Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, com certeza foi o filme mais aguardado do ano para mim. Desde as primeiras exibições em festivais (leia-se, 2007) que eu estou vibrando ansiosa pela estréia aqui no Brasil. E, ok, confesso, eu já sabia que ia gostar. Só fui ao cinema para ter certeza.

O título é bastante auto-explicativo: em algum momento, um ménage em Barcelona. Não que os mais libertinos possam comemorar, afinal, um sexo a três não é mostrado em momento algum, porém o relacionamento tripartido acontece, sim. Durante um verão.
Em Vicky Cristina Barcelona (assim mesmo, sem vírgulas), duas amigas norte-americanas viajam para a Espanha em busca de sexo ardente e bodylanguage diversão e do bom e velho turismo. Vicky, interpretada por Rebecca Hall, está noiva e aproveita a viagem para analisar os costumes e a arquitetura local, já que está fazendo mestrado sobre a cultura catalã e, assim que voltar ao país, irá se casar.
Enquanto isso, Cristina, vivida pela musa do diretor, Scarlett Johansson, só quer relaxar e buscar inspiração para se expressar artisticamente, seja como for. Mais uma vez ela dá vida às artistas frustradas que brotam da mente de Allen, mas esta é mais doce e menos mesquinha do que Nola Rice, sua personagem em Matchpoint (2005).

Elas se hospedam em Barcelona na casa de uma conhecida e começam a freqüentar festas e vernissages da “alta” da cidade. Numa destas, ouvem uma fofoca sobre Juan Antônio, pintor que teria batido na esposa, seria conturbado e violento, etc. Nada disso. Juan é ninguém menos que Javier Bardém e ele não passa de um pintor extremamente criativo com uma bela ex-mulher de personalidade forte, Penélope Cruz. O problema é que ela não é apenas uma ex, mas sim um fantasma bem vivo.
O relacionamento entre as amigas e ele incia-se de uma forma um tanto latina e caliente e esfria para depois esquentar e não parar mais, dando apenas pausas para momentos de ternura-turística. Isso tudo até que a ex-mulher aparece, linda, imaculada e quase morta, de fato.
Quanto à Rebeca Hall, eu passo. Achei sem sal (ela e a personagem, Vicky). Ela traz um drama absolutamente pertinente: a da mulher correta e metódica, que encontrou o “homem certo” e está prestes a se casar, mas que, de repente, tchibum! Um balde de água fria em todos os seus planos. Sabe aquela típica história de noivas que a gente ouve na manicure e pensa “Gente, imagina?!” ? Pois é, é a história da pequena Vicky, só que não envolve despedida de solteiro.
O drama de Cristina já é bem outro: ela sabe o que não quer e acredita que isso é o suficiente. Seu maior problema é querer se expressar, mas artisticamente, de preferência. O problema é ela não tem a menor fé no próprio talento, o que faz sua admiração por Juan Antônio ser ainda maior, afinal, ele é um artista. E vive disso.
A química de Scarlett com Javier é absurda. Ele sujo, rústico, e ela uma princesinha loira e jovem-que-tem-muito-o-que-aprender. Uma mistura que, aliás, me lembrou muito Clive Owen e Natalie Portman em Closer (2004), mas essa é outra história. A questão final é que Johansson nem está absurdamente sexy no filme, ela está linda e isso basta. Woody Allen deixou Penélope Cruz à cargo da sensualidade.

