Aprendendo a andar de bicicleta.

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Sentiram saudade? Primeira filosofada do ano. 8)

Eu sempre fui do tipo que cuida dos rapazes. É claro que, nesta posição, também sempre reclamei da falta de ação deles, da falta de atitude e etc. e tal. Manipuladora, controladora, mas também carinhosa e preocupada. Obviamente, quem faz muito, costuma receber bem pouco. O que não significa receber nada, mas sim que, se compararmos, de fato recebe-se menos.

Com o tempo de solteira e sem cuidar de ninguém, fui cuidando de mim mesma (o que é bom!) e desapegando-me da obrigação de cuidar. Desavisada, eu também passei pela ridícula experiência de me enganar e me entregar para o deleite e divertimento de um Don Juan que “não precisava receber”. Um daqueles que oferece, envolve e seduz (pacote completo) e que quando percebe que você é alguém okay, enfia o rabo entre as pernas e se esconde na toca (estereótipo completo). Mas, águas passadas, leite derramado.

O fato é que hoje eu não sei mais “me” oferecer tanto quanto antes. Cá pra nós? Isso é um avanço. Agora posso encontrar pessoas que sejam capazes de oferecer para mim, uma vez que, consequentemente, a minha capacidade de receber aumentou. Quando você oferece demais, acaba exigindo algo em troca, o que geralmente não acontece, já que algumas pessoas realmente dão muito, muito menos. Daí, tcharam! O príncipe vira sapo, desligado e descompromissado demais pra você e é melhor terminar: “ele não muda, mesmo!”.

Depois de avançar da fase “vou ser mãe do meu namorado”, vem o problema. O problema é quando você encontra alguém que não precisa de uma mãe. Você se agita toda por dentro, porque ele realmente parece ter muito a te oferecer. Muito mesmo, de verdade. Daí você olha pra você mesma, de cima abaixo, e treme, de cima abaixo, porque vê que, comparativamente, irá fazê-lo receber pouco. E, sei lá, pensando bem: será que eu sei receber?

Seja pela experiência de vida, seja por N outras coisas, você senta ali na mesa daquele restaurante e simplesmente não acredita na enorme quantidade de bulshit que tá falando para aquele cara que já ouviu tudo isso antes: “Ouviu, não ouviu? Tá, deixa eu ficar quieta. Afinal de contas, né? Quem sou eu pra falar? Hahahahah… É, fala você, conta. Não conheço isso, não. Me explica?”

Dizem por aí que este é o famoso “medo” da maturidade alheia. Aquele medo de receber. Porque é fácil dar, né? Você pode dar de braços cruzados. Agora, pra receber, tem que abrir os braços e agarrar o que vem do outro. Aí você enfia a insegurança na bolsa e carrega pra todos os encontros, de forma que a sua proporção de entrega não é a mesma e costumeira: “tipo, não estou sendo eu. Quer dizer, estou ridiculamente racional. Oi? Eu não sou assim!”

Dizem por aí também que isso recebe o nome de auto-proteção. Depois de cair diversas vezes de uma bicicleta, você coloca um capacete para não quebrar a cara. No caso, você vai lá e constrói um muro invisível em torno de si. É uma alternativa pessimista? Sim, claro. Mas é okay, explicável. Até faz sentido. Só que a coisa muda de figura quando você apresenta uma taxa inferiorizada de inteligência e uma teimosia de porta, de forma que todas as suas experiências passadas transformam-se em “leite derramado” e você segue. Continua enfrentando as curvas sem joelheira nem cotoveleira.

Então, sim. Se você abriu mão do equipamento de segurança, por que raios calcula cada virada de forma tão meticulosa? Por que tanta racionalidade? Me diz, por Deus, por que esse temor de tirar as rodinhas??? Cadê os sinos tocando, aliás? Não era nesse tipo de curva que eu procurava me perder há tanto tempo?

Conscientemente, não há medo. Claro que não! Senão eu teria meu capacete embaixo do braço ao invés da Sra. Insegurança: “Bah, ele não quer nada. Quer dizer, não sei. Ele já tá aqui há um tempo, não tá? É mesmo.”

Aí tu fica na corda bamba. Não sente os calafrios, mas sente saudade e calcula toda e qualquer palavra que for sair da sua boca: “Será que eu sou eu com você? E se eu não sou, se algum dia eu conseguir ser, você vai gostar ainda assim? … Será que só eu que não tô sentindo os calafrios? Ou será que esse é aquele lance que todo mundo fala, de não ter chilique e paixonite, mas sentir um troço mais profundo?” Aliás, essa porra existe?! Eu sou uma romântica.

Bah! As coisas carnais são tão mais fáceis de entender que isso!
O fato é que quando você percebe, já é tarde demais. Gasta-se muito mais tempo tentando entender o que aconte com você mesmo ao lado do outro do que, de fato, tentando entender o outro; dada a esquisitice da coisa toda.

