
Clementine em “Brilho Eterno…” : pintando o cabelo e apagando a memória.
Mulheres têm essa coisa de querer mudar o visual de vez em quando. Um dia você acorda, dá a louca, se olha amassada no espelho e resolve que precisa ter outro cabelo. Provavelmente porque alguma mudança aconteceu em sua vida e você sente que precisa mostrar isso pro mundo e convencer você mesma. Ou não: às vezes você nem se deu conta disso, mas achou 500 referências boas daquela atriz absolutamente trendsetter e teve uma epifania de caráter capilar.
Às vezes você terminou um namoro. Trocou de emprego. Teve uma idéia grandiosa. Entrou na faculdade, mas não vai raspar zero. Ganhou algum tipo de promoção no salão mais foda da cidade e acha que a melhor forma de aproveitar o presente é se tornando uma nova pessoa. Entendam, homens: esta é mais uma do maravilhoso mundo das mulheres. Nós somos assim – e eu, pessoalmente, não entendo como vocês não se enjoam temporariamente de seus cabelos. E ai do namorado/amigo colorido/peguete/marido que não reparar que tiramos 2 cm das pontas!
Para expressar uma “nova fase” ou um novo “lifestyle”, é claro que você poderia emagrecer meia dúzia daqueles kilos que te incomodam, siliconar os air bags ou renovar o guarda-roupa, mas algumas dessas alternativas custam tempo$$ demais, e o cabelo, esta extensão mais morta de nós e ao mesmo tempo a mais visualmente valorizada, está aí pra isso. Tipo, você releva aqueles cravos que apareceram do nada, mas se o cabelo começou a ficar uma bosta com o shampoo importado, vai ser um drama total!
E eu só estou falando tudo isso porque chegou minha hora de expressar meu novo eu. Meu cabelo ondulado está gigante(!) e, bem, ele cresce na velocidade da luz para um cabelo ondulado. Obviamente que ondulados não crescem menos, mas eles aparentam sempre menores por conta das ondinhas. E eu tosei o bendito antes de viajar em janeiro (no dia do embarque), e agora ele já cresceu mais de um palmo. Believe it or not.
Nada de radical será feito aqui, uma vez que só tenho coragem de cortar franjinha uma vez por ano – e já que eu tenho aquela vontade doida de deixar o cabelo reto pelo menos uma vez na vida (nunca consegui). Então, a hora é agora: tirar só as pontas ou arriscar?
Considerando que subi um nível no jogo da vida e estou na fase “I love myself”, não no sentido narcisista da coisa, mas sim no sentido “tenho tudo o que preciso”, acho que vou arriscar nas pontas. Mas, calma! Não tanto. Eu evoluí, não perdi o juízo (nem nasci de cabelo escorrido-posso-tudo). E lá vou eu buscar 500 referências…
“A minha voz continua a mesma, mas os meus cabelos…”
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