“Como Ter uma Vida Normal Sendo Louca”: um guia incorreto para enfrentar qualquer parada

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e quem nunca passou por isso?

Um manual para você que quer ser alguém na noite sem ter histórico cool favorável. Um guia para quem precisa se livrar de gente chata usando mentirinhas elegantes. Um apanhado de dicas para viver bem acima do peso e muito abaixo do orçamento sem ser crucificada. Foi isso que a apresentadora Jana Rosa e a escritora Camila Fremder produziram juntas: um livro cheio de conselhos para lidar com situações ingratas que acontecem com (quase) toda mulher na casa dos 20.

“Como Ter uma Vida Normal Sendo Louca” tem um humor ácido que vai te fazer rir bem alto, tudo porque mistura conselhos realistas do tipo “fake it ‘til you make it” (engane até você conseguir), mas também conselhos ainda mais loucos que a própria situação da vítima. Afinal, que tal se livrar do vexame de uma foto feia na Internet dizendo que vai embarcar para a lua com a Nasa semana que vem? Super coerente se for pra rir, é claro. rs

Com pouco mais de 200 páginas e uma lista bem grande de pedidos de desculpas aos malas citados no texto (inclusive blogueiras e pessoas inconvenientes com metabolismo rápido), o livro é perfeito para ser devorado na areia da praia neste verão. Enquanto você presta atenção nas descrições super detalhadas dos casos (com nomes e tudo – tipo, astróloga/numeróloga chamada Núria), a dupla de autoras coloca uma piadinha leve. Uma piadinha maior. Um absurdão que vai fazer até o tio do coco rir da sua risada.

Talvez eu só não tenha me divertido muito no capítulo sobre dietas. A descrição do problema foi real até demais, e as dicas não foram tão loucas o suficiente para me fazer rir. Difícil fazer humor com dieta. “Largue seu casaco PP no carro de um amigo, para que todos vejam o quanto você está em forma” – é tão absurdo que consigo imaginar alguém fazendo isso de verdade.

Em todo caso, o capítulo sobre como enfrentar o ridículo reencontro de 10 anos do ensino médio compensa qualquer mal causado pelo capítulo da malhação. Me sinto devidamente preparada para lidar com esse churras maravilhoso que deve acontecer em minha vida em breve. Preciso falar mais? Livro devidamente recomendado!

 

“It”: o livro-diário da garota Alexa Chung

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Alexa Chung e seu livro, “It”

Antes de ganhar uma bolsa com seu nome e sentar na fila A dos desfiles que importam, Alexa Chung era uma simples modelo que escondia o sobrenome chinês e se apresentava para testes com camisetas de dinossauro. É essa uma das coisas que ela conta em seu primeiro livro, “It”.

Mistura de confissões aleatórias com referências de moda e beleza, o livro de tecido rosa surgiu a convite de uma editora. A garota-fenômeno hesitou, mas não desistiu. E tão aí 192 grossas páginas com fotos interessantes e a tentativa explícita e bem-humorada de Alexa mostrar que é só mais uma garota comum. Mas uma garota, há de se dizer, com boas referências, beleza, altura considerável e porte físico “bem aceito”.

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Em “It”, Alexa prova que não tem apenas um bom faro fashion, mas que sabe justificar muito bem suas escolhas através de um punhado de imagens bem gravadas na memória. Coisa rara em dias que estilo é sinônimo de dinheiro. As referências vão desde filmes antigos e rock stars até o próprio avô chinês, que não aceitava vestir qualquer coisa. Diz ela que o avô e as aulas de equitação na infância foram elementos essenciais para suas escolhas até hoje. Fora isso, ela cita alguns ícones de estilo absolutamente improváveis, como Jeremy Irons e suas camisas amassadas (!). Para quem curte o estilo boyish, aliás, o livro é realmente um prato cheio. 

