“Django Livre”: perdoar ou não perdoar, eis a questão

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“Django Livre” chegou aos cinemas brasileiros com os dois pés na porta e a mala cheia: Globos de Ouro no bolso e indicações ao Oscar na bagagem. A reação dos fãs de Quentin Tarantino, então, absurda: no fim de semana da estreia era difícil não ler algo elogioso ao filme. Aí eu já tinha sido contaminada.

Não assisti todos os filmes do Tarantino, não. Vi os mais famosos, admiro o estilo e especialmente o humor, mas de fato não idolatro o diretor incondicionalmente – e foi o que confirmei em “Django”. Ao mesmo tempo em que eu estava contente por assistir mais uma obra de um cara que sabe misturar muito bem referências interessantes, não senti ali o diretor genial que lota cinemas sem precisar (tanto) de efeitos especiais.

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Christoph Waltz e Jamie Fox em “Django Livre”

Vou tomar de exemplo aqui o penúltimo filme do diretor, “Bastardos Inglórios”, que também tinha liberdade & vingança como tema central e que veio à mente várias vezes durante a sessão. Ao contrário de “Bastardos”, “Django” não divide seus personagens em núcleos ou particiona a trama: há uma linearidade que não esperamos do Sr. Quentin e que não agradou até o fim.

O escravo Django (Jamie Foxx) e o alemão King Schultz (Christoph Waltz) formam uma dupla de assassinos de aluguel improvável numa road trip do norte ao sul. A liberdade de um e o dinheiro de outro são as motivações iniciais para a união, mas as motivações finais viram apenas uma: encontrar a esposa do ex-escravo. O porquê do mercenário Schultz resolver topar a jornada? A empatia inacreditável que o coadjuvante sente pelo protagonista – sentimento puro que quase nunca vemos nas personalidades inventadas por Tarantino.

O Dr. King Schultz, aliás, é um grande mistério no filme. Christoph Waltz, como bom ator que é, interpreta com maestria o personagem que lembra algumas vezes seu general nazista de “Bastardos…” (outra semelhança). No começo não incomoda, no final, sim: uma hora a vida trata de separar a dupla de caçadores de recompensas. E ali acaba o fôlego da história.

A causa de Django deveria ser daquelas que nos causa empatia automática e irrestrita, mas ao contrário de “Bastardos”, que é bastante didático ao exibir logo de cara uma baita de uma cena que separa protagonista e antagonista, este longa nos priva do didatismo sarcástico. Apenas o ambiente western é apresentado (e devidamente homenageado) e ficamos carentes de uma grande cena com os desejos pessoais do herói que quer ser livre. Qual a primeira coisa que ele faria como homem livre, por exemplo? Três horas de filme e não sabemos.

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Leonardo Di Caprio e seu improvável “monsieur” Candie

Sabemos que ele quer se vingar obviamente dos algozes brancos e também reencontrar sua esposa, vendida para uma fazenda em outro lugar do país. E quando ele finalmente a vê, nada de amor: as lentes do diretor não nos entregaram nem um beijinho entre os dois. Não há nada, nem um trisco de sentimento ou sensualidade.

No fim, “Django Livre” é sim um filme bem divertido, não dá pra negar. O texto recheado de Tarantino está lá, a trilha sonora bacana está lá e uma revelação está lá também: Leonardo Di Caprio merece menção por seu bem executado latifundiário metido a francês. Dito isso, repito: eu não vi todos os filmes do Tarantino, mas da mesma forma que é ótimo assistir mais uma vez a seu estilo peculiar, é complicado perdoar. Em outras palavras: se não fosse Tarantino, poderíamos amar. Esperemos o próximo.
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Comentários via Facebook

26 comentários

  1. Diego

    Não entendo porque endeusam tanto o Tarantino. Assisti Pulp Fiction e minha reação foi meio “OK, gostei. Mas cadê o filme fodástico que todo mundo falava?”.
    Tentei assistir Reservoir Dogs, achei cansativo e dormi.
    Assisti Kill Bill e achei tosquíssimo. Trash ao extremo!
    Depois disso, desanimei de ver outros filmes dele, mas um dia pego o resto pra assistir.
    Pronto, se vierem te xingar, divido o ódio das pessoas contigo.