Que delícia vê-la atuando! Brigando em espanhol, xingando de hijos de puta todas as gerações de seres vivos e, em seguida, acrescentando em inglês para a pequena Cristina, que não fala espanhol: “I’m sorry, I’m nervous today. I had a bad dream.” Assim, calmíssima. É. Devemos a Woody Allen uma Penélope ainda melhor que em Volver (2006), de Pedro Almodóvar.
Com verdadeiras pinturas na tela, Woody Allen conseguiu mostrar um choque de culturas possível ainda hoje, em tempos de globalização and all that shit. Um choque absolutamente poético (e caliente), visto pelos olhos americanos-english-speaking - o que é ótimo: ele não se atreveu a dar o ponto de vista espanhol.
Para completar essa misturinha goxtosa, cenas como as de Scarlett fotografando Penélope são puro deleite. Para as moças, Javier Bardém sujo de tinta até os cabelos e de óculos de aro grosso já é mais do que suficiente: vale o filme. Tá, não só o Javier Bardém sujo de tinta vale: Penélope vale. Ela merece uma justa indicação ao Oscar/Globo de ouro/whatever de atriz coadjuvante.
Todo o longa é conduzido por um narrador que insiste em completar perspectivas das personagens. No começo, achei bastante interessante, principalmente ao descrever a forma de amar de ambas as mocinhas - que pode ou não mudar depois desta viagem muito mais que turística. Porém, já no final, eu quis mandar o narrador calar a boca para prestar atenção na trilha sonora, que é belíssima, e para, enfim, tirar minhas conclusões, sem ninguém pra conduzí-las.
…. Antes que me perguntem: sim, Penélope e Scarlett se beijam. E não, não achei grande coisa. Woody Allen pesou no erotismo do mise-en-scène, do clima da cena, mas não nas atrizes. Portanto, posso dizer que já vi beijos “do gênero” melhores no cinema. Esperava mais.
ps: sim, eu fui ao cinema só para confirmar que iria gostar e, de fato, confirmei. É a típica história simples que me atrai, que pode acontecer com qualquer um. Num verão espanhol.

Leia também:

Algumas imagens falam mais do que mil palavras, mas como eu sei que sempre tem uma meia dúzia de míopes, vou traduzir!
Antes que seja tarde é minha peça de estréia no circuito profissional de teatro de São Paulo. Todos os domingos, 13 atores e eu estamos apresentando diversas sketches teatrais baseadas na corrente psicológica da Gestalt. Se você não sabe o que é, dá um google. O importante mesmo é que as cenas são ótimas, indo da comédia ao drama, com direito a chá e biscoitos em todas as sessões. (Deliciosos, recomendo. Nossos patrocinadores arrasaram!) E, claro: quem for, tem direito a me conhecer, tirar fotos, pedir autógrafo, tomar uma cervejinha comigo.
Serviço:
Direção: Dan Rosseto
Elenco: Alessandra Parucci, Andrea Carvalho, Fernanda Pineda, Gilcimar Santos, Ítalo Sena, Lauanda Varone, Lô Carvalho, Malu Vanzelli, Rafael Sola, Raphael Macedo, Rodrigo Marcos, Sônia Pineda, Vagner Valério e Weider Resgate.
Data: todos os domingos, até 30/11/08.
Horário: 15hs
Entrada: R$ 10,00 (preço único)
Recomendação: 16 anos
Duração: 70 minutos
Local: Espaço Magma - Rua Aspicuelta, 227 (Vila Madalena)
Capacidade do Espaço: 32 Lugares
Informações e reservas: Espaço Magma - (11) 3816-5816
Para quem for mão de vaca e não quiser gastar R$20,00 indo e levando um comparsa, acesse o Ondequando.com: tá rolando promoção toda semana por lá até o final da temporada! Quem for, aguarde até o final da apresentação, que nós todos saímos para dar um olá e papear (e ir pro bar).
ps: A peça saiu também na Veja São Paulo e em outros sites, mas quis manter o padrão só de jornais.

Leia também:
… Porque eu peguei a Radial Leste dirigindo pela primeira vez (e dirigi mais do que em toda minha vida);
… Porque eu me bronzeei;
… Porque eu começo aqui uma etapa muito especial;
… Porque comprovei que eu realmente sei muita coisa;
… Porque foi um domingo incrível de 12 horas de gravação do meu primeiro grande curta-metragem totalmente elaborado, de fio a pavio. Pouco me importa se isso é interessante para vocês, o fato é que hoje foi a minha primeira grande gravação e eu quero guardar isso pra sempre. E, bem, queridos: as primeiras 12 horas de claquete, gritaria e correria você nunca esquece. Principalmente se você acumular as funções de produtora executiva, diretora de elenco, contra-regra, diretora de cena e acabar dando pitacos na continuidade. Tudo-ao-mesmo-tempo.

