“A Origem”: o início, o fim e o meio

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Acho que a última estreia do ano a cair na boca do povo e por a galera pra pensar foi “Bastardos Inglórios”, do mestre em fazer filmes recheados e agradar cults e pops, Tarantino. Agora, o título que ouço em todas as mesas na hora do almoço, o campeão das discussões de gente que talvez só adore cinema blockbuster, é “A Origem”.

Do mesmo diretor do último “Batman…”, Chris Nolan, o longa também roteirizado por ele bebe da fonte do mistério do universo onírico, tema de tantos filmes e, aliás, de tantos clássicos.

A pergunta clichê de música sertaneja “será que foi sonho ou verdade?” vem à tona de forma pesada durante os 148 minutos de filme e por essa razão, ao meu ver, a obra tem aí uma grande chance de se tornar o novo “Matrix“, no sentido de render assunto para uma trilogia e de quebra fazer os jovens olharem para si mesmos sem precisar ser chato para isso.

Com ação, efeitos especiais e Leonardo Di Caprio sendo o tiozão da galera, “The Inception”, em português “A Origem”, conta a história de uma trupe especializada em roubar ideias e segredos das pessoas enquanto dormem.


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Um belo dia, o grupo recebe a proposta que significaria a redenção para Cobb (Di Caprio), que finalmente poderia voltar ao seu país natal, Estados Unidos, e se livraria da acusação de ter matado sua mulher, Mal (Marion Cottilard). A proposta não é nada fácil: ao invés de surrupiar um segredo, o grupo tem a difícil tarefa de inserir uma ideia forte e construída na mente de um herdeiro, para que ele tome uma decisão diferente de seu falecido pai nos negócios.

Os diálogos rápidos conduzem a trama e vamos entendendo esse mundo ilimitado da mente através de uma novata que integra o grupo,  Ariadne (Ellen Page). A jovem estudante de arquitetura é responsável pelo design do sonho e é a única corajosa o suficiente para questionar o inconsciente dos outros ladrões, que também surgem sem avisar durante os assaltos de ideias, trazendo suas culpas, seus desejos e medos.

Como a história corre sem explicações detalhadas ou explícitas, todos nós saímos do cinema com vontade de quero mais. O filme tem um poder imenso de mexer com quem já teve um sonho tão real que se confundiu (eu!) e mostra como até pessoas comuns podem conduzir e entender processos terapêuticos eficazes, uma vez que a turma de Cobb precisa lidar com a relação ‘pai e filho’ na cabeça de um estranho, sugestionando-o e induzindo-o a pensar diferente.


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Durante os mergulhos nos inconscientes, temos a clara noção de que “roubar ideias” é algo que já foi alardeado no universo do filme, a ponto de pessoas poderosas armarem seus inconscientes contra este tipo de ataque. Logo, além do ponto de interrogação deixado pelo final com cara de enigmático, ficamos com uma bela vontade de ver na telona a origem dos furtos de sonhos.

O fim já está aí, só espero que agora lancem o início e o meio. Dá pano pra manga, e Leonardo Di Caprio se tornou um belo atorzão. Vale o ingresso!

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9 comentários

  1. Caio Costa

    Sinceramente, torço que Nolan não faça uma trilogia de A Origem para não perder o encanto e impacto que tivemos com a obra como ocorreu em Matrix. Lost foi querer explicar demais e deu no que deu.

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  2. Tiago Andrade

    O melhor filme do ano, sem brincadeira. Christopher Nolan consegue criar um roteiro instigante, coeso e didático na dose certa, explicando todo o seu universo sem se tornar chato ou deixar nenhum buraco.

    Além disso, ao melhor estilo Lost, pipocam teorias nas Internê sobre o que REALMENTE aconteceu no filme, questionando se tudo o que vimos não era um sonho dentro de outro ad infinitum, afinal.

    E Leonardo DiCaprio, quem diria, está virando um grande ator…todos aqueles anos trabalhando com Martin Scorsese valeram a pena, afinal.

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  3. Fernanda

    Caio Costa on 18/08/2010 at 7:44 pm said:

    Sinceramente, torço que Nolan não faça uma trilogia de A Origem para não perder o encanto e impacto que tivemos com a obra como ocorreu em Matrix. Lost foi querer explicar demais e deu no que deu.

    isso é algo a se observar, mas nem Lost explicou tudo que podia. Quer mistério, faça o mesmo. rs :)

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  4. Tati

    Amei A Origem! Saí do cinema absolutamente atordoada! Se é o novo Matrix, não sei. Creio que A Origem falha em se explicar demais, acaba ficando muito didático. Matrix é mais direto (talvez por que o conceito seja mais simples, não sei…). Mas enfim, filmão no melhor sentido da palavra!

    *Só uma ressalva, o filme tem 148 min, não 120! :)

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  5. Fernanda

    Tati on 18/08/2010 at 8:19 pm said:

    Amei A Origem! Saí do cinema absolutamente atordoada! Se é o novo Matrix, não sei. Creio que A Origem falha em se explicar demais, acaba ficando muito didático. Matrix é mais direto (talvez por que o conceito seja mais simples, não sei…). Mas enfim, filmão no melhor sentido da palavra!

    *Só uma ressalva, o filme tem 148 min, não 120! :)

    puxa, eu NÃO achei didático. Ele explica o que precisa ser explicado, mas muita coisa fica pra trás. Não dá pra entender, por exemplo, de onde vem aquele aparelho, quem inventou, como, onde… Eu acho que respostas a essas perguntas realmente renderiam algo mais! rs

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  6. Carina

    Gostei do filme também e em muitas partes, me lembrou Matrix e Lost. Mas devo confessar que não achei TUDO isso também. Como numa crítica que li, é pra gente pensar bastante no cinema, mas parar quando a luz do cinema acende. Acabou, acabou. E de jeito nenhum gostaria que houvesse uma trilogia, uma explicação! Acho que a graça do filme, o poder do roteiro e desse monte de mundos construídos em sonho tá em não se ter explicação e a gente ficar brincando de adivinhar e cada um ir criando seu ponto de vista. :)

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  7. Julia Gama

    Eu ja estava mega afim de assistir
    agora então…

    Adoreii

    Beijoos

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  8. Flavia

    Ué!Minha professora de rádio falou que achou que no filme eles explicam demais… Pra compensar o Amnésia no qual vc assiste 3 vezes pra entender.

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  9. - 129 filmes de 2010 | Fake-Doll

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