Além de falar obviamente de moda e de sua experiência em dividir a primeira fila com Anna Wintour, a it girl dedica boas páginas a falar sobre sua experiência com pés na bunda e sobre o quanto ela adora música, músicos, karaokês e até o estilo das groupies dos anos 1970, verdadeiras mestres em se vestir “em camadas”. Não por acaso, é bem provável que o episódio de coração partido que ela tanto cita deva ter sido o término com o cantor Alex Turner, do Arctic Monkeys. É um momento do tipo “entendedores entenderão”.

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Leitura leve, livro para abrir e rever de novo os causos e conselhos simples da apresentadora que quase ninguém lembra que é apresentadora. E, sim, lá no final do livro ela dá as dicas dela para tirar uma selfie perfeita.

No fim, em sua tentativa de parecer uma garota “simples” e descomplicada, Alexa parece agora um pouquinho mais especial para mim. A obra direta, despretensiosa e cheia de bom humor cumpriu seu papel. Simpatizei.

Comprei o meu livro na Amazon; chegou em 10 dias.

“A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista”: sucesso coração quentinho pronto para o cinema

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“A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista”: coração quentinho para este inverno!

Um livro perfeito para rechear uma tarde geladinha de julho, com uma boa xícara de chá do seu lado. Foi essa a situação perfeita que imaginei para curtir o livro “A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista”. Com leitura rápida e leve, as 224 páginas escritas por Jennifer E. Smith passam voando e são estrategicamente planejadas para derreter jovens corações, falando de relacionamento familiar, perdão e, claro, amor à primeira vista.

Uma série de coincidências no aeroporto de Nova York faz com que os jovens Hadley e Oliver se encontrem e passem a aguardar juntos seu embarque para Londres. Ela tem o casamento do pai com outra mulher, ele tem uma misteriosa cerimônia para ir. Como uma coincidência só é bobagem, uma rápida troca de assentos também coloca os dois lado a lado por mais 7 horas cruzando o oceano, rumo a reencontros doloridos.

O título já deixa bem claro o que está prestes a acontecer e este é um dos livros que a gente lê para saber o “como” e não o “o que”, mas não se espante se após a leitura você sentir que o verdadeiro “romance” está entre a protagonista e o pai prestes a se casar novamente. A adolescente tem tanta coisa para resolver com a figura paterna, que realmente seria impossível que ela assumisse qualquer relacionamento sério antes disso. E é claro que tudo acontece com um passo de mágica quando ela finalmente abre seu coração!

A narrativa despretensiosa vai e vem com flashbacks que trazem ar puro para a claustrofobia do avião e para o estado de espírito da loirinha estudante e do jovem universitário inglês. Fãs de literatura, os dois têm diálogos cheios de referências, mas que acabam ficando levemente perdidas diante da inocência da dupla. Apesar do encontro inusitado lembrar bastante a situação do filme “Antes do Amanhecer”, as citações a clássicos infelizmente não contribuem de fato para a história. É uma estratégia um pouco manjada para agregar valor ao próprio texto, assim como é manjada a estranha sensação de intimidade que os dois meros desconhecidos sentem, facilitando bastante as coisas. Mas assim está escrito e assim diverte, não dá para negar.

Traduzido para mais de 30 idiomas, o livro deve virar filme em breve. Segundo informações da editora, a produção acredita que o roteiro pode render um “Harry e Sally” para esta geração – e tá aí, é uma obra praticamente pronta para ser filmada. Com descrições meticulosas e diálogos sensíveis -especialmente entre a protagonista e o pai-, a história promete encantar ainda mais.

Veja o booktrailer oficial: 

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“S.E.G.R.E.D.O”: filho único da febre “50 Tons”

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“S.E.G.R.E.D.O”: 10 fantasias e muito auto-conhecimento

Depois da hecatombe literária provocada pela série “50 Tons de Cinza” e seu casal de submissa e dominador, mil e uma outras obras chegaram às livrarias. Já recomendamos aqui uma série de outros livros mais “densos” para quem quer ler sobre sexo, mas eis que vem do Canadá uma obra que se salva em meio a tantos livros escritos à toque de caixa.