Cena 12, take 5.

Cena 12, take 5. Ainda.

Vendo a continuidade e explicando a ação para os atores (e para nosso extra especial, Gravata).

Preocupada. Olha essa cara!
Alías, só suportei essa data ridícula nas fotos porque quero realmente guardar este dia. Além disso, mamãe quem pôs (típico, não?). Mamãe fotografou, ajudou e ainda deu pinta de figurante. Para quem não sabe, ela também é atriz, só que neste curta eu só tinha papéis masculinos, então ela apareceu apenas pra dar uma mãozinha no segundo plano… Muito obrigada, mãe!
O nome do curta? “Destino: sub.; masc.”, em breve no youtube: em teasers e em trailer, com participação especial do meu querido Gravataí Merengue . Aguarde.
ps: Exatamente semana que vem terei mais um dia especialíssimo na minha vida: estréio no teatro profissional, com direito à Guia da Folha e tudomais. Já falei que se sair naquela revista reaça semanal na Veja, eu vou me achar, vou recortar, escanear e mostrar por aí. Dá licença que eu to passando, tsá?! E divulgo tudo aqui, é lógico.

Leia também:

Eu sou fã. Sou fã da obra de Lewis Carroll, sou fã das ilustrações dele. Sou fã do Tim Burton e da sua maluquice poética. Sou louca pelo Johnny Depp e admiradora fiel do trabalho dele. Agora, eis que a Disney finalmente irá lançar uma versão cinematográfica à altura da obra literária e com ninguém menos que o diretor mais indicado e mais suficientemente genial para isso. “Alice no País das Maravilhas”, por Tim Burton: como eu poderia não falar?!
Tim Burton é famoso pelos seus filmes nonsense, muitas vezes com um mórbido bom humor, como é o caso de O Estranho Mundo de Jack e Noiva Cadáver. Em 1990, Johnny Depp era um ator que ainda caminhava rumo ao sucesso, com apenas 5 filmes no curriculum. Neste ano, ele e o diretor se conheceram e filmaram Edward Mãos de Tesoura. Daí em diante, os dois colecionam sucessos: Ed Wood, A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, o remake de A Fantástica Fábrica de Chocolate, A Noiva-Cadáver e o musical (excelente!) Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet.
Este ano, Tim Burton começou a filmar “Alice no país das maravilhas” e convidou o ator para a sétima parceria. Johnny Depp irá interpretar “o Chapeleiro Maluco”, a atriz “quasedesconhecida” Mia Wasikowska viverá “Alice”, Matt Lucas estará no papel dos irmãos “Tweedledee” e “Tweedledum” e, completando o elenco, Anne Hathaway, sim! de O Diabo Veste Prada, e Helena Bonham Carter, esposa do diretor e atriz dos filmes Sweeney Todd e Clube da Luta; sendo que Anne será a Rainha Branca e Helena, a Rainha Vermelha.

Já conseguem imaginar Johnny no papel do Chapeleiro?
Apesar de algumas fotos do filme já terem vazado na web, ainda não podemos ver nem as rainhas nem Johnny em cena. Por enquanto, só temos o aviso do diretor de que as rainhas serão algo que jamais vimos antes. E a gente acredita, Tim! Sobre o filme, ele ainda declarou o seguinte ao Sci-fi Wire:
“Nunca vi uma versão de Alice em que eu sentisse que toda a obra original foi traduzida na tela. É uma série de aventuras esquisitas, e tentar fazê-las funcionar como filme será interessante.” [...] “As histórias [de Alice] são como drogas para menores, sabe?”
Agora, quanto à rapariga Alice, pode-se dizer que a atriz acordou com sorte num belo dia! Mia Wasikowska tem apenas 18 anos e nasceu na capital da Australia, Canberra. Atualmente, a garota tem um papel fixo na série In Treatment da HBO e estará em mais três filmes até o lançamento de “Alice…”: Defiance, I have to see that evening sun go down e Amelia.

