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post longo, diversão garantida. 8)

Eu sempre tive curiosidade de ir ao cinema sozinha. Curiosidade mórbida talvez, mas que não se aplica quando o assunto é comer sozinha. Estou habituada a almoços e cafés “reflexivos” e entretenho-me facilmente assim, inclusive porque uma vez aprendi num livro incrível como se deve comer sozinha com classe.

Não sei se vocês já ouviram falar do Como andar de Salto Alto, mas é praticamente uma bíblia cor-de-rosa para mulheres (jura?!) não fazerem feio nunca, em lugar algum. Traz dicas de todo o tipo, dada pelos mais diferentes figurões, e é provável que você se lembre vagamente desta bibliografia obrigatória porque é lá que Giselinha revelou seus truques modeléticos de como posar pra foto. Rapidamente? projete-o-queixo, coloque-uma-das-pernas-a-frente, abra-bem-os-olhos, não-olhe-de-frente-pra-câmera e, o plus, olhe-sempre-por-baixo. Outras gentes importantes também abriram seu baú por lá, mas são gentes que não vou citar porque o assunto não é esse, mas dica pra foto todo mundo quer.

Só pra fechar o assunto, antes que alguém diga que isso aí é livro de mulherzinha-inha: sim, Camilla Morton, autora do livro, te ensina a andar de salto alto (!), mas também te ensina a apostar no Jockey Club. E te ensina a jogar poker. E, sim, foi com ela e com o livro que  aprendi  a jogar poker de verdade e hoje estou apta  para as jogatinas deste mundão e pronta para tirar até as cuecas de qualquer adversário. Hit me!

O fato é que, numa de suas lições de elegância, Camilla ensina como lidar com diversas situações em que você está solitária, mas “ir ao cinema sozinha” não é uma delas.
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por R$2,00 e ainda correndo o risco de ser bom? tô lá.

Como eu estava com bloqueio criativo e descobri a sessão promocional das 15h do Cinemark por apenas R$4,00 (valor que dividi pela metade com o uso de minha carteirinha universitária), resolvi partir para um experimento empírico que deveria me render algum tipo de inspiração, já que eu nunca tinha ido sozinha ao cinema antes. E o melhor: se a experiência toda fosse ruim, eu não ia me arrepender tanto, já que não ia doer neste bolso universitário. Mas, a experiência foi boa. Ótima..

Eu sempre imaginei que ir ao cinema sozinha fosse uma das expressões máximas de independência. Mais até do que ir para uma festa ou cair na noite all by yourself, porque, chegando no evento noturno, você vai esquecer até de você mesma, dependendo do nível birita da coisa. No cinema, não.

No cinema você vai se aturar sozinha por uma hora e meia. Ou duas. Ou três. Você não só vai ser “boa companhia pra você mesma”, mas vai ver aqueles casais melosos, adolescentes em grupos e turmas de amigos animadas – atenção para não se deixar levar por este último grupo!

Sim, porque você poderia ver um filme qualquer em casa, sozinha. Você poderia simplesmente aguardar ter uma companhia. Você poderia se esquivar de ser objeto de olhares curiosos. Mas, não! Você resolveu ir porque tá afim. Você resolveu se arrumar e sair de casa porque você quer ver essa p&¨% de filme logo.

Você não quer esperar o DVD. Você não vai aguardar a boa vontade do Telecine. Nem dos seus amigos – ou amigas. Ou talvez, sei lá, talvez você queira um pouco de quality time só pra você. É. Bem provável que você nem queira companhia! Capaz que isso nem seja um problema. Aliás, possível que isso não seja nem uma questão a ser feita: “companhia? Pff! Hoje quero me agradar”.

Aí eu fui, nessas de me agradar. O preço era agradável, como eu já disse, e eu acabei pagando 4 vezes o preço numa pipoca média e numa coca pequena, mas tudo bem: eu não resisto à pipoca no cinema. Nem em cinema cult. É algo que eu simplesmente não dispenso. E, falando nisso, não é ridículo pagar mais caro na coca-cola do que no ingresso? …

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Postado por loverox

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sunset sãopaulo

foto que tirei da vista da sacada num pôr-do-sol inspirador.
A vista é linda, mas e aí?