“S.E.G.R.E.D.O – Sem Julgamentos. Sem Limites. Sem Vergonha”, de L. Marie Adeline (pseudônimo de Lisa Gabriele), foi um dos livros mais disputados da Feira do Livro de Frankfurt em 2012 e depois de lê-lo ficou facil de entender o porquê. Enquanto outros livros repetem à exaustão o encontro da  protagonista fraca (para que qualquer uma possa se identificar) com um parceiro príncipe sedutor, “S.E.G.R.E.D.O” é divertido e vai exatamente na contramão: incentiva  as mulheres a descobrirem o que desejam e a não terem amarras para realizarem o que querem na cama.

O romance conta a história de Cassie Robichaud, uma jovem viúva que vive em New Orleans e trabalha em um café numa região turística. Depois de cinco anos sem ter qualquer tipo de relação sexual, ela é escolhida para participar de uma espécie de irmandade secreta que ajuda mulheres a se conhecerem melhor e a alcançarem a libertação sexual através de uma série de 10 passos e fantasias. Tudo é registrado em uma pulseira recheada de pingentes e os homens escolhidos para realizarem estas noitadas são meros desconhecidos, alguns apaixonantes, outros simplesmente perfeitos apenas para uma noite só – coisa que, segundo o grupo, toda mulher deve entender.

“Eu estava sozinha, em um bar, pensando em tirar minha calcinha porque um homem jovem e gostoso havia me pedido que o fizesse. E se eu fosse pega? Certamente eu seria expulsa por comportamento lascivo. Tentei lembrar qual era a calcinha que eu usava. A tanga preta. Simples, sedosa. Como deixar uma calcinha escapar em público, sem ser notada, não era algo que eu tivesse aprendido com escoteiras”

Trecho de “S.E.G.R.E.D.O”, de L. Marie Adeline

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Embora você possa ter seu favorito, neste livro os caras realmente não importam: importa apenas o desejo de uma mulher que está aos poucos aprendendo o que gosta. A identificação é apenas com a rotina de descobertas da personagem, que está sempre amparada por outras mulheres e por um sentimento bonito de parceria que se estabelece com as participantes da organização. Não é nem de longe uma virgem indefesa, mas sim uma mulher de 30 e poucos que tem muito o que aprender com o tempo perdido num casamento dramático.

Com 215 páginas e fantasias que agradam todos os gostos, “S.E.G.R.E.D.O” tem muito menos enrolação que “50 Tons” e Adeline traz um repertório muito mais interessante e menos machista que E.L. James. Apesar de não ser uma literatura densa, é um livro quente, descompromissado e fácil de ler, boa pedida para quem quer “se iniciar” no assunto e ótima sugestão para mulheres que acabaram de sair de um relacionamento ou que precisam aprender a se relacionar de forma mais livre – sem julgamentos, sem limites, sem vergonha.

É fácil de imaginar as aventuras da garçonete Cassie indo parar no cinema e o cenário para isso é perfeito: a cidade de New Orleans apimenta um tanto a história e, ao invés de desejar um Christian Grey, você vai é desejar viajar para a cidade nas próximas férias (especialmente solteira! rs).

Para sentir o clima do livro, deixo aqui o book trailer oficial:

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Kate Moss faz caridade lendo “50 Tons de Cinza”

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Kate Moss: reacendendo a chama de “50 Tons de Cinza”

Quando a gente pensava que o hype tinha acabado,  vem ela, justo ela, e pá: Kate Moss resolve ler “50 Tons de Cinza” numa rádio ao vivo, com direito à interpretação picante e tudo mais.

A brincadeira rolou num programa matinal da Radio 1 de Londres nesta quinta-feira (14). Se o programa conseguisse arrecadar 200 mil libras para uma instituição de caridadethe one and only Kate Moss leria um trecho da obra picante de EL James.

E não é que eles conseguiram? Bem, quem ouvia a rádio àquela hora presenciou exatamente isso aqui:

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– Esquentou aí também?