    Responder
    1. Fernanda Pineda

      Diego on 30/01/2013 at 8:59 am said:

      Não entendo porque endeusam tanto o Tarantino. Assisti Pulp Fiction e minha reação foi meio “OK, gostei. Mas cadê o filme fodástico que todo mundo falava?”.
      Tentei assistir Reservoir Dogs, achei cansativo e dormi.
      Assisti Kill Bill e achei tosquíssimo. Trash ao extremo!
      Depois disso, desanimei de ver outros filmes dele, mas um dia pego o resto pra assistir.
      Pronto, se vierem te xingar, divido o ódio das pessoas contigo.

      Olha, de “Kill Bill” eu gosto e muito e “Bastardos Inglórios” é um dos meus filmes favoritos; você acaba torcendo pela realidade daquilo, é genial. Agora “Cães de Aluguel”, por exemplo, pra mim é um experimento de violência gratuita. Faz parte das referências do cara, mas não me agrada at all.

      Responder
  2. Paulo

    Faz um melhor, então.

    Responder
    1. Fernanda Pineda

      Paulo on 30/01/2013 at 10:02 am said:

      Faz um melhor, então.

      nah, eu que tô errada! Ele tá rico, eu só tenho um blog. =*

      Responder
  3. Ana Carolina

    “A causa de Django deveria ser daquelas que nos causa empatia automática e irrestrita, mas ao contrário de “Bastardos”, que é bastante didático ao exibir logo de cara uma baita de uma cena que separa protagonista e antagonista, este longa nos priva do didatismo sarcástico.”

    “Sabemos que ele quer se vingar obviamente dos algozes brancos e também reencontrar sua esposa, vendida para uma fazenda em outro lugar do país.”

    Você mesma acabou respondendo qual era a motivação da vingança do Django e o que ele queria fazer ao se tornar livre. Django não queria se tornar um herói propiamente dito contra a escravatura. Só queria sua esposa de volta e “castigar” quem o açoitou. É só isso, simples e cru como a maioria dos personagens tarantinescos. Não precisa de uma cena completamente didática para perceber isso, Tarantino nos mostra isso ao longo do filme com uso dos seus famosos flash-backs.

    Há sim vários exageros no filme, propositais (fazem referência aos exageros do western spaghetti), mas que não deixam de incomodar (ou não). No final das contas, Tarantino é ame ou odeie. ;)

    Responder
    1. Fernanda Pineda

      Ana Carolina on 30/01/2013 at 10:28 am said:

      “A causa de Django deveria ser daquelas que nos causa empatia automática e irrestrita, mas ao contrário de “Bastardos”, que é bastante didático ao exibir logo de cara uma baita de uma cena que separa protagonista e antagonista, este longa nos priva do didatismo sarcástico.”

      “Sabemos que ele quer se vingar obviamente dos algozes brancos e também reencontrar sua esposa, vendida para uma fazenda em outro lugar do país.”

      Você mesma acabou respondendo qual era a motivação da vingança do Django e o que ele queria fazer ao se tornar livre. Django não queria se tornar um herói propiamente dito contra a escravatura. Só queria sua esposa de volta e “castigar” quem o açoitou. É só isso, simples e cru como a maioria dos personagens tarantinescos. Não precisa de uma cena completamente didática para perceber isso, Tarantino nos mostra isso ao longo do filme com uso dos seus famosos flash-backs.

