabiam direito quem dividia a cama com eles. Agora, nós temos que deitar na cama sozinhos, enfiar a cara no travesseiro e fingir que esquecemos aquilo que nem começou.
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ps: para quem se interessa por este tema, recomendo o textão que escrevi no Diário de Solteiro: “As 4 regras do amor livre. Digo, da ficada”.





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