Bruna Surfistinha: “linda mulher” made in Brazil

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Deborah Secco virando “a surfistinha”

Eu conheci a então chamada Bruna através de seu blog. Não sei quem me passou ou se eu achei sozinha no meio dos destaques do Blogger, mas o fato é que eu li sim o diário online da Bruna Surfistinha.

Não tinha essa história de feed na época, a conexão era discada e eu, adolescente, entrei lá várias vezes para ler o conto de fadas que ela mesma fazia de sua vida como garota de programa. Era divertido, porque vinha com uma meia dúzia de verdades engraçadinhas, mas era também um tanto quanto mórbido.

Fui à coletiva de imprensa do filme “Bruna Surfistinha” na semana passada e, apenas de ouvir os atores falarem, percebi que dava para esperar algo no mínimo razoável, dada à preparação de elenco primorosa de Sergio Penna + uma história que também é, pelo menos, curiosa. Quer dizer, nossa “Uma Linda Mulher” é muito mais tapa de realidade do que Julia Roberts de over knee boots.

Chegando à sessão lotadaça do Shopping Iguatemi, tomei meu assento e não precisou de muito para ver que, realmente, Marcus Baldini tinha dirigido um filme de ator.

Deborah e o diretor, Marcus Baldini

Deborah Secco leva o filme como Bruna e Raquel, sim. Não porque o filme seja tecnicamente ruim, mas porque o roteiro assim o quis. Aliás, tecnicamente o filme não é bom, é ótimo: a trilha é boa e está lá emocionando no momento certo, a luz ou é bonita ou faz peles desnudas parecerem mais bonitas do que são e a direção de arte também é caprichada, não tenho do que reclamar.

Como conheci minimamente a história de Bruna/Raquel, não pelo livro, mas pelo blog e por entrevistas que ela deu pós-livro, percebi as adaptações feitas, mas não entendi a maioria. Exemplo? Raquel era adotada e tinha duas irmãs. No filme, ela é adotada e tem um irmão bem mais velho, este que faz questão de rejeitá-la em tempo integral e de ir até o inferninho em que ela se meteu para cuspir o nome de sua profissão.

Entendo perfeitamente a alteração: o fato dela ser amada por sua família e por suas duas irmãs não explica de maneira óbvia ela querer procurar o “caminho fácil”, mas com a adaptação feita, o irmão grosseiro ajuda bastante a construir uma Bruna prostituta mais verossímil, mas bem longe da original.

Pena que, infelizmente, o grande motivo para a existência deste irmão tenha ido por água abaixo. A justificativa para a adaptação na história é a cena em que ele “desmascara” a irmã, mas a sequência é uma grandessíssima porcaria, falando sinceramente. Não por ela, mas por ele, pelo ator que deixou tanto a desejar com uma cena dessas de presente.

Deborah fica rendida frente à câmera e ali está o pior momento dela, não por ter recebido uma cena dura, mas por ter recebido um parceiro incrivelmente ruim. E, olha, só topei fazer este spoiler pois a cena me deu vergonha alheia gigantesca.

Bruna Surfistinha e as colegas de trabalho

Falando nisso, Deborah Secco é inquestionável e surpreende. A loira cumpriu à risca o que deveria ser feito, perdeu o glamour, ficou nua em diversas cenas e só não mostrou tudo de frente porque aí o filme corria o risco de virar outra coisa. Provavelmente começa agora uma nova fase para ela e um cachê milionário na “Playboy” está à espera, se ela aceitar.

Vale a pena ver o filme prestando bastante atenção no roteiro, especialmente quando é uma história que pelo menos 250 mil brasileiros que leram o livro conhecem. Com tanta informação disponível de sua protagonista, a trama poderia ter sido diferente e ter se aprofundado em alguns temas interessantes, como o fato de Raquel ser adotada, seu período de indecisão até ela resolver fugir de casa e decidir ser prostituta, e também sua sede de fama absurda no período do auge.

“Bruna Surfistinha” não é memorável, mas é uma boa diversão, um bom filme. Tem cenas pesadas, tem sim senhor. Mas é a trama padrão do herói e, se a heroína é uma garota de programa que tentou resolver seus problemas de aceitação transando por dinheiro e não dando dinheiro no divã, podemos esperar que suas provações sejam o nojo, o suor, o sangue e o pó – não um outro obstáculo qualquer.

