Shortbus: sobre a vida ou sobre sexo?

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Shortbus (2006) é um daqueles filmes que você dificilmente esquece, porque gostou, porque odiou, ou mesmo pelas cenas “uncensored”, que ora te chocam, ora te tocam mais até do que você imaginava. O interesse pelo filme começou quando ouvi boatos aqui na faculdade de que ele seria um “pornô engraçadinho”, fora outras pessoas que se disseram chocadas e outras que se referiram a  Shortbus como “o filme da japa que não consegue gozar”. Ok, três opiniões bem distintas que já me motivaram a ir ao cinema, especialmente porque era quarta-feira e é mais barato, etc e tal.

Convoquei a Lari para a tarefa e chegamos felizes e contentes na sala do Espaço Unibanco vazia. Quer dizer, vazia, não… Uns sete homens sozinhos estavam na sala e nós duas nos entreolhamos na hora pensando onde estávamos amarrando o burrinho, mas nós somos absolutamente bem humoradas e simplesmente ficamos coradinhas. Sentamos e demos risadas ao longo de todo o trailer (para o desespero dos véios cults). Eis que então aparece uma mulher e um casal e suspiramos aliviadas. O filme começa.

A direção de arte já me deixou de olhos brilhando, principalmente porque ao invés de fazer aquelas tradicionais panorâmicas aéreas de Nova York, o diretor, John Cameron Mitchell, optou por recriar a cidade numa espécie de maquete digital, toda colorida e com cara de Picasso e cores de Almodóvar. Admirei. Através destas panorâmicas, o filme vai mostrando várias personagens diferentes ao longo da cidade: um gay, uma dominatrix e uma terapeuta sexual.

A terapeuta é a protagonista, “a japa que não consegue gozar”, e aparece neste cartaz do filme. Por coincidência, ela começa a atender o homossexual mostrado no início e seu companheiro. Eles acabam levando-a para conhecer o clube Shortbus, um espaço alternativo e democrático, comandado por uma drag queen sensacional, onde toda e qualquer pessoa pode ouvir música, conversar, dançar e fazer sexo livremente. Sim, inclusive orgias.

O filme tem sexo explícito mesmo, logo nos primeiros cinco minutos, além de não nos poupar nem um pouco da intimidade das personagens ou das tomadas destas “dirty rooms” do clube, mas me espantou muito que as pessoas tenham olhado para o filme apenas por este lado. É claro que é incômodo ver tais cenas, principalmente num cinemão – e nessa hora eu agradeço pelo velho que saiu do nosso lado e pela mulher sozinha que sentou no lugar dele e riu tanto quanto a gente. Porém, o filme fala sobretudo de relacionamentos, de pessoas e de como elas são diferentes.

A terapeuta sexual, que tanto dava conselhos, quem diria! Jamais tivera um orgasmo. Ou então o casal gay, que todos julgavam perfeito e que de repente irá se separar ou virar um “triângulo”, impreterivelmente. E, por fim, a dominatrix, que jamais consegue prolongar seu relacionamento com ninguém, nem que esteja recebendo uma grana alta para isso.

É lógico que as personagens são extremamente diferentes do que estamos acostumados a ver e isso já choca o senso comum por si só, mas descontando a primeira aparência, vemos gente comum. Vemos problemas de heteros, homos, bi-curious, seja lá o que for. Por isso vale a pena olhar com calma o filme, nem que for para odiá-lo depois ou para pensar de verdade em quanta gente você já viu com esses mesmos problemas. As cenas de sexo, aliás, são uma diversão à parte. Enquanto tem quem fique sem graça, eu creio que são momentos dos mais naturais do filme, já que elas garantem boas risadas, principalmente por ficarem longe das cenas “perfeitinhas” a la Hollywood ou da hipersensualidade dos filmes pornôs. É realista. Não é só sexo: é vida.

Shortbus também teve bastidores curiosos. Durante a seleção do elenco, o diretor pediu para que os atores contassem, em 4 minutos, experiências sexuais que lhes tivessem sido marcantes, mas bom mesmo é o jeito como ele credita os figurantes no final do filme: ao invés de chamá-los de “extras”, eles são entitulados como “sextras”. Engraçadinho.

O filme tem uma trilha sonora incrível, direção de arte e fotografia que pulam aos olhos e já recebeu alguns prêmios por aí: o prêmio dos produtores, no Independent Spirit Awards (um dos mais importantes festivais norte-americanos de cinema independente) e o prêmio de melhor roteiro e melhor direção de arte no Festival de Gijón, nas Astúrias, Espanha.

