Sobre a tal promiscuidade emocional.

qua

Só por hoje, tá?

O título pressupõe uma pegação louca, uma obsessão randômica desvairada por pessoas diferentes, uma por mês, por semana, por dia. Mas é bem menos que isso, é bem mais simples, e não necessariamente envolve sexo, beijo ou andar de mãos dadas.

Tem gente mesmo que se apaixona a cada noite ou acha que encontrou o amor de sua vida em todas as bocas. Ingenuidade ou sentimentos à flor da pele? Sei lá. Sei que a tal “promiscuidade emocional” também está aí para quem dedica boa parte de sua vida para uma pessoa diferente por semana e dá a esta pessoa simplesmente a alcunha de “amigo”. Amigo mesmo, tá? Amigo preto e branco, amigo pra chorar no telefone de madrugada e pra te dar aquele convitinho VIP que você tanto queria.

Daí então o “melhor amigo da semana” do promíscuo (a) em questão torna-se o primeiro a ouvir todas as fofocas, o primeiro a saber dos segredos, aquele que sabe da festa da semana em primeira mão através do outro. O amigo, que provavelmente só seria um conhecido, se torna amigo mesmo, bota até inveja nos camaradas que já conheciam o volúvel há anos. Vai dizer que nunca viram isso por aí?

Eu sou do tipo que tem poucas amizades e acho que nem é uma escolha consciente minha, simplesmente aconteceu e talvez daí venha minha incompreensão com trocar de amigo como quem troca de roupa.  Olho pro lado e acho engraçado quem tem um melhor amigo hoje e dali um mês, dois, tcharam! Pergunte sobre o  fulano de tal e ouça um: “quem??? Não conversamos mais”.

Tem muita amizade sazonal por aí, principalmente daquelas que você faz num cursinho de jardinagem para apartamentos, ou num evento lotado de gente e calha de ter alguém simpático ao seu lado, alguém com quem você vai encontrar pelos próximos dias de congresso e por aí vai.

Essas amizades eu até entendo, normal. Agora como tem gente que encontra o seu super confidente hoje, banca o brother com ele e semana que vem simplesmente esquece tudo o que já passou, pois agora são… Hm… Colegas? Tipo… Bye bye históricos de MSN,  replies no twitter, as ligações, os BARES AO VIVO e todo o tempo imensurável que o outro ser passou investindo naquele relacionamento, achando que realmente tinha conseguido cumprir a resolução de ano novo de “fazer mais amigos”.

Sei não. Não consigo. Não acho legal, não acho que é amizade. Não acho nem ao menos saudável – e não deve ser mesmo: dá pra lembrar rapidinho de pelo menos umas três patologias que envolvem mudanças bruscas de humor.  Mas quer saber? Não tenho nenhum conselho elevado para dar sobre isso, a não ser dizer: o que vem fácil, vai fácil.

Talvez antes do “promíscuo” resolver trocar de coleginha, o próprio colega já tenha riscado seu nome da agenda.

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15 comentários

  1. Loveroxfan

    Que lindo texto!

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  2. Vy

    Também não entendo como as pessoas fazem amizade tão fácil! Pra eu considerar amigo mesmo demora, pra confiar a ponto de virar confidente então! Tanto que tenho amigos desde o jardim da infância (literalmente!) e não os troco por nada! Desconfio de pessoas que querem ser super amigas do dia pra noite, realmente não dou confiança não! Mas acho estranho que alguma pessoas me adoram por nenhum motivo. Bom, assim, como me odeiam sem nunca nem olhar na minha cara!

    Bjo

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  3. Lusinha

    Bom texto Fê!
    Bjitos!

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  4. Sara

    Muito bom! Há tempos venho pensando em escrever sobre isso, mas acho que o título e o texto que você criou demonstram exatamente o que eu pensava.

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  5. Bárbara

    Por um bom tempo quebrei a cara com esse tipo de confusão. A maior prova disso foi quando terminei um namoro e descobri que os “amigos” na verdade eram amigos de uma situação, de um casal. Acho que de todas as decepções emocionais essa foi uma das mais chatas.

    Mas hoje, enfim, aprendi a separar um pouco as coisas. Posso dizer que não tenho amigos hoje, não confio plenamente em ninguem. As vezes sinto falta disso, mas penso também que é o melhor que consegui até então.

    Adorei o texto! Abraços!

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  6. Dany

    Bárbara, entendo bem a sua situação e pensava q eu era a única que me sentia assim…

    É muito ruim, a gente se sente meio que “desamparada”, né??

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  7. Eric Coutinho

    Ih, caralho. Nem sabia que isso tinha nome. hahaha
    Eu não tenho amigos duradouros, foram poucos que duraram mais de 5 anos (e só tô lembrando de 2).
    Também não sou rodeado de gente, pelo contrário, bem reservado… mas já tive relações assim váaarias vezes. Não sei porque, nem pra que, nem o que houve, tanto pra começar como pra terminar.
    O detalhe que não sou o “outro lado”, sou o “promíscuo”. Bem escrito o texto.