Mia Wasikowska no set com Tim Burton
Apesar da garota ter um certo quê melancólico de Alice, não me convenci. Ainda acho que Tim Burton deveria ter sido um tantinho mais ousado e finalmente ter colocado uma atriz criança para viver a personagem, coisa que nenhuma das outras versões cinematográficas fez. É difícil pensar que uma garotinha faria tão bem uma personagem tão complexa, uma personagem que, se olharmos bem, não vive os conflitos de uma criança. Porém, Dakota Fanning é uma loirinha que não está de brincadeira e eu realmente acho que ela ficaria ótima no papel, mesmo sendo meio “insuportável”. Mas, bola pra frente: ele sabe o que faz.
Falando um pouquinho mais das escolhas do diretor, o grande quê de “Alice…” será a tecnologia utilizada. O filme entrará para a história das produções em 3d da Disney e utilizará a mesma técnica de A Lenda de Beowulf, que misturou live-action com efeitos especiais e CG. Para quem não viu ou não lembra da cara do filme, dê uma olhadinha no trailer.
Por fim, o que posso dizer? Dizer que o filme estréia em março de 2010 e que até lá eu vou morrer de ansiedade. E depois vou morrer de novo com a direção de arte do filme. Porque, enfim, pode até ser que a versão fique horrível (o que eu duvido!), mas o Tim só manda gente caprichada pra fazer a arte nos filmes dele.
Enquanto isso, ficarei de olho nas fotos do set que forem vazando na web. Quero muito ver o figurino das rainhas e do nosso Johnny, é lógico!
Antes que eu me esqueça! Se alguém aqui também é fã de Alice, veja o photoshoot da Annie Lebovitz para a Vogue, em 2003. No editorial, a modelo Natalia Vodianova fez Alice e posou ao lado de John Galiano, Donatella Versace e outros figurões trajados como as personagens do universo de Lewis Carroll. Imperdível!
Créditos: Alice in Wonderland, Firstshowing.net, Imdb, Omelete, Telegraph, Wikipedia
ps: (pra não perder o costume) a promoção da Puket vai até sexta-feira. Ainda dá tempo de participar!

Leia também:

Shortbus (2006) é um daqueles filmes que você dificilmente esquece, porque gostou, porque odiou, ou mesmo pelas cenas “uncensored”, que ora te chocam, ora te tocam mais até do que você imaginava. O interesse pelo filme começou quando ouvi boatos aqui na faculdade de que ele seria um “pornô engraçadinho”, fora outras pessoas que se disseram chocadas e outras que se referiram a Shortbus como “o filme da japa que não consegue gozar”. Ok, três opiniões bem distintas que já me motivaram a ir ao cinema, especialmente porque era quarta-feira e é mais barato, etc e tal.
Convoquei a Lari para a tarefa e chegamos felizes e contentes na sala do Espaço Unibanco vazia. Quer dizer, vazia, não… Uns sete homens sozinhos estavam na sala e nós duas nos entreolhamos na hora pensando onde estávamos amarrando o burrinho, mas nós somos absolutamente bem humoradas e simplesmente ficamos coradinhas. Sentamos e demos risadas ao longo de todo o trailer (para o desespero dos véios cults). Eis que então aparece uma mulher e um casal e suspiramos aliviadas. O filme começa.
A direção de arte já me deixou de olhos brilhando, principalmente porque ao invés de fazer aquelas tradicionais panorâmicas aéreas de Nova York, o diretor, John Cameron Mitchell, optou por recriar a cidade numa espécie de maquete digital, toda colorida e com cara de Picasso e cores de Almodóvar. Admirei. Através destas panorâmicas, o filme vai mostrando várias personagens diferentes ao longo da cidade: um gay, uma dominatrix e uma terapeuta sexual.
A terapeuta é a protagonista, “a japa que não consegue gozar”, e aparece neste cartaz do filme. Por coincidência, ela começa a atender o homossexual mostrado no início e seu companheiro. Eles acabam levando-a para conhecer o clube Shortbus, um espaço alternativo e democrático, comandado por uma drag queen sensacional, onde toda e qualquer pessoa pode ouvir música, conversar, dançar e fazer sexo livremente. Sim, inclusive orgias.
O filme tem sexo explícito mesmo, logo nos primeiros cinco minutos, além de não nos poupar nem um pouco da intimidade das personagens ou das tomadas destas “dirty rooms” do clube, mas me espantou muito que as pessoas tenham olhado para o filme apenas por este lado. É claro que é incômodo ver tais cenas, principalmente num cinemão - e nessa hora eu agradeço pelo velho que saiu do nosso lado e pela mulher sozinha que sentou no lugar dele e riu tanto quanto a gente. Porém, o filme fala sobretudo de relacionamentos, de pessoas e de como elas são diferentes.

