50 Tons de Cinza: 125 minutos para tentar consertar um livro que nasceu errado

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Espera, teasers, trailers, cenas vazadas, mas o que prevíamos aconteceu: “50 Tons de Cinza” não é um filme bom. Para as fãs do livro, também não chega a ser ruim, digamos. É tão sutil que não chega perto do estrondoso sucesso causado pelo livro. Livro este que, vamos lá, é bastante “esquecível”, não fossem as cenas de sexo que prendem o leitor na sacanagem e o motivam numa espécie de leitura dinâmica até o próximo encontro.

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– Voltei, mores

Mas vamos ao filme. A trilha sonora é excelente, a direção de arte impecável, há o dinheiro que a inspiração “Crepúsculo” não teve em seu primeiro lançamento e dois atores que souberam segurar a bronca de um roteiro raso e cheio de textos sacais. “Eu não faço amor, eu fodo”: no livro, uma delícia, no cinema, recebido por risadas num cinema lotado de mulheres na meia idade.

o casting

casal

Falaram que a gente não tem química. Cê acha?

Jamie Dornan faz um esforço hercúleo para dar vida a este homem doentio e perturbado. Ele tem bons cacoetes, olhares muito interessantes, um andar leve com mãos pesadas, mas nada que faça o texto soar mais verossímil, meus caros. E ele é lindo. Mesmo. Tão lindo que infelizmente uma boa parte do público compraria seu trabalho só pela beleza e pelo tanquinho exibido constantemente na tela. Ah, e também pela bundinha, que dá o ar de sua graça por uns 3 segundos e causou gritinhos (altos).

Depois da diretora Sam Taylor-Johnson -a grande responsável por tentar melhorar um texto tosco mas de premissa cativante-, Dakota Johnson é, enfim, o grande achado. Se no livro Anastasia beira o insuportável, no filme ela é uma ingênua tão irreal quando Grey, mas digerível e divertida, quem diria. A atriz morde demais a boca (influência da autora?), mas trouxe os ares cômicos que ficavam presos apenas à cabeça da personagem enquanto narradora no livro.

Depois do filme e de uma capa da Vogue, Dakota tem tudo para virar a menina dos olhos de Hollywood. O physique da moça preenche a lacuna de pseudo-francesas e seu trabalho mais maduro que o de Kristen Stewart deve fazê-la emendar mais filmes. Já Jamie vai padecer com o mal dos galãs: precisará se provar e fazer alguns papeis coadjuvantes em filmes cabeçudos. Mais uma semelhança com a inspiração Robert Pattinson.

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difícil segurar essa barra que é gostar de você

a sacanagem

Com seus 20 minutos de cenas de sexo, mais que a maioria dos filmes norte-americanos da atualidade, “50 Tons De Cinza” diverte mais com seus absurdos do que com a excitação – aliás, está liberado rir se você for um ser humano, não precisa ser crítico em Berlim, não.

A pegação “de bom gosto” é plasticamente bela e extremamente limpa, mesmo com direito a pelos pubianos dos dois atores. Não há muito gemido, quase não há suor,  nenhuma sensação é exagerada. Seria assim o sexo dos vampiros? risos A cena mais excitante usa das artimanhas mais batidas: um gelinho pelo corpo e um “me joga na parede me chama de lagartixa”. Ainda funciona, estão vendo, caras?

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Uau, um banheiro branco! Muito parecido com o lá de casa

Por outro lado, algo me intriga no reino de Christian Grey. Ele é o dominador, mas tirando poucos segundos ao final da história, o empresário é quem vira o “escravo”. As cenas optam pelo ponto de vista de Anastasia e a moça é sempre conduzida por uma série de brincadeirinhas “baunilha” que a fazem sentir a mulher mais presenteada do planeta.

No livro, Ana é descrita como um ás das “oralidades” e o fato é sumariamente ignorado na tela grande. A ponto do Grey do Christian não receber um mínimo de atenção ao longo dos 125 minutos. O foco é nela e pronto. Pelo menos, o bom gosto da direção ajudou a não deixar evidência numérica de quantas vezes a garota goza. Dica: não são tantas quanto no livro e a verosimilhança agradece.

e vai continuar

continue

Dakota, Jamie, Sam e James no Festival de Berlim: quer torta de climão?

Para quem não leu a *obra-prima* que amamos odiar, o longa vai deixar um sem número de blank spaces. Ele é fodido e cresceu na vida, terapia não rola? Ela é tão solitária por que? Todo mundo que curte sadomasô é perturbado? Não. Oh céus. Saibam que muitas destas respostas nem no papel estão. Talvez só na cabeça da autora – e, sinceramente, talvez a gente já nem queira mais saber.

A história de Christian e Anastasia, tão fantasiosa quanto um “Harry Potter”, só faz sentido num mundo em que só cabem os dois. A dificuldade de expandir este mundo numa tela de cinema é notável e às vezes enjoativa. O melhor Christian é o que ficou na sua imaginação – por isso mesmo, os esforços da diretora são memoráveis.

No livro, a premissa faiscante é extremamente mal executada, mas ao menos isso o filme tenta (consegue?) consertar. O quarto vermelho da dor merecia sim muito mais que os 20 minutos de apreciação. Que belezinha ver o lugar. Talvez a direção de arte tenha sido, de fato, minha parte favorita. Não vai ter um making of mostrando o cenário? Não vai rolar um tour pela penteadeira do Grey? Que tal? #GreyBlogueiro

red

Libera essa mixaria!

O final deixa aberta a porta da esperança por mais dois filmes, já confirmados pela diretora Sam Taylor-Johnson. Meu único desejo sincero é que ela brilhe mais nos próximos – e que E.L. James fique mais de boinha, porque este segundo livro, misericórdia!, que porre.

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6 comentários

  1. lari

    HAHAHAHA FE, obrigada pelo review!
    Tô curiosa, esperando algo bem de médio à ruim, mas quero ver, OBVEO.
    Mas que bom que tem o que aproveitar! Convenhamos que essa história é bem complicada e só foi adaptada pq é um caça-níquel certeiro, né?
    Seu post me deu coragem hahahaha.

    Quanto ao Jamie, aqui em casa o augusto surgiu com um ótimo apelido pra ele enquanto assistimos the fall: ASSASSIGATO hahahaha.

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    1. Fernanda Pineda

      HAHAHHAHAHAHAHAHA ASSASSIGATO!
      É boa essa série? Nunca vi! Só ouvi falar por causa dele, inclusive.

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      1. lari

        Olha, é bem interessante e bem feita, mas tem algumas coisas que me tiravam do sério. Mas mesmo assim a história me prendeu bem e a primeira temporada eu vi numa tacada só, a segunda é mais difícil de digerir, mas ótima tbm! E o sotaque da irlanda do norte é muito legal! hahahaha

  2. Amanda

    Uma observação sobre o filme. Amei todas as jaquetas da ana. :)

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  3. Chell

    ÓTIMA RESENHA! hahahaha não vi, mas gostei hahaha não sei se vou no cinema ver isso não rs

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    1. Fernanda Pineda

      hahaha espera no popcorn time!

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