Lulu e Tubby: os apps que viraram novela

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Um campo de batalha é cor-de-rosa. O outro campo de batalha é azul. Um se apresenta com uma proposta divertida. O outro já chega como estratégia de vingança. No primeiro, a minoria tem a chance de falar – se divertir -, no segundo, a maioria tem a chance de se reafirmar. Bem vindos ao ringue que se tornou a discussão em torno dos aplicativos Lulu, que postei aqui,  e Tubby, sua versão masculina, no Facebook.

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O primeiro aplicativo foi criado por uma americana, Alexandra Chong, e se propõe como uma brincadeira feita por meninas para para meninas avaliarem o comportamento de ex-peguetes, ex-namorados, amigos e até parentes. O alto número de downloads botou o programinha na boca do povo e surgiu até um mercado paralelo de avaliações, tudo para o cara ficar bem na fita. Já o segundo aplicativo foi criado por um grupo de jovens que pretendiam dar direito de resposta aos homens, tudo focado exclusivamente na performance sexual. Em pouco tempo, a fanpage do Tubby ganhou milhares de fãs e centenas de curtidas em seu discurso de “botar medo” nas moças. É provável que seja lançado ainda esta semana, para não perder o hype.

Dito isso, vem a dúvida que mais ficou na minha cabeça durante as conversas com as amigas: será que houve toda essa repercussão em outros países em que o app foi lançado? Será que lá fora mulheres acharam horrível por temerem uma vingança? Será que homens se incomodaram, de verdade, em serem avaliados? Será que houve mesmo a necessidade de surgir um novo programa dando o outro lado, já conhecido, da moeda? Veja, todo mundo tem o direito de odiar a proposta, homens e mulheres, mas será que tanta comoção era mesmo necessária?

A exposição é realmente absurda, em ambos os casos. É como se você tivesse sido obrigado a participar de uma brincadeira de “rodar a garrafa” sem nem ter sido oficialmente convidado. Por isso, desde o início, era importante deixar bem claro que todos poderiam se retirar quando quisessem. No começo do Lulu, era tranquilo pedir para sair, isso até o servidor começar a engasgar. Muitos amigos ficaram presos no sistema e não duvido que alguns tenham tido até problemas pessoais por conta disso. Neste ponto, aliás, o Tubby está fazendo melhor: o app nem foi lançado ainda e você já pode ‘arregar’. É claro que a sobrecarga gera alguns erros, mas insistindo uma hora é possível sair.

Tirando toda essa questão da privacidade e dos nossos dados Facebookianos rodando por aí (o melhor, na verdade, é protegê-los lá na rede social mesmo), os dois lados são iguais e tem os mesmos propósitos: avaliar o outro. Mas, apesar de terem o mesmo fim, eles têm meios bem diferentes. E veja: são diferentes apenas e exclusivamente por conta do público com o qual trabalham.

Não é preciso levantar bandeira de feminismo ou ter doutorado em sociologia para saber que um homem “bom de cama” é muito bem visto em nossa sociedade. Sempre foi. Quando um homem cancela sua participação no Lulu, aliás, o app não é nada “feminino”: diz para o usuário que lá está cheio de mulheres do mundo todo falando apenas sobre ele e louquinhas para avaliá-lo. Como se nenhuma rapariga tivesse coisa melhor para fazer, ora pois. risos

Por outro lado, no Tubby, pelo pouco que vimos das tags, o resultado final vai se dividir em dois lados muito conhecidos pelas moças: você poderá ser safada/rodada (ruim) ou frígida/sem graça (ruim de novo). Também não sei se encontramos no Lulu, ou no mundo hétero inteiro, algo páreo para uma hashtag “#EngoleTudo”. Talvez porque realmente não tenha. Ao se descadastrar, você ainda é chamada de arregona (ruim outra vez).

Você pode odiar toda essa novela. Dizer que uma coisa incentivou a outra. Achar tudo infantil.  Na esperteza de um e no revanchismo de outro, é bem provável que um perca a pouca graça que tinha e o outro fique às moscas antes mesmo de começar. Aliás, como toda piada repetida, rir do opressor uma hora ia perder a graça. Já a piadinha com o oprimido nem deveria ter tanta graça assim.

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Comentários via Facebook

6 comentários

  1. Lunara

    Essa “guerra dos sexos” não deveria existir pra começo de conversa, pois pra mim esses aplicativos passam uma mensagem errada de que está tudo bem tachar a pessoa e objetifica-la, mesmo por diversão. Não é legal fica na “boca do povo” na vida real, por que deveria ser normal no mundo virtual?

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  2. Re Vitrola

    Texto maravilhoso, sem mais! Compartilhado!

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  3. Bárbara

    Fantástico, tudo o que disse. Assino cada parágrafo da sua opinião!

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  4. Anie

    Tentei descadastrar do tubby e simplesmente não consegui! Olhei no twitter e não foi somente comigo, mts mulheres tb não estão conseguindo tirar os perfis de lá.
    Tanto um quanto o outro… tubby ou lulu acho exposição atoa.

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    1. Fernanda Pineda

      Anie on 02/12/2013 at 2:43 pm said:

      Tentei descadastrar do tubby e simplesmente não consegui! Olhei no twitter e não foi somente comigo, mts mulheres tb não estão conseguindo tirar os perfis de lá.
      Tanto um quanto o outro… tubby ou lulu acho exposição atoa.

      Você pode negar os apps de verem suas informações! É a melhor forma!

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  5. Brub Lima

    Desde quando soube do Lulu, achei extremamente desnecessario e pedi – sem dar piti nem nada – pro meu namorado descadastrar. Acho uma exposição boba que pode gerar problemas, assim como achei o Tubby. Pra que isso?!
    A intenção de ambos os apps é “elogiar”, então por que não fazer isso pessoalmente, sem toda essa palhaçada de se esconder atras do anonimato (o que só piora nossa sociedade viciada em causar anonimamente)?
    Concordo com cada palavra do seu texto, parabens!

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