Depois dos apps de corrida, vem aí os apps de vagina (!)

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No ano passado, um projeto no Kickstarter bombou e me chamou a atenção: o Skea, um dispositivo e app com jeitão de game pra treinar o assoalho pélvico e, sim!, sua vagina por consequência. Quando publiquei no blog, não dava para saber se ia vingar ou não, mas vingou: não só já foi feito, como 80% dos produtos já foram enviados para felizes donas exercitarem a intimidade com o conforto da tecnologia.

kegelexercises

foto via Shutterstock

Na época, achei que o Skea era um projeto isolado, mas aparentemente há toda uma tendência em torno de treinar a vagina que a até agora gente não vinha notando. Depois dos apps que monitoram sua alimentação, sua corrida, seu sono e até sua felicidade, a vagina parecia um território resguardado da invasão mobile, com exceção daqueles vibradores que dizem dançar conforme a música, se é que me entende.

Mas, com a boa desculpa da saúde, nada mais está resguardado. Apps como o Kegel Camp sugerem exercícios em níveis variados para você treinar o assoalho pélvico sem precisar de parafernalhas extras, sejam elas bolinhas tailandesas, sejam elas bugigangas bluetooth. Nesse aplicativo aí, a voz da expert Emily vai comandando a brincadeira e explicando o que você deve fazer. Mas e se você não estiver fazendo certo? Quem poderá te defender?

o time de treinadores íntimos

Pois é. Os treinadores “old school” colocavam a mão na massa mesmo e orientavam suas pacientes, mas, como você deve imaginar, nem todo mundo se sente à vontade com isso. Da mesma forma que homens evitam exame de toque, nem toda mulher, mesmo com problemas, quer ser “invadida”. Para sanar essa situação, surgiram apps e gadgets como o tal do Skea, que tem um aparelhinho pensado para responder aos movimentos da usuária.

Só que ele já não é o único no mercado: o Minna, o Loop e o Elvie também estão vindo aí, em cores, formatos e aplicativos diferenciados para você escolher.

kegeldevices

Elvie, Loop, Skea e Minna: você usaria?

Os apps são super úteis, se você for pensar. Há alguns anos, falar desse assunto já seria um super tabu, mas que agora está aí em qualquer app store. Os benefícios são vários e reais: um assoalho pélvico fortalecido previne incontinência urinária e prolapso genital (o que chamam popularmente de bexiga ou úteiro caídos), permite melhor suporte dos órgãos, facilita o parto e o pós-parto e ainda ajuda a proporcionar orgasmos mais poderosos, já a circulação sangüínea é melhorada no local.

Parece tudo maravilhoso, afinal se conhecer e se cuidar é mais do que essencial, mas será que realmente precisamos de tanta informação sobre algo tão íntimo? Gamificar o que acontece na sua vagina não pode também trazer algum tipo de dano? Um overtraining? Uma vontade de subir de nível todos os dias? E se a vagina não avançar no mesmo ritmo proposto pelo app…? Taí um problemão que ninguém quer descobrir que tem.

Eu até poderia questionar quem é que precisa tanto saber sobre a vagina (homens, talvez?), mas realmente acredito que a possibilidade de ter informação sobre si mesma vá fazer muita gente adquirir esse tipo de produto. Mas… E depois? Conhecer e testar? Bacana, ótimo, curioso. Viver contando até as contrações da vagina? Nem tanto. Como gosto de dizer: a vida já é difícil demais.

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