Todas as cartas do mundo

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post secret.

As cartas mais importantes da minha vida foram escritas em papel de pão. Guardanapos. Bordas de sulfite.  Improvisadas. Tanto as que mandei quanto as que recebi. E por cartas entenda-se bilhetes, mensagens ou qualquer outra coisa importante o suficiente para ser escrita e não simplesmente dita sem registros, ou para ser escrita simplesmente porque ambas as partes não conseguiriam verbalizar com sobriedade tais palavras ao vivo.

Conversas importantes ganham espaço na tela do MSN ou na telinha do celular, em SMS’s mal digitados, muitas vezes com dedos trêmulos, ou desfalcados por outra atividade mais importante, como dirigir. Em outros casos, assuntos saem debaixo do tapete em e-mails não revisados e cheios de conteúdos mal resolvidos. E-mails e cartas que se repetem, mudam-se os remetentes, não os assuntos. Alguns recados que vamos receber a vida inteira – e de novo e de novo.

Por algum motivo, as cartinhas e cartões bonitinhos, programadinhos e sem sentido amplo vão abandonando nossas vidas conforme ficamos mais velhos, até que se atinge um ápice  e eles voltam a tornar-se simples cartões. De qualquer modo, no meio do caminho os cartões de Natal vão ganhar assuntos maiores do que só a comemoração. Cartões de aniversário vão celebrar outras conquistas. Cartões de desculpas vão trazer uma longa história…

Na infância ficam os greeting cards puros e simples, os papéis de carta perfumados e as sulfites coloridas que só serviam para dizer para tal amiga ou amigo o quanto eram importantes. Lembrar a alguém o quanto ele significa é simplesmente ótimo, mas por algum motivo também deixamos de fazê-lo ao longo da vida, de forma que mesmo com esses tais amigos de infância brigávamos por bilhetinhos mal escritos no meio da aula – e não nos papéis de carta da coleção.

Hoje, essas pessoas não nos mandam mais cartinhas cheirosas, mas lembram vez ou outra de encaminhar um e-mail com piadas, e de uma certa forma você se lembra que aquela pessoinha ali ainda  sabe que você existe, pois enviou a charge sabendo que teria tudo a ver contigo. Ou não. Ou seu amigo encaminha tudo para todo mundo, e se você não passar adiante terá sete anos de azar.

De qualquer modo, a vida também não permite que vocês se encontrem mais. É mais fácil discutir a relação por MSN, se um dos dois estiver online e o outro topar falar mesmo aparecendo offline. Algumas conversas às vezes serão longas, outras breves, porque a internet é fria e sempre alguém não vai entender por completo o que o outro quer dizer. Antes o telefone era assim, hoje é a web, amanhã sabe-se lá o que.

Sei que muitas dessas conversas eu gostaria de ter guardado, gostaria de não ter perdido de um chip de celular para o outro, de ter arquivado os papos no computador aquela semana, de não ter deletado aqueles e-mails todos num momento de raiva. As fotos até entrariam na mesma categoria dos bilhetes, mas elas são só versões para papéis de carta perfumados.

As mensagens mais importantes vieram por escrito e estão guardadas. As que sumiram durante um momento de fúria talvez não valessem espaço na minha memória.  Posso até não procurá-las, posso até não abrí-las, mas o fato de estarem ali me fazem pensar que guardei vivo o acontecido, algo que eu jamais seria capaz de fazer com uma conversa ao vivo.

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6 comentários

  1. inara

    sabe, durante três anos escrevia cartas diariamente pra Paraíba, já que meu ex-grande amor morava lá. contava de tudo e tentava colocar desse tudo um pouco:papéis que fizeram parte daquela semana, o perfume novo que estava usando,a foto que acabara de tirar… isso resultou não só numa caixa de cartas -respostas, como em uma outra de rascunhos. é, eu tive a brilhante idéia ( e paciência) de fazer rascunhos de todas as cartas de pelo menos três páginas que escrevia.hoje tenho as duas versões da história: a minha e as respostas dele.até mesmo com muitos e-mails faço uma cópia. não sei se isso é totalmente inútil,mas reler o que escrevo me faz redescobrir muito sobre mim.

    gostei muito do que li por aqui.
    =)

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  2. Tainara

    Gostei do seu último parágrafo,princilpamente, qdo vc fala que “algo que eu jamais seria capaz de fazer com uma conversa ao vivo”, pois há na minha vida muitos fatos que foram escritos em cartas, como declarações de amor e amizade enterna, que a probabilidade de serem ditas ao calor das emoções seriam baixas.Mas mesmo assim apresentam grande importância no ser que eu sou hj.
    Achei engraçado qdo vc disse dos papéis de carta, pois voltei a minha 5 série ao lembrar que a professora de redação incentiva mandar cartinhas coloridas aos nossos melhores amigos. Ah, e aqueles que tinham a honra de recebe-las ganhavam o dia!

    Muito bom o post!

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  3. Suelen

    Oiee, Fer cadee a próxima parte de sua viagem, prometeu que não demoraria, to super curiosaaa huauhauh bjuss

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  4. Nathasha

    Tenho alguns desses papeis picotados, recados e outras papeladas enfiadas em pastas e fichários e não quero me desfazer de nenhum. Ainda tem aquelas conversas de msn (ou histórico dele) que marcam alguma coisa e vc guarda pra posteridade.
    Mas eu mesma nunca fui lá muito generosa em responder as cartas ou cartões que me mandavam e é provável que eu não vá ler nunca mais a maioria desses papéis, mas marcaram alguma coisa importante.
    E são as coisas importantes a única parte do passado que valem a pena pra reviver de vez em quando.

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  5. ana paula

    muitoooooooooooooo ruuiimmmmmm

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