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ps: para quem quiser ver, está aqui a matéria com entrevistas exclusivas que fiz com os atores (inclusive a Deborah) e com o diretor Marcus Baldini para a TV UOL.

Comentários via Facebook

9 comentários

  1. Rafael Venturelli

    eu achei o filme uma porcaria. uma sessão da tarde super bem produzida. zzzzzzzz

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  2. Pedro Menezes

    Tb é uma coisa que me incomoda muito qdo os roteiristas criam subterfúgios banais pra justificar personalidades “desviadas”.. eu sempre lembro do “One Hour Photo”, em que o Robin Williams faz o excelente papel de um cara completamente sozinho, que alimenta uma vida falsa, espelhada nas fotos de uma família “perfeita”. O filme é todo construído em cima dessa solidão doída, contida, aflitiva.. Direção de arte e fotografia impecáveis, assim como a trilha e, claro, a atuação do protagonista. Spoiler à parte, os últimos 20 minutos destroem toda e qualquer intenção de elevar o filme a pivô de uma discussão mais profunda sobre as causas e efeitos das condições do personagem. Explicação fajuta, determinista, tosca. Uma grande pena.. pelo visto, o mesmo ocorre com a Bruna do filme né?

    Valeu!

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  3. Fernanda

    Parece que essa cena do irmão aconteceu mesmo, mas com o pai dela, que era o ogro da casa. Até entendo que eles tenham adaptado assim pra dar mais emoção pra historinha, sei lá, mas acho que a história real, com as duas irmãs, teria sido menos óbvia e rendido mais. E não sei, tô vendo opiniões bem divididas, mas gostei bastante do filme. Fui assistir sem dar nada por ele, achando que seria mais uma produção novelística no cinema, mas fui muito surpreendida. O diretor é bom, a trilha sonora é ótima e acho que foi o melhor papel que a Deborah Secco já fez (ela disse que se inspirou em Juliett Lewis e chorou ao ver Cisne Negro por se identificar com o processo de criação da personagem Nina com a Bruna Surfistinha dela. Então tá, né.).

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  4. Fernanda

    Fernanda on 28/02/2011 at 10:27 pm said:

    Parece que essa cena do irmão aconteceu mesmo, mas com o pai dela, que era o ogro da casa. Até entendo que eles tenham adaptado assim pra dar mais emoção pra historinha, sei lá, mas acho que a história real, com as duas irmãs, teria sido menos óbvia e rendido mais. E não sei, tô vendo opiniões bem divididas, mas gostei bastante do filme. Fui assistir sem dar nada por ele, achando que seria mais uma produção novelística no cinema, mas fui muito surpreendida. O diretor é bom, a trilha sonora é ótima e acho que foi o melhor papel que a Deborah Secco já fez (ela disse que se inspirou em Juliett Lewis e chorou ao ver Cisne Negro por se identificar com o processo de criação da personagem Nina com a Bruna Surfistinha dela. Então tá, né.).

    é, eu vi essa entrevista também!

    Eu gostei do filme também, mas vi algumas falhas no roteiro que me deixaram com raiva. Quando se trata de uma história real, algumas coisas simplesmente não podem acontecer! rs

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  5. Anne

    Acabei de assistir o filme e percebi que não vi a Raquel Pacheco fazendo participação especial, eu não prestei atenção ou não apareceu mesmo?

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  6. Fernanda

    Anne on 01/03/2011 at 5:21 pm said:

    Acabei de assistir o filme e percebi que não vi a Raquel Pacheco fazendo participação especial, eu não prestei atenção ou não apareceu mesmo?

    você não prestou atenção! hahaha Mas é muito rápido, ela aparece como hostess do Paris 6! :)

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  7. Anne

    Eu também cheguei a acompanhar o blog da Bruna, li o livro e confesso ter ido ao cinema com bastante expectativa, gostei do trabalho da Deborah, mas o filme em si, não gostei não…

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  8. Fabyana

    ireurfuhfg

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  9. Fabyana

    Acho a deborah secco linda otima atriz,só q eu acho q o filme poderia ter sido melhor,achei td muito preto no branco,se tivessem usada a historia como aconteceu realmete ia ser bem + emocionante,ali eles colokaram q ela era infeliz em casa maltratada pelo irmão e tudo mais,sendo q na vida real ñ era nd dakilo.Achei q eles foram infelizes em colokar esse irmão nada haver,não vi nada de novo nesse filme,vi apenas uma mulher dando pra ganhar dinheiro isso agente ve ate na eskina.

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