      Há sim vários exageros no filme, propositais (fazem referência aos exageros do western spaghetti), mas que não deixam de incomodar (ou não). No final das contas, Tarantino é ame ou odeie. ;)

      Ok, Ana, geralmente em Tarantino é nu e cru mesmo. Nisso eu concordo e posso ter esperado explicações extras porque rapidamente lembramos de “Bastardos”. Agora me diga: um personagem de Tarantino largaria sua vida fácil de ganhar dinheiro para ir ajudar outro de bom coração, sem ganhar nada com isso? rs Esse foi um exagero difícil de comprar, por exemplo. É bom entretenimento, é um bom filme, mas o hype atrapalha.

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  4. Thuane

    Fê… eu gostei do filme… mas sinceramente? Também senti falta de algumas explicações sobre o Dr. Schultz. Pode ter sido desatenção minha, mas porque no começo ele vai procurar justamente o Django? Pelo menos não lembro de ter visto a explicação de tudo isso.

    Fui ao cinema sem saber muito sobre o filme, imaginei até que seria remake do Django italiano. Mas não havia nada em comum.
    O filme é bom, mas faltou muita coisa no filme para que fosse digno de Tarantino. (Também não vi todos do Tarantino, só os clássicos… e após Bastardos Inglorios, esperava ao menos, um filme do mesmo nivel). Ouvi dizer que cortaram muito por conta do filme ter ficado muito longo… Excluiram cenas como o Dr. Schultz ensinando Django a atirar… etc.

    Enfim, foi ótimo, adorei algumas piadas geniais como a da Ku Klux Klan.

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  5. Iris

    Sou mega fã de Tarantino. Meu filme favorito é Pulp Fiction. A não-linearidade do enredo, as referências: tudo genial. Não acho Cães de Aluguel violência gratuita. Cães de Aluguel pra mim é inteligente por ser um filme sobre o assalto que em momento algum mostra o assalto – mostra o antes e depois, não o durante. Fora os personagens reaproveitados na trama (tô citando esses pq foram os citados pelo Diego lá em cima).
    Kill Bill é propositalmente trash – e uma ode a tudo que o Tarantino gosta. Tem west, tem cultura japonesa… Curto demais! A atriz que faz a Gogo, por exemplo, interpreta uma personagem MUITO parecida a que ela faz em Battle Royale, adaptação de um dos mangás favoritos do Tarantino. Adoro ?
    E Bastardos, como você disse, é genial. O que curto no Tarantino é que é impossível (pra mim, pelo menos) terminar um filme sem aquele êxtase e vontade de aplaudir.
    Eu amei Django. Quando saí do cinema, saí extasiada. Acho que talvez por muita empolgação. Achei muito bom, cheguei a chorar com a cena do D’Artagnan. Nos dias depois, fiquei pensando: “dos mais recentes, o mais foda do cara”. Mas depois eu mastiguei o filme e percebi a falta de todos os tais elementos tarantinescos, especialmente a nã0-linearidade e muitos núcleos (que foi algo que me incomodou durante o filme, mas “passei por cima”). Eu gostei MUITO de Django, mas agora eu vejo que foi bem mais fraco, por que ele tinha muita coisa pra explorar e no final o Django virou um personagem não tão bem feito, pra mim. Mas os outros personagens valem muito o filme e a cena do diálogo dos capuzes é a melhor parte, sem dúvidas. Acho que um dos melhores diálogos do cara.
    Mas Django pra mim foi um saldo positivíssimo, mas o diretor tem melhores.

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  6. Ana Carolina

    Então Fernanda, eu já tinha pensado nisso e também já tinha visto várias pessoas com essa mesma dúvida. O Shultz, de certo modo, ganhou uma puta ajuda do Django ao trabalhar com ele durante o inverno. Não que ele tivesse uma obrigação de retribuir o favor, mas pode ser que Shultz se sentísse em em dívida e porque não, comovido com a situação do homem que tinha acabado de libertar. É perceptível que Shultz, apesar de matar por dinheiro tinha uma certa sensibilidade. Enfim, são apenas hipóteses. O fato é que pouco conhecemos sobre o Shultz, como você mesma disse na crítica, ele é um mistério. Aliás, eu gostaria de saber o porquê de Tarantino ter escolhido justamente um personagem alemão para ser tão esclarecido, já que sabemos que estes eram extremamente preconceituosos.

