Arquivo: October, 2008


Eu sou fã. Sou fã da obra de Lewis Carroll, sou fã das ilustrações dele. Sou fã do Tim Burton e da sua maluquice poética. Sou louca pelo Johnny Depp e admiradora fiel do trabalho dele. Agora, eis que a Disney finalmente irá lançar uma versão cinematográfica à altura da obra literária e com ninguém menos que o diretor mais indicado e mais suficientemente genial para isso. “Alice no País das Maravilhas”, por Tim Burton: como eu poderia não falar?!

Tim Burton é famoso pelos seus filmes nonsense, muitas vezes com um mórbido bom humor, como é o caso de O Estranho Mundo de Jack e Noiva Cadáver. Em 1990, Johnny Depp era um ator que ainda caminhava rumo ao sucesso, com apenas 5 filmes no curriculum. Neste ano, ele e o diretor se conheceram e filmaram Edward Mãos de Tesoura. Daí em diante, os dois colecionam sucessos: Ed Wood, A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, o remake de A Fantástica Fábrica de Chocolate, A Noiva-Cadáver e o musical (excelente!) Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet.

Este ano, Tim Burton começou a filmar “Alice no país das maravilhas” e convidou o ator para a sétima parceria. Johnny Depp irá interpretar “o Chapeleiro Maluco”, a atriz “quasedesconhecida” Mia Wasikowska viverá “Alice”, Matt Lucas estará no papel dos irmãos “Tweedledee” e “Tweedledum” e, completando o elenco, Anne Hathaway, sim! de O Diabo Veste Prada, e Helena Bonham Carter, esposa do diretor e atriz dos filmes Sweeney Todd e Clube da Luta; sendo que Anne será a Rainha Branca e Helena, a Rainha Vermelha.

Já conseguem imaginar Johnny no papel do Chapeleiro?

Apesar de algumas fotos do filme já terem vazado na web, ainda não podemos ver nem as rainhas nem Johnny em cena. Por enquanto, só temos o aviso do diretor de que as rainhas serão algo que jamais vimos antes. E a gente acredita, Tim! Sobre o filme, ele ainda declarou o seguinte ao Sci-fi Wire:

“Nunca vi uma versão de Alice em que eu sentisse que toda a obra original foi traduzida na tela. É uma série de aventuras esquisitas, e tentar fazê-las funcionar como filme será interessante.” [...] “As histórias [de Alice] são como drogas para menores, sabe?”

Agora, quanto à rapariga Alice, pode-se dizer que a atriz acordou com sorte num belo dia! Mia Wasikowska tem apenas 18 anos e nasceu na capital da Australia, Canberra. Atualmente, a garota tem um papel fixo na série In Treatment da HBO e estará em mais três filmes até o lançamento de “Alice…”: Defiance, I have to see that evening sun go down e Amelia.

Mia Wasikowska no set com Tim Burton

Apesar da garota ter um certo quê melancólico de Alice, não me convenci. Ainda acho que Tim Burton deveria ter sido um tantinho mais ousado e finalmente ter colocado uma atriz criança para viver a personagem, coisa que nenhuma das outras versões cinematográficas fez. É difícil pensar que uma garotinha faria tão bem uma personagem tão complexa, uma personagem que, se olharmos bem, não vive os conflitos de uma criança. Porém, Dakota Fanning é uma loirinha que não está de brincadeira e eu realmente acho que ela ficaria ótima no papel, mesmo sendo meio “insuportável”. Mas, bola pra frente: ele sabe o que faz.

Falando um pouquinho mais das escolhas do diretor, o grande quê de “Alice…” será a tecnologia utilizada. O filme entrará para a história das produções em 3d da Disney e  utilizará a mesma técnica de A Lenda de Beowulf, que misturou live-action com efeitos especiais e CG. Para quem não viu ou não lembra da cara do filme, dê uma olhadinha no trailer.

Por fim, o que posso dizer? Dizer que o filme estréia em março de 2010 e que até lá eu vou morrer de ansiedade. E depois vou morrer de novo com a direção de arte do filme. Porque, enfim, pode até ser que a versão fique horrível (o que eu duvido!), mas o Tim só manda gente caprichada pra fazer a arte nos filmes dele.

Enquanto isso, ficarei de olho nas fotos do set que forem vazando na web. Quero muito ver o figurino das rainhas e do nosso Johnny, é lógico! 8)

Antes que eu me esqueça! Se alguém aqui também é fã de Alice, veja o photoshoot da Annie Lebovitz para a Vogue, em 2003. No editorial, a modelo Natalia Vodianova fez Alice e posou ao lado de John Galiano, Donatella Versace e outros  figurões trajados como as personagens do universo de Lewis Carroll. Imperdível!

Créditos: Alice in Wonderland, Firstshowing.net, Imdb, Omelete, Telegraph, Wikipedia

ps: (pra não perder o costume) a promoção da Puket vai até sexta-feira. Ainda dá tempo de participar!

