American hipsters estão órfãos ou não?

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de hipster a cheerleader em 12 meses

No meio do ano passado, uma notícia abalou o mundinho hipster: a American Apparel anunciou uma dívida absurda de U$120 milhões e declarou que não saberia se conseguiria se manter pelos próximos 12 meses.

Aparentemente, a estratégia de fazer só propagandas diferentonas, descoladas e com “beleza real” não pagava as contas, especialmente quando o estilinho hiper moderno propagado pela loja passou a ser ridicularizado na mídia. Ainda estamos dentro do prazo dado pela marca e acaba de sair uma nova campanha, fotografada por Tony Kelly.

As fotos são lindas e, apesar de não mostrarem os produtos mais usáveis da loja, já trazem um outro espírito, num claro reposicionamento de marketing.

Agora o clima é um pouco mais  cheerleader-modinha e um pouco menos “somos legais demais pra você”:
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Será que a grife sai do vermelho? Não sei, mas estarei torcendo. Básico bom é sempre bem vindo! 8)

Enfim, Madonna.

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Quase um “Enfim, sós”, com direito a final feliz e musiquinha fofa mela-cueca, mas, babies, estamos falando de Madonna, a mulher que fica com Jesus enquanto nós mortais simplesmente “ficamos com Deus”. Praticamente um incesto midiático pop-culturalizado, que só faltou ser agitado pelo Espírito Santo.

Eu não chorei. É, eu não chorei. Quando a diva das divas (sim, esse será um texto brega, extremamente egoísta e nada imparcial) surgiu em seu trono auto-proclamado e estupidamente merecido, as lágrimas encheram meus olhos. Eu segurei, segureeei e a loira abriu a boca, estirou os músculos e, OMG, que bunda! Que energia, uhu! Lágrimas onde, mesmo?

Foi bem por aí. Depois de um set deprimente do tal dj Paul blablablabla, chorar estava fácil, principalmente porque depois de horas de espera soava uma música boa e ao vivo em meus ouvidos. Porque sim senhores: Paul etc. não estava tocando ao vivo. Ao vivo? My ass! Playback de dj não dá, néam? Bom. Sem contar que ele cortou Justice pra botar O Rappa e conquistar o público brazuca, mas infelizmente ele não foi bem assessorado o suficiente para saber que quem curte Madonna aqui no Brasil tá, tipo, cagando pra O Rappa. Então, Madge, ficadica: trocar o DJ da abertura, se essa turnê for continuar (há boatos que SIM). 8)

O show segue. Depois de “Candy Shop” temos “Beat goes on” e, em seguida, “Human Nature”. Eu gritei quando vi a Britney no telão. Desculpa, foi emocionante demais. Além de bancar a baratinha tonta no elevador, Brits encheu a tela, sorriu, fez cara de safada e terminou a música para a Madge com “It’s Britney Bitch!”. Delicious. Isso, claro, depois da rainha ter gritado “I’M NOT YOUR BITCH” no microfone. Arrepiante.

Em seguida, “Vogue”. Eu adoro a música, mas confesso que não gostei da versão que Madonna fez para o show, com alguns samplers de “4 Minutes”. Mas ok, eu superei com a troca de roupa. Ao som de “Die another day”, os dançarinos fizeram uma performance linda de boxe, toda coreografada. Isso é dificílimo de fazer e, putz, todos os dançarinos deram uma lição de consciência corporal. Fiquei besta. São praticamente atletas, dançarinos de primeira.

Madonna volta ao palco com a roupinha fofa (a jaquetinha, o meião). Pulando corda, fazendo pole dancing e o diabo. Ela imenda “Into the Groove”, “Heartbeat” e “Borderline”, fechando com “She’s not me”. Eu a-mei. É nessa hora em que ela coloca os óculos escândalo Moschino e sai fazendo a festa nas bailarinas vestidas de, tcharam!, ela mesma.

Quatro versões antigas de Madonna são traduzidas nas dançarinas: a versão “like a virgin”/boytoy, a “material girl”, a Madonna de “Justify My Love” e o look peito-pontudo da Blonde Ambition Tour. Eu que já adoro a música, posso dizer que babei na performance. Para quem não sabe, “She’s not me” é uma das melhores músicas de Hard Candy e conta a história de uma garota que acaba de perder o namorado para outra. Só que essa vadia nova não passa de uma cópia mal feita dela mesma, porque a dita só sabe copiar a ex do cara em tudo.