Entendam: não é egoísmo, é só estranheza. É só um quê de “não faz sentido” que fica no ar, apurrinhando a cabeça e tornando a mais inocente das comédias românticas uma verdadeira equação diferencial sobre rodas. E olha que a saudade está aí. Tudo ao mesmo tempo.

Depois de tudo, continuo achando que não faz sentido.
É por isso que eu gosto de tudo explicadinho: porque “fazer sentido” não é exatamente obrigatório, mas ajuda. E muito!

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Comentários via Facebook

13 comentários

  1. Gravataí Merengue

    Muito bom, Fe! Excelente! :)

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  2. Ana Castro

    Fernanda,
    Tentei escrever mil coisas, refleti sobre entender ou não entender, ser ou não ser (rsrs), dar e receber, todos esses opostos, que como um casal descontente, nunca fazem e nunca vão fazer sentido juntos.
    Pra mim, todo o problema não está ligado a eu entender o outro ou vice-versa, e sim a cada um entender e deixar claro o que quer, porque toda pessoa que não sabe o quer da vida, ou não deixa claro o que quer da vida, acaba tornando a vida da outra pessoa um inferno, e é isso que não faz sentido para mim, a pessoa não saber o que quer ou brincar com o que os outros querem.

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  3. Sabrina Mix

    Oi!!!

    Quer ganhar uma caricatura personalizada? Então pegue o selinho que deixei para você lá no meu blog para poder ganhar a sua e me ajude a ganhar a minha!

    Beijos e sucesso!!!

    Responder
  4. J.F. de Souza

    Sabe o que eu acho legal nesse tipo de “textos” que refletem nossas idéias? É que eles sempre parecem ser um tanto difusos – e confusos – como as ditas idéias! =P

    Acredite: não estou tentando avacalhar o que você escreveu! Pelo contrário, gostei muito! Consegui embarcar na idéia toda – ou quase toda, eu acho… =)

    Vamos viajar…
    ———————————

    Sim, você não tem medo das curvas…
    Mas… Depois da curva, o que há? Não consigo ver…
    O que há depois da curva? Um abismo? Um carro vindo na contramão? O caminho pra felicidade?
    Nah… Normalmente, mais curvas. Com subidas e descidas.
    E alguns retões.
    Pra clarear as idéias, pra andar mais de leve, descansar.
    Ou dar uma esticada, ir mais longe.
    Mas você pode parar por aí, se quiser.
    Somos livres. Livres pra ir e vir.
    Os caminhos por onde você vai e vem, você pode escolher.
    Mas, no geral, todos os caminhos são iguais.
    Dependendo do lugar praonde você quer ir, podem haver vários caminhos que te levam ao mesmo fim.
    Mas, no fim, não importa chegar. Importa o quanto foi bom percorrer o caminho que se escolheu.

    ——————————————–

    Pronto! Viajei bastante já! =P

    Bjão! =*

    Responder
  5. Fernanda

    J.F. de Souza on 19/02/2009 at 4:11 pm said:

    Sabe o que eu acho legal nesse tipo de “textos” que refletem nossas idéias? É que eles sempre parecem ser um tanto difusos – e confusos – como as ditas idéias! =P

    Acredite: não estou tentando avacalhar o que você escreveu! Pelo contrário, gostei muito! Consegui embarcar na idéia toda – ou quase toda, eu acho… =)

    Vamos viajar…
    ———————————

    Sim, você não tem medo das curvas…
    Mas… Depois da curva, o que há? Não consigo ver…
    O que há depois da curva? Um abismo? Um carro vindo na contramão? O caminho pra felicidade?
    Nah… Normalmente, mais curvas. Com subidas e descidas.
    E alguns retões.
    Pra clarear as idéias, pra andar mais de leve, descansar.
    Ou dar uma esticada, ir mais longe.
    Mas você pode parar por aí, se quiser.
    Somos livres. Livres pra ir e vir.
    Os caminhos por onde você vai e vem, você pode escolher.
    Mas, no geral, todos os caminhos são iguais.
    Dependendo do lugar praonde você quer ir, podem haver vários caminhos que te levam ao mesmo fim.
    Mas, no fim, não importa chegar. Importa o quanto foi bom percorrer o caminho que se escolheu.

    ——————————————–

    Pronto! Viajei bastante já! =P

    Bjão! =*

    hahaha
    O que eu mais gosto nesta história de “caminhos e curvas” é que é importante saber onde você quer chegar, senão não importa onde você está. E a questão é essa! Onde você está, com quem, você quer trilhar esse caminho com essa pessoa, mesmo que ele seja curto, mas que te ensine muito?