    Nada disso realmente fica claro e até certo ponto incomoda. E de fato, em todos os filmes do Tarantino ele pouco aprofunda seus personagens. O que sabemos a respeito de Aldo Raine, Urso Judeu, Hans Landa, Jules, Mia Wallace, Mr. Pink, Mr. Blonde, Shoshanna, Brunhilda é muito pouco. Eu comprei um livro sobre o Tarantino que ele comenta justamente disso. Ele disse que realmente não explora profundamente seus personagens, porque acredita que não seja interessante para sua obra. Mas que se perguntarem a ele sobre a infância, adolescência, crenças, motivações de Beatrix Kiddo (por exemplo) ele saberá responder. Hahaha.

    Eu não sei o que pensar muito da mente insanda dele. E é desconcertante a sua auto-confiança. É difícil encontrar um diretor que tem total domínio do que está fazendo. Até o que consideramos como defeito, ele terá uma resposta na ponta da língua para nos rebater. Ele faz o que bem entende, sem se importar se aquilo é coerente com a realidade ou não. Acho que ele muita vezes dá mais valor à forma do que ao conteúdo. É um defeito, mas na filosofia de Tarantino, embarca quem quiser.

    Responder
  7. Ana Carolina

    Também achei Cães de Aluguel genial, mas é inegável que tem violência gratuita.

    [SPOILER]

    Ou Mr. Blonde tinha justificativa ao cortar sem mais nem menos a orelha do cara?

    [/SPOILER]

    Só nessa nova safra de filmes dele em que a violência está dentro de um contexto.

    Responder
  8. Rebecca

    O Tarantino nunca foi muito profundo nos roteiros dele. Sempre foi algo mais nos atores, direção e o meio. Se você pegar todos os filmes dele, vc explica em 3 linhas. Ainda não assisti Django, mas já sei que vou sem expectativas de explicações e sem querer muito do roteiro.
    Acho que o lance do Tarantino é instigar a nossa criatividade, ele não dá nada mastigado pra gente. A gente pode achar o que quiser, até ir perguntar pra ele e ver que o buraco é mais embaixo hahaha.

    Um lance errado também é comparar os filmes dele. Nenhum tem algo em comum com outro, que não seja o lance da violência e sangue. O forte dele realmente são as referências (que cada vez que você vai encontrando, vai achando mais genial e vendo o quão insano o cara é), o roteiro simples com atores incríveis, a quebra de timming dentro do filme, que desconcerta quem tá assitindo. Já dormi muito no meio de Cães de Aluguel também, mas é um dos meus filmes favoritos por exatamente ser sobre um assalto e não mostrar o assalto (e vamos lá, aquele diálogo SENSACIONAL sobre Like a Virgin) e a quebra de expectativa.

    Gosto muito do Tarantino, até quando erra, porque parece que o erro é proposital.

    Responder
    1. Fernanda Pineda

      Rebecca on 30/01/2013 at 1:37 pm said:

      O Tarantino nunca foi muito profundo nos roteiros dele. Sempre foi algo mais nos atores, direção e o meio. Se você pegar todos os filmes dele, vc explica em 3 linhas. Ainda não assisti Django, mas já sei que vou sem expectativas de explicações e sem querer muito do roteiro.
      Acho que o lance do Tarantino é instigar a nossa criatividade, ele não dá nada mastigado pra gente. A gente pode achar o que quiser, até ir perguntar pra ele e ver que o buraco é mais embaixo hahaha.

      Um lance errado também é comparar os filmes dele. Nenhum tem algo em comum com outro, que não seja o lance da violência e sangue. O forte dele realmente são as referências (que cada vez que você vai encontrando, vai achando mais genial e vendo o quão insano o cara é), o roteiro simples com atores incríveis, a quebra de timming dentro do filme, que desconcerta quem tá assitindo. Já dormi muito no meio de Cães de Aluguel também, mas é um dos meus filmes favoritos por exatamente ser sobre um assalto e não mostrar o assalto (e vamos lá, aquele diálogo SENSACIONAL sobre Like a Virgin) e a quebra de expectativa.