A terapeuta sexual, que tanto dava conselhos, quem diria! Jamais tivera um orgasmo. Ou então o casal gay, que todos julgavam perfeito e que de repente irá se separar ou virar um “triângulo”, impreterivelmente. E, por fim, a dominatrix, que jamais consegue prolongar seu relacionamento com ninguém, nem que esteja recebendo uma grana alta para isso.
É lógico que as personagens são extremamente diferentes do que estamos acostumados a ver e isso já choca o senso comum por si só, mas descontando a primeira aparência, vemos gente comum. Vemos problemas de heteros, homos, bi-curious, seja lá o que for. Por isso vale a pena olhar com calma o filme, nem que for para odiá-lo depois ou para pensar de verdade em quanta gente você já viu com esses mesmos problemas. As cenas de sexo, aliás, são uma diversão à parte. Enquanto tem quem fique sem graça, eu creio que são momentos dos mais naturais do filme, já que elas garantem boas risadas, principalmente por ficarem longe das cenas “perfeitinhas” a la Hollywood ou da hipersensualidade dos filmes pornôs. É realista. Não é só sexo: é vida.
Shortbus também teve bastidores curiosos. Durante a seleção do elenco, o diretor pediu para que os atores contassem, em 4 minutos, experiências sexuais que lhes tivessem sido marcantes, mas bom mesmo é o jeito como ele credita os figurantes no final do filme: ao invés de chamá-los de “extras”, eles são entitulados como “sextras”. Engraçadinho.
O filme tem uma trilha sonora incrível, direção de arte e fotografia que pulam aos olhos e já recebeu alguns prêmios por aí: o prêmio dos produtores, no Independent Spirit Awards (um dos mais importantes festivais norte-americanos de cinema independente) e o prêmio de melhor roteiro e melhor direção de arte no Festival de Gijón, nas Astúrias, Espanha.
Por fim, só posso reafirmar: assistam Shortbus e supreendam-se. Ainda está na dúvida? Veja o trailer.
ps: Promoção da Puket continua!

Leia também:

