“Carrie” e seu remake estranho

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“Carrie”: o baba baby mais aterrorizante (ou pelo menos nos anos 1970)

Sozinha num quarto de hotel, aos 15 anos e numa cidade que eu não conhecia. Foi nesta situação que assisti o clássico “Carrie”, de 1976. Para muitos, pode ser uma combinação tentadora excitante para ver um belo terror. Para mim, era só uma bela combinação de motivos para ter um cagaço ainda maior que o normal. Não gosto de filmes de terror. Morri de medo, mas gostei de “Carrie”.

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Guardei a sensação forte da primeira assistida até ir ao cinema ver o remake com Juliane Moore e Chloe Moretz. Nunca mais voltei a ver o filme original, só mesmo  trechos da grande cena da formatura – naquela parte em que você já está é torcendo pela personagem, que sai vingando um por um -, e em parte quis ver pois estava ansiosa para ver o trabalho de uma veterana talentosa e uma novata promissora.

Pipoca em mãos e cinema lotado, o que vi foi um filme rápido, direto, um roteiro enxuto demais, uma luz que entrega as cenas de bandeja, uma trilha sonora que não cria tensão e uma personagem que parece estar “exagerando” em sua reação ao bullying. Não senti adrenalina. Não vi verdade na raiva de Carrie White. Não gostei.

Eu poderia dizer que o problema foi a situação diferente em que eu estava, mas o fato é que a própria direção mais realista de Kimberly Peirce deixou as coisas às claras demais. As interpretações pareciam fora de sintonia: a mãe fanática religiosa de Moore é realmente excepcional, mas soou até demais diante da simplicidade das outras cenas do filme, tão diretas. O pequeno plano em que ela espeta uma agulha de costura na perna parece um exagero sem fim.

Entre as jovenzinhas, quem chama atenção é a vilã à la “Meninas Malvadas” (a atriz Portia Doubleday), que age sem dó e quando tem vontade. Já a menina dos olhos Moretz parece ficar sem recursos para reagir à altura dos obstáculos propostos no roteiro. A cena da menstruação no chuveiro é uma tortura maior para quem assiste do que para a protagonista.

Quando Brian de Palma rodou seu filme nos anos 70, o politicamente correto não estava na moda e sua atriz principal, Sissy Spacek, tinha 10 anos a mais que a personagem. E num caso como Carrie White, não é só a experiência como ator que conta, mas a experiência de vida.

Depois de pensar muito sobre o que de fato me incomodou, chego à conclusão que para superar um roteiro pasteurizado, mas com um grand finale anunciado, faltou sensibilidade para perceber o que faltava à tão jovem Chloe Moretz. E o que faltou não foi talento, mas repertório emocional.

Com sorte, ela ainda tem anos de carreira para continuar nos encantando – só não foi dessa vez.

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10 comentários

  1. Andressa

    Eu assisti ao primeiro Carrie na casa de uma amiga minha, à tarde, com a janela aberta e toda a sala super clara, com umas 5 pessoas. Me caguei! Hahahaha.
    Vi o trailer desse e já imaginei que não seria a mesma coisa :/

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    1. Fernanda Pineda

      Andressa on 16/12/2013 at 12:59 pm said:

      Eu assisti ao primeiro Carrie na casa de uma amiga minha, à tarde, com a janela aberta e toda a sala super clara, com umas 5 pessoas. Me caguei! Hahahaha.
      Vi o trailer desse e já imaginei que não seria a mesma coisa :/

      Pois é, simplesmente não rolou! :(

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  2. Gabi

    Oi, Fê! Ainda não vi nenhum dos dois filmes, mas estou doida para assistir, principalmente a primeira versão. Stephen King é mestre, né? O livro também deve ser fantástico. Quis assistir ao remake no cinema, mas fiquei com receio de ficar com medo demais durante o filme, HAHAHAH. Mas agora que você falou, até me ~tranquilizou~. Já vi duas críticas nada boas do filme, mas quero ver por curiosidade. :P

    Beijo!

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  3. Alana

    Já pelo trailer eu vi que nao seria a mesma coisa :/ Acho que nao teria como ser melhor que o dos anos 70. Tem algumas coisas que parece que so fica mais natural (ou mais assustador rs) em filmes mais antigos. E aquela novela da Globo, Chocolate com Pimenta, que copiou descaradamente a cena do baile? hahaha

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  4. Tany

    Assisto o filme já sabendo que era meio ruim, mas o combo Julianne + Chloe me chamou atenção. A Julianne como sempre tá sensacional, acho que ela fez o papel de mãe fanática muito bem, e foi a única hora que realmente fiquei tensa no filme. Mas a Chloe não sabia o que fazer, por mais que a ache talentosa, também creio que ela se perdeu no personagem, isso com ajuda do roteiro que não dá muita identidade pra essa Carrie.

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  5. carla

    Valeu pela resenha Fê!

    sendo assim n vou gastar grana vendo no cinema n, vou esperar p baixar rs

    afinal n está barato n!

    eu gosto bastante do primeiro, n me lembro qndo vi a primeira vez….queria lembrar haha

    bjos!

    carla
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  6. Isabelle Ferreira

    Acho que você deveria escrever mais sobre os filmes que você assiste. Faaz um tempinho que você não escrevia, né?

    Responder
    1. Fernanda Pineda

      Isabelle Ferreira on 21/12/2013 at 9:08 pm said:

      Acho que você deveria escrever mais sobre os filmes que você assiste. Faaz um tempinho que você não escrevia, né?

      Já fazia um tempinho sim, Isa!!

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  7. Charlie

    Tá na cara que a versão de 2002 ta esquecida mesmo

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    1. Fernanda Pineda

      A de 2002 é “made for TV”, não foi para os cinemas.

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