      Gosto muito do Tarantino, até quando erra, porque parece que o erro é proposital.

      Então vamos ver se você vai curtir. Nesse não tem quebra nenhuma de tempo, algo em que ele se tornou especialista….

      Responder
  9. Fernando Sampaio

    Filha, vc nunca assistiu um bang bang à la Clint Eastwood né mesmo? Devia ser seyproibido pseudo-conhecedores de cinema discorrerem sobre a sétima arte.

    Responder
    1. Fernanda Pineda

      Fernando Sampaio on 30/01/2013 at 1:37 pm said:

      Filha, vc nunca assistiu um bang bang à la Clint Eastwood né mesmo? Devia ser seyproibido pseudo-conhecedores de cinema discorrerem sobre a sétima arte.

      Sim, já assisti. E não estamos falando das referências, e sim do filme.

      Responder
  10. Geraldo

    Fernanda Pineda, é uma blogueira deveras articulada e tem uma maneira de escrever que faz com que tenhamos respeito pelo que ela diz(por isso vou fingir que não li oque tu escreveu), tendo em vista isso devo dizer o seguinte: “Você não gosta de bangue-bangue ou não entendeu a temática do filme.”
    Quentin tentou explorar o fato do racismo de uma forma crua nesse ultimo filme, ele não toma lados, só mostra oque realmente acontecia.
    Veja as referências
    (algumas, poucas mas importantes):
    Django (1966)
    Sukijaki Western Django (2007)
    Coffy (1973)
    Por isso digo: Assista o “Jack brown” (1997) tambem do tarantino, e entenda que ele faz filmes com tramas bem boladas para os ditos “Big Boys” já que adoramos violência e aquela forma maravilhosa que ele tem de criar impasses mexicanos.
    E pare de condena-lo por não fazer um filme como foi Basterds.

    Responder
    1. Fernanda Pineda

      Geraldo on 30/01/2013 at 6:33 pm said:

      Fernanda Pineda, é uma blogueira deveras articulada e tem uma maneira de escrever que faz com que tenhamos respeito pelo que ela diz(por isso vou fingir que não li oque tu escreveu), tendo em vista isso devo dizer o seguinte: “Você não gosta de bangue-bangue ou não entendeu a temática do filme.”
      Quentin tentou explorar o fato do racismo de uma forma crua nesse ultimo filme, ele não toma lados, só mostra oque realmente acontecia.
      Veja as referências
      (algumas, poucas mas importantes):
      Django (1966)
      Sukijaki Western Django (2007)
      Coffy (1973)
      Por isso digo: Assista o “Jack brown” (1997) tambem do tarantino, e entenda que ele faz filmes com tramas bem boladas para os ditos “Big Boys” já que adoramos violência e aquela forma maravilhosa que ele tem de criar impasses mexicanos.
      E pare de condena-lo por não fazer um filme como foi Basterds.

      Geraldo, obrigada pelo “articulada”. Teu adjetivo reforça que tenho direito a expor minha opinião, até porque esse espaço é meu. Dito isso, repito: eu gostei do filme! É um ótimo divertimento! Mas Tarantino tem melhores.

      Você falou das referências e respondo: por mais que os westerns antigos tivessem longos planos em que xerife e mocinho vem vindo láááá do fundão da tela para se confrontarem frente a frente, a falta de ritmo em “Django” é bastante complicada. Tarantino é mestre em dividir núcleos de personagens e a linearidade deste filme foi o que o deixou sem fôlego da metade para o final.

      E não estou condenando! Como já disse aí: ele está milionário, eu tenho um blog. risos! A única coisa é que nem sempre o hype faz bem para uma produção; pode atrapalhar também – a gente acaba esperando muito mais, especialmente depois de assistir “Bastardos”.