    É por aí. :)

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  6. Ariane

    Entendo completamente essa estranheza q vc está sentindo, e no meu caso tem a ver cm a profunda decepção q eu sofri. Sim ,eu era idiota o bastante pra me permitir ser romântica no mundo atual no qual mulheres estão desesperardas atrás de macho e por isso roubam, seduzem e sacaneiam os machos alheios. Se antes eu tinha uma uralha a minha vota, hj eu nem faço parte desse planeta. Aos 25, confesso, ainda tenho esperanças de encontrar alguém legal…mas não sonho mais com amor eterno, e sim com cumplicidade e amizade…pq dps de um tempo até o amor acaba, e o q fica é o carinho, o respeito e a lealdade. Talvez eu esteja perdendo toda a diversão…difícil saber….mas cada vez menos compreendo o q leva 2 pessoas a jurarem laços eterno, e pior, a botarem num papel tal juramento.
    Vish, viajei =P
    Bjão.

    Responder
  7. Isis

    No momento, confesso que prefiro ficar dentro de um muro invisível, mas tocável. Enfim…

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  8. J.F. de Souza

    “Onde você está” é o que menos importa. (Afinal, se não se está onde se quer, é só sair de onde se está.) =P

    Daê, como vc ressalta, sobra “onde você quer chegar”. A partir daí, você escolhe seu caminho.

    O resto – e nisso se inclui qualquer pessoa que você encontre e se envolva no caminho (ou mesmo antes de começar a jornada) – é conseqüência!

    =)

    =*

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  9. ana

    Estou aqui pensando nas suas palavras e em muitas delas lembrei de mim. Acho que todas as mulheres que não vivem numa ilusão pensam dessa forma… Não nego que sofri, chorei, fui bobona/romantica e agora não sou mais. Gelo em pessoa? Não sei… Apenas deixo o ‘destino’ tomar conta disso. Ok, frase clichê, mas vou fazer o que? Sonhar com principe encatado? Prefiro viver a minha vidinha que ela está muito boa.

    “Faça o que tu queres, pois é tudo da lei” é isso que eu tenho a dizer! rs
    E que eu gostei do texto Fê… :)
    bjo!

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  10. Raphaella

    Pior é quando tudo acontece simultâneamente. Eu estava cuidando de mim, quando sem querer comecei a cuidar de alguém, dei tudo que tinha, mas não recebi nada. Oquei, quem manda dar, né ? Enfim, depois comecei a receber por outro lado, de onde nem esperava. E este ‘lado’ não me deixa cuidar, só quer me dar tudo que eu queria receber de quem eu dou. Porém se receber é tão bom, pq tenho receio disso, e não tenho receio nenhum de dar e sofrer por não receber nada do primeiro ‘lado’ ? Novela mexicana é minha vida atual, dá até vergonha.

    Seus textos filosóficos, arrasam, amigue.

    =*

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  11. Nathasha

    Na boa, esses textos filosóficos que resumem e expõem (por coincidência ou sei lá!) o que EU faço, e como eu me sinto, de um jeito tão prático e exato me dão medo, quando escritos por outras pessoas.

    E “aprender a andar de bicicleta” e levar a insegurança na bolsa não se resumem a relacionamentos amorosos não!
    Os mesmos sintomas podem vir pra amizades, trabalho, em relação a vc mesmo (oi crise existencial!) e em vez de comédias românticas, que é até aceitável, ROCKY BALBOA pode ser a tal “equação diferencial sobre rodas”!!!! SE esse filme têm esse efeito sobre você, quer dizer que a vida está mais revirada que um looping de montanha russa.

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  12. Nana Hellvox

    (êêê, meu primeiro coment!! \o/)
    Realmente o medo de receber é muito maior do que o de dar, quer dizer, você dirige “tranquilamente” um carro em alta velocidade, mas treme (ALGUMAS pessoas) quando está numa montanha-russa;é o medo, o receio do que vem…não temos controle nenhum, não sabemos nada sobre o que estamos a receber. Quando damos, até sorrimos, porque, bem ou mal, sabemos que é bem ou mal. Mas, e quando a coisa inverte?Sempre a aquele pézinho atrás, aquele temor de nos olharmos no espelho no dia seguinte e ver que recebemos uma migalha em troca de TANTO que foi dado dessa via aqui. O bom é que a gente, enquanto ser humano, “quebra a cara” em algumas situações, recebendo triplamente tudo o que damos- às vezes até de onde menos se imagina…Essa sensação do “prêmio inesperado” (e merecido, lógico) é maravilhosa…Por isso que é bom, como você disse no texto, Fê, a gente andar de capacete mas fingir que esqueceu a joelheira. No final tudo faz parte. É a vida, né?n____n
    Beijão!!

    Responder
  13. Claudia

    Muito bom esse texto………
    o mais engraçado foi o 2º parágrafo falando algo sobre ‘Don Juan’… comédia bizarra e real….
    Vlw.

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