Sexo é tudo, ou quase nada

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A geração Y faz menos. Os japoneses trendsetters fazem menos. A humanidade prefere ler, ouvir e assistir tudo a respeito ao invés de precisar derramar algumas gotas de suor na roupa da cama recém-lavada. Somos metódicos e sexo é cansativo, bagunçado e exagerado. Estamos ocupados demais para um pouquinho de caos.

Se antes a brincadeira entre as famílias com muitos herdeiros é de que não tinha TV em casa, hoje a brincadeira pode ser que um smartphone é um ótimo anticoncepcional. Chega até a parecer uma piada que tantos aplicativos para te ajudar a fazer sexo surjam justamente num momento em que o telefone já é um dos grandes vilões da relação sexual. O que isso quer dizer é muito simples: estamos sempre com medo de perder alguma coisa – o famoso mal moderno do “FOMO” (fear of missing out).

Explicando rapidamente, o FOMO se caracteriza por uma grande ansiedade diante da falta de informações sobre algo ou alguém. Acabou a bateria do celular e você fica na rua com aquela sensação de quem saiu de casa pelado? O wi-fi não funciona e você pre-ci-sa saber o que acontece na grande rede mundial de computadores? Parabéns, talvez você saiba bem do que o FOMO é capaz!

A relação dessa deprê moderna com o rala e rola é bem simples, quase patética. Quando não estamos transando, estamos desesperados imaginando que perdemos algo enquanto todos tem orgamos múltiplos em pleno sábado à noite. Grindr, Tinder, Chat do Facebook, se vira como pode. A gente escolhe transar, mesmo se a noite no motel tiver jeito de masturbação assistida. Ironicamente, se temos com quem nos relacionar, achamos que estamos perdendo alguma outra coisa e vamos, de fato, fazer outra coisa, porque sempre haverá algo a ser feito antes do sexo. A gente escolhe não transar, mesmo sabendo que aquela pessoa ali te conhece de cabo a rabo, com o perdão da expressão.

Diante de tanta pressão social (desculpe se este texto se enquadrar nisso), cada vez mais o sexo é tudo para se ter um relacionamento feliz. O quanto é normal? O quanto é pouco? É bom comparar com os amigos? “Ah, relacionamento longo é assim mesmo”. “Alguns meses já é longo, então?”, se questiona o cidadão cansado que cai no sono com o celular na mão antes de concluir uma simples punheta para relaxar.

Por outro lado, sexo é cada vez mais nada. Não é raro ver casais extremamente cúmplices que não se tocam embaixo das calças há um bom tempo e são felizes assim. Felizes, mas talvez preocupados. “Será que sou chifruda por isso?” ou “Ela deve estar dando para alguém, não é possível”. Dormir tranquilo é um desafio, porque talvez não seja “possível”, mesmo.

No filme incrível de Spike Jonze, “Her”, a inviabilidade de se viver sem sexo é o maior problema enfrentado no relacionamento do geek Theodore e do sistema operacional Samantha. Num tempo fictício em que é absolutamente normal o absurdo de namorar um computador e de viver com os olhos vidrados nas telas de nossos aparelhos (algo que deveria ser tão absurdo quanto), o sexo é um dos últimos alertas para acordar os personagens para o que realmente importa.

O tempo que cada um decide gastar nesta gangorra é uma escolha absolutamente pessoal, mas sempre há, sim, a possibilidade de o lado  “nada” estar precisando do sopro de vida de um bom “tudão”.

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4 comentários

  1. Márcio Luís

    Fazia tempo que não clicava no link do seu perfil, lá no Twitter!
    E eis que vc me vem com esse tema super interessante, justo hoje!
    Estou solteiro. Não tenho essa preocupação de “é muito?” ou “é pouco?”!
    Mas fico imaginando meus amigos que já são casados…
    Parece que vira uma obrigação, sabe?
    Sei lá…
    Vamos ver como será quando me casar!
    Parabéns pelo blog, Fê (posso continuar te chamando assim?)!
    Você escreve muitíssimo bem!
    E cê sabe que sou seu fã, né?! Rsrsrs!
    Bjo, e parabéns uma vez mais pelo texto!

    Responder
    1. Fernanda Pineda

      Márcio Luís on 27/03/2014 at 3:16 am said:

      Fazia tempo que não clicava no link do seu perfil, lá no Twitter!
      E eis que vc me vem com esse tema super interessante, justo hoje!
      Estou solteiro. Não tenho essa preocupação de “é muito?” ou “é pouco?”!
      Mas fico imaginando meus amigos que já são casados…
      Parece que vira uma obrigação, sabe?
      Sei lá…
      Vamos ver como será quando me casar!
      Parabéns pelo blog, Fê (posso continuar te chamando assim?)!
      Você escreve muitíssimo bem!
      E cê sabe que sou seu fã, né?! Rsrsrs!
      Bjo, e parabéns uma vez mais pelo texto!

      O mais engraçado é que vira uma obrigação social, não um compromisso com o parceiro. Tão chato! rs Obrigada pelos elogios, espero que você volte mais vezes! =) Beijoo!

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  2. Mariana Moura

    Sem contar que depois de um dia que parece que não teve fim, o que a gente mais quer é deitar na cama e hibernar…
    Acho que a modernidade faz a gente pagar um preço muito alto pela nossa hiperatividade, alguns conseguem equilibrar tudo (queria aprender o segredo) outros simplesmente deixam algo pra depois e geralmente o que a gente pensa é que o parceiro pode esperar, não que isso seja certo.
    Gostei do texto.

    Responder
    1. Fernanda Pineda

      Mariana Moura on 27/03/2014 at 2:39 pm said:

      Sem contar que depois de um dia que parece que não teve fim, o que a gente mais quer é deitar na cama e hibernar…
      Acho que a modernidade faz a gente pagar um preço muito alto pela nossa hiperatividade, alguns conseguem equilibrar tudo (queria aprender o segredo) outros simplesmente deixam algo pra depois e geralmente o que a gente pensa é que o parceiro pode esperar, não que isso seja certo.
      Gostei do texto.

      Concordo plenamente, Mariana. E fico feliz que gostou! ;)

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