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  11. Geraldo

    Então é só dizer que tu não gosta de western, porque o ritmo é exatamente o mesmo.

    Responder
    1. Fernanda Pineda

      Geraldo on 30/01/2013 at 6:46 pm said:

      Então é só dizer que tu não gosta de western, porque o ritmo é exatamente o mesmo.

      Mas, veja: em “Kill Bill” ele se inspirou nos filmes orientais e manteve um ritmo acelerado (os clássicos do Kurosawa são bem lentos também). É a mesma coisa.

      Responder
  12. Geraldo

    “Mas, veja: em “Kill Bill” ele se inspirou nos filmes orientais e manteve um ritmo acelerado (os clássicos do Kurosawa são bem lentos também). É a mesma coisa.”

    Isso mesmo, ele se inspirou mas não achou que aquilo fosse funcionar pra ele, naquela época.
    Acho que você tem que ver a obra como um todo e não o tarantino, porque afinal ele é uma pessoa e as pessoas mudam com o passar do tempo, o que eu entendi foi que pra esse tipo de história ele deveria se adequar ao tempo em que foi feito o filme, não?

    Responder
    1. Fernanda Pineda

      Geraldo on 30/01/2013 at 7:00 pm said:

      “Mas, veja: em “Kill Bill” ele se inspirou nos filmes orientais e manteve um ritmo acelerado (os clássicos do Kurosawa são bem lentos também). É a mesma coisa.”

      Isso mesmo, ele se inspirou mas não achou que aquilo fosse funcionar pra ele, naquela época.
      Acho que você tem que ver a obra como um todo e não o tarantino, porque afinal ele é uma pessoa e as pessoas mudam com o passar do tempo, o que eu entendi foi que pra esse tipo de história ele deveria se adequar ao tempo em que foi feito o filme, não?

      Ah sim, lógico. Sempre dá pra mudar!

      Responder
  13. Bruno Portella

    Caraca, é exatamente isso! O filme é bom, mas péra lá, galera. E concordo plenamente que o fôlego acaba um pouco depois que eles se “separam”. Escrevi algo muito parecido na resenha:

    http://ovocesariano.wordpress.com/2013/01/26/filme-django-libre/

    Responder
  14. Marília

    Minha visão depois de ler sua resenha:

    Em nenhum momento enquanto assistia o filme, pensei “poxa, faltou um beijo de amor entre o Django e a Brunhilde”. Acho que não cabia ali uma cena romântica.
    [spoiler alert]
    O Dr. King morreu na hora certa. Se a dupla de caçadores de recompensa ficasse junta até o fim, ou um ia cada um pra um lado “tchau, depois vamos marcar de encontrar e tomar um chopp” ou o King ia ficar de vela (considerando que formar um trio com um casal que se reuniu após anos separados não é boa idéia: SECA hahaha).
    Se o King tivesse ido embora depois de tudo que o Monsier fez, seria como renegar o que ele acredita. Ele bem tentou, mas lembrando da Marsha vs D’Artagnan, não conseguiu. A morte dele dá mais valor ainda aos seus ideais.

    Essa é minha humilde opinião, também não assisti todos os filmes dele e não sou perita em Tarantino, como algumas das pessoas que comentaram aí em cima.

    Responder
  15. Tany

    Eu gosto de post assim, que tem mil comentários e opiniões. :)

    Eu amo o Tarantino. Kill Bill é um dos filmes que mais gosto e, pra mim, um dos melhores dele, e bom, é o estilo dele basicamente. Enfim, eu preferi Django a Bastardos Inglórios. Não sou muito fã de western considerando aos que já assisti, mas achei o filme melhor do que o esperado. Os personagens podiam ter se desenvolvido mais? Sim. Isso sempre seria a resposta em quase todos os filmes do Tarantino. Tem coisas em excesso? A participação dele é uma delas. Mas tem momentos preciosos e muito, muito bons mesmo ao ponto de você imaginar e antecipar por saber que é a assinatura dele.

