– Me perdoe por perdoar!

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No final de 2012, um vídeo de um casal anunciando sua separação fez certo sucesso na internet. A dupla alimentava um canal no Youtube e lá eram postadas várias musiquinhas por semana, todas em tom fofo. A questão é que, separados, a coisa toda deixaria de existir em dupla: apenas o rapaz, dono da conta, continuaria na atividade. E eles precisavam se explicar.
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O vídeo é uma graça, cheio de motivos, razões e circunstâncias, mas a verdade é que tudo soa como um pedido de desculpas: “nos desculpem, não estamos mais conseguindo fazer isso funcionar”. E é claro que o vídeo também deve ter servido como um avisinho simpático para a família e amigos deles, estes sim, os principais a receberem a mensagem.

A grande maioria das pessoas não faz de sua vida viver a vida dos outros, ainda bem!, mas a verdade é que nos espelhamos no vizinho e não é raro compararmos o ritmo de nossos relacionamentos com o de outras pessoas. Quantas vezes não vemos um suposto “casal 20” se separar e ficamos preocupados com o que vai ser de nossas próprias vidas? “Se tudo era perfeito para eles, então tem grandes chances de dar errado aqui também”. É uma coisa complicada, e muitas vezes questionamos tudo isso no momento mais delicado – puro egoísmo.

Quando um casal de amigos se separa, não é raro a turma se dividir para ajudar um ou outro, ou então nenhum dos dois ser lembrado porque corre o risco da outra pessoa resolver aparecer naquele dia e por aí vai. É uma logística complicada, mas adivinhe? Só quem está com o coração partido é que sai perdendo: se sentindo sozinho na hora errada, tudo porque os amigos não “perdoam” a decisão tomada.

Com a família, então, a questão piora ainda mais. Imagine só, perdoar o erro da outra pessoa e levá-la de volta para casa num almoço de domingo? Críticas na certa. Quando os entes queridos não ficam contra o “culpado” a ponto de não respeitá-lo, costumam ficar contra o “babaca” que perdoou: “Se fosse comigo, não tinha chance! Como pode fulano, essa pessoa tão esclarecida e cheia de oportunidades, aceitar isso?”.
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Então acontece o mesmo com as pessoas públicas: Rihanna e Chris Brown, por exemplo. Os dois são os maiores representantes da situação e causaram comoção mundial ao aparecerem juntos novamente. Como este texto é justamente sobre não julgar as escolhas alheias, por mais absurdas que nos pareçam, não vamos realmente falar sobre a comoção, sobre violência doméstica ou sobre relacionamentos tóxicos. O que vamos falar é sobre o direito de cada um achar o que quiser e da obrigação de guardar isso para si mesmo enquanto não for convidado a se expressar.

Enquanto todos falam sobre a violência de Chris Brown, agora Rihanna também senta no banco dos réus por ter lhe dado esta chance. A cantora foi agredida por um fã justamente após brilhar no desfile de sua coleção para a River Island em Londres.

Embora seja até mesmo um bom aprendizado observar a vida alheia, para não repetir erros ou para saber a hora certa de agir, não deixo de pensar que as reações são fruto do mais puro egoísmo. Estamos sempre tão preocupados com o que pensamos sobre alguma coisa que esquecemos de ter empatia pelo outro, principalmente nos momentos mais delicados.

Não consigo deixar de pensar que ao invés de serem felizes com suas escolhas, algumas pessoas sofrem única e exclusivamente por serem julgadas. É como se no fundo, bem lá no fundo, elas ainda tenham que pedir: “Me perdoe por perdoar!”.

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ps: antes que alguém pergunte nos comentários, não, não concordo com violência doméstica e acho que Chris Brown deve pagar de verdade pelo que fez. A decisão de Rihanna já é outra história.

 

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5 comentários

  1. camila

    o amor tem razoes que a razao desconhece…

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  2. Juliana Sena

    Perdoar alguém, soa como fraqueza para algumas pessoas, infelizmente. Mas, na verdade, encaro como algo bem corajoso. Não é fácil perdoar o erro do outro e nosso erro também, baixar a cabeça as vezes dói mais ainda. Mas, é necessário para se libertar.
    Belo post.
    Beijos.

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  3. Caroline®

    É bem como vc falou. As pessoas querem impor aos outros os seus conceitos pessoais, aquilo que é verdade para elas e somente para elas. Ou melhor, o que talvez elas achem que é verdade. Explico: se vc não passou pela experiência, tudo que vc disser sobre ela é pura especulação, do tipo “se fosse comigo, eu faria diferente”. Faria mesmo? Por isso, eu escolho não julgar as escolhas dos outros, por mais que pareçam, em tese, absurdas para o meu gosto. Aí eu paro e penso: será que eu não agiria igualzinho? Acho violência doméstica um horror, mas não posso recriminar Rihanna por fazer o que ELA acha melhor pra ELA. A mesma coisa com o Robert Pattinson. Se fosse pelos outros, ele não teria voltado pra namorada traidora. Admiro quem tem essa coragem de enfrentar um mundo de gente opinando contra, e faz o que quer fazer.

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  4. Vy

    Acho que jogar uma garrafa de raivinha da decisão alheia é meio demais, mas julgar, mesmo que sozinhos, sempre vamos julgar. Tomar uma atitude sobre isso é outra coisa. Não vou gostar nunca de quem faz meus amigos e familia sofrerem, provavelmente se for perguntada da minha opinião ela não vai ser nada legal e leve, mas se resolvem perdoar, bom, deixa de ser meu problema, eu não vou fazer a pessoa des-perdoar, né?

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  5. Tany

    De julgamentos nunca estamos livres. Todos nós julgamos as pessoas e como elas agem, mas acredito que certas pessoas (famosos, geralmente) e atos (violência, mágoa, traição realmente humilhante, e etc) parece que nos fazem sentir como se fosse tudo bem opinar e sentir raiva se as coisas não acontecessem do jeito que imaginamos e eu acho que esse é o caso da Rihanna.

    Quantas vezes não vi as pessoas fazendo piada sobre ela gostar de porrada ou de ser idiota e cega e não se amar, ou o exemplo que ela passa, mas na realidade, a gente nunca sabe o que se passa naquelas quatro paredes que o casal está.

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