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  8. Fernanda

    Bárbara on 13/01/2010 at 7:06 pm said:

    Por um bom tempo quebrei a cara com esse tipo de confusão. A maior prova disso foi quando terminei um namoro e descobri que os “amigos” na verdade eram amigos de uma situação, de um casal. Acho que de todas as decepções emocionais essa foi uma das mais chatas.

    Mas hoje, enfim, aprendi a separar um pouco as coisas. Posso dizer que não tenho amigos hoje, não confio plenamente em ninguem. As vezes sinto falta disso, mas penso também que é o melhor que consegui até então.

    Adorei o texto! Abraços!

    Eric Coutinho on 13/01/2010 at 8:21 pm said:

    Ih, caralho. Nem sabia que isso tinha nome. hahaha
    Eu não tenho amigos duradouros, foram poucos que duraram mais de 5 anos (e só tô lembrando de 2).
    Também não sou rodeado de gente, pelo contrário, bem reservado… mas já tive relações assim váaarias vezes. Não sei porque, nem pra que, nem o que houve, tanto pra começar como pra terminar.
    O detalhe que não sou o “outro lado”, sou o “promíscuo”. Bem escrito o texto.

    Com certeza, mas acho que ainda é melhor do que se enganar, não é? =p

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  9. Fernanda

    Eric Coutinho on 13/01/2010 at 8:21 pm said:

    Ih, caralho. Nem sabia que isso tinha nome. hahaha
    Eu não tenho amigos duradouros, foram poucos que duraram mais de 5 anos (e só tô lembrando de 2).
    Também não sou rodeado de gente, pelo contrário, bem reservado… mas já tive relações assim váaarias vezes. Não sei porque, nem pra que, nem o que houve, tanto pra começar como pra terminar.
    O detalhe que não sou o “outro lado”, sou o “promíscuo”. Bem escrito o texto.

    o nome é uma expressão pessoal minha que eu acho que se enquadra muito bem pra situação! rs Eu também não sou cheia de longas amizades, mas realmente acho complicado quando as coisas vão e vem e as pessoas nem se dão conta da dedicação desperdiçada com amizades que nem sempre foram saudáveis.

    É uma questão de analisar, né? Se no seu caso são apenas colegas “sazonais” ou se você tem tratado realmente essas pessoas como “brothers”. rs :)

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  10. Dani

    Eu não tenho muitos amigos. Na verdade, amiga de verdade mesmo, tenho só duas. Os outros, são apenas “conhecidos” pra mim. Não deixo de falar com eles, quando posso.
    Eu gostaria de ter mais amizades, mas verdadeiras. Infelizmente não é fácil, acho que sou sempre a vítima nessas coisas, eu acho que ganhei um amigo novo e quando vejo a pessoa está falando mal nas minhas costas, ou só falou comigo por que estava querendo alguma coisa. Não só pela internet, mas na vida real também.
    É muito ruim. Mas já aprendi e hoje não ligo muito quando isso acontece.

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  11. Nicas

    Nossa, mas eu já quebrei tanto a cara nessas!
    Você vai lá, oferece o ombro, chora junto, sai, arranja ingressos e convites mirabolantes para você e o amigo se divertirem e um mês depois você nem existe mais! E o pior é que e demoro pra me tocar, eu sempre acho que a pessoa tá com problemas no momento e ocupada pra sair, até ofereço ajuda…. #trouxa. Bom, o consolo é que com o tempo a gente tende a ficar mais esperta, espero.

    Beijos!

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  12. Uaba

    Também não gosto desse tipo de amigos que vc descreveu. Ninguém vira bff em uma semana, podem ter gostos parecidos e tudo mais, mas isso não indica amizade! E, normalmente, esse tipo de amizade termina em briga, em gente sendo falsa, em mágoa. Pior, as pessoas esquecem do fato em uma semana e voltam a ter um bff novo. Por isso que eu só tenho dois amigos, de infância. O resto é tudo conhecido, colega… aliás, devia ter um nome pra quem não é 100% amigo, né?!
    Adorei o texto. Bjs :D

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  13. Alice Désirée

    Eu tenho pouqíssimos amigos, também não foi escolha assim, simplesmente aconteceu, e eu até gosto que seja assim mesmo!
    =1

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  14. @romullo

    O lado bom de ter poucos amigos e poder se dedicar e cultivar amizades verdadeiras!

    Se pergunte: qualidade ou quantidade? pos é…

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  15. Nathasha

    Em relação há algumas pessoas, eu demoro algum tempo pra engrenar a amizade que eu considere verdadeira. Converso fácil, sou simpática e faço uma turma sazonal rápida, mas sou desconfiada pra laços duradouros. Mesmo assim, tenho algum grau dessa promiscuidade emocional já que faço amizades e não mantenho tanto contato.

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