“Entre abelhas”: o surreal está mais perto do que parece

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O filme parece começar como um episódio do Porta dos Fundos na tela grande. Fábio Porchat, check. Luis Lobianco, check. Marcos Veras e Leticia Lima, check. Ah, sim, é um episódio das antigas? Não, passa longe disso, embora a plateia se esforce para rir em todas as oportunidades possíveis.

Fábio Porchat em "Entre Abelhas"

Fábio Porchat investiga quem não enxerga mais em “Entre Abelhas”

Somos apresentados a Bruno, este editor de vídeo que parece ter levado uma vida pacata até o momento. Ele não é particularmente alegre ou particularmente depressivo. Seria assim o famoso cara normal, mas como se separou recentemente, é claro que está mal, como sua mãe resume rapidamente para o espectador tão desatento quanto o personagem pode ser. Acontece que, após uma noitada daquelas, o rapaz começa a não ver mais as pessoas. Ele não vê, não ouve, não percebe. E passa boa parte do filme investigando o porquê.

Em filmes como “Todo Poderoso” ou “Show de Truman”, o sonho de uma outra geração é realizado. O personagem ganha super poderes e pode influenciar todas as pessoas, ou então entra em crise por se sentir observado e julgado o tempo todo. Passando longe de Jim Carrey, Porchat encarna o isolamento social moderno, em que cada um está sentado no topo de seu próprio iceberg e nada pode chegar até lá. O jejum de gente do protagonista só é quebrado com e-mails ou mensagens escritas. Alguma semelhança com a vida que a gente já leva?

Fábio Porchat em "Entre Abelhas"

Enfim, sós.

Embora seja curtinho (dá para sair do cinema querendo mais), o filme joga na mesa essa questão delicada do ficar sozinho na multidão antes de rodarem os créditos. Nenhum homem é uma ilha, mas quem disse que precisa passar pela experiência surreal de não ver as pessoas para ficar imune a tudo o que acontece ao seu redor? Ninguém jamais desejou chegar a este ponto, ao contrário dos sonhos com superpoderes, mas é para onde caminhamos estranhamente, num caminho (talvez) sem volta.

Para quem já sofre de ansiedade em ocasiões sociais e se pergunta se dá para viver total e completamente sozinho para não passar mais por isso, a resposta está no longa e não é das mais animadoras: aparentemente, só é bom estar sozinho quando você está no controle. É um filme que vai fazer você dar mais “bom dia!” para quem às vezes já é invisível: porteiro, cobrador, garçom, caixa do mercado…

ps: para quem procura comédia, vale por na agenda. O filme do “Porta” estreia no fim do ano, ainda sem data confirmada.

A magia do cinema tem nome: chroma key

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Pense no filme mais aguardado do mês: “Os Vingadores: A Era de Ultron”. Agora pense em quanto tempo os atores passaram dentro de um estúdio, cercado por telas verdes e cobertos por roupas esquisitas, cheias de sensores que serão lidos por computadores depois. Pois bem: deve ter sido muito tempo. O filme estreia no próximo dia 22 e é mais um integrante da safra que não é nada sem um bom chroma key.

É chocante ver como foram feitas algumas cenas emblemáticas do cinema contemporâneo e observar como é solitário o trabalho dos atores que ficam, muitas vezes, diante de uma tela colorida e nada mais. São artistas que provavelmente não fazem ideia de tudo que vai vir na pós-produção, e diretores ridiculamente bem treinados e cheios de imaginação, que conseguem saber exatamente aonde cada elemento vai pingar no quadro.  O engraçado é que, mesmo sendo estes os filmes que pagam as contas de Hollywood, as premiações continuam negando a eles suas estatuetas “sérias”.

 “os vingadores” (2012)

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“alice no país das maravilhas” (2010)

alice

 

“a vida de pi” (2012)

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“batman: o cavaleiro das trevas” (2008)

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“o hobbit” (2012)

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“gravidade” (2013)

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“game of thrones” (2011)

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“o senhor dos anéis” (2001)

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Antes de pegar a pipoca para ver a obra de arte digital do mês, também vale rever o making of do primeiro “Vingadores”: 

E se a história de “Frozen” fosse contada por emojis?

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“Frozen” chegou aos cinemas há mais de um ano e ainda assim continua uma febre entre jovens e crianças. “Let it go” virou um hino e as irmãs princesas que se amam são heroínas finalmente respeitadas pela mulherada que quer ver mais sororidade nas novas gerações.

Para continuar surfando o hype, a própria Disney lançou em seu canal oficial uma animação que mostra como seria a história do filme contada por emojis na telinha de um celular – com duração apenas de dois minutos, para alívio dos papais e mamães que precisam ficar vendo o mesmo longa 300 vezes seguidas junto com as crianças. hehe

É uma COISA de tão fofo! Dá o play:

E “Let it go” versão midi? <3 kkk Pra mim só faltou uma selfie de final feliz!