Por fim, só posso reafirmar: assistam Shortbus e supreendam-se. Ainda está na dúvida? Veja o trailer.

ps: Promoção da Puket continua!

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15 comentários

  1. Beatriz Saltarelli

    Não tá passando em BH!!! =(

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  2. Vy

    Sério que fiquei com vontade de ver o filme só pela descrição da recriação da cidade ali em cima! Mas é engraçado e quase irreal uma japa que não consegue gozar (embora no cartaz ela pareça mais chinesa que qualquer outra coisa!), hihi…

    Sobre o café, eu até gosto de café, o cheiro é muito bom, mas se eu tomar um expressinho lá se vai meu sono por pelo menos 12hs! Acho que gosto mais de dormir que de tomar café, haha!

    As personalidades dos librianos podem até variar, mas os gostos… Acho que nunca conheci um que não gostasse das coisas boas da vida, né=P

    Ah, e meu aniversário é daqui uma semana, dia 9!

    Bjos

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  3. Fê Loverox

    Vy on 02/10/2008 at 5:23 pm said:

    Sério que fiquei com vontade de ver o filme só pela descrição da recriação da cidade ali em cima! Mas é engraçado e quase irreal uma japa que não consegue gozar (embora no cartaz ela pareça mais chinesa que qualquer outra coisa!), hihi…

    Sobre o café, eu até gosto de café, o cheiro é muito bom, mas se eu tomar um expressinho lá se vai meu sono por pelo menos 12hs! Acho que gosto mais de dormir que de tomar café, haha!

    As personalidades dos librianos podem até variar, mas os gostos… Acho que nunca conheci um que não gostasse das coisas boas da vida, né=P

    Ah, e meu aniversário é daqui uma semana, dia 9!

    Bjos

    hahaha é, parece mais uma chinesa mesmo. Mas sabe como o povo fala.. Confunde tudo.

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  4. lariica

    esse filme é sensacional. vc sabe que eu sei disso né?! haosdjpoike

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  5. Diego

    Poutz, acabo de ver o filme. Muito bom mesmo. A recriação de NY é linda, as cores a naturalidade das cenas, é tudo muito lindo.

    Ah, quanto a japa, bem ela não é japa mesmo. Ela fala que é chinesa (até menciona da criação que recebeu dos pais), mas morava no canadá.

    Recomendo o filme tb.

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  6. Rafaella

    Oi Fê! (olha a intimidade)
    então, queria saber quantas vezes pode participar da promoção da Puket, pode mandar mais de uma resposta?
    Beijos ;*

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  7. Dani B

    Fiquei curiosa com o filme! Acho q ngm pensou nisso antes!
    Bjos!

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  8. Lecticia

    Não tá passando aqui =(
    Pra que tem Espaço Unibanco nessa cidade mesmo? ¬¬
    O jeito é apelar pro torrent =X

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  9. Yoh

    Oiee!
    N sou muito cinéfila sabe? Mas vim deixar meu recado lógico!

    Beijoo;**

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  10. Tati

    ah vou assistir, só pelo trilha sonora incrivel ha-ha-ha ^^

    bjos

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  11. Isadude

    Olaa, td bom?

    aa eu num tinha ouvido fala desse filme ainda mas parece ser legal.
    vo ve se ta passando no cinema da minha cidade :)

    beeijos

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  12. Li Garone

    Ah.. me deixou curiosa pra assistir o filme!! rsrs

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  13. Thuanny

    Nossa acho que vou gostar do filme, não por ser promiscua (longe de mim) mas pela minha reação mesmo, passou a ser interessante…

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  14. Fê Loverox

    Rafaella on 03/10/2008 at 1:00 pm said:

    Oi Fê! (olha a intimidade)
    então, queria saber quantas vezes pode participar da promoção da Puket, pode mandar mais de uma resposta?
    Beijos ;*

    Oi Rapha! é uma resposa só por pessoa! :D

    Responder
  15. Fê Loverox

    Thuanny on 07/10/2008 at 10:24 pm said:

    Nossa acho que vou gostar do filme, não por ser promiscua (longe de mim) mas pela minha reação mesmo, passou a ser interessante…

    hahaha imagina! não é questão de ser promíscua ou não, o filme é ótimo e vale a pena ser assistido!

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