Postado por loverox

Tags: , , , , , ,

Shortbus (2006) é um daqueles filmes que você dificilmente esquece, porque gostou, porque odiou, ou mesmo pelas cenas “uncensored”, que ora te chocam, ora te tocam mais até do que você imaginava. O interesse pelo filme começou quando ouvi boatos aqui na faculdade de que ele seria um “pornô engraçadinho”, fora outras pessoas que se disseram chocadas e outras que se referiram a  Shortbus como “o filme da japa que não consegue gozar”. Ok, três opiniões bem distintas que já me motivaram a ir ao cinema, especialmente porque era quarta-feira e é mais barato, etc e tal.

Convoquei a Lari para a tarefa e chegamos felizes e contentes na sala do Espaço Unibanco vazia. Quer dizer, vazia, não… Uns sete homens sozinhos estavam na sala e nós duas nos entreolhamos na hora pensando onde estávamos amarrando o burrinho, mas nós somos absolutamente bem humoradas e simplesmente ficamos coradinhas. Sentamos e demos risadas ao longo de todo o trailer (para o desespero dos véios cults). Eis que então aparece uma mulher e um casal e suspiramos aliviadas. O filme começa.

A direção de arte já me deixou de olhos brilhando, principalmente porque ao invés de fazer aquelas tradicionais panorâmicas aéreas de Nova York, o diretor, John Cameron Mitchell, optou por recriar a cidade numa espécie de maquete digital, toda colorida e com cara de Picasso e cores de Almodóvar. Admirei. Através destas panorâmicas, o filme vai mostrando várias personagens diferentes ao longo da cidade: um gay, uma dominatrix e uma terapeuta sexual.

A terapeuta é a protagonista, “a japa que não consegue gozar”, e aparece neste cartaz do filme. Por coincidência, ela começa a atender o homossexual mostrado no início e seu companheiro. Eles acabam levando-a para conhecer o clube Shortbus, um espaço alternativo e democrático, comandado por uma drag queen sensacional, onde toda e qualquer pessoa pode ouvir música, conversar, dançar e fazer sexo livremente. Sim, inclusive orgias.

O filme tem sexo explícito mesmo, logo nos primeiros cinco minutos, além de não nos poupar nem um pouco da intimidade das personagens ou das tomadas destas “dirty rooms” do clube, mas me espantou muito que as pessoas tenham olhado para o filme apenas por este lado. É claro que é incômodo ver tais cenas, principalmente num cinemão – e nessa hora eu agradeço pelo velho que saiu do nosso lado e pela mulher sozinha que sentou no lugar dele e riu tanto quanto a gente. Porém, o filme fala sobretudo de relacionamentos, de pessoas e de como elas são diferentes.

A terapeuta sexual, que tanto dava conselhos, quem diria! Jamais tivera um orgasmo. Ou então o casal gay, que todos julgavam perfeito e que de repente irá se separar ou virar um “triângulo”, impreterivelmente. E, por fim, a dominatrix, que jamais consegue prolongar seu relacionamento com ninguém, nem que esteja recebendo uma grana alta para isso.

É lógico que as personagens são extremamente diferentes do que estamos acostumados a ver e isso já choca o senso comum por si só, mas descontando a primeira aparência, vemos gente comum. Vemos problemas de heteros, homos, bi-curious, seja lá o que for. Por isso vale a pena olhar com calma o filme, nem que for para odiá-lo depois ou para pensar de verdade em quanta gente você já viu com esses mesmos problemas. As cenas de sexo, aliás, são uma diversão à parte. Enquanto tem quem fique sem graça, eu creio que são momentos dos mais naturais do filme, já que elas garantem boas risadas, principalmente por ficarem longe das cenas “perfeitinhas” a la Hollywood ou da hipersensualidade dos filmes pornôs. É realista. Não é só sexo: é vida.

Shortbus também teve bastidores curiosos. Durante a seleção do elenco, o diretor pediu para que os atores contassem, em 4 minutos, experiências sexuais que lhes tivessem sido marcantes, mas bom mesmo é o jeito como ele credita os figurantes no final do filme: ao invés de chamá-los de “extras”, eles são entitulados como “sextras”. Engraçadinho.

O filme tem uma trilha sonora incrível, direção de arte e fotografia que pulam aos olhos e já recebeu alguns prêmios por aí: o prêmio dos produtores, no Independent Spirit Awards (um dos mais importantes festivais norte-americanos de cinema independente) e o prêmio de melhor roteiro e melhor direção de arte no Festival de Gijón, nas Astúrias, Espanha.

Por fim, só posso reafirmar: assistam Shortbus e supreendam-se. Ainda está na dúvida? Veja o trailer.

ps: Promoção da Puket continua!

Related Posts with Thumbnails

Postado por loverox

Tags: , , , , ,

Sobre a autora: Fernanda Pineda Vicente, também conhecida como @loverox, 23 anos, São Paulo. Produtora e atriz, formada em Rádio e TV pela Faculdade Cásper Líbero em 2009 e pelo Teatro Escola Macunaíma em 2008. Apaixonada por cinema, música, moda, nerdices e gatos, adora postar por aqui achados e descobertas na web e na vida real.Veja o perfil
dTwitterYoutubeFacebook

Twitter

Flickr

Visitantes



bloglovin

Página Inicial | Domínio | Perfil | Arquivos | Links | Contato

Assine o Feed | 11 Users Online

Copyright © 2010 Fake-Doll. All rights reserved.