50 Tons de Cinza: 125 minutos para tentar consertar um livro que nasceu errado

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Espera, teasers, trailers, cenas vazadas, mas o que prevíamos aconteceu: “50 Tons de Cinza” não é um filme bom. Para as fãs do livro, também não chega a ser ruim, digamos. É tão sutil que não chega perto do estrondoso sucesso causado pelo livro. Livro este que, vamos lá, é bastante “esquecível”, não fossem as cenas de sexo que prendem o leitor na sacanagem e o motivam numa espécie de leitura dinâmica até o próximo encontro.

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– Voltei, mores

Mas vamos ao filme. A trilha sonora é excelente, a direção de arte impecável, há o dinheiro que a inspiração “Crepúsculo” não teve em seu primeiro lançamento e dois atores que souberam segurar a bronca de um roteiro raso e cheio de textos sacais. “Eu não faço amor, eu fodo”: no livro, uma delícia, no cinema, recebido por risadas num cinema lotado de mulheres na meia idade.

o casting

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Falaram que a gente não tem química. Cê acha?

Jamie Dornan faz um esforço hercúleo para dar vida a este homem doentio e perturbado. Ele tem bons cacoetes, olhares muito interessantes, um andar leve com mãos pesadas, mas nada que faça o texto soar mais verossímil, meus caros. E ele é lindo. Mesmo. Tão lindo que infelizmente uma boa parte do público compraria seu trabalho só pela beleza e pelo tanquinho exibido constantemente na tela. Ah, e também pela bundinha, que dá o ar de sua graça por uns 3 segundos e causou gritinhos (altos).

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Paródia com “The Sims” mostra como seria cena do absorvente em “50 Tons de Cinza”

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“50 Tons de Cinza” está cada vez mais perto e a cada dia ficamos sabendo mais sobre o filme, seja através dos clipes da trilha sonora, seja através de entrevistas reveladoras da produção. Desta vez, a novidade “chocante” foi que a direção sequer considerou colocar no longa a passagem do livro em que Mr. Grey remove o absorvente interno de Anastasia para continuar as brincadeirinhas noite a dentro, com o perdão do trocadilho.

The Sims 50 Shades

#chocada

Muitos fãs ficaram revoltados com a decisão da adaptação, mas confesso que: 1 – é irrelevante para o contexto geral do filme e 2 – não se trata de um filme pornô ou gore, logo não há nada de sensual para acrescentar num fiozinho de o.b. sendo puxado e arremessado até o lixo.

Quem ficou se sentindo “órfão”, no entanto, pode aproveitar para ver este vídeo feito por uma fã em 2012. Na paródia, a bendita cena está bizarramente presente, usando personagens de “The Sims” como Ana & Chirstian. Apenas dê o play e reflita: qual a necessidade disso? E passar bem.

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ps: e essas brinks com “Crepúsculo”? Como não amar? hehe

5 coisas que o filme de “50 Tons de Cinza” pode fazer melhor que o livro

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Quando ninguém mais se aguentava de esperar, “50 Tons de Cinza” começou a inundar a internet com trailers chamando para o filme. Foi o campeão de views em 2014 e ninguém duvida que o longa vá levar multidões para o cinema. E acredite se quiser: já falta menos de um mês para a estreia!

Para conter a ansiedade de ver essa história que a gente ama – mas que também ama odiar – listei 5 coisas que o filme pode fazer melhor que o livro. Como sempre acreditei que esse seria um caso de adaptação melhor que o original, estou confiante na produção. Jamie Dornan, tô contigo e não abro: dia 12 de fevereiro estarei com a pipoca em mãos pra te ver! #MrGreyWillSeeYouNow

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1. sem essa de deusa interior

Os diálogos internos de Anastasia Steele são até engraçados no começo do livro. “Deusa interior? haha, da hora”, mas não demora muito para querer amordaçar e dar você uns tapas na deusa interior em posição de lótus dela. Ter que ouvir narrações em off do gênero, comentando sobre ansiedade, tesão ou medo, tornaria os 120 minutos insuportáveis. Torcendo muito para a diretora ser o mais voyeur possível para contar essa história. Nada contra a voz de Dakota Johnson, que fique claro.

2. quem se importa com números?

Enquanto muitos acusam Grey de machista e Anastasia de aproveitadora, eu só consigo acusar a autora de sem noção. Como publicar um fenômeno editorial cuja protagonista passa por todo período universitário sem nenhuma experiência sexual? Isso sim é motivo de indignação, até porque homens machistas e mulheres aproveitadoras existem aos montes e sempre existirão – assim como homens aproveitadores e mulheres machistas também.

Em suas particularidades, Anastasia não precisava ser adepta da vida sadomasô. Não precisava ser experiente. Não tinha que ser manjadora dos paranauês de submissa. O que a Anastasinha precisava é ser menos, ahn… Virgem! Duvido que o longa vá mudar a criação de E.L. James a esse ponto, mas já seria fantástico se eles simplesmente não tocassem no assunto. Mostrar a personagem apenas como inexperiente já tá de bom tamanho – até porque, cof cof, toda ex-virgem sabe que dificilmente vai adorar de paixão sua primeira vez. Só com Anastasia é diferente…? Não criem essa expectativa em milhares de jovens, faz favor.

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