Literatura erótica além de “50 Tons de Cinza”

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Perto do Natal entrei numa livraria e não dava jeito: eram milhares de mulheres carregando, orgulhosas, suas caixas com a trilogia “50 Tons de Cinza”. Algumas compravam pra presente, outras estavam se presenteando e muitas outras estavam com um olho no peixe e outro no gato, já que milhares de outros livros do gênero brotaram nas prateleiras prometendo mais do mesmo.

foto de Natalie Dybisz

Apesar de me divertir bastante com o hype e de ter devorado o primeiro livro da série, confesso que já não agüento mais a escrita de E.L. James e, mesmo querendo saber o final da história, empaquei nos “Mais Escuros”. Estou insistindo na trama, mas não tem como não ficar ansiosa pelo momento em que o texto vá evoluir – e isso nunca acontece. Aliás, a probabilidade do filme ser melhor que os livros é bem alta nesse caso.

“50 Tons” é entretenimento puro, é claro, mas dá pra ter entretenimento com muito mais qualidade, obviamente. Por isso resolvi puxar da memória outros livros do gênero que já li e recomendo muito mais que esse erotismo fast-food. 

– “A Casa dos Budas Ditosos”, João Ubaldo Ribeiro

Uma senhora de 68 anos grava uma fita narrando suas aventuras sexuais desde a infância. O relato é libertário, cômico e excitante, mas misterioso. O autor diz que recebeu uma gravação real e apenas transcreveu. Acreditando nisso ou não, o livro merece ser lido e chegou a virar monólogo com Fernanda Torres em cena.

– “Cem Escovadas Antes de Ir Pra Cama”,  Melissa Panarello

O livro é um relato autobiográfico de uma jovem italiana que resolve descobrir o sexo entre os 15 e 16 anos. Ela mergulha de cabeça em sua busca, descobre o amor, se rende ao prazer e também ao sofrimento. O livro ficou famoso em meados dos anos 2000 e acabou ganhando uma adaptação catastrófica para o cinema, com o nome de  “Cem Escovadas Antes de Dormir”.

– “A Entrega: Memórias Eróticas” – Tony Bentley

Mais um autobiográfico, “A Entrega” é um relato despudorado da descoberta do prazer na submissão. Realista e rico em detalhes, o livro vai agradar a quem ficou com vontade de libertar de verdade a “Anastacia Steele interior”: sem contrato, sem quarto vermelho da dor, só quatro paredes e duas pessoas interessadas. Não concordo com a visão da protagonista e autora sobre muitos assuntos, mas ao longo de sua jornada ela faz afirmações muito pertinentes sobre o universo feminino. Comentei de leve sobre esse livro num texto bem antigo, aqui.

– “Memórias de Minhas Putas Tristes”, Gabriel García Marquez

Um jornalista de 90 anos resolve se dar de presente de aniversário uma noite de amor com uma virgem, que se vende para ajudar nas finanças da família. Ao entrar no quarto ele descobre a garota adormecida e se apaixona. Como dá para imaginar, o livro não é erótico pura e simplesmente, mas sim poesia pura e uma série de reflexões sobre o amor e sobre o sexo de alguém que já se sente no fim de sua vida.

– “Lolita”, Vladimir Nabokov

Cumprindo a cota dos clássicos, este não é apenas literatura erótica, mas sim o relato de uma obssessão e o mais “pesado” desta lista. A história já famosa ganhou duas adaptações para o cinema, uma de Stanley Kubrick em 1962, e outra de Adrian Lyne em 1997. As adaptações são bem diferentes, simplificam bastante a trama e, se você curtiu algum dos filmes, vale a pena ler o original para decidir de que lado você fica.

ps: ainda preciso e quero ler muitos clássicos, como os do Marquês de Sade e “A História de O”, por exemplo. Por isso, essa lista não é nem pretende ser um GUIA, ok? Mas você aí pode deixar sua dica nos comentários! ;)

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