Aí, pronto: lá estava Madonna cantando à toda e soltíssima – ou, enfim, estava extremamente bem coreografada para parecer tão solta. Ela corria pelo palco fazendo o que bem entendesse, divertindo-se e destruindo aqueles pequenos ícones de seus eu’s antigos, porque, afinal de contas, elas não são mais a Madonna: they’re not her.

Acho foda quando um grande artista tem a chance de se revisitar e ela certamente pode fazer isso, aproveitando, é claro, para reviver momentos polêmicos, já que esse beijinho na virgin não é nada mais que um flashback do beijo na Britney no VMA. Ok, beijou a Aguilera também, mas o bafão maior foi em cima da “princesinha”, é claro.

Mais uma troca de roupa e temos “Music”, um remix de “Rain” com “Here comes the Rain”, do Erasure, e depois poesia pura em “Devil woudn’t Recognize you”. Madge toma chuva digital em cima de um piano de calda com direito a capuz do tinhoso. Máximo.

É só tirar o casaco e temos cores, finalmente. Madonna com lenços coloridos segue para uma parte mais caliente do show, com “Spanish Lesson” e “La Isla Bonita”, que eu adorei, apesar das musiquinhas ciganas no meio. Aliás, “La Isla Bonita” é uma das minhas canções favoritas ever da Madonna. Ela está, tipo, no top 20 da minha vida.

Com este figurino, ainda temos outros momentos água com açúcar do show, como na interpretação de “Miles Away” ou na música ganhadora do Oscar de melhor canção por Evita, “You must Love me”. E, nessa hora, minha mãe diz com o binóculos na cara: “nossa, ela tem uma voz bonita, hein? o.O”. É, ela tem.

Entre estas canções ela diz coisas fofas sobre o Brasil, a latinidade, esse público maravilhoso, esse calor humano todo e etc. E, bem, foi aí que ela prometeu voltar logo para cá e disse que nós fomos a melhor platéia de toda a turnê. Não esqueceremos disso, Lady Madonna.

Para finalizar o show, um bloco de tirar o fôlego, em que eu devo ter pulado e pisado no pé da  Lia umas 50 vezes: “4 Minutes”, com Justin e sua perfeição quadruplicada em todos os telões e telõezinhos em tamanho real; “Like a Prayer”, em que o estádio veio abaixo com to-do mundo cantando feito maluco como se o mundo fosse acabar ali; “Ray of light”, com guitarrinha pesada by Madonna (excelente versão!); “Hung Up”, no mesmo clima Hard Rock; e, por fim, a maravilhosa, perfeita, absurda versão de “Give it to me” com quase 9 minutos de duração.

Eu morri com “Give it to me”, berrei e não quis que o refrão acabasse. A versão ficou perfeita e era Madonna indo embora do palco. Indo embora e deixando os telões cor-de-rosa com um GAME OVER gigante.

Ao sair do estádio, fiz uma pequena parada e comprei algumas coisinhas na loja oficial. Assim, só para deixar a Madonna mais rica e contibuir com a mesada da Lourdinha, de forma que ela possa comprar mais biquínis da Osklen na próxima vinda ao Brasil.

É. Barato não foi e, como eu pago meia-entrada,  gastei mais com os mimos do que com meu ingresso anti-muvuca na arquibancada azul. Tudo bem. Só tem loja oficial quando tem Madonna e essa delicinha de short 100% algodão é American Apparel, o que torna tudo supercool. E o óculos é uma réplica ahazante. Vou levar pra Europa só pra tirar fotos metidas na torre Eiffel, okay? … (parei! hehe)


Depois de tudo isso, eu só posso declarar três coisas e indicar uma quarta coisa:

1. Eu amo muito mais a Madonna agora.
2. Volta logo mesmo!
3. A mulher é foda.
4. Quem não foi e quer sentir o gostinho, veja as fotos e vídeos no Madonna Online (eles fizeram um excelente trabalho!) e confira a versão studio das músicas do show! Alguém postou as músicas na comunidade brasileira da turnê no orkut e a Flávia Durante foi fofa e agrupou tudo num pacotão e upou no sharebee. Confira aqui os links para download!

Agora eu vou embora para o Natal. Se a internet wireless de Ubatuba permitir, darei sinais de minha existência com alguns outros posts que estão aqui na cabeça. Mas, se eu não voltar tão cedo, Feliz Natal para todos vocês, muito presente e muita, muita comida, para que todos nós comecemos fevereiro bem culpados e suando na academia, já para cumprir as resoluções de ano novo. E eu, é claro!, estarei lá, mas de shortinho by Madonna. 8)
Beijinhos!