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Eu odeio morar aqui. Não odeio morar em São Paulo, porque eu amo São Paulo, do fundo do coração. Eu odeio morar aqui, e não porque moro na Móoca e não nos Jardins. Eu gosto do meu bairro (que não é bem a Móoca, mas é do lado da italianada e do Ipiranga). Gosto das pessoas gente boa que têm aqui, gosto do fato de ter bares e restaurantes bacanas por perto sem ter que pagar o dobro do peço só por estar no Itaim.

O problema é que eu não aguento mais meu prédio. Eu não suporto mais a calmaria. Tudo que eu queria, ao invés de passarinhos cantando na minha janela, era um Starbucks na mesma rua. Ou um Fran’s Café. Ou um Vanilla. Ou qualquer coisa. É claro que ter um café bacana e passarinhos cantando na janela é melhor ainda, mas em São Paulo é bastante difícil ter os dois ao mesmo tempo.

Eu queria poder sair da portaria do prédio e andar um quarteirão apenas para estar na civilização, ao invés de ter de pegar o carro e andar meia horinha. Meia horinha é perto, mas esses 30 minutinhos te inibem de pegar o carro e ir de fato até a civilização. Pegar o carro e andar 10 minutos até o Fran’s mais próximo (na Móoca) é uma possibilidade, claro, principalmente porque agora eu dirijo mermo (batam palmas pra mim!). Mas pensa como não é mais gostoso andar a pé por 5 minutos, sem correr o risco de demorar o dobro do tempo por ter encontrado uma carreta quebrada na avenida principal? …

Meu prédio. Meu prédio tem poucas famílias, menos de quinze, o que te deixa a vontade para pegar o elevador de pantufas ou tomar a liberdade de buscar coisas esquecidas no carro de pijamas. Mas como a lei de Murphy  impera no recinto, é óbvio que eu vou encontrar o único cara em idade sexualmente desejável do prédio inteiro bem quando eu for buscar a pizza com a pantufa das Powerpuff Girls. Ou então, sei lá, é óbvio que eu vou encontrar a patricinha do edifício junto com os amiguinhos dela bem na volta do pilates – cansada, descabelada, sem maquiagem e com calça velha (tipo, oi? Não é academia-fitness-style. É exercício de baixo impacto e muita concentração).

Ah, sabe? Eu queria morar perto da Paulista. Na Vila Mariana. Na Aclimação. Sei lá. Queria estar perto de alguma coisa, e não só de um monte de pracinhas. É claro que é bacana, mas eu odeio jardinagem, não tenho um cachorro  grande (mas teria, também gosto de cachorros!) e muito menos um bebê, logo… Não tem graça.

Se eu for pensar bem, eu não devia reclamar, é claro. O bairro é bacana. O bairro é tranqüilo.  Tem um puta parque aqui do lado. A população, no geral, é ok. Mas essa tranqüilidade toda me dá calafrios. Me arrepia até a alma. Me entedia de segunda a sexta, e muito mais no sábado e no domingo. É como se eu tivesse mais emoção em frente ao computador do que colocando o pé na rua – e, de fato, eu tenho.

Mas o que mais irrita não é nem o meu quarto de Fernanda versão 10 anos, embora isso seja bastante chato. O que me irrita mesmo é que tem uma estação da linha verde do metrô sendo construída aqui do lado, bem, bem pertinho, super “mão na roda”. Mas, como Murphy impera, é claro que quando a estação ficar pronta eu já vou ter me mudado daqui. FOM!

Sei lá, enquanto eu não mudo, vou fazer um curso de jardinagem, porque um bebê está fora de cogitação. Só que mais legal que isso tudo, na verdade, seria ter grana pra me auto-bancar sendo vizinha de parede do Starbucks. Ou de qualquer coisa. Eu iria à falência, mas moraria feliz. 8)

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Postado por loverox

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Sobre a autora: Fernanda Pineda Vicente, também conhecida como @loverox, 23 anos, São Paulo. Produtora e atriz, formada em Rádio e TV pela Faculdade Cásper Líbero em 2009 e pelo Teatro Escola Macunaíma em 2008. Apaixonada por cinema, música, moda, nerdices e gatos, adora postar por aqui achados e descobertas na web e na vida real.Veja o perfil
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