
foto que tirei da vista da sacada num pôr-do-sol inspirador.
A vista é linda, mas e aí?
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Eu odeio morar aqui. Não odeio morar em São Paulo, porque eu amo São Paulo, do fundo do coração. Eu odeio morar aqui, e não porque moro na Móoca e não nos Jardins. Eu gosto do meu bairro (que não é bem a Móoca, mas é do lado da italianada e do Ipiranga). Gosto das pessoas gente boa que têm aqui, gosto do fato de ter bares e restaurantes bacanas por perto sem ter que pagar o dobro do peço só por estar no Itaim.
O problema é que eu não aguento mais meu prédio. Eu não suporto mais a calmaria. Tudo que eu queria, ao invés de passarinhos cantando na minha janela, era um Starbucks na mesma rua. Ou um Fran’s Café. Ou um Vanilla. Ou qualquer coisa. É claro que ter um café bacana e passarinhos cantando na janela é melhor ainda, mas em São Paulo é bastante difícil ter os dois ao mesmo tempo.
Eu queria poder sair da portaria do prédio e andar um quarteirão apenas para estar na civilização, ao invés de ter de pegar o carro e andar meia horinha. Meia horinha é perto, mas esses 30 minutinhos te inibem de pegar o carro e ir de fato até a civilização. Pegar o carro e andar 10 minutos até o Fran’s mais próximo (na Móoca) é uma possibilidade, claro, principalmente porque agora eu dirijo mermo (batam palmas pra mim!). Mas pensa como não é mais gostoso andar a pé por 5 minutos, sem correr o risco de demorar o dobro do tempo por ter encontrado uma carreta quebrada na avenida principal? …
Meu prédio. Meu prédio tem poucas famílias, menos de quinze, o que te deixa a vontade para pegar o elevador de pantufas ou tomar a liberdade de buscar coisas esquecidas no carro de pijamas. Mas como a lei de Murphy impera no recinto, é óbvio que eu vou encontrar o único cara em idade sexualmente desejável do prédio inteiro bem quando eu for buscar a pizza com a pantufa das Powerpuff Girls. Ou então, sei lá, é óbvio que eu vou encontrar a patricinha do edifício junto com os amiguinhos dela bem na volta do pilates – cansada, descabelada, sem maquiagem e com calça velha (tipo, oi? Não é academia-fitness-style. É exercício de baixo impacto e muita concentração).
Ah, sabe? Eu queria morar perto da Paulista. Na Vila Mariana. Na Aclimação. Sei lá. Queria estar perto de alguma coisa, e não só de um monte de pracinhas. É claro que é bacana, mas eu odeio jardinagem, não tenho um cachorro grande (mas teria, também gosto de cachorros!) e muito menos um bebê, logo… Não tem graça.
Se eu for pensar bem, eu não devia reclamar, é claro. O bairro é bacana. O bairro é tranqüilo. Tem um puta parque aqui do lado. A população, no geral, é ok. Mas essa tranqüilidade toda me dá calafrios. Me arrepia até a alma. Me entedia de segunda a sexta, e muito mais no sábado e no domingo. É como se eu tivesse mais emoção em frente ao computador do que colocando o pé na rua – e, de fato, eu tenho.
Mas o que mais irrita não é nem o meu quarto de Fernanda versão 10 anos, embora isso seja bastante chato. O que me irrita mesmo é que tem uma estação da linha verde do metrô sendo construída aqui do lado, bem, bem pertinho, super “mão na roda”. Mas, como Murphy impera, é claro que quando a estação ficar pronta eu já vou ter me mudado daqui. FOM!
…
Sei lá, enquanto eu não mudo, vou fazer um curso de jardinagem, porque um bebê está fora de cogitação. Só que mais legal que isso tudo, na verdade, seria ter grana pra me auto-bancar sendo vizinha de parede do Starbucks. Ou de qualquer coisa. Eu iria à falência, mas moraria feliz. 8)