    Django não é um filme que vai ser defendido com unhas e dentes e não é o melhor dele, de longe, mas ele vale a pena ser conferido e discutido e eu acho que isso já o faz um bom filme por si só.

    Responder
  16. Marília Andreo

    Acabei de assistir Django e não quis ler sua resenha antes, rs… Sabia pelo twitter que estava polêmica, mas achei que rolou um exagero em algumas críticas ao seu post.

    Em relação ao filme, apesar de ter gostado bastante, achei que faltou um certo capricho depois de um certo momento… Morrer por uma causa que não é sua, assim do nada, sem o Schultz ter mostrado em nenhum momento tanta inclinação para mártir foi estranho. Pra mim morreu do nada, parece que “ok, já cumpriu sua parte no filme, deixa o Django mostrar a que veio.

    Além disso, foi meio desnecessariamente comprido. Eu acho que faltou ritmo, e não quer dizer que “western é assim mesmo”, faltou fôlego, acho que o filme se perdeu em algum ponto…

    Pra mim não é “Tarantino, ame ou odeie”, não. Já gostei com reservas de algumas coisas dele.

    Uma observação besta, rs… Eu sempre comento aqui, hj tem outra Marília lá em cima, aconteceu outro dia em outro blog tb e me pergunto: vcs conseguem diferenciar quem comenta?

    Responder
    1. Fernanda Pineda

      Marília Andreo on 03/02/2013 at 11:53 pm said:

      Acabei de assistir Django e não quis ler sua resenha antes, rs… Sabia pelo twitter que estava polêmica, mas achei que rolou um exagero em algumas críticas ao seu post.

      Em relação ao filme, apesar de ter gostado bastante, achei que faltou um certo capricho depois de um certo momento… Morrer por uma causa que não é sua, assim do nada, sem o Schultz ter mostrado em nenhum momento tanta inclinação para mártir foi estranho. Pra mim morreu do nada, parece que “ok, já cumpriu sua parte no filme, deixa o Django mostrar a que veio.

      Além disso, foi meio desnecessariamente comprido. Eu acho que faltou ritmo, e não quer dizer que “western é assim mesmo”, faltou fôlego, acho que o filme se perdeu em algum ponto…

      Pra mim não é “Tarantino, ame ou odeie”, não. Já gostei com reservas de algumas coisas dele.

      Uma observação besta, rs… Eu sempre comento aqui, hj tem outra Marília lá em cima, aconteceu outro dia em outro blog tb e me pergunto: vcs conseguem diferenciar quem comenta?

      Então, acho que não é nem questão de ser polêmica, a real é que o cara tem muitos fãs e mexer com os ânimos é sempre um problema – vide qualquer post em que eu tenha criticado um artista pop, caso recente da Lady Gaga, que também critiquei E elogiei. Desencano de me incomodar porque as pessoas lêem o que elas querem ler também, mas se coloquei isso aqui é porque não só acho que tenho (a minha) razão, quanto discuti com outros “cinéfilos” a respeito antes de publicar… hahaha

      Sobre o nome, você é super fácil de identificar, Ma! Além de você colocar o sobrenome, ainda tem a fotinho! haha Mas fora isso, também podemos ver seu e-mail e IP… Mta gente tem IP dinâmico, mas dá pra saber quem é quem, sim!

      Responder
  17. Felipe

    Acho O Tarantino Genial Pulp Fiction Massa demais ,os filmes dele sempre deixam uma duvida ou pode se dizer que deixa alguma coisa faltando mais que não faz falta no enredo acho que ele deixa um espaço para que nós nas nossas cabeça conclua a Historia fora o humor embutido que ele ponhe na maioria de seus longas ,mais Confesso que fui mais pelo Dicaprio de cara sabia que esse papel dele ia ser foda e ele colocou no personagem a arrogância necessária.

    Responder

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