Acabei de conhecer o portal de design do Senai e recomendo a visita! Mais uma vez eles tomaram frente e lançaram um site super diferente, não só para quem trabalha com moda e design, mas para todos os amantes dessas áreas!
Além de ter um monte de artigos especiais sobre moda e referências para criação, o site tem um portal de notícias bem especializado. Uma das notinhas que me chamou mais a atenção é a de que um brasileiro fará um dos nove filmes publicitários para o novo perfume da Prada, o Inffusion D’Home. Achei fino. Pra frente, Brasil!
Só fiquei triste porque eu queria muito ler as notícias de arte e cultura (*minhacara*), mas tem que ser assinante do site para poder visitar a área. Se bem que, se você trabalha nesse campo, vale a pena, afinal é quase impossível encontrar sites tão especializados por aí, ainda mais com um conteúdo confiável.
Recomendo!
Leia também:
Convide as pessoas para ir ao teatro no sábado à noite. Muitas vão perguntar primeiro o preço. Outras vão querer saber qual “ator conhecido” está na peça. Por último, devem perguntar se é comédia. Mas, na pior das hipóteses, vão dizer: “ah, eu não gosto de teatro”.
Não estou aqui pra obrigar ninguém a gostar, meus caros. Até porque muita coisa não se põe num palco e, realmente, efeitos especiais de cinema são impossíveis de se obter ao vivo. E, obviamente, sou outra cinéfila de carteirinha, mas o que me enoja um pouco é ver gente por aí dizendo que “não gosta” sendo que não conhece.
Provavelmente todos nós tivemos alguma experiência com peças, nem que seja na escola, com teatro de marionetes. Aliás, acho tal iniciativa extremamente importante, até porque, para algumas pessoas, esta será a única vez na vida que terão contato com esse tipo de arte. Não só pela falta de abrangência natural que o teatro tem, já que ele é instantâneo e presencial, quanto pela desculpa do “preço”.
É claro que, se você for olhar bem, teatro custa caro mesmo, se formos comparar que podemos comprar ou alugar um dvd por R$5,00, ou baixar de graça. Mas se você é fã da boa e velha sala de cinema como eu, deve estar espantado com ingressos por aí custando $R20,00. Com esse preço, você consegue sim assistir boas peças e ainda presencia emoções ao vivo.
Sim, o cinema é mágico, é sensacional, eu também acho. Porém, há um diretor gritando ali no fundo para que os atores façam exatamente a coreografia que ele quer. Para quem não sabe, muitos filmes antigos eram dublados, inclusive do mestre Gláuber Rocha - tudo por conta dos comandos do diretor sobressaírem aos diálogos. Essa idéia de “dublar” o filme na pós-produção surgiu do próprio cinema italiano clássico, durante o movimento neo-realista. Em filmes como “Paisá” (1946), de Roberto Rosselini, é extremamente perceptível a dublagem. Recomendo a experiência!
Mas, voltando as emoções ao vivo: o SESC sempre oferece boas opções de teatro e que não são necessariamente “alternativas”, como costumam ser as peças de ingresso mais em conta, geralmente encenadas por companhias mais experimentais, que não visam o lucro como objetivo maior. Aproveitando o ensejo, darei uma dica do próprio SESC, onde estarei na sexta-feira à noite:

Dan Rosseto, ator, diretor e amigo meu, dividirá o palco com ninguém menos que Caco Ciocler em “O Imperador e Galileu“. A peça, inédita no Brasil, é de Henrik Ibsen e estréia sexta-feira, no SESC Santana em São Paulo, por apenas R$20,00. Veja maiores detalhes aqui.
Só lembrando: Ibsen é um dramaturgo dinamarquês que viveu entre 1828 e 1906 e hoje é considerado o pai do teatro moderno. A maior parte de sua obra apresenta uma visão crítica em relação à moral burguesa da época, mas nada de Nelson Rodrigues, aqui a coisa é diferente. Para Ibsen, o mais importante era falar da problemática gerada pela infra-estrutura capitalista e a sua influência no psicológico da época. Traduzindo? Desafio às autoridades e o direito de divórcio à mulher (antes mesmo do século XX).
Bom, acho que vale a pena largar o cinemão e ir até lá curtir uma boa montagem com direito até a ator famoso, não? Depois, se alguém me disser “mas eu não gosto de teatro!”, eu só vou entender se você também não gostar de cinema. Ou se o seu filme favorito tiver ganhado um Óscar de efeitos especiais, oká?
PS: Quer ganhar pares de convites para o Sirena de Campos do Jordão? Vai lá no ELES 3!

Leia também: